Letters To Anyone
1 First letter
Notas iniciais
Explicações: fruto de um sonho! Não podia desperdiçar essa ideia, ainda mais agora que a fonte de inspiração pareceu sumir do nada.
Então desculpem. E, como dito anteriormente, não prometo nenhum tipo de postagem frequente.
No mais, é isso. Espero que leiam :3~
O tanoshimi. Enjoy ♥
Vamos jogar?
Aquelas duas palavras que me forçaram a aceitar o convite.
Era uma manhã calma naquele lugar pacato que chamava de casa. O sol brilhava belamente do lado de fora da casa branca com um belo jardim exterior. As nuvens corriam lentamente pelo céu azul tão claro. Não parecia ser um indício de que choveria, apesar de assim desejar. O vento soprava sem pretensão alguma, só brincando com tudo o que pudesse carregar. As copas das árvores s agitavam com calma sendo agitadas por aquela brisa delicada e deliciosa, fazendo com que suas folhagens se agitassem e provocassem o barulho habitual para tal ato.
Ele fazia o que sempre fazia todas as manhãs e não achava que caíra na rotina. Na verdade, gostava de tudo aquilo. Talvez fosse uma dessas pessoas que gosta de controlar tudo, inclusive seus míseros minutos livres. Mas é parte de sua personalidade, só não sabia dizer se isso era mal ou não.
A passos lentos, lembrando-se que já era mais uma sexta-feira em sua vida, foi para o lado de fora da casa, olhando ao redor distraidamente. Encaminhou-se, então, para a caixa de correios, como fazia todos os dias, fossem feriados ou não. Era parte de seu início de dia e não conseguia dispensar tal ato.
Tendo os envelopes todos em mãos, voltou para dentro de casa, analisando o que era cada carta. Contas e mais contas a serem pagas. Nem se daria mais ao trabalho de continuar olhando.
Com um suspiro pesado, jogou as cartas unidas sobre a mesa da cozinha, de forma que todas se espalharam em um belo leque, como se fossem postas com cuidado, uma a uma sobre a outra para formar aquele padrão engraçado. Um envelope em especial lhe chamou sua atenção.
Era um envelope branco, mas não havia nada escrito, tinha apenas seu nome na parte superior esquerda do verso do tal envelope. Mais nada. Não havia um endereço sequer, fosse o seu ou o de quem lhe enviara aquela carta. Nem um selo ou qualquer outra coisa do tipo. Só seu nome escrito em uma caligrafia meio fora do comum, mas curiosamente bela. Cada letra parecia ser desenhada de forma graciosa sobre o papel branco que constituía aquele envelope pequeno.
Com o pequeno punhal próprio para cortar aquele tipo de papel que se encontrava em um móvel ao lado da mesa, abriu com cuidado aquela carta que lhe parecia tão esquisita, deparando-se com um rei de copas dentro.
E mais nada. O conteúdo do envelope era apenas o rei de copas bem conservado, porém já meio envelhecido.
O rapaz de cabelos escuros realmente não entendia que tipo de brincadeira era aquela. Não fazia ideia do que aquele rei de copas poderia significar e não conhecia ninguém que portasse aquela bela caligrafia. Nada fazia sentido, ponto.
Resolveu aceitar que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto, apesar de isso lhe perturbar muito.
Revirou os olhos e deu de ombros. Não ficaria perdendo tempo com nada daquele tipo e, se viesse ao caso, depois tentaria descobrir quem lhe enviara aquele tipo de carta. Mas não naquele momento.
Voltou seu olhar novamente para o relógio da cozinha, certificando-se de que já não havia mais tempo nenhum a perder e voltou para o quarto. Após a rotina costumeira de se arrumar para o trabalho, olhou-se novamente no espelho.
Viu ali o mesmo rosto que sempre via todas as manhãs. Frank Iero, em seus trinta e três anos, psiquiatra. Sem filhos ou esposa, nada do tipo. Vivia feliz, sempre se afirmara ser feliz. No entanto, há algum tempo percebe que falta alguma coisa em seu olhar ou em sua expressão. Não sabia o que poderia ser, tentava descobrir, mas nada.
Bufou novamente e abstraiu aqueles pensamentos sem sentido que invadiam sua mente sem pedir licença e que não iriam embora nem tão cedo.
Desceu os degraus da escada sem grandes expectativas. Seria só mais um dia normal em sua vida, procurando o que fazer.
A paisagem mudava aos poucos conforme ia se aproximando mais e mais do grande centro daquela cidade, ia esquecendo aos poucos a visão de calmaria de sua casa e começava a se recordar da grande selva que era aquela cidade. Não deixava isso abalá-lo, todavia. Tinha trabalho a fazer – era isso o que achava – e o cumpriria.
Ao chegar no belo prédio espelhado no qual seu consultório estava instalado, respirou fundo e entregou o veículo aos cuidados do jovem manobrista que conhecia há alguns anos, mas jamais chegara a ter demais intimidades com o tal, apenas o cumprimentava e trocavam breves comentários sobre banalidades quaisquer.
Sem presa, sem ter o pensamento de que estava atrasado ou não, o médico caminha pelo hall luxuoso do belo edifício, cumprimentando a bela recepcionista, que logo se apruma ao ver o rapaz passar e lhe desejar um bom dia. Arrumar o decote a fim de mostrar ainda mais os seios, no entanto, foi uma tentativa banal de atrair tal atenção. Desde que começara a trabalhar ali e que conhecera todos os que também trabalhavam, ela logo sentiu atração por aquele psiquiatra que nem bem trocava meias palavras com ninguém. Gostava daquele ar sombrio que o outro carregava e que não deixava dissolver, fosse com qualquer pessoa.
Frank sabia muito bem os intentos da mulher que tentava cortejá-lo, mas tentava de todas as formas possíveis fingir que não percebia e se fazer de inocente. Rejeitando-a com delicadeza, talvez assim fosse melhor.
Observou o painel numérico do elevador, já em seu interior e selecionou o décimo quinto andar, respirando fundo aquele ar artificial de limpeza.
Ainda em mãos estava a carta que recebera de manhã, a tal carta que lhe tirara a atenção desde que vira. Ainda se indagava o que um reis de copas poderia lhe representar, sem chegar a quaisquer conclusões, certas ou erradas.
Com uma baixa campainha, indicando que estava em seu destino, as portas do elevador se abriram sem quaisquer problemas, deslizando de forma macia para as extremidades, fornecendo a passagem.
O amplo corredor branco que se estendia a sua frente era sua sina todas as manhãs. Ao lançar a mão para a porta, suspirou novamente.
Durante toda sua vida ajudara a todos que vinham ao seu encontro, tentando ser o mais produtivo possível e fornecer algumas respostas que as pessoas precisavam, só não conseguia saber o que lhe afligia tanto. Tinha um ótimo trabalho, uma vida calma e com seus melhores amigos. Fazia o que queria na hora que bem entendia. Era seu próprio chefe e isso era o melhor de tudo. O que poderia estar faltando?
– Bom dia! – uma voz animada disse por trás do balcão de mármore polido que estava posto logo adiante da porta de entrada do consultório decorado em tons neutros e suaves, desde o carpete às cortinas que barravam a visão sinistra dos outros edifícios.
A dona da voz era uma garota loura de estatura mediana, talvez um pouco mais baixa que Frank, senão de sua altura. Possuía olhos castanhos que davam a aparência de serem tão vazios quanto a cabeça. O corpo, no entanto, era o estereótipo de mulher perfeita. Na verdade, parecia uma boneca de olhos castanhos, mas não era nenhum tipo de elogio, e sim pesar. Era uma boneca de corpo moldado perfeitamente e cabeça tão vazia que só o simples sopro poderia fazê-la mudar de ideia. Não tinha a mínima opinião de nada, Frank logo descobrira após sair com ela uma noite qualquer.
Era entediante, na verdade.
– Bom dia – respondeu no típico tom neutro de sempre.
– Como está hoje? – ela sorriu ainda mais, saindo de trás do balcão com uma agenda em mãos e, contornando o balcão, entregou a tal agenda ao médico, que apenas deu de ombros.
– Sou eu quem pergunto isso.
A garota riu tentando parecer atraente.
Estava para aparecer uma mulher em sua vida que não estivesse tirando as roupas só de Frank lhe dirigir um olhar.
– Estou muito bem – e, ouvindo as palavras da boneca que cuidava de sua agenda, fechou-se em sua sala no final de mais um corredor, dessa vez estreito e nada exagerado quanto o anterior, coisa de dez ou, no máximo, quinze passos para acabar em sua sala à meia-luz.
Jogou tudo o que tinha em mãos para o divã que estava perto de sua mesa feita de algum tipo de madeira escuro e tão pesado ao natural. Em seguida, sentado por trás da mesa, apoiou os cotovelos na mesa sobre os papéis que deixara lá no dia anterior. Fechou os olhos e apoiou a cabeça nas mãos.
Parecia exausto e nem sabia o porquê de tudo isso.
Repassava sua vida em mente pela milésima vez só naquela manhã. Casa perfeita, cidade perfeita, emprego perfeito, amigos perfeitos, rotina perfeita, tudo perfeito. O que poderia lhe faltar?
O som do salto agulha de quinze centímetros batendo contra o piso de madeira lhe alertou que Raquel se aproximava. E antes que a mesma pudesse bater na porta de sua sala, ele a ordenou que entrasse.
– Chegou algo para o senhor agora pouco, não disseram nada – entregou-lhe um envelope branco semelhante àquele que abrira mais cedo.
Frank olhou para aquele envelope aturdido. Era a mesma caligrafia desenhada que revelava seu nome. Ficou olhando seriamente para a secretaria, mas esta nada fez, apenas deixou sua expressão inocente aparecer mais uma vez, dando a entender que não era sua culpa se não falaram de quem era.
– Okay, obrigado – com um gesto ríspido de mãos, o moreno a dispensou e mandou que saísse da sala.
Utilizando um punhal de cartas semelhante ao que usara de manhã, rasgara o envelope na parte superior, de forma que criara apenas um vão para retirar o conteúdo. Um reis de copas semelhante ao que recebera mais cedo estava dentro daquele mesmo envelope. A única diferença é que agora havia uma carta.
Bom dia, Frank. Como passou a noite? Espero que esteja descansado, afinal, sua mente tem de estar clara para que possa compreender a mente dos outros, ou estou errado?
Perdoe-me se isso lhe deixou confuso, não quero que atrapalhe seu dever.
Sou apenas um admirador.
Um admirador do seu trabalho e talvez lhe inveje. A sua mente é tão clara quanto o papel branco deste envelope, o que lhe permite entender a mente das outras pessoas, que são tão confusas quanto estas letras que está lendo agora. Diga-me: é fácil fazer isso? É prazeroso? O que lhe motiva a continuar tentando desvendar os segredos da mente e do subconsciente?
Talvez eu não queira saber, entretanto. Se nem ao menos fui capaz de entender minha própria confusão, que dirá entender a dor de outras mentes!
Vamos jogar?
E apenas isso.
Era escrito com a mesma caligrafia desenhada tão lindamente que seu nome estampado no envelope branco e sem nenhuma mancha ou rasura.
Não sabia no que estava entrando, só sabia que sua mente lhe incitava a ir cada vez mais fundo e ver no que daria.
Notas finais
E aí? Será que merece continuação? *-*
Kissus. Way.
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