Letters To Anyone
5 Fourth letter
Notas iniciais
É isso aí.
Continuem com os reviews! Estou amando!
O tanoshimi. Enjoy ♥
Vamos jogar?
Mentes iguais, pessoas diferentes.
Ao entrar em meu escritório, com uma expressão cansada devidamente montada em meu rosto, deparei-me com os dois conversando sobre algo que não pude compreender.
– Tem um belo lugar para si, doutor Iero – Kurt elogiou sinceramente.
– Frank. Só Frank, por favor – analisei-o seriamente. – E muito obrigado.
Dando a volta pela mesa e sentando-me em minha cadeira, indiquei para que os dois ocupassem as poltronas que haviam na frente na mesa, tendo meu pedido atendido prontamente.
– Deixem-me a par da situação – fitei ambos com um olhar sugestivo enquanto aguardava por mais detalhes.
– Bom, seria mais fácil se nos dissesse o que sabe sobre o caso. Afinal, o que a mídia não faz? – Coudec sorriu mais amigavelmente, mas parecia visivelmente preocupado com algo.
E não era para menos. Havia um assassino por aí andando à plena luz do dia, com um disfarce muito bom.
– Sei apenas o que a mídia falou, exatamente. O que vocês forneceram na época foi muito pouco, então fiquei me agarrando a qualquer coisa que falassem, por mais que soubesse que quase tudo era inteiramente mentira apenas para promover os crimes e se publicarem – disse de forma eloquente enquanto olhava atentamente para cada um.
– Não gosta de brincar com as teorias, Frank? – Coudec incitou novamente.
– Claro que sim, estava fazendo isso antes mesmo de chegarem. Mas não posso dizer nenhuma de minhas hipóteses sem antes mostrar-lhes isto – coloquei as três cartas em ordem cronológica que recebera sobre a mesa, bem no centro desta, de forma que ambos pudessem avaliá-las. – A primeira é apenas um rei de copas, nada de tão útil. Mas creio que possam gostar das últimas duas – indiquei cuidadosamente para cada uma como se fossem feitas de açúcar.
Cada um deles pegou uma e analisou criteriosamente, desde o envelope até os escritos, não deixando escapar nenhum detalhe nem do rei de copas que acompanhava cada carta.
Mas foi Gerard quem pegou a primeira carta que recebera naquele dia, olhando-a com extrema cautela.
– Acho que ele não trabalhe sozinho, deve ter alguém ajudando-o. Quando recebi esta última – indiquei para a que Coudec segurava. –, quem me entregou disse que não conseguira ver nada de quem havia recebido, mas sabia todos os meus dados para que ficasse mais fácil de me reconhecer. Não duvido que tenha dito a placa do meu carro... – revirei os olhos como se aquele detalhe fosse meramente ilustrativo, mesmo sabendo que talvez não fosse. – E, como podem ver, todas as letras se assemelham. Não tem uma curva de um a fora do lugar. Eu diria que foram digitadas e o remetente usou uma fonte de letra bem peculiar. Mas não é. Como veem, não há nenhum indício de que as cartas foram impressas. Não, na verdade foram escritas a mão, uma a uma. O que me leva a crer realmente que trabalha com outra pessoa. Uma carta dessas não deve ser muito fácil de fazer. E não há um só erro – conclui e em seguida suspirei. – Só resta saber se estou certo e quem é o mandante disso tudo.
Ambos pareciam relevar as ideias que dei.
– No estado que estamos, aceitamos tudo – Coudec murmurou enquanto colocava a carta no lugar.
– Se acha que estamos lidando com uma dupla – Gerard interveio de repente. –, como acha que isso funciona?
– Deve ser bem simples. Podem ser um casal ou simplesmente bons amigos, irmãos, até. Devem compartilhar as mesmas ideias quanto a isso. Não sei quem planeja tudo e quem realmente executa, mas tenho a impressão de que a mente de quem executa é um pouco pior.
– Como afirma isso? – inquiriu novamente, cada vez mais sério.
– Simples: matar não é nada comparado a planejar. Se você mata, você tem que ter muito sangue frio e nenhum escrúpulo – devolvi com o mesmo tom de voz.
– E se estamos diante de alguém que planeja e mata? – seu tom aumentou um pouco mais, dando um ar um pouco mais agressivo.
– Então vocês tem um grande perigo em mãos.
– Por quê?
– Porque ele desistiu da vida – conclui ameaçadoramente, olhando no fundo daqueles olhos verdes tão penetrantes.
– Se acalmem! – Coudec chamou a atenção.
Respirei fundo procurando ignorar o fato de que o outro estava praticamente insultando o meu senso crítico e a minha boa vontade de ajudar.
Ele, no entanto, parecia não querer se acalmar.
– Já deu pra perceber que os dois tem a personalidade forte e que mantê-los em um quarto fechado sozinhos pode resultar em morte – continuou na tentativa de abrandar os ânimos. – Mas dá para ver que as ideias funcionam na mesma frequência, o que é melhor ainda – terminou com um sorriso.
Coudec, controle o seu pastor alemão e o deixe longe de meus coelhos. Resmunguei mentalmente.
– Certo, certo...
– Só acho que será mais difícil trabalharmos com duas circunstâncias opostas – falou novamente naquele tom que parecia típico seu.
– Difícil será, mas temos Frank conosco. Não confia na equipe que arranjou?
Não deu uma resposta, no entanto.
Fiquei fitando Kurt na esperança de ter alguma resposta, qualquer uma.
– Ele vai cooperar. Pode ser estressadinha assim por fora, mas é uma boa garota e sabe disso.
E isso pareceu apenas atiçá-lo ainda mais.
Não sou adestrador de cães, deixo logo esse aviso.
– Algo mais que eu deva saber? – controlei o tom de voz e tranquilizei a respiração.
– Você sabe mais do que nós, talvez. Afinal, está se comunicando com o inimigo.
– Deve ser alguém bem próximo a você, pelo que noto – Gerard disse novamente, agora com a voz mais amena também. – Ele soube tudo o que você fez, levando em conta o horário que você colocou. A ligação que recebeu de Kurt foi feita quase uma hora antes de receber a terceira carta.
– Ninguém sabe nada sobre minha vida, seja pessoal ou não.
– Tem certeza? – perguntou incisivamente enquanto virava o envelope sobre a mesa com o auxilio de uma caneta. Em momento algum tocara no papel, seja do envelope, da carta ou do rei de copas.
– Claro que sim. Nem mesmo meus amigos mais próximos sabem algo sobre minha vida.
– Então conseguiram se infiltrar nesse cofre que chama de vida e passaram a monitorar cada passo que dá – concluiu com uma expressão longe.
– Como?
– Talvez do mesmo modo que colocamos pessoas nas suas costas – murmurou.
– Certo, mas como o fizeram?
– São agentes especiais, Frank. Não os encontraria tão facilmente – desta vez fora Coudec quem respondera.
– Policiais à paisana? – deduzi.
– Exato. Se trabalham em dupla, um dos dois deve agir como se fosse um desses agentes e retém toda e qualquer informação sobre você – o moreno tomou a palavra novamente.
– Mas e se for apenas um, como você mesmo insistiu?
– Não insisti em nada, não confunda – devolveu bravo. – Apenas quero trabalhar as suas duas hipóteses com cuidado e não deixar nada passar. Pois bem, se for apenas um, estamos lidando com um ser que porta uma mente pior do que qualquer arma que exista. Ele é um grande estrategista e sabe como lidar com tudo, como encobrir suas pistas e como cometer os assassinatos. E pode ser qualquer um no mundo.
Algo em sua voz retransmitia a ideia que sua mente trabalhava do mesmo modo calculista que o nosso pequeno ratinho. Mas talvez fosse apenas por trabalhar com coisas desse tipo sua vida inteira, talvez tenha comandado seus pensamentos e ideias a trabalharem de acordo com os de suas presas, não importa quem fosse.
Por trás de sua beleza incomum – ao menos para mim –, havia uma beleza ainda maior. O que havia dentro de sua cabeça?
Notas finais
O que acharam?
Kissus. Way.
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