Letters To Anyone
2 First warning
Notas iniciais
Como estão, minhas crianças? Como está o dia? :3~
Pois é, dia das crianças não é só para seu primo de cinco anos ou os garotos da sua sala, mas também para todo mundo que não perdeu aquela criança interior e que continua achando hilárias as piadas do Bob Esponja que você já ouviu mil vezes mas que nunca perdem a graça.
Pois é, um presente meu para você, coisas fofas *-*
E porque a Mitsu tanto queria saber o que acontecia. Logo, o capítulo é presente para todos, mas especialmente para ela, principalmente porque ficou aturando meus problemas mais cedo. Aishiteru.
Isso aí.
O tanoshimi. Enjoy ♥
Vamos jogar?
Escritas com o sangue da vítima no fundo branco.
Tinha em seus pensamentos a armadilha perfeita para sua próxima presa e já não tinha mais como adiar. Já estava prolongando aquela morte a muito mais tempo do que desejava. Já conhecia cada passo que seu alvo dava ao dia, decorara eximiamente a rotina nada complexa que aquela pessoa reservava para si e era terrivelmente controladora. Todas as noites fazia a mesma coisa: ao chegar em casa, ia para o quarto e dormia. Acordava às oito da manhã e ia para o trabalho em um escritório de advocacia no centro da cidade e seu dia era movido à cafeína e energéticos para aguentar a noite mal dormida. Um dia sim e dois não era o intervalo que sua vítima criara para as noites em que saía por aí e voltava altas horas da noite para casa. As duas noites que não saía eram reservados ao ato de adiantar o trabalho que acumulava inevitavelmente. Sabia tudo sobre a sua presa, até os míseros detalhes que não seriam tão importantes assim no ato que em breve cometeria. Sabia que o próximo estava com a corda em volta do pescoço e só estava esperando temerosamente de olhos fechados a rasteira no banco em que se mantinha em pé. Um pouco mais e seria enforcado.
E isso lhe deliciava de tal forma que não conseguia descrever.
Talvez ver a ruína dos outros lhe movesse ainda mais e lhe obrigasse a fazer um trabalho melhor que o anterior.
Sabia de antemão que seu caso já fora arquivado há muito tempo, justamente por jamais terem encontrado uma mísera falha em seus ataques e que tais tornavam-se tão esporádicos que já era em vão prosseguir com o caso. Por vezes, uma manchete ou outra anunciava sua volta, o que forçava a polícia a agir novamente, mas sempre em vão. E gostava de ver que as buscas iam sempre parar no fundo de um abismo escuro e tão profundo que mal se ouviam os pedidos de socorro.
Era... Era mágico.
Noite de lua nova, a primeira do mês. E, juntamente com o início daquele mês de setembro, estaria de volta, ressurgindo da escuridão na qual se guardara por três longos anos, só a espera de um momento perfeito para atacar.
Nesses três anos que não saíra da escuridão, ficara remoendo o fato de que poderia estar por aí saciando aquela sede tremenda de sangue que parecia lhe consumir e queimar vivo a cada maldito segundo que passava e suas mãos não estavam envolvidas em um de seus esquemas perfeitos.
Mas agora o momento voltara e estaria novamente em ascensão, chamaria a atenção do mundo mais uma vez.
Stephen Baldwan abriu os olhos e sentiu a cabeça rodar, apesar de não ter sequer tentado se mover. A ressaca, daquela vez, estava mais forte do que nunca. Sabia perfeitamente porque bebia e sabia muito bem das consequências que isso acarretava. Só não conseguia parar.
Olhou para o lado, tentando não fazer nenhum movimento brusco ou exagerado demais; parecia que qualquer coisa que fizesse já era se esforçar demais e não queria isso.
Estava sozinho em sua cama, notou segundos depois ao que a visão voltara a ser só uma e não aquele enevoado que fazia questão de duplicar ou triplicar tudo.
Tornou a fechar os olhos, respirando fundo ao fazê-lo. Segundos mais tarde ouviu o som ensurdecedor do despertador ao seu lado. Sua cabeça parecia prestes a explodir.
Estava ajudando o pessoal que ficava na parte da noite, de forma que tinha de ir para o escritório naquele momento. Sabia que não era natural aquele tipo de gente trabalhar a noite, mas não podia dispensar trabalho algum. Suas contas acumulavam e ainda haviam as despesas dos jogos que se envolvia, mesmo sem querer. Sabia que eram promessas vazias de mais dinheiro, sabia que na verdade significava ainda mais prejuízo, mas não conseguia resistir ao ímpeto de jogar e tentar a sorte.
Levantou-se da cama muito a contra gosto, arrastando-se para o banheiro.
Após um banho de água fria a fim de recolocar os neurônios no lugar e tentar se livrar um pouco da ressaca, caminhou até a cozinha, portando apenas uma toalha azul envolta na cintura fina e pegou a primeira lata de energético que encontrou na geladeira. Ao passar pela sala, viu algo que não conseguia se recordar. Havia um rei de copas preso à um dos quadros da sala de estar minúscula do pequeno apartamento.
Pegou a carta em mãos e a analisou. Não constatou nada de diferente, tanto na frente quanto no verso, apenas que estava um pouco envelhecida, mas de aparência muito bem cuidada. Não tinha nada marcado, o que indicava que não parecia pertencer a algum baralho marcado de um jogo qualquer que lhe atiçava sempre.
Ignorou aquilo ao ver que se atrasaria ainda mais. Deixou a carta sobre a mesa de jantar e voltou para o quarto, engolindo rapidamente a bebida energética no intuito de que esta lhe acordasse logo.
Pegou a primeira calça social que encontrou, pouco se importando se esta precisava ser lavada ou não, vestindo-a às presas. Procurou uma camisa apresentável dentro do armário, mas algo lhe impediu.
Vindo de repente como um tiro, alguém lhe agarrou por trás, passando o braço direito por seu pescoço e prendendo seus pulsos com uma única mão por trás, de forma que ficasse imobilizado com os braços para trás.
O homem de trinta e cinco anos tentou lutar e impedir aquele aperto sufocante que era acometido, mas quanto mais tentava se livrar do desconhecido que tentava a todo custo lhe asfixiar, mais preso em sua armadilha ficava.
O tecido grosso que roçava violentamente em seu pescoço incomodava, fazendo com que, instintivamente, tentasse virar a cabeça para amenizar aquele incomodo; em vão, o que causavam arranhões na carne frágil de seu pescoço vermelho.
Fechou os olhos e suspirou sem pensar, tornando a abrir os olhos e mantê-los assim, com uma expressão assustada em seu semblante vermelho por falta de ar. Buscou puxar o ar para os pulmões, mas este nunca vinha. Sentia seu corpo enfraquecer, sua mente conturbar-se e o coração desacelerar.
Stephen sentiu as pernas fraquejarem, mas o homem que o matava não deixou com que seu corpo praticamente sem vida caísse ou sequer vacilasse.
Com um golpe rápido com o braço que o asfixiava, torceu o pescoço da vítima, quebrando-o com um som seco dos ossos, deixando com que o corpo caísse inerte e flácido no chão. Tendo os lábios entreabertos, possibilitou que a poça de sangue escorresse para fora de seu corpo, encharcando roupas, cabelo, cabeça e o que mais alcançasse.
Os olhos azuis de Baldwan fitavam o vazio do qual fora destinado, ainda incrivelmente abertos pelo choque que tivera ao esvair sem querer todo o parco ar que lhe sobrara no corpo.
De pé, ao lado do corpo morto de sua nova vítima, procurou controlar o riso que formava-se em seu peito. Não poderia se dar ao luxo de errar.
Deixando o apartamento de Stephen do jeito que encontrara, sem mexer na carta que fora retirada do lugar que colocara segundos atrás, escreveu um pequeno lembrete na mesa branca completamente vazia. Um lembrete que não escrevia há muito tempo.
Vamos jogar?
Notas finais
Espero que tenham gostado do presentinho :3~
Até o próximo.
Kissus. Way.
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