Letters To Anyone
22 Fifth warning
Notas iniciais
Tá todo mundo ligado que eu ia viajar e não ia dar pra postar, MIMIMI, sascoisa tudo, né? Então, eu não tinha certeza se levaria o computador na viagem (pelo menos um deles, porque olha...), e eu trouxe! E estou postando! Yay :3~
Não posso enrolar muito porque esse modem é meio instável, então o tanoshimi. Enjoy ♥
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Vamos jogar?
Ainda poderia haver compaixão.
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Seu nome era Sim. Sim Bengt. Acabara de completar trinta e dois anos na última semana do mês de novembro. Nunca em sua vida colocara os pés em um cassino e jamais gostara daquele tipo de coisa, mas trabalhava em dobro para cobrir as despesas que seu finado pai lhe deixara. Eram dívidas de jogos, corridas e todo tipo de esquema que pudesse imaginar. Sim jamais gostara disso.
Mudou-se para Jersey aos seus vinte e três anos, saindo de Estocolmo. Não deixara nada para trás: sua mãe enlouquecera por completo depois da morte do marido, cometendo suicídio após três meses sozinha, mesmo tendo Sim. Isso quando ele tinha apenas dezesseis anos. Desde então trabalhava para ajudar em casa e suprir as dívidas de seu pai. O único irmão que tinha fora adotado por uma família alemã e jamais o reencontrou. Só o que sabia era que Christer Bengt vivia em Berlim e que agora já esquecera por completo suas raízes: Arkadius tinha uma nova irmã, Heike, de quatro anos. Era sua irmã mais nova e, pelo que Sim sabia, se davam extraordinariamente bem.
Talvez Christer nem se lembrasse que um dia já fora irmão mais novo de Sim. Ou que um dia já tivera outra família que não fosse aquela.
E deixou tudo isso para trás ao completar vinte e três anos, sendo transferido do escritório financeiro de Estocolmo para a filial de New Jersey. Mas seu nome ainda estava manchado pelas gangues de sua cidade natal. E sabia que possivelmente jamais conseguiria se livrar disso.
Sim se casaria com extrema facilidade: tinha os olhos azuis gelados que davam a impressão de olhar minuciosamente a alma de qualquer um. Tinha um metro e oitenta, talvez mais, não menos. Seus cabelos eram de uma cor diferente, talvez uma cor de trigo ou de areia, isso ele jamais pudera responder, e caiam lisos sobre os ombros, comportando um penteado diferente do habitual para homens de sua idade, porém jamais deixara de transmitir competência e seriedade. Era o estereótipo de homem que toda mulher gostaria de ter, de todas as formas.
E tudo aquilo o atraia. Tudo na vida de Sim lhe atraia fortemente e não sabia como não o encontrara antes.
Passara tempo demais o observando, geralmente tinha tudo o que precisava em duas semanas, no máximo. Mas aquele caso em particular lhe ocupou mais tempo por algum motivo. Algo em Sim lhe maleava, não sabia por que e não gostava daquela sensação de domínio. Não encontrava forças para liquidá-lo, e isso só o irritava ainda mais. Era uma presa muito fácil, uma vez que Sim poderia parecer mentalmente são, mas sua cabeça era confusa demais. E ele a entendia por completo.
Sim era terrivelmente perturbado por suas perdas na vida. Seu pai sempre fora o seu exemplo de homem perfeito, o modelo ideal, e, ao morrer, lhe deixar apenas suas dívidas de jogos fez com que seu mundo caísse. Lembrava-se perfeitamente do pai sair impecavelmente arrumado de manhã e ir para o escritório, onde passava o dia e voltava pontualmente às seis da tarde. Depois disso não saia mais de casa. Não conseguia entender como o pai deixara acumular bilhões em dívidas a todo cassino que pudesse jogar. E aos seus credores, inclusive.
Havia um buraco enorme nas finanças da família.
E depois sua mãe, quem cuidara com tanto carinho após o falecimento do pai. Vê-la enlouquecer aos poucos e silenciosamente o machucara demais e era muito novo na época. Sua mente já estava fragilizada. E o pior de tudo, sobre sua mãe, é que ela se suicidara em sua frente, em seus braços.
Foi em uma noite fria. Lembrava-se perfeitamente da cena: a neve caia silenciosamente do lado de fora da casa de duplo andar. Christer dormia tranquilamente em seu quarto, enquanto Sim revirava-se em sua cama à procura do sono. Não conseguia dormir tranquilamente há muito tempo e não sabia por que isso. Já se levantara quatro vezes e fora conferir se a mãe dormia, sempre a encontrando-a como deixou.
No entanto, na quinta vez em que se levantara, vira que ela não estava mais em seu quarto, as luzes da casa continuavam apagadas e não haviam indícios de onde ela poderia estar.
Ouviu sons abafados vindos da cozinha, então desceu as escadas em silêncio, sempre procurando enxergar um pouco mais do que conseguia no breu em que a casa estava mergulhada. O frio podia ser sentido do lado de dentro, dos corredores, dos quartos, de qualquer lugar. Parecia que todas as portas e janelas da residência estavam abertas por algum motivo que Sim não queria saber.
Ao entrar na cozinha, viu uma silhueta que teve a capacidade de distinguir do restante da escuridão.
Chamou pelo nome de sua mãe, vendo-a se virar no momento seguinte. Ele acendeu a luz e olhou-a aturdido, segurando uma das afiadas facas da cozinha. Viu que faltava uma do faqueiro posto sobre o mármore do balcão, próximo a pia. Via um brilho louco no olhar da jovem mãe, que lhe parecia ter envelhecido vinte anos desde a morte do pai. Ela dirigiu a lâmina afiada e brilhante da faca ao pescoço, com as mãos trêmulas e lágrimas escorrendo pelo rosto lívido.
Correu até ela e procurou uma forma de fazê-la soltar a faca, agarrando-a pela cintura com um dos braços e com o outro tentando pegar a faca.
Mas não teve efeito: ela parecia de repente mais forte que ele, ou era apenas a exaustão de inúmeras noites sem poder dormir, temendo que aquele dia uma hora chegasse.
Bateu no rosto do filho com a lâmina virada para ele, causando-lhe um grande corte no rosto, indo do queixo até a têmpora esquerda, fazendo o sangue escorrer quente e rápido pelo corte.
Com ele tropeçando um passo para trás, ainda agarrado à cintura da mãe, ela passou a lâmina mortal em seu pescoço, fazendo o sangue jorrar violentamente pelo profundo corte recém aberto, sujando Sim por completo. Gritos ressoavam por toda casa e o mais velho não queria que seu irmão acordasse e presenciasse aquela cena: nem ele mesmo gostaria de estar presenciando.
O corpo flácido da mulher caiu sobre o seu, e, sem forças ou reflexos, ambos foram ao chão: Sim chorava desesperado, gritando pela mãe, mesmo sabendo que esta jamais tornaria a responder aos seus chamados. Ele não encontrava força para tirá-la de cima de si e chamar socorro; apenas ficou deitado sob o corpo dela, abraçando-a com força enquanto ainda sentia o sangue quente dela escorrendo para seu corpo. Sentia o corpo sem vida de sua mãe repousar em paz sobre o seu.
Em pouco tempo, ele desmaiou, sentindo a cabeça doer. O próprio sangue escorria pelo corte que a mãe provocara, misturando-se ao dela no chão frio e claro da cozinha.
Após se recuperar, Sim não tinha mente para nada: nem para o funeral de sua mãe ou sobre os papéis de adoção de seu jovem irmão. Ele mesmo sabia que não conseguiria sustentar os dois, mas queria mais do que tudo ficar com Christer.
Não teve um só dia em sua vida que não se culpava pelo o que acontecera a sua mãe: se houvesse sido mais responsável, aquilo não teria acontecido. Se fosse mais presente, ela estaria viva. Se fosse mais carinhoso e cuidadoso, ela estaria bem. Se fosse um bom filho e estivesse ao lado dela o tempo todo, como precisara realmente, nada teria a abalado. Se não tivesse aceitado pagar o dinheiro que seu pai devia, tudo estaria bem: ele, a mãe e Christer, todos juntos como deveria ser.
Mas matara sua mãe da forma mais cruel possível. Tiraram-lhe Christer e agora ele sorria feliz atendendo pelo nome de Arkadius e brincava contente com a irmã mais nova Heike, em um bom lugar, chamando aquela casa estranha de lar e aquela cidade nova de casa.
E, sabendo de tudo isso, ele não conseguia encontrar uma forma de matá-lo. Deveria ser rápido: entrar no apartamento e matá-lo da melhor forma possível como sempre fazia. Mas não conseguia. Era incapaz de matar Sim.
O que seria aquilo? Jamais se deixara abalar por nada, nunca fora um desafio matar alguém, principalmente alguém que já tentara o suicídio inúmeras vezes e clamava pela morte. Não deveria ser complicado matar alguém que já não mais dormia e sua mente andava em marcha ré. Pelo contrário: seria um trabalho fácil demais.
Poderia ser isso? Poderia ser fácil demais por isso não encontrava forças para fazê-lo?
Não. No passado já encontrara coisas ainda mais fáceis e isso não lhe barrou.
Mas por que Sim era tão diferente dos outros?
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Devem sentir minha falta. Não ataco há muito tempo, não? Já tenho minha próxima vítima em mente, porém ainda não tive como pegá-la, apesar de ser fatalmente fácil. Ele está praticamente me chamando! Está praticamente gritando meu nome do alto de um prédio. Mas o que eu faço? Pelo jeito fiquei surdo e não o ouço chamar meu nome, clamar a morte. Ele me quer, eu o quero. E por que ainda não fui pegar o que é meu?
Deveria saber, não?
Pois não sei, ele é um mistério.
Sua vida me fascina de tal modo que estou observando-o a muito mais tempo do que geralmente observo minhas outras vítimas. Ele me quer já faz muito tempo. E, agora que o encontro, não tive forças para matá-lo ainda.
Será que em breve poderei ter seu nome na coleção? Será que em breve ele será meu? Será que em breve poderei finalmente descansar em paz?
No momento, ele é minha única perturbação, além das outras. Você pode desligar tudo quando dorme. Eu poderia, mas não é tão fácil, Iero. Acredite: não é.
Vamos jogar?
Notas finais
Espero que gostem *-*
Kissus. Way.
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