Yuu não queria fazer nada naquela manhã. Isso era incomum para ele visto que ele sempre fora uma pessoa enérgica. Mas o estado em que se encontrava não o permitia se animar. Desejou poder ficar sozinho em um lugar deserto, as vozes alegres das pessoas a sua volta o deixavam atordoado. Também não conseguiu prestar atenção na aula de álgebra. Apenas abaixou a cabeça e esperou até a aula acabar. Poderia ter problemas com a nota mais tarde, mas não importava. Ele não era nem um anjinho mesmo. Finalmente a hora do intervalo chegou ele aproveitou para dar uma escapada. Ao sair no corredor, no entanto, ele foi surpreendido. Koushi vinha conversando com Asahi, que parou assim que viu Nishinoya. O libero ficou estático por um instante e sentiu seu coração disparar antes virar as costas e sair correndo dali.
Nishioya não olhou para traz, apenas continuou correndo até entrar no primeiro banheiro que achou. Abriu uma torneira e colocou a cara debaixo d'água. Droga! O que ele estava fazendo? Não sabia quanto tempo mais ele ia aguentar tudo aquilo. Era mais fácil admitir de uma vez: ele estava amando Asahi. O que era algo incrivelmente besta, já que ela não tinha certeza se seria correspondido se decidisse se declarar e só essa ideia já o assustava. Asahi nunca dissera se gostava de alguém. Então a cena da conversa de Azumane com aquela garota no treino de dias atrás veio a sua mente, eles pareciam bem a vontade juntos. Será que... NÃO! Não podia ser, eles não poderiam estar juntos! Ele se recusava a acreditar nisso. Sacudiu a cabeça e se preparou para sair do banheiro quando escutou vozes femininas no corredor a frente. Ele espiou pela porta e viu duas garotas conversando animadas. Uma delas, para seu horror, era a garota do treino do outro dia.
— Então Mai, é verdade que chamou o Azumane-kun pra sair? — perguntou a outra garota para a suposta amiga de Asahi.
— Sim. Nos vamos comer algo hoje depois que ele terminar o treino. — respondeu Mai a amiga que se chamava Reiko.
As duas continuaram a conversar, mas Nishinoya não ficou lá. Não queria ouvir o resto da conversa. Andou sem rumo, o intervalo tinha acabado mas ele não tinha vontade de voltar para sala. No meio do caminho, cruzou com Asahi mais uma vez. O mais velho tentou chamar Yuu, mas esse fingiu não ouvir. Seguiu caminho até para no terraço da escola que já estava vazio aquela altura. Sentou-se no chão escorando-se na parede. Sentiu as lágrimas correrem sem parar pela sua face. Ele era um tolo mesmo, só na sua cabeça mesmo ele achava que seria correspondido. Estava claro que suas chances agora eram quase nulas, pois se Asahi ia mesmo sair com aquela garota significava que ele gostava dela certo? Queria gritar naquele momento, sentia-se quebrado por dentro. Ficou uns minutos parado remoendo a amargura dentro de si quando escutou alguém abrir a porta.
— Finalmente te achei. — disse Sugawara ao ver o amigo.
— O que você quer? — Yuu perguntou ríspido, Koushi era a última pessoa que ele queria ver.
— Conversar. Encontrei Asahi ao voltar pra sala, ele me disse que tinha te encontrado e que você não parecia bem. — Respondeu Sugawara calmamente.
— Se for para me convencer a falar com Asahi, pode esquecer. — Falou Nishinoya.
— Você gosta dele. — Sugawara prosseguiu. Aquilo não era uma pergunta. O vice-capitão sabia que era essa a razão por detrás daquela situação.
— Você sabia? — Nishinoya perguntou, embora soubesse que não precisava. Tinha absoluta certeza de que Koushi sabia de tudo desde que voltara da casa do mesmo na noite de ontem.
— Sim. Não foi muito difícil descobrir. Eu comecei a suspeitar pelo modo com que você o olhava durante os treinos. A maneira como você se comportou outro dia ao ver ele conversando com a Mai e durante o jogo lá em casa confirmaram tudo pra mim. — Koushi respondeu.
Merda! Aparentemente seu comportamento não tinha passado desapercebido. Mas agora não importava mais se ele gostava de Asahi ou se mais alguém sabia daquilo ou deixava de saber. Nishinoya achava que era um pouco tarde.
— Agora não adianta mais. Ele vai sair com aquela garota. Que chances eu tenho? — ele indagou.
— Como você sabe disso? Você nem ao menos perguntou a ele. Pelo que eu sei a Mai é apenas uma amiga, eles ficaram amigos pois moram na mesma vizinhança. — Sugawara disse confrontando-o.
— Ah conta outra! Qual cara leva uma garota pra sair e não sente nada por ela? — Ralhou Nishinoya. Era muita bobagem de Koushi nem ao menos cogitar isso. Asahi era tímido mas não era nenhum tolo.
— Eu não sei. Só sei que você precisa perguntar diretamente a ele. E precisa contar a ele o que esta sentindo. Não é algo fácil de se fazer, mas com certeza é bem menos doloroso do que ficar sofrendo sozinho. Acredite, falo isso por experiência própria. — Aconselhou Sugawara. Ele já tinha passado por aquilo então sabia o que estava dizendo. — Eu não quero ver nenhum amigo meu sofrer assim, é muito importante pra mim que todos estejam bem. E Asahi também se preocupa muito com você.
— Se é assim porque ele não está aqui? — Questionou Yuu
— Ele disse que queria estar, mas precisava falar com a Mai primeiro. Não sei o que ele estava pensando. — Respondeu Sugawara. — não posso fazer mais do que estou fazendo por vocês. Mas eu imploro que você tente fazer as pazes com ele. A amizade de vocês não é algo que se vê todo dia. E eu vou continuar sendo amigo de vocês independente do que aconteça. — Concluiu.
— Certo. — respondeu Nishinoya sem muita empolgação.
O fato era que o vice-capitão tinha razão. Não ia adiantar nada continuar guardando mágoa daquele jeito. Ele procuraria Asahi depois que o treino e falaria tudo pra ele se conseguisse reunir coragem. Respirou fundo e saiu dali com Sugawara em direção as salas de aula. Tinha perdido um horário literatura devido aquela pseudo-discussão e com certeza iria levar bronca. O resto do dia transcorreu sem maiores problemas e enfim chegou a hora do treino. Ukai-sensei não ficou muito satisfeito ao ver o punho machucado de Nishinoya, mas permitiu que ele treinasse com a mão enfaixada.
Alguma coisa naquela hora o motivou a treinar como nunca. Talvez quisesse que tempo passasse logo, talvez estivesse tentado esquecer toda a loucura que estava sendo aquele dia. Ele não sabia dizer, só sabia que vôlei era a única coisa que o fazia esquecer seus problemas. O treino terminou e ele foi os vestiários tomar uma ducha. Sentiu sua mão doer ao tentar remover as faixas e percebeu que as mesmas estavam manchadas de sangue. Porcaria! Os cortes tinham aberto de novo. Terminou o banho vestiu-se e fez um novo curativo, pegou suas coisas e saiu. Asahi esperava por ele do lado de fora do ginásio.
— Eu preciso falar com você. — Disse nervoso. Nishinoya sentia o corpo travado e não conseguia encarar Asahi nos olhos. Céus! parecia que seu coração ia sair pela boca.
— Eu também. — Respondeu Asahi. Ele também estava um pocou nervoso e inquieto. Não era como costumava ser.
— Pensei que tinha que sair com a Mai. — Nishinoya disse. Não sabia bem o que estava fazendo.
— Eu cancelei. Você era mais importante. — Asahi falou agora mais calmamente. Ele se surpreendeu ao ouvir Yuu dizer o nome de Serizawa Mai. Como ele sabia?
O coração de Nishinoya deu um salto. Ele tinha ouvido direito? E o que Asahi quis dizer com "você era mais importante"? Ele já não estava entendendo mais nada.
— Não entendi. Eu pensei que você gostasse dela. — Disse Nishinoya que agora tinha finalmente conseguido encarar os olhos do outro.
— Não. Nós somos amigos, mas é só. Ela gostava de mim e até veio se confessar. — Respondeu Asahi. Ele não pretendia ir falando tudo assim de repente. Mas ele tinha uma necessidade de esclarecer tudo da maneira mais sincera possível. — Mas eu rejeitei os sentimentos dela.
— Por que? — Nishinoya perguntou chocado. Aquilo não podia estar acontecendo.
— Eu não podia ficar com ela. — Asahi disse e suspirou fundo. Seu nervosismo tinha voltado. — Porque eu gosto...Noya...Eu amo você. — concluiu.
Nishinoya nada disse. Estava chocado demais com o que acabara de ouvir para dizer alguma coisa. O coração em seu peito disparava agora mais do que nunca. Sem que pudesse conter, as lagrimas começaram a cair novamente. Então inesperadamente Azumane se aproximou do menor e puxou-o para um abraço acolhendo-o por entre seus braços. Aquilo foi o limite para Nishinoya, o libero deixou todas as suas lagrimas fluírem livremente aninhando o rosto no pescoço do maior. Asahi passou a mão de leve pelos cabelos macios do menor.
— Me desculpe. — Sussurrou para Nishinoya. — Eu não queria que você sofresse por causa de mim. Já fazia um tempo que eu estava gostando de você, mas eu era covarde demais para admitir isso para mim e mesmo e covarde demais para me confessar a você. Depois que você me beijou ontem no jogo eu não consegui parar de pensar naquilo. Eu tentei falar com você hoje mais cedo, mas você fugiu de mim. E ai quando eu vi a Mai e a amiga conversando e você saindo correndo, eu soube que precisava urgentemente falar com você, mas achei que você não ia me ouvir. Comentei isso com Sugawara quando voltava pra sala e ele se ofereceu pra falar com você primeiro.
— Baka... — Disse Nishinoya que agora estava quase se acalmando. Ele estava surpreso, Asahi estava enfrentando um dilema interior que não era muito diferente do dele. — Eu também amo você. — Yuu finalmente conseguira dizer as palavras que ha muito estavam presas na sua garganta. — Eu só... Eu pensei que não tivesse mais chances com você, quero dizer você ia sair com ela...
— Noya... — Asahi disse olhando diretamente nos olhos do menor. — A Mai não significa absolutamente nada pra mim.
— Asahi... — Nishinoya sussurrou.
Nishinoya nem teve tempo para falar. Azumane tomou os lábios dele selando-os em um beijo. Surpreso Yuu ainda tinha os olhos abertos, mas aos poucos foi fechando-os para retribuir o beijo. A sensação era arrasadora, Nishinoya podia sentir seu peito chacoalhar. Asahi pediu passagem com a língua e Nishinoya cedeu. O maior entrelaçou as mãos pela cintura do menor que tinha uma das mãos em seu ombro e outra em seus cabelos. Deuses! Como aquilo era bom! Asahi cheirava a shampoo, desodorante masculino e mais alguma coisa que Nishinoya não sabia dizer o que era, um cheiro próprio, mas que fazia o líbero perder a compostura. Yuu suspirou, Asahi interrompeu o beijo para recuperarem o folego e em seguida retomou o mesmo.
Nishinoya não queria parar. Ele não pode evitar de sorrir em meio ao beijo. Aquele fora de fato um dia maluco. Começara a manhã destruído, querendo fugir de tudo e de todos, e agora se sentia a pessoa mais feliz do mundo, ele encontrara o que estava procurando. Escondido Sugawara observara a situação dos dois colegas de time desde o início e agora sorria. Ele sempre soube que aquilo era apenas um a questão de tempo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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