Notas iniciais
Deixem nos comentários o que vocês estão achando por favor hein

Estiquei minhas pernas, eu estava pronta.

Meus óculos de sol escorregavam pelo meu cabelo. Eu estava ansiosa.

Levantei e olhei lá embaixo. A vista daquele telhado era única e exclusivamente minha. Me virei e voltei para o meu quarto. Olhei no relógio. Precisava correr.

Desci e tomei meu café. Meu padrasto desceu as escadas e quando me viu na cozinha, achou que deveria fazer seu discurso diário de baboseira inútil. Não que eu fosse dar atenção.

—Olha ela aí. Sofia Song. A menina prodígio. Você deveria receber uma medalha para cada vez que a diretora liga aqui para casa chamando sua mãe até a escola. Você pensa mesmo que vai conseguir alguma coisa da vida desse jeito? Você não vai sair daqui desse buraco. A não ser, é claro, que eu te coloque para fora...

—Não fale assim logo de manhã, Rupert.

—Não consigo evitar, Julie. Ela é frustrante.

Não ouvi uma palavra do que ele disse, peguei uma torrada e uma maçã, dei um beijo na minha mãe e antes de sair, mostrei meu dedo médio para o velho a minha frente.

Eu teria que faltar aula mais uma vez, mas era por uma boa causa. Eu finalmente tinha conseguido o teste final para a apresentação de lago dos Cisnes no maior teatro de Nova York. Eles não entendiam o quanto a dança era importante pra mim. Eu precisava fazer aquilo. Eu nem sabia ainda como eu tinha chegado lá...precisava tentar. Depois de sair do metrô correndo como uma louca, cheguei no teatro. Eu estava entre as seis que fariam o teste exclusivo com o produtor do espetáculo. Um cara meio baixinho e rabugento. Abri minha bolsa e coloquei minhas sapatilhas. A única coisa em que eu sabia que era boa. O balé me reconfortava, como se eu fosse eu mesma apenas quando usava aquelas sapatilhas. Fiquei esperando minha vez no camarim e então, eles me chamaram. E eu dancei, nossa...como eu dancei. Liberando todas as frustrações e raiva sobre aquele dia que estava apenas no começo e a felicidade por fazer o que eu amo. O teste acabou na mesma hora da escola. Nem se eu fosse me teletransportando eu chegaria a tempo de pegar alguma aula. O produtor disse que entraria em contato e eu arrumei minhas coisas e fui embora. Não fui para casa, pois sabia que a diretora teria ligado mais uma vez. Eu já estava no fim do último ano e não estava pronta para contar a mamãe sobre os testes. Eu simplesmente saí andando pela rua. Eu andei e andei e parei perto do lago do central park. Estava sentada quando um garoto passou correndo por mim. Ele tinha um corte no rosto e uma espada nas mãos. Achei que talvez estivessem gravando alguma coisa. Não seria a primeira vez. Mas logo a frente eu vi uma coisa pela primeira vez sim. Um monstro enorme com apenas um olho, andando pelo parque, por entre as pessoas, que nao gritavam e nem pareciam achar nada fora do normal naquela cena. Eu não consegui fazer o mesmo. Gritei.