Letters To Anyone
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Notas iniciais
Vamos jogar?
Sua sorte foi lançada.
Seus olhos não se desviavam um só segundo daquele rei de copas marcado de forma que só ele sabia. Era um truque baixo, mas sentira pena dos gatos que lhe caçavam. Queria dar uma vantagem por serem tão insistentes assim em si. Dera uma pista, talvez assim pudessem compreender mais como seu jogo funcionava.
As apostas já estavam feitas assim que todos aceitaram seu desafio e não tinha mais como voltar atrás. E, para seu prazer, nem queria que voltasse.
Seu caso era antigo e não havia mais volta.
O rei parecia sorrir tristemente, logo percebeu. Aquela figura na carta envelhecida parecia entender suas dores, parecia saber tudo o que passou e estava disposto a ajudá-lo.
Aquele rei tinha realmente algo que o diferenciava dos outros e estaria provando aquilo naquela mesma noite, sendo duas seguidas. Não costumava agir daquela forma, mas sentia que aquela era a sua única chance de se reerguer; sua mente estava em pedaços e não havia nada que pudesse fazer para reconstruí-la. Aquela era sua única chance.
Observava ao longe os movimentos daquele homem que parecia mal se aguentar nas próprias pernas de tão bêbado que estava. Não tinha um centavo nos bolsos e mesmo assim continuava apostando. Essa era a vida de Riley Sager, um falido na vida, em todos os sentidos. Vivia com um amigo à favor, uma vez que conseguira perder todo o dinheiro da gorda herança de um tio, assim como perdera a mulher e seus dois filhos, gêmeos. Sua vida já não tinha mais sentido e o dinheiro que conseguia para apostas e bebedeira provinha de cheques que pedia adiantado para seu chefe. Já não sabia mais que desculpa inventar para conseguir mais dinheiro. Riley sabia que o chefe já não acreditava mais em suas mentiras, mas só dava o dinheiro por pena.
Após uma briga nos fundos do cassino em que estava perdendo até sua alma, sendo provocada por uma idiotice de sua parte, fora deixado do lado de fora praticamente desmaiado, caído no chão engolindo o próprio sangue que escorria pelo corte em seu lábio superior.
Não haveria chance melhor para atacar.
Moveu-se com movimentos praticamente felinos até a vítima largada no chão, ergue-o sem muita dificuldade. Aquele corpo magro que parecia estar no auge de seus quase quarenta anos era fácil de ser manipulado, ainda mais por estar meio inconsciente. Mas não era aquilo que queria. Queria que sua vítima agonizasse e pedisse clemência, queria ouvi-lo gritar alto, mas em vão, uma vez que o barulhento cassino não se daria ao trabalho de ouvir seus gritos de socorro. Queria ver o terror estampado em sua face vermelha, queria ver aqueles olhos castanhos assustados e procurando uma saída.
Era isso o que procurava quando saia à caça.
Mas antes mesmo que pudesse fazer algo para acordar Sager, este já estava gritando e se afastando do homem trajado completamente de negro, literalmente dos pés à cabeça.
– O que pensa que está fazendo?! – gritou, porém as palavras não foram tão claras quanto desejava.
Não disse uma só palavra, como era de praxe, apenas avançou novamente para a vítima, imprensando-a contra a parede de tijolos à esquerda, sentindo o impacto violento do corpo. Não pôde evitar que um sorriso de crueldade estampasse seu semblante coberto.
– ME SOLTA! – Riley tentou debalde soltar-se dos braços daquele homem, mas em resposta apenas teve seu corpo ainda mais forçado contra os tijolos.
Aos poucos, conforme ia aumentando a pressão que aplicava no corpo frágil, ouviu um a um os ossos das costelas se quebrarem. Uma sequência seca que era ainda mais gratificante ao agressor.
Ouvia seu mártir berrar de dor, da forma que queria. Procurou a face quente do outro, recebendo como resposta o que tanto desejava. Os olhos surpresos demonstravam também aflição e agonia, assim como seus braços e pernas ainda tentavam afastar o homem que o atacava tão cruelmente. Mas era inútil, sabia disso, porém havia algo em sua mente que não podia se deixar vencer.
– Chega, Riley. Sua aposta foi cancelada, está fora do jogo – sussurrou sombriamente no ouvido do outro, paralisado-o novamente com o tom de voz quase mortal do outro.
Tendo o punhal em sua mão direita, cravou-o no peito de Riley Sager, atingindo precisamente seu coração, parando-o no mesmo instante.
Não se ouviu mais nada naquele beco escuro, só o barulho que vinha de dentro do cassino.
Duas palavras o definiam. E ver suas palavras preferidas escritas com o sangue de suas vítimas era ainda melhor, muito mais prazeroso de ler.
Vamos jogar?
Notas finais
Desculpem os erros do outro capítulo e desse.
E... É isso. Espero que gostem *-*
Até o próximo.
Kissus. Way.
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