Let's Not Fall In Love

20 Capítulo 19 - Primeira Neve


Notas iniciais
— Todos os acontecimentos aqui descritos são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. — Espero que gostem!

MARTI

Saí do táxi que me havia trazido desde o aeroporto até aqui. Já estamos no final de novembro. Pergunto-me se alguém sentiu a minha falta… Ou se ficaram muito preocupados pela minha partida inesperada. Muita coisa mudou nestes meses que passaram, neste momento sinto-me uma pessoa diferente. Não, eu sou uma pessoa diferente. Tinha as malas e a gaiola do Andy junto a mim, e então vi como pequenos flocos brancos começavam a cair do céu naquele início de noite gelado. A primeira neve deste ano. Este ano chegou mais cedo do que esperava. Abri a mão e deixei que um pequeno floco de neve caísse sobre a minha mão igualmente gelada. Tinha muitas coisas para explicar, e muita gente a quem devo um pedido de desculpa.

— Andy, estamos de volta a casa. – Disse aninhando-me junto à gaiola dele.

Subi até ao meu apartamento e abri a porta. Três meses, e nada mudou naquela casa. Apesar de não permitirem animais no meu apartamento, vou deixar o Andy até amanhã me encontrar com a Seung-Hee.

Abri uma das malas e retirei de lá uma embalagem de Lámen instantâneo. Não tinham nada no frigorifico assim que me teria de contentar com aquilo. Amanhã seria um dia bem complicado e stressante. Assim que depois de comer tomei um banho relaxante e deitei-me imediatamente.

***

Com o Andy de um lado e uma saca com as suas coisas do outro, encontrava-me à porta do apartamento da Seung-Hee. Tenho de admitir que estou nervosa, não falamos desde que parti. Toquei na campainha e logo ouvia a voz dela a dizer que já estava a chegar, ouvir aquela voz de novo trouxe-me uma sensação de tranquilidade inexplicável. Ela abriu a porta e quando os nossos olhos se cruzaram já podia sentir as minhas lágrimas a encharcarem os meus olhos, e o mesmo estava acontecer com ela. Larguei a saca e abracei-me a ela, como nunca a tinha abraçado antes.

— Senti a tua falta, Seung-Hee… — Disse a chorar enquanto a abraçava com força.

— Eu também… Por favor, por favor, nunca mais desapareças sem avisar, deixaste-nos a todos preocupados. – Suplicou agarrando-me com força.

Afastamo-nos e ela deixou-me entrar. Sentei-me no sofá enquanto ela fazia café. Passado algum tempo ela juntou-se a mim e pousou as duas chávenas em cima da mesinha de café.

— Vais me explicar o que aconteceu? Porque é que não disseste nada. – Perguntou bebendo um pouco de café.

— Eu queria ter avisado… Mas achei que assim seria melhor. Sabia que se te contasse tu não ias permitir que fosse, e eu realmente estava a precisar destes meses sozinha. – Retorqui.

— Este retiro espiritual serviu de alguma coisa? – Questionou.

— É tempo de avançar… — Disse bebendo um pouco de café. – Sabes… Quero começar as coisas de novo com o Ji-Yong, eu cometi um erro e tenho de arranjar uma maneira de voltar a deixar as coisas como antes.

— E o que é que vais fazer?

— A primeira coisa a fazer é falar com ele e esclarecer tudo. – Expliquei.

— Já sabes que se precisares de alguma coisa eu estou aqui. – Disse.

— Eu… — Fui interrompida pela campainha antes de poder terminar a frase.

— Só um momento.

Seung-Hee dirigiu-se à porta e abriu-a deparando-se com Seung-Hyun que vinha embrulhado dentro de um casaco bege coberto por alguns flocos de neve. Espera o Seung-Hyun?

— Posso entrar? – Perguntou. Seung-Hee anuiu em confirmação.

A minha boca abriu-se quando ele lhe deu um beijo na testa. Mas o que é que está acontecer?

— M--mas que é que está a acontecer? Escapou-me alguma coisa durante estes três meses que estive fora? – Interroguei curiosa ao mesmo tempo que confusa.

— Yong-Gi, não te esperava ver aqui… Quer dizer, estiveste tanto tempo fora que pensei que te tivéssemos de ir buscar aos Hamptons. – Disse Seung-Hyun.

— Espera. Como é que sabes que estava nos Hamptons? Eu não contei isso a ninguém.

— Foi o Ji-Yong que descobriu que tu estavas lá. – Revelou Seung-Hee. Como é que ele sabia?

— Estou muito feliz que tenhas voltado, já tínhamos saudades tuas. – Disse Seung-Hyun.

— Oppa, não mudes de assunto. Como é que ele soube que eu estava lá?

— Pergunta-lhe a ele que eu não sei. – Respondeu Seung-Hee.

Seung-Hee e Seung-Hyun permaneceram um ao lado do outro. Mas que raios é que estava acontecer?

— E vocês? – Apontei para os dois e sorri. – O que é que se passa entre vocês os dois. Não me digas que andam a fazer malandrices.

Seung-Hee corou um pouco, e Seung-Hyun olhou para o lado. Um sorriso na cara deles se abriu. Nunca tinha visto a Seung-Hee sorrir assim por causa de um homem.

— Nós não estamos a fazer nada do que tu estás a pensar. – Disse Seung-Hee. – Tu perdeste muita coisa nestes últimos três meses. A começar pelo novo álbum do Ji-Yong e a terminar em nós, mas eu explicar-te-ei tudo detalhadamente uma vez que tu fales com o Ji-Yong sobre tudo aquilo que me disseste há pouco.

— Tudo bem, eu já tinha planeado me encontrar com o Ji-Yong de qualquer forma. – Disse levantando-me do sofá. – E vou fazê-lo agora mesmo. Obrigada pela ajuda.

— O Ji-Yong está em casa, e cuidado que está a nevar lá fora. – Informou Seung-Hyun. – Ainda estamos no Outono e já neva. Isto não é normal.

— Obrigada pela informação, Oppa. Bem, vou indo. Vocês portem-se bem. – Despedi-me.

***

O caminho para a casa do Ji-Yong parecia interminável, ainda mais por conta da neve. Fui buscar o carro do Ji-Yong ao aeroporto esta manhã. Ontem estava demasiado cansada para conduzir assim que preferi voltar de táxi.

Estacionei em frente à garagem, e subi as escadas que davam à entrada principal. A neve caía sobre o meu casaco negro, estava um frio de rachar. Tirei a mão do bolso e toquei à campainha. A porta não tardou muito em se abrir. Os nossos olhares cruzaram-se, e foi como se todo o mundo tivesse desparecido e neste momento só existíssemos nós dois. Ele encarou-me por um bom bocado. Por um momento pensei que ele não me fosse deixar passar, não o culparia, depois de tudo o que aconteceu. Mas estava empenhada a começar de novo custasse o que custasse.

— Olá Ji-Yong… — Finalmente falei.

Ele encarou-me durante mais alguns momentos até que falou. – Olá Yong-Gi…

O silêncio voltou-se a instalar, sentia um aperto no meu coração, só queria chorar no seu ombro e pedir desculpa por tudo o que lhe fiz, mas não conseguia reagir, estava apenas ali parada ao frio na esperança que algum milagre acontecesse.

Acho que naquele momento a última coisa que esperava é que um milagre realmente acontecesse. Senti as suas mãos quentes a me puxarem de encontro ao seu peito. Senti como as suas mãos acariciavam suavemente o meu cabelo, senti o meu coração acelerar de uma maneira estranha, como nunca tinha sentido antes. Será que é isto que eu me estava a impedir de sentir?

— Nunca mais desapareças… Por favor… — Sussurrou abraçando-me ainda com mais força.

— Desculpa… — Disse transformando-me então num oceano de lágrimas de arrependimento. – Desculpa por tudo o que te fiz sofrer…

Ele afastou-se e limpou-me as lágrimas, levando-me em seguida para dentro de casa. Sentamo-nos no sofá e passamos uns momentos em silêncio apenas nos encarando.

— Soube que lanças-te um álbum. – Disse numa tentativa de quebrar o gelo.

— É verdade. – Ele levantou-se e foi até uma estante na parede e de lá retirou um álbum. – Toma, se tiveres curiosidade em ouvir.

— Obrigada… — Fiz uma breve pausa e olhei para a capa do álbum. – Será que é tarde para começar tudo de novo?...

— Depende do que queiras começar de novo. – Retorquiu sentando-se ao meu lado.

— Nós… Eu acho que a nossa relação… é complicada…

— Somos amigos e isso não tem nada de complicado. – Disse.

— Ji-Young, lembras-te da promessa que fizemos?... Be--bem… Queria esquecer isso e começar de novo… — Respirei fundo e comecei a falar sobre tudo aquilo que sentia como um balão que perde ar. – Não sei quando é que me comecei a sentir assim em relação a ti… Nunca pensei que seria capaz de me apaixonar por alguém depois do que aconteceu, mas parece que estava enganada. Eu não sei explicar o que é este sentimento, mas o facto de pensar que te posso perder faz o meu coração doer…

— Sabes, Yong-Gi… Durante estes meses pensei em desistir, achei que estava a ser um idiota por esperar por ti… Estar contigo e não te poder abraçar deixa-me irritado, mas o facto de não te poder ver deixa-me irritado ao ponto de chegar à loucura… Eu só queria que as coisas fossem mais simples… Mas eu não decido. – Disse.

— Sabes que mais… Vamos esquecer aquela promessa estúpida… Vamos esquecer tudo o que aconteceu… Vamos começar de novo. Sem desculpas nem hesitações. Este três meses fizeram-me chegar à conclusão de que eu estava a ser muito injusta contigo, estava-te a fazer sofrer por uma insegurança minha, mas agora Ji-Yong eu sou uma pessoa diferente. – Falei. Senti um enorme alívio ao proferir tais palavras, foi como se um peso tivesse deixado os meus ombros.

Ji-Yong refletiu durante alguns momentos. – Tudo bem, vamos começar de novo… Acho que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade.

Não pude deixar de evitar o sorriso que apareceu no meu rosto.

— Queres ir a um encontro amanhã à noite? – Perguntou também com um sorriso. – Para começar tudo isto com bom pé.

— Claro que sim!

Passamos o resto da tarde a conversar. Muita coisa aconteceu nestes últimos três meses que estive fora.

Estou pronta para começar a minha vida de novo. Acho que era isso que o Andrew queria no fim das contas. A partir de amanhã uma nova fase da minha vida começará, a fase em que começarei a amar de novo.

Notas finais
— Espero que tenham gostado!