Let's Play a Game

1 Verdade ou desafio


Nishinoya estava se sentindo cansado. Tinha dormido mal e a culpa era da série de acontecimentos que tinham ocorrido na casa do vice-capitão no dia anterior. E pensar que tudo começou por causa de uma brincadeira idiota. Ele se lembraria de "matar" Sugawara mais tarde por isso.


FLASH BACK ON
Tinha acabado de sair de uma ducha depois de um treinamento rigoroso. Que Deus abençoasse quem tinha tido a brilhante ideia do banho pós-treino, aquilo era um alivio para o corpo, principalmente agora que as regionais estavam tão próximas e Ukai-sensei não perdeu tempo em intensificar os treinos. Yuu se vestiu rapidamente e arrumou suas coisas, queria chegar em casa logo. Foi ai que que as coisas começaram a mudar de rumo. Sawamura que conversava com Sugawara, perguntou ao colega se ele já tinha se habituado a nova casa, visto que Koushi havia mudado de endereço a poucos dias, já que os pais do mesmo tinham comprado uma casa nova e maior.
— Estou quase me acostumando. É claro que ainda ha muito para se fazer, tem um monte de coisas em caixas. Isso deixa minha mãe quase louca, especialmente quando ela não acha o que quer. — Sugawara disse respondendo ao amigo.
—Mudança é sempre assim no começo. — O capitão Sawamura disse rindo junto com o colega.
— Mas veja pelo lado bom: uma casa maior significa mais espaço, o que significa que você pode nos convidar para ir lá algumas vezes. — Brincou Tanaka
— Idiota! Não vá se convidando assim para ir na casa dos outros. — Retrucou Tsukishima que não perdia nunca seu espirito de estraga-prazeres.
— Ah cala boca! foi uma brincadeira. — Tanaka confrontou o amigo. Bolas! Por que ele tinha que ser assim?
— Vamos, melhor agente se apressar, quanto mais tempo demorarmos aqui mais tarde agente chega em casa. — Falou Sawamura interrompendo a discussão.
Prepararam-se todos para sair, o capitão fechou o ginásio e entregou as chaves ao zelador. E a partir dai foi tudo muito rápido: trovão atrás de trovão ecoou no céu, e uma a uma as gotas de chuva começaram a cair, até se transformarem em uma tempestade intensa e forte. Literalmente uma cachoeira de água caindo do céu. Não havia como saírem dali sem ficarem ensopados. Precisariam esperar até a chuva abrandar. Foi então que o desejo de Tanaka se realizou.
— Pessoal, se ficarmos muito tempo aqui pode ser perigoso. Minha casa não fica muito longe, vou pedir pro meu pai vir nos buscar com a van. Será melhor esperarmos a chuva acalmar por lá do que aqui. Alguém pode se resfriar. — Sugawara disse pegando o celular.
—Tem certeza de que não tem problema? vocês acabaram de se mudar. — perguntou Daichi.
— Não. É só por algum tempo, tenho certeza de que meus pais não vão se importar. — respondeu Sugawara ao amigo.

Alguns minutos depois o pai de Koushi chegou com a van. Tanaka vibrava lançando olhares gozadores a Tsukishima, já que o mesmo havia implicado com ele sobre ir a casa de Sugawara mais cedo. Já o loiro fechou a cara, não lhe agradava em nada atrapalhar a família do seu senpai e ainda ter que aturar o colega bobão. Kageyama xingava Hinata da única maneira que conhecia, "baka! não fique tão animado", e o ruivo estava agitado, como sempre ficava quando algo deixava ansioso, e nessa hora, não parava de dizer "quero chegar logo na casa do Suga-senpai!". Sawamura e Sugawara riram juntos da situação; era tipico de seus kouhais se comportarem assim. Nishinoya por sua vez...tentava evitar Asahi.
Não era segredo para ninguém que ele e Asahi eram amigos próximos. A amizade entre eles era algo a ser admirado, especialmente quando ambos eram donos de personalidades tão distintas: Asahi era tímido, reservado e no entanto gentil e ele, Nishinoya, tinha um jeito enérgico, extrovertido e temperamental de ser. Mas de alguma forma, eles funcionavam quando estavam juntos. Yuu não sabia dizer como, só sabia que o que compartilhavam era algo bom. Um estava lá para o outro, dentro ou fora da quadra, conversavam sobre vôlei, banalidades e coisas de garotos nos intervalos, tinham uma briga boba vez ou outra só para fazer as pazes e recomeçar tudo de novo. Uma amizade perfeitamente saudável certo? Bem, nesse ponto Yuu já não tinha mais tanta certeza.
De uns tempos pra cá ele vinha se sentindo de uma maneira estranha em relação a Asahi. Era algo que ele ainda não conseguia explicar. E tudo começou depois que eles eles venceram aquele maldito jogo contra Shiratorizawa. A verdade era que o time de vôlei de Karasuno havia ficado muito popular depois disso, e não era muito incomum encontrar varias garotas ocupando as arquibancadas do ginásio para ver os treinos. A té aí tudo bem, nenhum problema, até uma das garotas ir até a quadra e começar a conversar com Azumane como se já fossem amigos há muito. Irritara-se com aquilo. Quem diabos era aquela garota? E quem deu a ela permissão para falar com Asahi daquele jeito? Tudo que sentiu naquele momento foi raiva, e só parou de encara-los depois que o vice-capitão perguntou se ele estava se sentindo bem. Sua cara não deveria estar boa.
Yuu ficou envergonhado e confuso ao longo daquele dia. Em tempos passados ele estaria mais do que satisfeito de ver o time rodeado por garotas, mas a cena que presenciara no treino o perturbara de um jeito que ele nunca poderia imaginar. E como resultado ele passou o resto da semana evitando Asahi. O amigo percebera que Yuu estava estranho naqueles dias, conhecia o libero demasiadamente bem, e tentava descobrir o porque. Nishinoya tinha conseguido evitar maiores perguntas com um "Não é nada, só cansaço por causa dos treinos", pelo menos até agora.
Chegaram então na casa de Sugawara. Ele explicou a situação a sua mãe que compreendeu e correu para a cozinha preparar um lanche. Koushi então se dirigiu a eles:
— Pessoal, vamos lá para o meu quarto, assim não vamos atrapalhar ninguém.
Subiram as escadas e seguiram pelo corredor. O quarto de Sugawara era bem mais espaçoso do que aquele que ele tinha na antiga casa. Esparramaram-se pelo chão, estavam todos cansados e loucos pra fazer alguma coisa enquanto esperavam aquele temporal passar.
— Obrigado por nos receber. — Disse Daichi. — Se não fosse por você ficaríamos ensopados.
— Não foi nada. — Sugawara respondeu.- então o que vocês querem fazer? Podemos jogar se vocês quiserem. — concluiu. O PlayStation 4 de Koushi foi o motivo da maior parte das vindas de alguns de seus colegas na casa antiga.
— Demorou! — disse Tanaka animado — qual jogo?
— não sei , vamos ver. — falou Sugawara enquanto abria a porta da estante que continha os jogos.
Optaram por Street Fighter, assim poderiam se revesar a cada combate. Porem antes que pudessem ligar o console, um barulho estrondoso ecoou seguido de um estalo de furar os tímpanos e tudo ficou escuro. Todos se olharam, só faltava essa! Além de estarem os dez, Sugawara, Sawamura, Tanaka, Asahi, Hinata, Kageyama, Tsukishima, Yamaguchi, Enoshita e ele, Nishinoya, trancados num quarto em meio a um temporal, a luz tinha acabado. Alguns minutos depois, o pai de Sugawara entrou no quarto trazendo uma lanterna para eles, ele chamara companhia elétrica e o funcionário que veio o havia informado que o transformador da rua tinha queimado por causa da descarga elétrica e a luz poderia demorar a voltar.
— Merda! agora vamos ter que esperar. — Esbravejou Tanaka.
— mas não há o que fazer quanto a isso. Temos que arranjar outra forma de passar o tempo. — disse Daichi. — Alguém tem alguma Ideia?
— Podemos contar histórias de terror! — gritou Hinata se animando.
— Baka-Hinata! Não estamos mais no primário! — Kageyama confrontou o amigo. Só o ruivo mesmo para cogitar algo assim naquela idade, não eram mais crianças.
— Posso fazer uma sugestão? — perguntou Sugawara. — Podíamos jogar verdade ou desafio.
— Eu recuso. Isso é coisa de meninas. — Tsukishima reclamou.
— Eu também. — concordou Kageyama. E ele e Tsukishima concordarem era algo sem precedentes.
— Parece divertido. além do que, ninguém aqui quer dar voltas a mais amanha na quadra só por que se recusou a jogar. — disse Daichi. O resto do time o olhou incrédulo e Sugawara riu da situação. Daichi era uma pessoa calma e gentil na maior parte do tempo, mas Koushi tinha conhecimento de que o capitão sabia ser maldoso quando queria.
Todo mundo não teve o que discutir depois disso. Mas essa ideia preocupava Nishinoya também, afinal aquele jogo requeria sinceridade e ele não estava nem um pouco afim de se expor naquele momento. Mesmo assim suspirou e tomou seu lugar no circulo que haviam formado. Usariam a garrafa de água que Daichi tinha na bolsa.
— Antes de começar vamos esclarecer algumas coisas: não vamos proibir nenhum tipo de pergunta ficara mais fácil e mais divertido. Também vamos evitar escolher desafios que obriguem a pessoa sair do quarto, assim ninguém vai tentar roubar e todos poderemos testemunhar o desafio. Não vamos limitar muito a escolha dos desafios só evitar coisas que possam ser muito perigosas. Todos de acordo? — discorreu Sugawara. Ele também sabia ser malvado quando queria.
Então começaram o jogo. Foi decidido que Daichi giraria a garrafa primeiro já que era o capitão e quem tinha dado a ideia de jogar. A maior parte do jogo correu bem, apesar dos micos que o pessoal estava pagando. Enfim chegou a vez de Sugawara jogar, ele girou a garrafa e ela parou na pessoa que menos desejava ser a vitima naquela hora, Yuu.
— Vamos ver. O que eu vou perguntar...- O vice-capitão pensou por uns instantes e então deu uma risadinha como se tivesse acabado de ter uma ideia maravilhosa. — Noya...Você gosta de alguém na escola?
O coração de Nishinoya deu um salto. Koushi poderia ter perguntado qualquer outra coisa, qualquer outra. Por tinha que ter feito justo aquela pergunta? Nunca tinha se interessado por ninguém antes o mais próximo de gostar que tinha experienciado com alguém fora com.... Não! Mas que merda ele estava pensando?! Só ficara com raiva daquela garota porque ela estava se comportando de maneira sebosa perto do seu melhor amigo, certo? Ele não podia estar gostando de Asahi. Nishinoya tinha vontade de gritar naquele momento, não podia responder aquela pergunta. Era constrangedor demais, mas quem sabe oque Sugawara mandaria ele fazer se escolhesse desafio.
— Estamos todos esperando Noya. — apressou Koushi.
— Eu...eu... — Yuu tentou falar, mas não conseguia. Tinha certeza de que sua face estava vermelha. Ele encarou Koushi, o vice-capitão sorria. Aquele maldito, estava se divertindo com a situação. Porcaria! teria que dizer alguma coisa. — Desafio! — disse reunindo coragem, mas se arrependeu de ter feito isso no momento seguinte.
— Escolheu não falar não é? — Sugawara disse maldosamente. normalmente ele não era assim, mas aquilo estava sendo hilario sem falar que, apesar de Nishinoya não admitir abertamente, Koushi podia perceber que o colega estava apaixonado por Asahi. Então não custava dar um empurrãozinho. Não era todo dia que se tinha uma a oportunidade como aquela. — Bem, então o seu desafio será dar um beijo na pessoa a sua esquerda.
Nishinoya olhou para o lado indicado pelo amigo e congelou. Merda! Agora ele tinha se ferrado. Um constrangido Asahi olhava para ele. Droga! Oque ele ia fazer? Não tinham dado muita alternativa a ele. Ainda muito nervoso e embaraçado ele virou na direção de Azumane, segurou o rosto dele com as mãos e depositou um selinho demorado em sua boca. Os lábios de Asahi eram macios e o beijo era suave, Yuu podia sentir um arrepio perpassar sua espinha e o seu coração estava disparado como se fosse explodir a qualquer momento. Apesar de embaraçosa, a sensação que o beijo lhe proporcionava era boa. Estava quase gostando daquilo quando a consciência deu um golpe em sua cabeça e ele se separou de Asahi constrangido.
— Assim esta bom? — perguntou ele a Sugawara ainda envergonhado, podia ouvir risinhos a sua volta. Faria Koushi e os outros pagarem por isso uma hora.
— Hunmm.... — Sugawara fez cara de quem avaliava o beijo e por fim disse — Ok desafio completo.
Nishinoya respirou mais aliviado. Então houve um clique e a luz voltou de repente. Yuu bufou irritado, agora era um pouco tarde. Então Tsukishima falou aproveitando pra encerrar o jogo. Aparentemente Nishinoya não era o único que não queria mais jogar.
— Acho que podemos parar com isso agora que a luz voltou.
— É, acho não tem muito sentido continuarmos, todos já participaram. — concordou Daichi — embora esteja divertido. E parece que a chuva esta passando também. Vamos terminar de lanchar e vamos embora. Já esta ficando tarde.
Todos concordaram e passaram a comer. Depois disso se despediram e rumaram cada um para sua casa. Nishinoya foi direto para o seu quarto assim que chegou. Afundou a cara no travesseiro. Não conseguia dormir, a memoria do beijo dado mais cedo não saia de sua cabeça. Fora constrangedor, mas, não fora de todo ruim. A boca de Asahi era quente mas suave, do tipo que te fazia querer provar mais. Ele corou mais uma vez pensando naquilo e...Bosta! porque ele não conseguia parar de pensar nele? Ficara irritado novamente, levantou-se e foi até o espelho. Olheiras de sono já se formavam em seus olhos mas não conseguia dormir. Ele odiava tudo aquilo, odiava o fato de estar apaixonado por alguém e odiava o fato dessa pessoa ser seu melhor amigo. O amor, ele concluíra, não era um mar de rosas como muitos falavam. Não passava de um sentimento sádico que surgia em seu peito só pra te infernizar e te ver sofrer da maneira mais ridícula e masoquista possível.
Yuu suspirou e sem pensar duas vezes deu um murro com força no espelho que trincou, causando pequenos cortes na sua mão. Droga! Agora além de cansado iria para a escola com a mão machucada. O técnico Ukai ia amar. Foi para o banheiro e tratou de fazer logo um curativo. Depois voltou para o quarto e se deitou, com certeza aquela era uma das piores noites da sua vida.
FLASH BACK OFF


Dormiu mal, o resultado: Estava sentado na droga de sua carteira extremamente cansado, com a mão machucada e morrendo de dor de cabeça.