Letters To Anyone

13 Eighth letter


Notas iniciais
Já me prometi que mudaria a capa do capítulo, mas ando muito sem humor.
Só vim postar agora porque fui dar uma olhada (lê-se: mantendo o masoquismo em dia) e vim postar.
Sei lá, um dia eu volto. Ou não. Acompanhe meu twitter e você saberá se eu me suicidei ~finalmente~ ou se ainda estou "viva".
O tanoshimi. Enjoy.

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Vamos jogar?

O sorriso da meia noite.

Mais um. Perdemos mais um bem diante de nossos olhos.

– Ele não mandou a carta, agiu sem nos avisar – comentei ao léu, sabendo muito bem que ambos me ouviriam.

– Talvez ele tenha seus truques baixos também. Talvez compre algumas apostas e não só as faça.

– O quê? – indaguei e, pelo que vi pelos olhos de Kurt, ele também não entendia onde o moreno queria chegar.

– Ele não joga tão honestamente quanto pensamos. Sobre o que você queria, Frank, terá amanhã cedo, não se preocupe. Não conseguimos reunir muita coisa, mas talvez já lhe sirva.

– Ah, sim... – murmurei já meio absorto, relevando a ideia que ele dera.

Nem todos no mundo jogam limpo, todos têm suas táticas para ganhar um jogo ou outro. Por que o assassino seria diferente?

Após um momento de divagação, a voz de Kurt quebrou o silêncio:

– Acham que podem concluir, pelo menos por hoje? Lembrei que Sierra existe e que ainda tenho de descobrir se está viva.

Lancei um olhar interrogativo para Gerard, que apenas suspirou.

– Sierra é a esposa dele – em seguida deu de ombros. – Claro, vá. Ficarei um pouco ainda e logo irei também.

– Qualquer coisa, basta ligarem, estarei alerta – e, dizendo isso, nos deixou sozinhos novamente.

Fiquei encarando-o com atenção, exatamente como ele me fitava.

– Sabe o que acabei de recordar?

– Diga.

– Na primeira vez que nos vimos, você tocou com tanto cuidado nas cartas, fazendo de tudo para não tocar nelas em si. Por quê?

– Apesar de você já ter corrido suas digitais por todo papel, poderia haver alguma chance de achar um deslize do nosso amigo. Regra básica da polícia: nunca toque nas provas.

Só então percebi a terrível falha que havia cometido.

– Acha mesmo que ele seria tão distraído a ponto disso?

– Fazemos coisas sem querer o dia inteiro, haveria a possibilidade de ele ter se distraído e pego no envelope ou no papel da carta. No entanto, não achamos nada, só as suas marcas.

Não sabia como me redimir.

– Dá para ver que sente culpa. Não precisa, está nessa conosco e não há porque sentir culpa.

Em sumo, estava certo.

Na meia hora seguinte, cada qual ficou com seus pensamentos, mas ele não tornou a me olhar, diferente de mim, que corria vez ou outro meus olhos pelo homem a minha frente. Talvez admirando seu jeito, ou sua postura. Talvez também estivesse apenas observando sua beleza. Não sabia ao certo. Podia ser tudo e um pouco. Essa parte de minha consciência estava desligada.

– Já é tarde. Deixarei com que descanse um pouco – disse como sempre, logo deixando-me sozinho no escritório.

Segui-o até a porta como se quisesse lhe perguntar algo mas não encontrava coragem para fazê-lo.

No breu da meia noite, houve um brilho diferente dos das estrelas que reluziam presas ao céu ou a lua que emoldurava a bela e calma noite.

Ele ficou observando o que poderia ser, mesmo que estivesse ao longe. Sua expressão severa me deu a dica de que já não era mais um reles policial, mas sim que estava pronto para assumir qualquer identidade, até mesmo as mais improváveis.

– O que houve?

– Não sou um cachorro, Frank – encarou-me bravo.

Só então percebi que tratara-o realmente daquela forma, como se tivesse perguntado a um cão o que havia ali.

– Desculpe.

– De qualquer forma, não creio que tenha sido algo para se preocupar.

– Sério? Pois não parecia...

Mal completei a fala quando um homem de cabelos louros arruivados cortou a escuridão da noite, caminhando lentamente até onde estávamos, ambos ainda parados na porta da frente. Tinha um porte de aparência atlética, não era muito alto, alguns centímetros de diferença entre nós, apenas isso. Seus olhos verdes eram brilhantes, só que nada comparados aos orbes analíticos e observadores de Gerard.

– Boa noite. Não queria interromper, mas me pediram para entrar isso a Frank Iero. Não há endereço, só segui as indicações que me deram.

– Quem é você? – Gerard perguntou sério.

– Stéphane Legrand.

– E como poderíamos ajudá-lo... Stéphane? – não era comum um nome feminino em um rapaz. Ou, se era, não era todo dia que ouvia isso.

– Sim, Stéphane. É de origem italiana, não se preocupe – ele sorriu. – Qual de vocês é Frank?

– Na verdade, ele não está, mas entregarei a ele.

– Só para ter certeza: quem são vocês?

– Somos irmãos de Frank, este é o mais novo. Frank é o do meio. Ele deverá chegar em breve então entregamos a ele.

– Ah, sim – Stéphane sorriu; parecia ter acreditado naquela desculpa dele.

Peguei o envelope branco que o rapaz estendia, tendo certo cuidado ao fazê-lo. Apesar de ter as digitais de Legrand, as minhas seriam poucas.

– Bom... É só. Addio.

Virou-se e já estava nos deixando à sós quando a voz de Gerard cortou a noite:

– Espere, Stéphane.

– Sim? – os olhos verdes eram questionadores.

– De quem é?

– Não sei. Quem me pediu para entregar estava naquele bar – apontou para o leste, duas quadras depois da minha. Havia realmente um bar para onde apontava. – Perguntou se eu morava por aqui. Falei que não, mas que passaria por essa rua, então pediu para lhe entregar isso. Parece que lhe conhece, já que deu o endereço, número, nome e tudo mais com grande precisão.

– Como ele era? – quem comandava o interrogatório era Gerard, apenas fiquei quieto e deixei que tomasse a palavra.

– Não pude ver. Estava escuro, a iluminação daquele lugar não é uma das melhores. E ainda por cima estava de óculos escuros e um capuz.

A mesma descrição que me deram quando recebi a terceira carta.

Legrand ficou nos encarando como se esperasse mais alguma pergunta.

– Mais algo? – perguntou.

– Não, a não ser que se lembre.

– Foi só isso. Mas agora com licença, tenho que ir.

Dizendo isso, apenas nos deixou, andando pelo meio fio em sentido contrário para o qual apontara.

Fiquei olhando para aqueles olhos verdes preocupados e logo temi o pior.

– Amanhã darei uma olhada no local que Stéphane falou. Por enquanto, não abra a carta, espere pela manhã e então Kurt, eu e você pensaremos com mais calma. De uma forma ou de outra, não é dizendo que matará a vítima anterior, pode ser uma nova.

– Então não seria melhor abrir agora?

– De que adiantaria? Não conseguiríamos descobrir quem ele matará.

– Tem razão – assenti derrotado.

– Então faça assim. A italianinha já estragou as chances de chegar as impressões digitais, então não precisa tomar muitos cuidados.

– Não seria melhor pegar alguns dados dele?

– É isso que vou fazer. Cruzarei com ele no caminho e pedirei algumas coisas, só para nos manter em dia.

– Certo... – suspirei. – Então até depois.

Meneou rapidamente a cabeça e deixou-me sozinho encarnado a noite que prometia ser longa.

Ao fechar a porta, deparei-me com a carta sobre o aparador do hall de entrada. Era dele, sabia bem, e só pela assinatura sabia que era ele. Peguei a caneta que estava ali próxima e anotei os dados que sempre anotava: hora e dia.

Sabia que ele mandava as cartas por outras pessoas. Só não sabia que confiaria em alguém tão distraído para fazê-lo. Talvez não tenha dado as devidas instruções dizendo que deveria deixar a carta na caixa de correios e não entregar-me pessoalmente. Sim, talvez nosso rato esteja saindo do buraco na parede.

Notas finais
Tem uma infinidade de erros. Desculpem.
Até depois, fofas. Obrigado por não me abandonarem (acho).
Kissus. Way.