Letters To Anyone
20 Eleventh letter (part 2)
Notas iniciais
É que não sei se poderei levar meu note dessa vez e atualizar pelo celular definitivamente não daria certo. Então posto a segunda parte hoje e a terceira amanhã. Depois só quando eu voltar, que deve acontecer na sexta-feira (20/01). Até lá só vou entrar pelo celular e se assim acontecer.
Acho que vou postar um especial no dia 24, já que é um dia especial para mim (quem sabe, cala boca u-u).
Estou pensando, o que acham?
O tanoshimi. Enjoy ♥
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Vamos jogar?
Apenas um ás.
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Mal ouvi o que ele e Kurt discutiam enquanto tentava ignorar a dor causada pelos saltos altos. E nem havia andado muito. Ainda.
– E qual o plano? – murmurei irritado.
– Primeiro, você vai dar um jeito de sumir com esse timbre grosso. Deixe seu lado feminino aflorar – disse sem desviar o olhar da estrada.
– Oh, meu amor, desculpe. Aonde iremos hoje, no nosso décimo mês de aniversário de namoro? – ironizei pegando realmente pesado com o tom feminino. Era delicadeza que ele queria? Então era delicadeza que teria. Isso e cinco marcas de unha na cara.
– Melhor, minha querida – sorriu de lado. – E o plano é: marquei um encontro duplo hoje. Você e Stéphane podem falar de maquiagem, bolsas e sapatos. Enquanto tento dar uma sondada com o namorado dele. E tente arrancar alguma coisa do rapaz enquanto falam sobre a nova linha da Prada.
– Prada?
– Já fui casado. Sei mais ou menos como é.
– Então me ajude, porque estou realmente perdido.
– Ande cruzando as pernas.
– Não vou agir como aquelas modelos anoréxicas, desculpe – e encarei aquelas unhas imensas.
Talvez fosse só impressão. Não que fossem realmente grandes. Ficariam muito bem em mãos femininas e não nas minhas.
– Mas também não aja como um cara que acabou de acordar.
Seria melhor nem responder. Ou unhá-lo.
Estava louco de vontade de fazer essa última coisa, mas deixaria para o final da noite. Vai que a cola de alguma das unhas não resistisse?
– Você não disse que Stéphane não reage bem à presença masculina?
– E não reage. Mas, quem sabe, ele já tenha se acostumado à minha? Fiquei umas boas duas horas em seu apartamento todos os dias da semana passada. Isso pode ter feito sua barreira natural fundir.
– Pode ser... – murmurei.
Afastei a franja dos meus olhos pela milionésima vez só no último minuto e bufei.
– Aliás, você está uma linda garota.
– O quê? – encarei-o.
– Desculpe. Só acho que gostaria de ouvir isso. Que mesmo estando vestido de peixe, senhor gato, ficou bonito.
Agora não sabia se respondia algo realmente mal-educado ou se continuava ali calado e corado feito um tomate. Então escolhi a segunda opção, até porque... Oras, sou humano. Gosto de elogios, mesmo que sejam para elogiar meu farto busto tamanho quarenta e quatro.
– E é verdade que tem um peixe?
– Sim. O desenho é feito com strass vermelho. O olho é prateado. E tem mais três pequenas pedrinhas prateadas como se fossem bolhinhas de ar. E por que eu estou falando isso? – esfreguei o rosto, tomando cuidado para não borrar a maquiagem.
O QUÊ?!
– Fiquei curioso.
– Hmm?
– Minha “esposa” não tinha peças íntimas tão divertidas quanto esta parece ser – disse indicando para meu peito.
– É... Bonitinho – corei ainda mais.
Quem precisa de blush quando se tem o rubor natural?
– Ora, não fique assim. Terei que ser muito mais romântico do que agora, você sabe. Estamos namorando há cinco meses e pensamos em nos casar em breve. Mas filhos nem pensar.
– Certo. Até porque não quero me desfazer do meu manequim justinho, seco e em breve danificado pelo sangue não poder circular direito.
– Se quiser, quando chegar em casa pode mastigar esses jeans. Estou vendo que está morrendo de vontade de tirá-los.
– E como... – suspirei.
– Só uma dúvida...
– Você não pode ver o peixinho agora – nublei o olhar.
– Não é isso. É idiotice, de qualquer forma...
– Não é, pergunte.
– Você vai descontar toda sua raiva em mim. Então seria melhor não perguntar.
– Quer ter unhas postiças cravadas no pescoço? – ameacei.
– Kurt disse que está... Autêntico... Mas acho que nem tanto assim...
– O que quer dizer com isso?
– Temos dois problemas: seios e lá embaixo – disse indicando com um breve olhar.
Dois segundos para a ideia fazer efeito.
– NÃO! NÃO SOU TÃO MULHER ASSIM! NÃO É TÃO CROSSDRESSER [3]QUANTO PENSA!
– Foi só curiosidade... E, por incrível que pareça, me sinto melhor sabendo disso.
– Achou mesmo que eu me sujeitaria a pôr algo desse tipo?
– Poderia ser um fio-dental de conchinhas para combinar com o peixe – abafou o riso com a mão esquerda, tendo uma visível dificuldade para se concentrar e retomar o bom senso.
Na verdade, a cena seria mesmo hilária...
Frank Iero, você está amolecendo... Está deixando seu coração e mente à deriva deste homem...
E quem disse que me importo com isso?
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Tratei de forjar meu melhor sorriso para que não houvessem dúvidas.
Stéphane estava conversando com um homem louro quando o avistei. Não estava mais da forma como me lembrava – e me lembrava vagamente de como ele era, para falar a verdade. Seus cabelos pareciam maiores e estavam mais claros – se bem que poderia não ter mudado o tom, uma vez que estava escuro na primeira vez que nos vimos – e haviam mechas pretas nas pontas e em algumas mechas claras, distinguindo-as das demais.
Parecia simples, apesar de à distância parecer com uma garota. Porém não mais do que eu.
– Stéphane, Bryar... Esta é Rose – disse indicando para mim de modo carinhoso e abraçando-me pela cintura, trazendo-me para mais perto.
Bryar fez um breve meneio com a cabeça, enquanto Stéphane me puxou pelo braço e conduziu-me para dentro do restaurante, o que me fez perder de vista Gerard e o louro estranho à qual Stéphane estava abraçado anteriormente.
Hora de arrancar algumas informações daquele rapaz.
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– Nada de novo... É sempre a mesma coisa – suavizei o tom de voz e consegui atingir uma nota feminina, tentando manter-me assim até o final da noite. – E você? – indiquei uma das unhas compridas e negras em direção do louro.
– Seu namorado anda muito atrás de mim. Bob diz que sou suspeito, mas... De quê?
– Bob?
– Meu namorado. Na verdade, todos o chamam de Bryar, é seu sobrenome, menos eu.
– Ah. E quer me contar algo? Deve saber que só estamos aqui para que eu possa conversar com você, já que não se sente bem na presença do meu... Namorado – engoli em seco e pigarreei em seguida. Não conseguia chamá-lo daquela forma, mas só podia esperar que não desse tão na cara assim.
– Sim, ele me disse que é psicóloga e que poderia me ajudar com algumas coisas.
– Então diga – tentei apoiar a cabeça nas mãos, mas, não sei como, enrosquei algumas unhas na bolsa que estava em meu colo e talvez uma das pulseiras tenha enroscado o fecho em minha blusa, uma vez que cada tentativa de desenrosca-lá era um novo puxão do pedaço de tecido preto. Então tratei de manter as mãos quietas e tentar desfazer-me do que quer que me impeça bem discretamente, sob a mesa.
– Na verdade, eu conhecia uma das vítimas. Namoramos por um curto tempo até que ele me traiu. Talvez possam estar suspeitando de mim por ter raiva dele, mas garanto que a última coisa que teria de Stephen é raiva. Nunca. Na verdade, éramos melhores amigos. Quando soube que estava morto, simplesmente desabei. Talvez estivesse em um estado pior se não fosse Bob comigo. Seria meu fim. Stephen era tudo em minha vida: melhor amigo, confidente, parceiro e... Nossa... – gemeu desconfortavelmente e secou uma das lágrimas que rolavam pelo seu rosto pálido.
– Tudo bem, não chore – sussurrei. – Olhe, Stéphane... Sei que não foi você, sabemos que não foi. Mas entenda: isso é delicado. Todos nós estamos aturdidos com o que anda acontecendo e não gostamos do que fazemos, só queremos proteger a quem pudermos. Por isso é tão importante que você diga tudo o que souber.
Assentiu e tentou novamente:
– Estive com Stephen o dia inteiro, não houve nada de anormal. Ficamos em seu apartamento o tempo inteiro, sequer abrimos a porta. Havia comida congelada no congelador e bastou. Ficamos vendo filmes o dia todo, eu havia passado a noite em seu apartamento.
– Por quê?
– Bob não estava e não gosto de ficar sozinho em nosso apartamento – respondeu e depois retomou. – Então fui embora por volta de cinco horas da tarde, que foi quando Bob ligou avisando que já estava em casa e queria me ver. Então não sei mais de nada.
– Onde Bryar estava?
– Ele viajara por dois dias para uma conferência de sua empresa, ele estava representando o setor e não podia deixar de ir.
– Não querendo parecer chata, mas alguém lhe viu entrando ou saindo do apartamento de Stephen?
– Não sei, mesmo. Talvez sim, talvez não. No corredor não havia ninguém, nem quando cheguei ou quando parti. Tampouco no hall de entrada, em ambos os momentos. O prédio estava relativamente vazio, como sempre foi.
Suspirei.
Já não sabia mais o que falar, estava ficando sem meios. Só queria que Gerard voltasse e comandasse a situação.
Olhei para trás e não vi nada de empolgante. Havia pouco movimento no restaurante com iluminação baixa – não que fosse mal iluminado, é que as luzes ficavam sobre as mesas –, só o que pude ver foi o movimento quase entediado dos garçons do lugar e uma pessoa ou outra. Não era uma boa hora para estarem abertos, apesar de ser de noite. Ou talvez o local não fosse tão visado. Na verdade, só quem estava ali era para beber algo, conversar e comer uma coisinha ou outra, nada mais. Aquele era o nosso caso.
Dei um rápido gole no vinho tinto que repousava à minha frente e observei as lágrimas escorrerem preguiçosamente no cristal da taça. Nem bem senti o sabor do álcool e já engoli.
Só faça o que combinamos.
Ao ouvir isso, girei a cabeça novamente, mas a enorme e densa franja atrapalhou minha visão, logo não pude ver quem falara aquilo, e nem distinguir de onde o som viera. Mas, para minha felicidade, vi meu acompanhante entrar logo em seguida, com Bryar logo atrás. O louro parecia tenso com algo.
– E como estamos, meu amor? – disse de um jeito deliberado que me sobressaltou. Mas talvez não mais do que o beijo no alto de minha testa.
Por alguns segundos, pude registrar seus lábios em minha pele: aqueles lábios frios mas tão macios contra minha tez.
– Rose? – sacudiu-me quase discretamente ao notar meu rubor.
Sacudi a cabeça violentamente e respirei fundo.
– Bem, ele me disse tudo que sabia e... Bem, não foi ele quem praticou os assassinatos.
– E nem nada do tipo?
– Não, então vamos deixá-lo em paz e continuar procurando. Meu amor.
Senti uma cotovelada nas costelas que quase me fez cuspir o vinho que bebia, tossindo rapidamente com o engasgo passageiro.
Olhei para ele irritadiço.
Em seus traços, não pude constatar outra coisa senão um sorriso irônico e um olhar cativante.
Malditos olhos.
Malditos lábios.
Maldito ele por inteiro.
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– Namoram há quanto tempo? – perguntou Stéphane enquanto pegava seu gim tônico da mesa e levava aos lábios.
– Hm? – deixei meu olhar cair pesado no louro de mechas negras, realmente não entendendo onde ele queria chegar com aquela pergunta.
– Estou perguntando por quê... Desculpe, Bob, mas vou falar: não parecem um casal de jeito nenhum.
De repente, o silêncio caiu sobre aquela mesa de forma mortal. Ele notara. Eles notaram.
Notas finais
Mas o maior capítulo é definitivamente o último ~le suspense~
E eu postei uma one hoje. Vejam lá (fanfiction.com.br/historia/188962/The_Twenty-sixth_Floor).
Desculpem erros; sem muito tempo para corrigi-los. Me avisem caso algo esteja errado.
Reviews?
Kissus. Way.
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