Let your heart hold fast
8 08. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll) - George Harrison
"Encontre-me onde estão os vossos ecos.Percam vossos corpos no labirinto."
Havia apenas três coisas que Barney sabia sobre Thea 1) ela era extremamente gostosa 2) ela entendia sua piadas, mas se odiava por rir delas e 3) ela amava Ellie mais do que tudo na vida. Entretanto, naquele momento ele estava aprendendo algo novo sobre Thea, um fato que o deixava levemente enjoado.
—Canadense? Você é canadense?
—Pensei que já tivesse lhe falado isso, querido. — Thea murmurou enquanto brincava com Ellie.
—Acho que foi um pequeno detalhe que você esqueceu de contar.
—Não faça drama por algo tão ridículo. Porque caso não se lembre você foi casado com Robin Sparkles e não tem nada que grite mais Canadá do que aquele rosto. — Barney revirou os olhos diante do argumento dela. Embora uma parte fosse verdade, uma enorme parte, Robin havia se tornado mais americana do que a maior parte dos americanos. — E eu ainda estou irritada porque você não me contou que era casado com Robin Sparkles.
—Isso foi há muito tempo. E não importa mais.
—Tem certeza? Porque parece que você meio que ainda ama ela.
Barney revirou os olhos novamente e disse tentando se livrar daquela conversa que todos pareciam querer ter com ele.
—Vou ao banheiro. — ele informou já se afastando dela.
—Essa conversa ainda não acabou, Stinson. — Thea alertou. Barney apenas acenou com com a mão antes de entrar na casa, ele subiu a escada em direção ao banheiro, mas parou quando ouviu alguém lhe chamar, virando-se ele encarou Ted.
—Qual o problema, Mosby? — ele indagou soltando um suspiro cansado.
—Nós estávamos conversando…
—E com nós você quer dizer?
—Eu, Lily e Marshall. Você sabe o quanto a gente se importa com você e com Robin, mas neste momento Robin é nossa prioridade. Ela está sem memória e não tem a menor ideia do que aconteceu. Robin não admitiria, mas ela está vulnerável.
—Ted não enrole e vá direto ao ponto.
—Achamos melhor você ficar longe de Robin.
Barney franziu a testa absorvendo as palavras de Ted.
—O quê?
—Olha Barney, não sei o que aconteceu com vocês para decidirem se divorciar, mas sei o quanto isso afetou os dois, Robin fugiu para o trabalho e você voltou a ser o Barney original. Mas agora vocês estão bem, você tem Ellie e Robin está feliz sendo a grande repórter que ela é. Então pelo bem de todos nós e principalmente da Robin, se afaste.
—Você acha que isso é o melhor para ela?
Ted assentiu sem hesitar, uma confirmação rápida e segura que fez Barney sentir-se sem chão. Durante muitos anos Marshall, Lily e Ted foram um modelo de tudo o que era certo e ele era o completo oposto, decisões ruins e momentos impróprios. Barney nunca foi um exemplo, mas quando Ellie chegou ele apenas queria ser melhor. Queria ser um bom pai como Ted e Marshall, porque eles eram os únicos exemplos que ele tinha, então se Ted achava que seria melhor ele se afastar de Robin, quem seria ele para lhe contradizer.
—Ok. Eu acho que isso é o certo a se fazer.
—Achamos que é melhor assim. Robin precisa de um tempo para se descobrir novamente e tudo voltar ao normal. Espero que esteja tudo bem para você, amigo?
—Não se preocupe, apenas quero o bem de Robin.
—Eu sei. — Ted colocou a mão sobre o ombro dele e lhe deu um sorriso solidário. — Agora vamos, Tracy ficará chateada se perdermos a grande apresentação do sr. Bobopolis para as crianças.
—Pode ir na frente, tenho que checar meus emails já encontro você. — Barney forçou um sorriso enquanto pegava o celular e observava Ted se afastar. — Ficar longe dela talvez seja melhor.
Barney respirou fundo buscando a coragem que não tinha, pegou as chaves em seu bolso e então saiu da casa.
Almoços familiares nunca haviam sido seu forte, mas naquele momento ele tinha um com motivo para fugir dali. Robin não precisava de mais pressão sobre ela.
—Barney! — ele não parou quando a ouviu, continuou a caminhar em direção ao seu carro. — Barney não finja que não está me escutando.
Ele parou na porta e se virou para Robin que vinha correndo em sua direção. Barney sentiu o tempo parar à medida que ela se aproximava, era como voltar a ser um adolescente com seu primeiro amor, ela fazia seu coração disparar e suas mãos suarem. Então ele se sentiu como um garotinho idiota esperando por apenas um olhar.
—Desculpe, Robin. Chamada de última hora. — ele ergueu o celular para reafirmar sua mentira. — Tenho trabalho a fazer.
—Em um domingo? — ela indagou parando à apenas alguns passos dele.
—Tenho uma reunião muito importante amanhã e não posso perder essa oportunidade. — Barney rapidamente deu a volta no carro tentando manter distância dela e então abriu a porta do motorista apertando firmemente a chave em sua mão. — Diga aos outros que sinto muito, mas é algo urgente.
—Ótimo. Então vou com você. — Robin afirmou abrindo a porta do carona.
—Ah… o quê?
—Eu fiquei me perguntando o que você está fazendo agora já que não trabalha no GNB e também será um ótimo motivo para sair daqui. — ela disse e então entrou no carro. Barney ficou olhando para o lugar vazio onde segundos antes ela estava, ele subitamente abaixou a cabeça e olhou para dentro do carro, Robin já havia colocado o cinto de segurança e estava sintonizando o rádio. — Vamos?
—Scherbatsky, você deveria voltar lá pra dentro. Muitas pessoas ficaram preocupadas se não conseguirem lhe encontrar.
Robin o encarou em silêncio por alguns segundos, daquele jeito meio ameaçador que o fazia querer fugir para as colinas.
—E eles não ficariam preocupados com você, Stinson?
—É diferente.
—Entra no carro, Barney. Eu preciso sair daqui e você sabe disso. Por favor me leva. — Robin implorou e Barney teve uma lembrança de anos atrás quando ela lhe pedia o oposto daquilo, mas assim como naquela época, ele não conseguiu dizer não.
Entrando no carro ele deu partida e saiu pela rua, desligou o GPS e jogou o celular dentro do porta-luvas, não precisava de nenhuma distração.
—Para onde vamos? — Robin indagou em expectativa, Barney respirou fundo e girou o volante para a esquerda.
—Vamos ao zoológico ver os pinguins.
[×××]
Barney ainda tentava entender porque havia levado-a até ali. Havia sido sua ideia ir ao zoológico, os pinguins sempre o deixavam calmo, mas naquele momento, os pequenos pássaros não voadores apenas faziam seus nervos implodirem. Ele observou Robin se inclinar para mais perto do vidro e encarar os pinguins imperadores que se divertiam em família.
—Você sabia que os pinguins machos cuidam dos ovos enquanto as fêmeas vão atrás de comida. — ela disse sem se virar para ele. Barney sentiu seu corpo congelar com as palavras.
—Em que documentário você viu isso?
—Happy feet. — Robin o encarou, seus olhos transmitiam aquela mesma sensação de inquietude e curiosidade que ela havia tido nos últimos meses de seu casamento. — Por que toda vez que eu vejo um pinguim eu só lembro de nós?
—Talvez porque eles sejam mandões como você e usem perfeitamente um terno como eu. — ele disse ajeitando a gravata e dando a ela um dos seus melhores sorriso, mas Robin sorriu de volta. — É complicado.
—Como se isso fosse uma novidade. Eu poderia listar todas as merdas que estão acontecendo na minha vida, mas eu tenho certeza que você já sabe. Mas o que você não sabe é que essas lembranças que estão voltando para mim apenas me deixam ainda mais confusa. E eu simplesmente não consigo entender o que aconteceu entre a gente, por que nos separamos? E por que eu sinto que perdemos algo?
Barney sentiu a garganta secar. Perder algo. Sim, eles haviam perdido algo preciso para ambos, mas principalmente para Robin. Algo que ela nem sonha que poderia querer e quando teve foi mais do que imaginou. Barney queria dizer tudo para ela, mostrar o que eles haviam perdido, mas sabia que isso iria contra o que havia prometido a Ted. Se afastar era o melhor para ela.
—Scherbatsky, quando sua memória voltar você entenderá o que está acontecendo, mas até lá tente não se força muito.
—Barney, não me trate como uma criança. — ela disse já irritada. — Eu sou uma adulta que pode fazer escolhas, eu sofri um acidente e está tudo bem. Eu não lembro de nada da vida minha vida nos últimos anos e eu estou bem com isso. Eu poderia viver o resto da minha vida sem lembrar de nada e tudo ficaria bem, porque o que mais me machuca é essa sua indiferença. Você age como se eu fosse uma estranha e me chama pelo meu sobrenome com se meu nome fosse um veneno. Barney, pelo tempo que passamos juntos, por favor me diga, apenas me diga.
Ele a encarou sem saber o que falar. Robin Scherbatsky não era sentimental. Ele se lembrava da última vez que havia chorado perto dela, Robin havia dito para ele virar homem e que era apenas um filme. Ela não havia chorado quando eles se separaram, mas ele sim. Durante algumas noites foi a única coisa que ele conseguiu fazer.
Mas agora ela estava ali, implorando para que ele contasse alguma coisa sobre eles. Barry tentou pensar em qualquer coisa, tentou imaginar o que poderia ser melhor, poderia explicar os pinguins e tudo mais. Porém, tudo o que conseguiu dizer foi.
—Eu ainda te amo.
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