Let's Not Fall In Love
19 Capítulo 18 - Dança na Chuva
Notas iniciais

T.O.P
Senti um nervoso miudinho quando transmitiram para estúdio que estávamos prestes a entrar no ar. Já fazia algum tempo desde que fui entrevistado pela última vez. O meu principal objectivo com esta entrevista é esclarecer toda a confusão formada nestes dois dias.
— Hoje temos um convidado muito especial no nosso programa. Ele é membro do famoso grupo BIGBANG, e hoje revelará pela primeira vez qual a sua relação com Kim Seung-Hee e muito mais. — Disse o entrevistador virando-se para mim.
— Olá a todos. — Cumprimentei. Agora que penso acho que nunca antes estive tão nervoso para uma entrevista.
— Comecemos pelo início. É verdade que está de volta com a Soo-Young? — Questionou o apresentador ao que eu não tardei em responder:
— Não, o que apareceu nas notícias não passa de uma farsa criada pela a própria Soo-Young para voltar à fama, ela própria me revelou isso mesmo.
— … Na altura da vossa separação, ficaram muitas questões no ar e a principal era o porquê? O porquê de terem acabado com uma relação tão bonita? — Prosseguiu o entrevistador
— A nossa relação não era tão bonita como as pessoas pensavam que era. A verdade é que no final ela me deixou para trás e fugiu para o Japão com outro homem. — Revelei.
— Mas na altura foi declarado que vocês tinham terminado por nunca poderem estar juntos devido aos vossos horários. — Retorquiu o entrevistador.
— Nós apenas não queríamos muito escândalo. Pessoas terminam relações constantemente e não é algo importante, mas quando são celebridades, já é o foco de toda a imprensa. Por isso é que artistas escondem as suas relações, para não terem de dar explicações quando as coisas não dão certo. — Expliquei bebendo em seguida um pouco de água.
— Compreendo. E quanto a esta jovem, Kim Seung-Hee? Quem é ela, e qual a vossa relação. Isto é o que todos querem saber. — Perguntou o entrevistador. Apesar de eu ter lido o roteiro para esta entrevista, por algum motivo este apresentador está-me a irritar com o seu tom.
— Ela é um amiga, uma pessoa que conheço à anos e que depois de muito tempo voltou para a Coreia. Então aproveitei para passar tempo com ela. — Respondi.
— Não acredito. Nós pesquisamos e sabemos que vocês não tinham qualquer tipo de ligação antes do regresso da Marti Park à Coreia este verão. — Revelou, apanhando-me de surpresa. Essa não estava no roteiro do programa.
— Ah..a-ah… Tudo bem. Eu conhecia através da Marti quando ela voltou a Seoul, e ficamos bons amigos, nada mais. Eu só pedia que por favor a deixassem de insultar na internet… Na verdade gostava que a deixassem em paz. Tenho a certeza que nenhum de vocês que comenta coisas horrível sobre ela na internet a conhecem, e muito menos me conhecem a mim. Se a mídia continuar a tirar proveito dela, não terei nenhum problema em vos processar a todos por difamação. Se eu tivesse qualquer tipo de relação não me deixaria apanhar assim tão facilmente, acreditem. Esta entrevista acaba por aqui. — Disse abandonando o estúdio de gravação.
Entrei dentro do carro, que se encontrava na parque de estacionamento subterrâneo da cadeia televisiva. Estava irritado, mas ainda com esperança que esta entrevista desse algum resultado e isso só o saberia amanhã. Dirigi-me até ao prédio da GP para me encontrar com a Seung-Hee e explicar-lhe tudo o que aconteceu.
***
Seung-Hee chorava no meu ombro, como jamais a havia visto chorar antes. Eu tentei ser forte, mas vê-la naquele estado apenas me partia o coração. Eu não posso mudar o que aconteceu com ela, mas posso decidir o que irá acontecer a partir de agora para a frente. Estarei ao seu lado para a proteger e jamais largarei a sua mão. Sei que não será fácil que ela abra o seu coração para mim, mas farei tudo o que tiver ao meu alcance para pelo menos tentar.
— Seung-Hyun-ah… — Disse enquanto se afastava do meu ombro, encarando-me. — Eu não sei o que é amar… Acho que nunca sobe na verdade… Mas espero que algum dia te possa amar como tu me amas a mim…
— Tu já o fazes mesmo sem saber… Mas eu esperarei até que estejas preparada para avançar. — Retorqui com sinceridade. — Vamos sair daqui… Vamos dar uma volta. — Propus. Ela anuiu em confirmação.
Descemos até ao parque de estacionamento e dirigi-me até ao Parque Namsan. O silêncio foi quebrado por Seung-Hee. — Vou tornar-me a nova Diretora de Managers…
Não pude conter o meu espanto. — Porquê?... Ou melhor, e a Marti?
— O que a Marti precisa neste momento é uma amiga, não uma manager… — Respondeu.
— E quem te substituirá? — Questionei em seguida.
— Uma pessoa que já conheço faz tempo e que tenho a certeza que cuidará muito bem da Yong-Gi… — Retorquiu olhando pela janela.
— E posso saber quem é? — Perguntei curioso.
— Kang Na-Na. Tenho a certeza que ela será uma excelente manager. — Afirmou.
— E porquê essa decisão agora? Quer dizer… Estavas tão empenhada em estar junto da Marti… — Questionei hesitante.
— A noite passada, dormi na casa da Gil Unnie, e estivemos a falar sobre isso… E a verdade é que ela tem razão… Toda esta minha teimosia só me estava a prejudicar. — Ela fez uma breve pausa. — Eu sei que tu falaste com ela… Eu sei o que ias fazer, mas agora já não é mais preciso.
— Se esta decisão te faz feliz é o importante, não quero que faças isto por obrigação… Ou por mim…— Sussurrei.
— Eu fiz isto por mim, acredita…
— E quanto à Marti?
— Eu trato disso, não te preocupes. — Respondeu olhando para mim com um pequeno sorriso na face.
***
O Parque estava praticamente vazio. Caminhamos um ao lado do outro em silêncio. Uma brisa outonal fazia-se sentir e as nuvens começavam a encobrir a lua.
— Davam chuva para hoje? — Perguntei encarando o céu enublado.
— Para te ser sincera, não faço ideia. — Respondeu, encarando também o céu. Já fazia um tempo que não ouvia a Seung-Hee a falar tão informalmente para mim, isso fez o meu coração acelerar um pouco.
— Desde quando é que somos tão próximos Seung-Hee? — Perguntei na brincadeira. Ela olho-me nos olhos e quase pude ver, apesar da pouca iluminação, como as suas bochechas se tornavam um pouco mais vermelhas.
— De-Desculpa… Oppa?... — Disse escondendo a cara entre as mão. Que fofa.
— Estava a brincar. Agora parecias mesmo uma miúda pequena. — Afirmei entre gargalhadas. Ela sorriu de volta tirando as mãos da frente da cara.
— Pára. — Disse batendo-me no braço. — Acho que devia ter vestido outro tipo de roupa.
— Toma. — Disse passando-lhe o meu casaco.
— Na-na… — Não a deixei terminar a frase, coloquei-lhe o casaco sobre os ombros. — Obrigada…
— Agora veste-o como deve ser. — Disse apontando para o casaco.
— E tu não tens frio? — Questionou enquanto metia os braços nas mangas do casaco.
— Não te preocupes, eu venho preparado para o frio. — Respondi.
— Isto é tão clichê. — Disse a rir. — Nem parece que à umas horas atrás estava a chorar… — O seu sorriso despareceu.
Agarrei no seu braço delicadamente e virei para mim olhando-a nos olhos. — Sabes, uma vez disseram-me que mesmo nos dias mais negros e tristes à lugar para um sorriso. Não te deixes ir abaixo pelo que aconteceu faz tanto tempo. Sei que te custará abrir o coração, mas eu farei tudo o que puder para quebrar esse muro que levantaste…
— Desculpa por não te conseguir amar como tu me amas a mim… — Disse baixando a cabeça.
— Isso não importa, eu mudarei isso. — Afirmei com convicção. De repente senti uma pinga no meu nariz.
— Acho que está a começar a chover, Seung-Hyun. — Afirmou Seung-Hee. A pinga transformou-se em milhares e uma chuva pesada começou a cair sobre nós. Não tínhamos guarda-chuva, e não havia nenhum sítio onde nos abrigar por perto.
— Já alguma vez danças-te na chuva? — Perguntei.
— De que é que estás a falar? — Retorquiu. Para dizer a verdade, nem eu sei do que estou a falar. Isto tudo não parece real, parece retirado de algum drama ou filme.
Peguei nos seus braços e coloquei-os ao meu redor e comecei a dançar, enquanto ela me acompanhava um pouco desastrada ao princípio, mas apanhado o jeito à coisa depois de alguns momentos.
— Não pensei que soubesses dançar este tipo de coisa, ainda por cima sem música. — Disse Seung-Hee.
— Nem eu. Mas uma coisa é certa, sem música é ainda mais fácil de dançar. — Disse entre gargalhadas.
Dançamos de uma lado para o outro, sem música e sem plateia, apenas nós os dois no meio da noite debaixo da chuva intensa. Aquilo parecia uma cena tirada de um drama, eu nem podia acreditar que alguma vez faria isto com alguém.
Parámos. Continuava a chover pesado, os nossos olhares cruzaram-se e o tempo parou. Não a queria beijar, não me queria precipitar como da última vez. Quero ir pouco a pouco abrindo o coração desta mulher incrível. Do nada senti os seus lábios húmidos nos meus, congelei por um momento, não estava à espera de tal coisa por parte de Seung-Hee, mas não tardei muito a devolver o beijo. Quando as nossas bocas se afastaram, ela olhou-me nos olhos e disse:
— Seung-Hyun… Hoje acabaste de derrubar um pouco do muro que nos separa… Obrigada por acreditares em mim, apesar de tudo…
— Eu vou deitar esse teu muro abaixo custe o que custar Seung-Hee. — Retorqui beijando-a a novamente. E foi assim que, debaixo da chuva fria de outono, dei um passo mais além nesta batalha que é o Amor.
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