Let's Not Fall In Love
5 Capítulo 4 - Uma Amizade Improvável
Notas iniciais

SEUNG-HEE
Não posso negar, adoro o trabalho como manager, pois foi graças a ele que conheci mundo e fiz amizades incríveis, mas como todo o emprego que se prese também tem seu lado negro, e esse lado negro tem um nome pa-pe-la-da, sim isso mesmo papéis, algo tão inútil, mas que causa tantos problemas. Ki-Jung, o novo manager dos BIGBANG decidiu desaparecer e deixar a maldita papelada toda para mim… Mas que manager mais inútil foram eles arranjar… Acabei de chegar e já estou entulhada de trabalho até às pontas do cabelo.
Alguém bateu à porta interrompendo os meus pensamentos, um homem de cabelo branco abriu a porta, olhou em redor e logo ficou parado.
– Quer alguma coisa? – Perguntei educadamente.
– Onde é que está o Ki-Jung? – Perguntou olhando uma vez mais para a desorganização do escritório.
– O inútil do Ki-Jung desapareceu deixando toda a papelada para mim. – Afirmei mexendo no monte de papéis em cima da secretária.
– Não sejas tão dura com ele… Seung-Hee? – Perguntou ele avançando e estendendo-me a mão, eu retorqui o comprimento e confirmei com a cabeça.
– E suponho que você é o Choi Seung-Hyun ou melhor T.O.P. – Afirmei já sabendo a resposta. – Prazer em conhecê-lo Oppa.
– Eu acho que podemos deixar a linguagem tão formal. – Disse ele. – E quanto a Ki-Jung… Sim ele é um tanto inútil, mas tem feito o seu melhor apesar do estado da sua irmã mais nova.
– E que se passa com a irmã dele? – Questionei.
– A Honey está doente. – Respondeu.
Aquela resposta deixou-me um pouco impactada, e fez-me arrepender porque todas a pragas que lhe havia rugado por ele ter ido embora e me ter deixado a papelada toda.
– E provavelmente foi fazer-lhe uma visita surpresa ao hospital. – Concluiu Seung-Hyun.
– Ah… Eu não sabia… E eu aqui a rugar-lhe pragas… — Disse arrependida.
– Pensei que ele lhe tinha dito… — Indagou T.O.P
– Não, ele simplesmente foi embora. – Disse. – Mas mesmo assim, eu não posso ficar aqui a fazer este trabalho, tenho de voltar para casa arrumar as coisas… Tenho de chamar um táxi… e ir ao supermercado… E desfazer as malas… E ligar aos meus pais… E… — Disse enquanto caminhava de um lado para o outro no escritório.
– Eih… Eih… — Chamou Seung-Hyun.- Eu tenho o meu carro lá em baixo se quiseres eu levo-te para casa, porque se o Ki-Jung está aqui eu também não tenho nada para fazer então.
– É muito amável da tua parte mas não é necessário. – Recusei amavelmente, mas ele já ia a sair da porta com um monte de papéis na mão.
– Vens ou não? – Perguntou olhando para trás.
– Está bem… — Aceitei pegando na mala e seguindo-o até ao estacionamento subterrâneo.
Já no estacionamento ele abriu-me a porta para entrar no luxuoso carro e depois dirigiu-se para o seu lugar, mas não antes de abrir a mala e colocar lá todos os papéis.
– Então, onde é que fica a tua casa?
***
– Desculpa lá a desarrumação. – Disse enquanto abria a porta do apartamento, não é muito grande, mas é suficiente para mim e para o pequeno Andy que esperava ansioso à porta.
Seung-Hyun entrou e olhou em redor. – Realmente estás a precisar de uma ajudinha.
– Eu ia oferecer um café, mas tudo o que tenho é uma garrafa de água do aeroporto. – Disse olhando para a única coisa que tinha dentro do armário.
– Não há problemas.- Disse ele avançando e explorando o lugar.
– Bem, suponho que tenhas mais que fazer, se quiseres ir embora… Tenho a certeza que a tua vida é bem mais interessante que isto. – Divaguei.
– Nem por isso… Não sabes o que daria por um dia normal. – Disse ele sorrindo. – E acho que esse dia vai ser hoje.
– Que queres dizer? – Perguntei intrigada.
– Não precisavas de ir ao supermercado? – Questionou ele. – Então vamos fazer compras. Posso levar isto? – Ele apontou para uns óculos de sol que estavam pousados em cima de um monte de livros.
– Ah… Claro, mas não é… — Seung-Hyun pegou no meu braço e levou-me de volta para o carro, pôs os óculos de sol e olhou para mim.
– Vamos lá ver como é uma vida normal. – Afirmou carregando no acelerador.
***
– Woah… — Soltou Seung-Hyun mal entramos no supermercado. Ele levava vestido um casaco e levava o capucho posto com os óculos de sol para que ninguém o reconhecesse.
– Que foi? Nunca vieste a um super mercado? – Brinquei pegando num carrinho.
– Não diria nunca, mas já faz um bom tempo desde a última vez… Vantagens de ser famoso. – Brincou de volta.
Seung-Hyun começou a tirar das prateleiras coisas à sorte fazendo-me rir. – Pessoas normais não fazem isso.
Ele olhou para mim e começou a colocar as coisas de volta nas prateleiras. Eu tirei da minha mala um papel com todas as coisas que precisava comprar.
– Pessoas normais tem listas de compras como esta. – Disse apontando para o papel. – Então vamos começar!
Primeiro fomos ao local de eletrónica e coisas para a casa, precisava urgentemente de umas lâmpadas e de uns pratos novos, porque ao que parece a última vez que estive em Seoul os pratos partiram todos. Depois disso fomos até ao pão, à carne passando pelo peixe e os detergentes, fomos até à fruta aos legumes e aos congelados. Paramos na parte dos cosméticos, enquanto eu pegava numas coisas, algumas pessoas começaram-se a aproximar de T.O.P, ele aproximou-se de mim e sussurrou:
– Acho melhor eu voltar para o carro, acho que algumas pessoas me reconheceram.
– Está bem, mas é normal que te tenham reconhecido, só um famoso para andar de capucho e óculos de sol dentro de um supermercado. – Disse.
Ele afastou-se enquanto as pessoas curiosas o seguiam como se fossem uma espécie de zumbis assassinos, ser famoso é mesmo complicado, principalmente se há cartazes gigantes com a tua cara por todo o lado. Ainda me lembro de quando a Yong-Gi passava por isso, não poder sair de casa com medo de ser perseguida por um monte de zumbis.
***
Abri uma vez mais a porta do apartamento, eu e o Seung-Hyun estávamos carregados de sacos, acho que me passei um pouco nas compras. Os dois entramos e pousamos as coisas em cima da ilha da cozinha.
– Obrigada pela ajuda. – Agradeci começando a arrumar as coisas.
– Desculpa ter de sair a meio, mas as pessoas acho que me começaram a reconhecer, então mais valia prevenir que remediar. – Disse ele enquanto me ajudava.
Depois de arrumar as coisas comecei a abrir as caixas e a colocar as coisas no sítio, disse a Seung-Hyun que se quisesse ir embora que podia, mas ele insistiu em ficar. Ele sentou-se no chão junto a mim e pegou numa caixa.
– Então… O que achas desta colaboração entre a Marti e o Ji-Yong? – Quebrou o gelo.
– … Perigosa… — Disse retirando alguns objetos da caixa.
– Porque dizes isso? – Perguntou. – Tens medo que o Ji-Yong se apaixone pela Marti?
– Não… Tenho medo que a Marti de apaixone pelo Ji-Yong.
***
Já era bem tarde quando terminamos de arrumar as coisas, agora estávamos a saborear um bom vinho que havia comprado hoje, ainda estávamos sentados no chão da sala. De repente Seung-Hyun ficou muito sério.
– Obrigada. – Disse.
– Porquê? – Perguntei.
Ele levantou o copo e olhou para ele com muita atenção, depois abanou-o um pouco e bebeu. – Porque pela primeira vez em anos, senti-me… Normal…
– Foi um prazer… — Respondi meigamente.
Ele olhou para o relógio e logo engoliu o vinho todo de uma vez. – Foi um prazer passar a tarde contigo, mas tenho de ir… se não vou ter um enorme interrogatório pela frente ao chegar a casa.
– Claro, eu compreendo. – Disse acompanhando-o até à porta, ele saiu e olhou para mim.
– Foi um prazer conhecer-te Seung-Hee. – Disse com um sorriso.
– O prazer foi todo meu, Oppa. – Retorqui também com um sorriso.
Depois de nos despedir-mos voltei a sentar no local onde havia estado até ao momento, tinha uma sensação estranha, uma sensação que não podia ter, algo proibido… Depois de acalmar o meu coração, olhei para o sofá e encontrei um telemóvel que não era o meu…
–Não me digas que ele se esqueceu do telemóvel?... E agora que é que faço?! – Perguntei para mim mesma.
Fui rapidamente até há minha mala e liguei para Yong-Gi.
– Estou. – Atendeu.
– Ainda estás com o GD? – Perguntei.
– Não, porquê? – Questionou.
– Bem… Digamos que por uma casualidade eu conheci o Seung-Hyun Oppa, e ele passou a tarde comigo e esqueceu-se do telemóvel no meu sofá… — Disse resumindo a história. Pude ouvir do outro lado da linha um grito que quase me deixou surda.
– Ai Seung-Hee, está muito saída casca…– Disse ela com um tom bastante perverso. – Mas tudo bem eu vou ligar ao Ji-Yong Oppa para dizer ao Seung-Hyun para passar na tua casa para recuperar o seu telemóvel.
– Obrigada. – Agradeci.
– Sempre às ordens. – Terminou.
Uma meia hora depois da chamada, a campainha tocou, levantei-me do sofá e fui a correr abrir a porta, fui recebida por um sorriso por parte de Seung-Hyun o que por algum motivo me deixou muito feliz.
– Olá de novo. – Cumprimentou.
– Hey… O telemóvel está aqui. – Disse-lhe passando-o para a mão.
– Obrigada. – Ele sorriu. – Mas graças ao meu esquecimento tive um interrogatório enorme por parte de Ji-Yong.
– Desculpa. – Disse baixando a cabeça.
– A culpa não é tua, eu é que sou cabeça no ar e me esqueci. – Retorquiu.
– Não te preocupes que não vais ser o único que foi interrogado… Tenho impressão que amanhã vou ouvir muitas perguntas por parte de Yong-Gi. — Afirmei rindo um pouco depois.
– Bem… Mas é para isso que os amigos servem. – Disse ele sorrindo. – Tenho que ir… Boa noite!
– Boa noite! – Despedi-me.
Como já era muito tarde fui-me deitar, mas antes fui lavar os dentes e vestir o pijama, deitei-me na cama e olhei para a janela, as luzes da cidade cortavam o brilho das estrelas, então o céu parecia completamente negro. Pus a mão no peito na esperança que a pulsação baixasse o seu ritmo. Mas que se está a passar comigo… Porquê tão rápido? Apertei o peito mais forte mas de nada serviu pois imagens da nossa tarde assaltaram os meus pensamentos fazendo o meu coração bater ainda mais rapidamente. Eu não posso estar a sentir o que estou a sentir, isto vai contra as regras!
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