Uma ruiva acompanhava o menino machucado e eles corriam ao redor do monstro. Eu me aproximei e gritei mais ainda. A ruiva olhou em volta procurando pelo grito e se aproximou.

—Ei, porque você está gritando?

—Esse monstro! O que ele é? O que vocês são? Isso é alguma filmagem?

—Você consegue vê-lo? Como ele é?

—Hã...um olho só! É o bastante para você?

—Merda, a névoa. É claro. Será?-Ela disse para si mesma e então avançou com sua espada em minha direção e eu me desviei.

—Você está maluca, moça? O que eu fiz pra você?

—Nada. Ao que parece você é uma meio sangue. Não sei de quem ainda. Venha comigo. Parece que Jhon já deu um jeito sozinho. -disse apontando para o garoto que limpava sua espada e olhava em nossa direção.

Fomos para outro lugar do parque e nos sentamos em um banco.

—Bom. Acho que está na hora das explicações. O que era aquilo?

—Um monstro grego. Um ciclope.

—Tipo aquele que treinou Hércules? Do filme?

—Ahn... não. Aquilo não é um ciclope, era um sátiro. Bom... não importa agora. O que importa é que você é uma meio sangue. Como nós.-disse a ruiva levantando do banco.

—E o que é isso, é tipo uma seita, ou sei lá?-perguntei fazendo o moreno rir ao meu lado.

—Na verdade, nós não saberíamos explicar tão bem quanto Quiron. Devíamos levá-la até o acampamento. E aí, topa?

—De jeito nenhum. Vocês podem ser assassinos, ou estupradores. Ou os dois.

—Nós podemos ir na sua casa primeiro e falar com seu responsável. O que acha?

—Só se for com a minha mãe, porque meu padrasto iria nos colocar para fora.

Eu concordei e no final fomos todos até a minha casa. Chegando lá, encontramos minha mãe que fazia o almoço enquanto esperava meu padrasto voltar do trabalho.

—Mamãe, eu trouxe dois amigos...eles querem falar com você.

—Antes eu quero falar com você. A direção ligou. Outra vez. Você pode me explicar outra vez porque anda faltando a escola?

—Eu posso mãe, mas agora não.

—Ahh, agora mais essa. Não aguento mais isso.

—Mãe, eles são do acampamento meio sangue.

—Ah quer dizer que tem a ver com seu pai então. Ótimo. Ele foi embora e deixou você pra eu criar e agora ele acha que pode consertar tudo. Ótimo. Não aguento mais você aqui. Sempre uma dor de cabeça.

—Mãe, porque você está falando essas coisas?

—Porque eu cansei. Quero você fora daqui. Agora.

Eu estava paralisada. A menina ruiva subiu e o moreno me segurou pelos ombros me levando em direção à calçada da rua. Ele logo depois entrou e foi encontrar com a menina. Meus olhos estavam cheios d'agua enquanto eu olhava minha mãe pela janela da cozinha. Eu nunca pensei que ela faria isso comigo. Depois de um tempo os dois saíram com duas bolsas grandes de lona.

—O que é isso?

—Suas coisas. Pegamos o que pudemos, vem. Nós precisamos ir.

Notas finais
Deixem nos comentários o que estão achando da história, ok? Ou não...podem escrever o que quiser...só não me xinguem