Let's Not Fall In Love

16 Capítulo 15 - Sentimento de Culpa


Notas iniciais
- Todos os acontecimentos aqui descritos são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. — Espero que gostem!

SEUNG-HEE

Estou sentada na secretária do meu escritório, e apesar de ainda só serem quatro da tarde já me encontrava exausta, os papeis que tinha de assinar não pareciam terminar nunca.

— Acho que vou morrer… — Falei de mim para mim.

Os meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do telemóvel. Levantei aquele monte de folhas até que finalmente o consegui encontrar.

— Estou.

Seung-Hee?— Perguntou a voz do outro lado da linha, ao que eu respondi afirmativamente. — É o Ji-Yong.

— Ji-Yong! Que se passa? — Questionei.

Sabes onde é que está a Yong-Gi?

— Não faço ideia, mas o mais provável é estar em casa. — Respondi. — Mas porquê?

Ela ligou-me faz duas horas para nos encontrarmos e ainda não apareceu. Já liguei para o telemóvel várias vezes e nada, está desligado.— A sua voz suava preocupada. — Estou agora à porta do apartamento dela e ao que parece ela saiu daqui faz duas horas.

— Que estranho… Ji-Yong eu vou sair agora mesmo do meu escritório, podes ir ter comigo à minha casa? Acho que sei onde ela poderá estar. — Combinei com ele.

Depois de desligar, saí rapidamente do escritório, a Yong-Gi nunca saia do mapa sem deixar rasto, alguma coisa deve ter acontecido. Antes de atravessar a porta do escritório, um pensamento inundou a minha mente. O presente de Andrew… E se ela não aguentou?... Não isso não pode ser… Pois não?

***

Ji-Yong encontrava-se junto à porta do meu apartamento quando cheguei. — Olá. — Cumprimentei abrindo a porta. Logo que dei o primeiro passo notei logo que algo não estava bem.

Ji-Yong olhou em redor da sala e depois para mim. — Que foi?

— O Andy não está. — Afirmei dirigindo-me à cozinha onde em cima da mesa se encontrava um papel e uma caneta. Peguei no papel.

Unnie, eu levei o Andy. Tenho de liberar a cabeça…— Li em voz alta para Ji-Yong.

— É da Yong-Gi?

— É... Ji-Yong, acho que fiz asneira… — Disse coçando a cabeça. Peguei no telemóvel e tentei mais uma vez ligar para Yong-Gi, mas sem sucesso. — Se ela foi apenas aclarar as ideias ela deve voltar em breve. E se ela está a ir para Nova Iorque, só deve chegar daqui a umas dez horas ou por aí, por isso é melhor esperarmos.

— Mas se ela só foi aclarar as ideias porque é que me ligou? — Questionou. Lamentavelmente eu não tinha uma resposta para a pergunta dele, sendo assim retorqui com um abanar de ombros.

— Bem, já que estás aqui, queres tomar algo? — Convidei.

— Obrigada, mas não posso ficar mais tempo, tenho umas coisas combinadas com o Seung-Hyun Hyung. — Recusou dirigindo-se para a porta. O meu coração deu um pulo quando ele se referiu ao Seung-Hyun. Porquê? Porquê eu?

— Então não gasto mais o teu tempo. — Disse abrindo-lhe a porta. — Bem, até manhã!

— Até manhã! — Retorquiu abandonando o apartamento.

Sentei-me na mesa de madeira junto à janela, observei o bilhete que Yong-Gi me havia deixado. O que é que será que esta rapariga andará a fazer? Por favor que não faça nada estúpido.

***

Já se havia passado um dia desde o desaparecimento de Yong-Gi. Já havia ligado enumeras vezes para o porteiro do prédio a perguntar se ela estava lá, mas a resposta era sempre a mesma. “A Senhorita Park não veio para aqui minha senhora.”

Eu e o Ji-Yong encontravamo-nos agora no bar da GP Enter. Decidimos não dizer nada por agora, talvez ela realmente só necessite de algum tempo sozinha para por as ideias em ordem. Apesar de repetir essas palavras enumeras vezes, tentando acalmar o meu coração alarmado, aquele sensação estranha de algo estar errado não abandonava o meu subconsciente.

— Damos lhe duas semanas, se ela não aparecer depois disso, eu vou falar coma Giselle para decidirmos o que devemos fazer. — Sugeriu Ji-Yong.

— … Tudo bem, faremos isso. — Concordei.

— O que é que decidem depois? — Perguntou uma voz bem familiar.

— Hyung… Nada. — Respondeu Ji-Yong.

Virei a cabeça para me dar de caras com Seung-Hyun. Desde o jantar de comemoração do Special Stage que não o via cara a cara. Talvez assim fosse melhor. Ele olhou-me nos olhos, quase ignorando por completo as palavras do Ji-Yong, então um pequeno sorriso abriu-se-lhe no rosto. Eu virei a cara.

— Seung-Hee, eu vou andado. Se tiveres alguma novidade liga. — Despediu-se. Não tive nenhuma novidade por três meses…

***

— Como é que puderam deixar passar isto?! Seung-Hee! — Giselle caminhava furiosamente de um lado para o outro no seu escritório. — E agora? E agora o que vamos fazer!

— Ela deixou-me um papel a dizer que ia espairecer um pouco, eu pensei que depois de duas semanas ela voltaria… A Marti não é de ficar tanto tempo longe da família e dos amigos, e muito menos sem dizer nada…

Giselle parou por um estante. — Não, ela já fez isto uma vez… Faz muito tempo. Ji-Yong, aconteceu alguma coisa entre vocês os dois?

Ji-Yong que se encontrara até então calado finalmente se pronunciou. — Nada de mais… Talvez ela só precise de algum tempo para espairecer. Talvez nós estejamos a fazer uma tempestade num copo de água.

— Ji-Yong, tu sabes de alguma coisa não sabes? — Perguntou Giselle aproximando-se dele.

Ele respirou fundo e encarou-nos. — Um amigo meu que vive nos Hamptons ligou-me a dizer que a Marti Park era a sua nova vizinha. Ao que parece ela vai passar lá um tempo.

— Porque é que não disseste antes? — Questionou a Giselle.

— Noona, eu soube isso esta manhã. — Retorquiu Ji-Yong.

— Eu vou a buscar imediatamente. — Afirmou Giselle dirigindo-se à saída do seu escritório.

— Unnie, não. Ela precisa de tempo para por as coisas em ordem. — Expliquei sem entrar em muito detalhe.

— Seung-Hee, ela tem um álbum para preparar e uma colaboração, um drama e uma linha de roupa. Ela não pode parar logo após começar!

— Noona, a colaboração pode esperar, bem como a linha de roupa. E a respeito do álbum, podemos lançar o meu… Eu já o tenho preparado faz algum tempo, estava planeado para o ano que vem, mas podemos adiantar a data. Quanto ao drama, podemos falar com o produtor.

Giselle refletiu uns minutos sobre a proposta de Ji-Yong e logo aceitou, era a única forma de fazer isto funcionar sem que a Marti cá estivesse. Mas em seguida surgiu mais um problema, como esconderíamos o súbito desaparecimento de Yong-Gi. Depois de uns minutos de reflexão surgiu-me algo.

— Podemos dizer a todo o mundo que a Yong-Gi entrou de férias um pouco mais cedo devido a problemas de saúde, e para que isso não faça muito alarido podemos fazer algo diferente. Haru, a nossa compositora prodígiu, a trabalhar lado a lado com outro compositor prodígiu, G-Dragon, vai dar muito que falar, o suficiente para encobrir o desaparecimento da Yong-Gi.

— Ji-Yong?

— Por mim sem problemas, a Haru é muita talentosa tenho a certeza que conseguimos fazer alguma coisa em pouco tempo.

— O problema vai ser covencê-la…

— Isso não vai ser um problema. — Disse. — Ela é uma grande fã do trabalho do Ji-Yong, tenho a certeza que vai aceitar. Mas de qualquer forma falarei com a Yuri Sunbae acerca desse assunto.

— Então ficamos assim, e se ela não aceitar logo se verá. — Afirmou Giselle. — Mas a Marti tem três meses, se ela não voltar dentro de três meses, irei a buscar.

— Unnie, se ela não voltar dentro de três meses serei eu mesma que a irei buscar.

***

Antes que Ji-Yong abandona-se o prédio da GP interceptei-o. — Como é que soubeste que a Marti estava nos Hamptons, a desculpa que tu deste pode ter funcionado coma Giselle, mas comigo é mais complicado. A Marti não vai aos Hamptons desde que o Andrew adoeceu…

— … Bem… — Hesitou. — Faz um tempo, a Yong-Gi falou-me sobre a sua casa nos Hamptons, e como era um bom lugar para arejar a cabeça. Hoje de manhã lembrei disso, e liguei para um velho conhecido que lá vive, e ele confirmou a minha suspeita.

— Mas está bem? — Indaguei ligeiramente preocupada.

— Sim, ele diz que ela aparenta estar bem… Mas é difícil ter a certeza. — Retorquiu.

— Só espero é que ela não faça nenhuma loucura…

***

A culpa é provavelmente um dos piores sentimentos que se pode ter. Apesar de o Ji-Yong me ter dito que a Yong-Gi estava bem, o facto de não poder comprovar isso a cem por cento deixa-me num estado de ansiedade constante. Yong-Gi é de longe a pessoa mais próxima que tenho, e o mais parecido a uma irmã. Ela conhece-me melhor do que eu própria me conheço, sabe todo o meu passado, todos os altos e baixos.

Estou junto ao Rio Han, as luzes da cidade refletem nas águas calmas do rio. Isso, de alguma forma, faz com que o sentimento de culpa que guardo dentro de mim desapareça um pouco. Só me apetece apanhar um avião e ir ter com ela, mas também sei que ela precisa de tempo para por tudo no lugar, para terminar uma jornada e iniciar outra. Eu estarei ao seu lado qual seja a decisão que ela tome. Só quero que ela seja feliz, e sei que o Ji-Yong será capaz de o fazer.

Notas finais
— Espero que tenham gostado!