Letters To Anyone
15 Ninth letter
Notas iniciais
Só porque hoje é ~véspera~ de Natal.
Já coloquei o especial de Natal no ar porque acho que não vou estar disponível amanhã e já estou terminando o especial de Ano Novo, a pedido de todas.
~se bem que eu ia fazer vocês querendo ou não~
Isso aí. Curtam.
O tanoshimi. Enjoy ♥
Vamos jogar?
Intuição inconsciente de jogador.
Por volta de três horas da manhã finalmente pegara no sono, mas, claro, depois de ficar umas duas horas observando aquela carta. Queria lê-la e saber o que mais sua mente tinha a nos dizer, no entanto, resolvi seguir as ordens do pastor alemão e esperar pela manhã seguinte, assim as três mentes poderiam se ajudar. Seria muito mais fácil.
Por outro lado, não pude desligar a mente tão facilmente quanto queria.
Não direi apenas a você, desta vez. Vamos revelar à sociedade que estou de volta, sim? Para quê fazer mistério? Além do mais, devem haver pessoas que, assim como você, devem querer desvendar minha escuridão. Então deixe com que as portas abram e a luz se acenda.
Arrume um parceiro para seus jogos, seria o melhor a fazer.
Suspirei e deixei o papel cair sobre a mesa. Era só o que ele tinha para nós daquela vez. Somente aquele mísero pedaço de papel com aquela caligrafia particular.
– Ele fez uma carta pública, olhem – Coudec pôs sobre a mesa o jornal do dia, não me dei ao trabalho em ver qual era, só vi o que ele apontava, se bem que nem precisava disso: havia um título em letras garrafais enormes que pareciam escritas com neon vermelho. Caso arquivado volta à ativa.
Encarei aqueles olhos azuis com dúvida, mas ele apenas indicou com um breve gesto que deveria ler.
Há alguns anos, meu caso fora arquivado e negligenciado por nunca me encontrarem ou ter uma pista sequer de quem poderia ser. Desde que voltei, cometi três assassinatos e ainda há aqueles que cometi no passado.
Venho me comunicando com a polícia através de cartas. Mas desta vez resolvi fazer algo diferente.
Peço alguns segundos da atenção de vocês.
Assim como Frank Iero, devem haver mais pessoas que tem sede por saber como penso, como ajo, como consigo ser assim. Pois bem, darei-lhes uma confissão, talvez a única.
Seu nome era Mattari e o vi pela primeira vez saindo de um cassino em uma cidade esquecida ao sul da Itália. Mattari não tinha nada de diferente para quem olhasse, mas, para mim, seria o alvo perfeito.
Naquela noite, Mattari havia perdido sua vida nos jogos e ainda tentara provar mais um pouco de seu azar após três rodadas de blackjack. Ali dentro perdera tudo o que já havia conseguido em seus trinta e cinco longos anos. Talvez estivesse falido desde que nascera: sua herança eram as dívidas dos jogos de seu pai, morto por gangues as quais devia altas quantias (fossem em dólares, euros ou até em reais). Naquela noite, Mattari planejava reviver; estivera morto há tantos anos...
Andando pelas ruas desertas daquela cidade abandonada, aproximou-se da baía e ficou observando o mar.
Só o que fiz foi acabar com seu sofrimento. Aquele homem não sabia, mas aquilo que mantinha não poderia ser chamada de vida. Por outro lado. Mattari era um homem morto desde sempre.
Mattari, você acendeu uma chama em minha vida escura. Há tempos vagava pelo mundo inteiro à procura de algo que pudesse preencher minha alma vazia. Você fez questão de me dizer o que era. Agora, agradeçam-no. Ou melhor, eu devo agradecer. Se não fosse por ele, sabe-se lá o que já teria me acontecido.
Enquanto meus olhos corriam pelas letras de sua lembrança do primeiro assassinato, não pude deixar de sentir um espasmo me percorrer.
Assim como Frank Iero...
O assassino pode estar bem ao meu lado e não consigo vê-lo.
– Coudec, o que vocês conseguiram?
– O jornal disse que a carta foi entregue em anônimo e que não alteraram nenhuma palavra do que havia na folha, tanto que pegamos para analise, apesar de não constatarmos nada novamente.
Estávamos andando em círculos no escuro, tentando perseguir as próprias sombras.
– E o que faremos? Se ele atacar novamente, não sabemos se me avisará ou estampará seu desabafo na primeira página do jornal.
– Temos que começar a juntar alguns nomes, infelizmente. Seria julgar sem ter provas, mas, no momento, estamos aceitando qualquer coisa.
– Certo... Como começaremos, então?
– Manteremos três agentes atrás dos principais suspeitos, que são esses – Gerard disse entrando em meu escritório de repente e jogando um relatório sobre a mesa por cima da carta de aparição do nosso rato.
Peguei o relatório em mãos e corri os olhos pela lista.
– Raquel Wender? Por acaso não seria a minha Raquel? – inquiri?
– Ela tem em mãos sua agenda, tem contato com qualquer um que lhe ligue. Ela pode muito bem ser suspeita.
– Acha mesmo que aquela boneca de plástico poderia ser capaz de crimes hediondos como estes?
– Ela já não esteve na Itália na mesma época do primeiro assassinato? E na mesma cidade? – sua voz parecia vir do fundo de uma caverna. Claramente não havia dormido nada naquela noite, diferente de mim e de Kurt.
– Sim, mas... Ainda sim! Ela não é lá essas coisas!
– Eu nunca disse que ela age sozinha. Pode muito bem ter um mandante, um cúmplice, como você mesmo disse logo na primeira vez.
Respirei fundo. Na verdade, poderia mesmo. Ela tinha acesso aos meus horários, compromissos, ligações, clientes e tudo mais. Sabia cada passo que dava de dia e sabe-se lá mais o quê. Só não queria admitir que talvez ele estivesse certo.
Larguei o relatório por ter medo do que mais poderia haver ali.
– Está certo, mas... O que faremos com relação a isso? – indiquei para o jornal.
– Se ele passará a avisar por esse meio, não muda muito, só o que temos que fazer é ser mais espertos.
– Ele não passou nenhum desafio.
– Quer dizer que não vai agir nem tão cedo – suspirou por fim.
– Quero acreditar nisso – Kurt murmurou.
E não é só você...
Notas finais
Feliz Natal, minna :3~
Kissus. Way.
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