Letters To Anyone
32 Sixth warning
Notas iniciais
Sério.
Enrolei tanto porque na verdade tinha perdido o anexo em que estava salvo o capítulo inteiro. Sempre que eu olhava aquele último capítulo incompleto me batia um desespero por ter perdido tudo.
Daí esses dias lembrei como era o nome do anexo e onde estava...
Anyway, espero que gostem do capítulo final. Vocês que acompanharam e tudo mais, que deixaram reviews lindas e que ficaram na expectativa de descobrir quem era o assassino... Obrigado. Muito obrigado mesmo *-*
Enfim, parei de enrolar e vou deixar vocês lerem~~~~~
O tanoshimi. Enjoy ♥
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Vamos jogar?
Dar as cartas.
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Ele sorria doentiamente ao ver o diamante vermelho reluzir na luz fraca do quarto, sozinho no apartamento. Stéphane sairia e disse que não voltaria tão cedo, o que não era de seu feitio. Talvez estivesse com medo do que acontecera, aquele infeliz incidente em que acabara enfrentando Bryar sozinho. Mas não tirava a razão do louro; se ele queria espaço, que o tivesse. Não o forçara a entrar nesse mundo e não o forçaria a ficar. Era uma escolha dele.
Aliás, já sabia que o tempo de Stéphane passara há muito tempo. Talvez estivesse sendo piedoso em deixá-lo viver mais alguns dias. Mas isso não poderia continuar por muito tempo.
Agora que Bryar fora preso, seu caminho estava livre. E alcançaria sua felicidade própria.
Na verdade, estava cansado disso tudo, dessa brincadeira de gato e rato e queria dar um basta. Mas um basta definitivo. Admitia que seu problema era tão profundo quanto gostaria e que era irreversível; não queria ser curado. Queria parar. Queria parar com tudo e para isso bastava apenas uma bala em seu coração e estava feito.
Olhou para o lado novamente e deparou-se com papel branco, caneta e um rei de copas, o seu preferido — marcado à sangue.
Sorriu novamente, alcançando-os e escrevendo sua última carta:
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De repente, eu cansei. Cansei de tentar limpar esse mundo, sei que não posso fazer justiça com minhas próprias mãos e que estou fracassando ridiculamente ao tentar fazê-lo. Não há mais atrativo em fazer o que faço desde que Sim se foi. Ele era meu maior desafio, o homem que me bloqueou por muito tempo e que, infelizmente, foi pego antes que eu pudesse sequer olhá-lo uma última vez na certeza de que seria a última.
Sei que não posso passar a vida inteira me escondendo, então direi meu nome, esperar que vocês o encontrem e que venham atrás de mim. Estarei esperando ansiosamente pela visita de vocês, como talvez sempre sonhei.
Acho que em meus mais temíveis pesadelos era fantasiar com o dia em que seria descoberto. No entanto, nunca pensei que eu provocaria esse encontro e isso não me anima muito, para ser sensato. Gostaria de jogar mais com vocês, que se mostraram jogadores tão frívolos. E devo confessar uma coisa: em minhas cartas não havia mistério, eu não dava pistas de quem mataria. Queria apenas testá-los e todos se saíram incrivelmente bem, mas principalmente Frank. Kurt também não se saiu nada mal, me surpreendeu, de fato.
E digam-me: agora que o mistério acabou e me encontraram, como ficará a vida de todos vocês? Vai ser a mesma emoção que foi enquanto tentavam encontrar-me? Vale a pena continuar?
Oras, queiram me perdoar, acho que meu lado irracional está falando mais alto agora, então talvez algumas passagens podem não ter coerência a seus olhos. Aliás, quero que leiam com atenção.
E lembrem-se: sempre haverá um novo jogo a ser feito. E façam como fizeram neste: joguem com atenção, não façam apostas muito altas e saibam parar. Alguém pagou com a vida em um simples BlackJack. Vão querer repetir a proeza de uma de minhas vítimas? Espero que não, sinceramente.
Uma última coisa: Frank, naquela noite você me mostrou que amar é lindo. O que tenho com Stéphane não é nada. Ele é apenas um peão meu nesse tabuleiro agora praticamente vazio. Eu apenas o usei e usei seu coração. E não me arrependo. Caso contrário não poderia descobrir que o que sinto por você é tão forte que arde em minhas veias. Você jamais saiu de meus pensamentos.
E nunca sairá, pode ter certeza.
Queria ter mais tempo com você, mas acho que o meu acabou e devo admitir que vocês venceram.
Então venham pegar o prêmio. É o maior da casa e ninguém nunca o possuiu, seja em um jogo de dados qualquer, na roleta ou em um jogo de cartas sujo.
PS: Frank, este diamante contém uma senha que é vital a vocês, não vou aqui escrevê-la porque isso seria muito fácil. Quero que trabalhem para encontrá-la. Lá vocês terão todo tipo de informação a meu respeito. E sobre Stéphane, Bryar e todo comparsa que já tive e que já matei.
Sinceramente, “Faletti”.
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Releu aquelas palavras apenas mais uma vez, gravando-as em sua mente.
Pegou o tinteiro com a tinta especial e desenhou em sua bela caligrafia particular seu real nome, suspirando feliz ao ver sua identidade sumir, assim como fizera por anos. Não sabia se encontrariam aquele nome, tinha certeza que sim. Se não, dera dicas o suficiente que o indiciasse. Seria fácil demais, e ele não estava acostumado a este tipo de facilidade.
Guardou a carta no envelope com cuidado, seguido pelo rei.
Deixou com que suas digitais dançassem livres pelos papéis e também pelo rei manchado com seu próprio sangue. Não fazia muita diferença, estava ajudando-os mesmo. Talvez estivesse subestimando a inteligência e percepção deles. Talvez não.
Já não sabia mais.
Antes de fechar o envelope, deu uma última olhada no diamante que estava ao seu lado. Sabia perfeitamente a senha que ele escondia, gravada em seu interior e especialmente refeito no exterior. Há muito tempo o tinha, mas não estava interessado no segredo em seu interior ou no dinheiro que valia: estava interessado em sua beleza e simplicidade, com aquele brilho mortal que já o impulsionara milhões de vezes.
Sempre o admiraria, isso não mudaria jamais, tinha plena certeza.
Pouco ligava se era de madrugada ou não. Dirigiu até a tão conhecida casa e deixou a carta na caixa de correios, suspirando ao vê-la jazer sozinha naquele espaço de metal. Tal como ele.
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Na manhã seguinte, respirou fundo ao deparar-se com Stéphane do seu lado, ainda adormecido e perdido em um mundo apenas seu.
Daria a ele duas opções, mas sabia que nenhuma delas lhe afetaria de forma negativa. Nunca houvera amor, na verdade, então pouco lhe importava. Só não sabia como o louro reagiria e não estava com humor para sentimentalismo, gritos e choros. Queria que fosse rápido e silencioso, assim lhe pouparia dor de cabeça.
— Stéphane — empurrou-lhe o ombro, tendo como resposta apenas um gemido de desconforto. — Ande, acorde.
Poucos minutos depois, o mais novo acordou, atordoado.
— O que houve, Faletti? — praticamente miou.
— Vou lhe dar duas alternativas e você vai escolher uma das duas sem nenhuma palavra.
— Do que está falando? — agora estava visivelmente desperto, olhando para o outro de forma preocupada.
— Ouça: prefere fugir e acabar na cadeia com Bryar ou prefere morrer?
— Mas... Faletti! Só pode estar brincando, não é, meu amor?
— Não me venha com meu amor. Escolha logo, não tenho o dia todo — disse ríspido.
— O que houve? Fomos descobertos?
— Não existe nós nisso. Estou cansado de ouvi-lo pôr dessa forma. Não existe isso, não existe amor nem nada. Achei que você perceberia. Agora escolha logo o que quer.
— Você me usou todos esses anos?!
— E qual a surpresa? Deveria esperar isso de um assassino com o nome exibido em jornais do mundo inteiro.
Stéphane estava aturdido, não sabia o que pensar ou o que falar. Descobrir que o homem para quem entregou-se de corpo e alma não o amava era um choque e tanto, e sentia-se traído, despedaçado e morto.
— Já que deixa a escolha em minhas mãos... — suspirou e pegou a arma que estava em sua mesa de cabeceira, engatilhando-a. — Quer que seja assim?
— Faça logo — a voz de Stéphane estava grossa, talvez fossem as lágrimas que rolavam pesadas por seu rosto.
Não voltou a olhar para Stéphane (não porque sentia-se envergonhado ao fazê-lo, mas porque não havia necessidade) e apenas disparou, ouvindo um grito desesperado do louro. Quando olhou para o lado, viu-o retorcer-se com a dor, mas logo parou quando o coração falhou, assim como o sangue e os pulmões. Estava feito, seu penúltimo assassinato. Fora rápido e pratico, como deveria ser.
Como se nada tivesse acontecido, simplesmente levantou-se e olhou ao redor, dando falta do diamante e de seu último rei de copas. Sabia que não tinha muito tempo e que se fossem realmente rápidos, já deveriam estar a caminho.
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Uma hora mais tarde e ele ainda esperava, olhando atentamente o .38 pousado na mesa de centro da sala, acompanhado apenas por um projétil dourado e prateado. Sorriu com a simplicidade da cena e ao recordar que não seria mais um dia tão simplório. Alguém morreria e, em seus pensamentos mais profundos e assustadores, queria que fosse ele mesmo quem sofreria aquele destino.
Ouviu uma batida rápida na porta e assustou-se em não ver o apartamento ser arrombado.
— Entre — ordenou com a voz rouca.
Os olhos amendoados fitaram o outro, parecendo mais surpreso do que deveria parecer. Não conseguia compreender o motivo de tal confusão. Ou entendia mas tentava abstrair disso.
— Você me encontrou. Feliz agora?
— Não... Não pode ser...
— O que não pode, Frank? Está vendo isso, está na sua frente — o sorriso do moreno era irônico, um sorriso maldoso e que em outras ocasiões foram leves e sem pretensões.
— Não consigo acreditar que você fez isso... Você?!
— Desculpe, Frank. Mas quero jogar mais um jogo, só mais um... E só nós dois, Frank. Kurt, desculpe, mas desta vez é algo com duas pessoas — murmurou sem desviar a atenção de Frank. Ele sabia muito bem que Kurt estava no corredor só ouvindo.
— O que quer fazer? — nos olhos amendoados transbordavam lágrimas que o mais velho não entendia. Por que ele estava tão perturbado por isso...?
— Roleta russa. Um de nós não acabará bem. Se for você, nada mais do que justo. Você ficou viciado nesse jogo que eu criei e é uma de minhas vítimas. Se for eu... Nada mais justo. Quero dar um fim nesta droga toda que me acomete. Quero desligar essas doenças, me desconectar do tudo. E só dormir não adianta... Tenho que me desligar por completo.
— Suicídio...? — ele sussurrou.
— Muito bem. Que tal? Aceita minha proposta ou não? A última...
Frank ainda hesitou antes de tomar a poltrona na frente do mais velho, diante àquela mesinha pequena e arredondada onde jaziam o .38 e um único projétil.
Por fim, acabou tomando seu lugar e ficou olhando para o moreno, esperando que ele fizesse algum movimento.
— Certo, então vamos lá...
Ele pegou o .38 e sorriu mais uma vez, um sorriso doentio agora. Tomou entre os dedos o projétil e o colocou no pente da arma. Girou-o e sorriu.
— Posso começar?
Frank assentiu, olhando-o com dor nos olhos.
Ele levou o revólver até a lateral da cabeça, engatilhou e disparou, o eco silencioso de um tiro vazio dando um ar mortal ao lugar já tão tenso.
Sorriu e entregou a arma para Frank, que repetiu seus movimentos com os olhos abertos e temerosos. O tiro fora vazio mais uma vez.
E o processo repetiu-se, cada um mais uma vez, tornando quatro disparos vazios e a tensão crescendo cada vez mais.
— Parece que agora são os disparos decisivos... — sua voz era neutra, mas haviam traços não de medo nem de temor por talvez perder a vida. Estava ate feliz com isso, tranquilo demais. — Só mais alguns detalhes... O corpo de Stéphane está na minha cama. Acho que seria legal se vocês o tirassem de lá o quanto antes. Matei-o com um tiro certeiro, então isso poupa-lhes de alguns exames e tudo mais. No final, não sou um cara tão mal assim, estou lhes ajudando e, Frank... Eu te amo.
Levou a arma para a cabeça, suspirou e sabia o que aconteceria. Estava entorpecido por heroína e calmantes em quantidade que derrubariam um leão, se deixasse. Mas não era por estes motivos que estava tão tranquilo. Sabia que finalmente descansaria, era o que queria desde o começo.
Claro, o começo foi extremamente excitante, suas primeiras mortes foram ate poéticas e sempre gostava de fazê-lo. Mas a vida perdera o sentido, não estava mais a mesma diversão que fora das primeiras vezes. Cansou-se, simplesmente.
— Você... Ama? — o sussurro de Frank o impediu de concretizar os movimentos finais.
— Sempre amei, achei que perceberia.
Foi aí que o coração e mente de Frank entenderam. Ele também o amava, sabia o que era aquela confusão e o impasse em que ficava toda vez que se viam. Outrora não entendia porque aquela confusão e naquele momento fazia sentido. Ele o amava também.
— Bom, é isso...
E o disparo, o som reverberando pelas paredes e Gerard caiu para frente, o corpo sem vida e pesado no chão, ainda tinha a expressão suave e os olhos verdes abertos, parecia que fitavam Frank até em sua morte.
Frank começou a gritar e jogou-se ao lado de seu amor, agora morto.
Não conseguia entender, em sua mente não fazia sentido. Não conseguia vê-lo como assassino. Ele seria sempre um enigma para ele e não haviam coisas que mudassem sua mente.
Ele o amava demais e agora sentia essa dor.
— Frank?! — Kurt agarrou-o pelos ombros, procurando tirá-lo de perto de Gerard, em vão. O menor debatia-se, agarrando o corpo sem vida de seu amigo, chorando desesperadamente e gritando coisas que pareciam não fazer sentido.
Por fim, acabou respirando firme e tirou o revólver de Kurt do coldre, a mão tremendo tanto que não parecia real.
— O que vai fazer...? Frank? — Kurt murmurava afastando-se de Frank.
— C-com ele! Eu tenho que ficar com ele! — e então disparou contra sua cabeça, como se ainda estivesse jogando roleta russa.
Kurt viu atordoado aquela cena. O corpo morto de Frank caindo sobre o de Gerard, parecendo tão erroneamente certo que era irreal. Aquilo não poderia estar acontecendo... E... Era lindo.
Morrendo por seu amor, mesmo que errado.
No fundo, Frank não tivera uma vida antes e aquela era seu motivo de viver. De repente, perder seu amor e seu motivo para viver era algo absurdo demais e não conseguiria mais continuar.
Estava terminado.
Kurt viu retirarem o corpo de Stéphane e ficou na sala, caído no chão como se seu mundo tivesse acabado. Ficou encarando o corpo do amigo morto, que também era o criminoso que já matara várias pessoas, inclusive de outros países. Acabara, o assassino morto. Mas também era seu melhor amigo, a pessoa que sempre estivera ao seu lado, em seus piores e melhores momentos.
Não diria ao mundo quem era, que o serial killer fora morto e não diriam sua verdadeira identidade.
Faletti, Gerard... Seriam personalidades duplas?
Olhou o diamante que estava guardado em seu bolso. Bastava esperar para ver a senha que aquele diamante escondia.
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Faletti. Gerard... Argh, não aguento mais isso. São meus olhos, meu rosto e meu corpo. Mas a mente não, são pessoas diferentes usando o mesmo corpo, expulsando o mesmo sangue a cada novo corte aberto. Não consigo mais suportá-lo, ele não se cala. Murmura sempre que eu devo ir para as ruas e fazer novas vítimas.
Eu tinha um comparsa, Bob Bryar. Já nos desentendemos e ele insistia que isso não lhe subira à cabeça. Duvido... Ele tentou me matar, mas errou o tiro e tentou fazê-lo com as próprias mãos, já que no dia em que matara Sim estava somente com duas palavras — uma para Sim e a outra minha.
Há tanto para lhe contar... Quer me ouvir?
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Hey Way~
11/10/2011
Notas finais
Coisa linda, mais uma fic concluída. Mudei tudo na metade do caminho, depois desmudei (?) e assim foi até chegar aqui.
Desculpem os erros (estou sem tempo para corrigir, estou atrasada pra aula de japonês q). Avisem-me na review.
Comentem, sure...
Espero MESMO que tenham gostado desse trabalho. Para mim foi um desafio diferente, algo que adorei fazer e os capítulos se desenrolavam sozinhos. Ora curtos, ora maiores mas sempre ficaram do jeito que eu queria. Não sei se vocês gostaram mas amei.
Enfim, obrigado por tudo ♥
Kissus. Way~
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