Let your heart hold fast

9 09. Shake it out - Florence And The Machine


"Pois gostaria de deixar minhas questões definidas. É sempre mais escuro antes do amanhecer."

—Eu ainda te amo. — ele disse e Robin sentiu toda a dor em seu coração se esvair, então sem pensar ela se atirou contra ele, segurando seu rosto com a mão livre e o beijando com se não o fizesse há anos, o que era uma realidade para ele. Barney demora alguns segundos para poder associar toda a situação, mas ele não relutou em ceder e deixá-la comandar o ato. Robin sentiu as mãos de Barney vagarem pelo seu tronco apertando os pontos sensíveis em suas costas que somente ele conhecia, uma de suas mãos descansou na cintura dela enquanto a outra segurou sua nuca com carinho.

Robin soltou um suspiro irritado quando ele se afastou segurando o ombro dela para manter uma distância razoável. Robin estava cansada daquela distância, se ele estava tentando protegê-la estava fazendo um péssimo trabalho, porque ela não se lembrava da última vez que havia se sentido tão vulnerável.

Ela e Barney sempre tiveram aquela conexão por serem dois sociopatas funcionais, com pais distantes e mães problemáticas. Mas Robin havia tido certeza de que eles haviam sido feitos um para o outro no momento em que ele havia feito o pedido e ao invés dela gritar irritada e ir embora, ela havia dito sim.

Robin sabia que pertenciam um ao outro, eles eram semelhantes, mas ela apenas não entendia o porque ele parecia se esforçar tanto para afastá-la.

—Robin, por favor. — Barney sussurrou e sem abrir os olhos ela deu um passo para trás, mas de repente seu corpo foi tomado por uma onda de angústia que lhe apertou a garganta e então elas vieram novamente, claras como um dia de verão e aterrorizantes como uma temporal em pleno mar.

—Robin, por favor. — ele implorou segurando a mão dela e beijando seu dorso, ela piscou várias vezes tentando se livrar das lágrimas que queriam cair, mas se contentavam em apenas se acumular em seus olhos. Robin repousou a mão na barriga sobre o útero ainda inchado, ela fechou os olhos apertando com força a mão de Barney. — Você precisa comer algo.

—Eu estou bem. — ela assegurou sentindo as lágrimas quente escorrerem pelo seu rosto.

—Robin, apenas beba um pouco de água.

—Eu apenas quero dormir um pouco.

Barney suspirou e então beijou novamente a mão dela, com a mão livre acariciou seu cabelo tentando o máximo possível acalmá-la. Mas Robin não queria relaxar, ela queria pegar sua arma e atirar contra uma árvore ou qualquer outra coisa que não fugisse dela. Ela havia perdido tudo.

Robin ofegou colocando a mão sobre a barriga, seu coração batia com tanta força que ela mal conseguia respirar direito.

—Robin? — Barney passou o braço ao redor da cintura dela impedindo sua queda. — O que houve?

—Eu perdi. — ela sussurrou sentindo aquele aperto afrouxar, seu quebra-cabeça estava aos poucos se montando. — Nós perdemos.

—Venha, vamos sentar um pouco. — Barney a guiou até um dos bancos, Robin sentia-se enjoada, com as memórias também vinham as sensações que havia tido naquele momento, e aquela memória havia sido dura. — Você lembrou de algo?

—Você sabe muito bem que eu lembrei de algo. — Robin rosnou irritada pelo estado de indiferença dele. — Quando você ia me falar que iríamos ter um bebê?

—Eu tinha esperança que você recuperasse a memória antes que tivesse que contar. — ele afirmou soando mais sincero do que ela queria. — Do que você lembra?

—Partes que agora parecem um quebra-cabeça, ainda há muitas peças faltando, mas sinto que as mais importantes estão aqui. Eu me lembro da manchete e dos pinguins. Por que eu me lembro dos pinguins?

—Viemos aqui quando descobrimos que você estava grávida. Eu te comprei um chaveiro em forma de pinguim, mas acho que você já jogou fora.

—Na verdade… — Robin colocou a mão no bolso e pegou o chaveiro.

—Pensei que tivesse jogado isso fora.

—Sempre foi difícil para mim esquecer o passado, pelo menos antes. Essa chave abre o que?

—Um armazém com todas as coisas que compramos juntos.

—Você me leva lá?

—Não seja bom para você, Robin.

Ela balançou levemente a cabeça ignorando as lágrimas em seus olhos.

—Por favor, Barney. Eu preciso saber mais sobre isso.

—Você tem certeza? — ele indagou. Robin segurou a mão dele e assentiu. Tudo o que ela queria era saber exatamente o que aconteceu e sabia que lá era o único lugar em que conseguiria as repostas que queria.

[×××]

—Me conte como eu descobrir que podia estar grávida. — Robin pediu enquanto eles ainda estavam no carro saindo do zoológico. Barney se mexeu desconfortável no banco do motorista, ela sabia que aquela era uma zona perigosa, mas não conseguia se conter, precisava saber cada vez mais.

—Pouco antes da reportagem sobre a Dra. Sonya sair no jornal, havíamos acabado de voltar de Bali e você estava muito enjoada, pensávamos que era apenas uma virose e nosso médico receitou alguns antibióticos para você. Então as náuseas se transformaram em tonturas e decidimos procurar um médico, mas então acabamos lendo a reportagem sobre a "festa da infertilidade" e tudo acabou se juntando em nossas mentes.

—E descobrimos que eu estava grávida.

—Foi um choque porque nunca havia passa os pelas nossas cabeças que poderíamos ter filhos e estávamos completamente bem com isso.

—Mas um bebê mudaria tudo. — ela murmurou fazendo esforço para não colocar a mão sobre a barriga. — Nós estávamos felizes?

—Muito.

—E os outros? — ela indagou, estava um tanto curiosa para saber a opinião de seus amigos sobre um possível bebê Scherbatsky-Stinson. — Como eles reagiram?

Barney soltou um suspiro nervoso e então mudou a marcha do carro antes de responder.

—Eles não sabia. Não contamos para ninguém até termos certeza absoluta que tudo estava bem, haviam riscos que não queríamos correr.

—Que tipo de risco?

—Era uma gravidez difícil, Robin. Você não era totalmente infértil, mas haviam complicações que lhe deixavam vocês dois em risco. Quando fomos ao médico ele explicou algo sobre uma doença que causava a infertilidade e complicações durante a gestação, mas com o tratamento certo o bebê ficaria bem, então ele perguntou se queríamos arriscar e você... — Barney hesitou em continuar, Robin podia sentir a tensão em cada movimento dele. Ela sabia que a história não tinha um final feliz, mas havia se esquecido que todo o caminho até o fim também era doloroso. — Você disse que queria arriscar, estava super feliz por ser mãe e eu não podia roubar isso de você. Então seguimos com a gravidez e não contamos para ninguém porque não queríamos que eles ficassem preocupados.

—Por quanto tempo fiquei grávida?

—Quatro meses. No final do quarto mês estávamos prontos para contar a todos a novidade, mas então algo aconteceu e tivemos que ir ao hospital. No mesmo dia descobrirmos que você havia perdido o bebê.

Robin respirou fundo sentindo seu coração parar de bater, a dor que tomava conta de seu corpo era inexplicável, ela havia perdido algo que ela nem sabia que havia tido.

—Foi por isso que a gente se divorciou? — ela indagou tentando desviar a mente daquela sensação avassaladora.

—Não completamente. Estávamos nos distanciando, tentando focar em coisas que não nos lembrasse do que tínhamos perdido. Você começou a viajar com mais frequência e eu me atolei em trabalhos para evitar pensar em tudo o que havia acontecido. Com o tempo acabamos nos afastando tanto que parecíamos desconhecidos um para o outro. — havia dor nas palavras de Barney, Robin podia sentir a tristeza e o ressentimento reprimido. Ela o conhecia muito bem para saber que ele havia guardado todos os seus sentimentos para si mesmo e ela também. — Até que em uma viagem para Argentina ficamos tão bêbados que acabamos parando em um quarto vizinho, acordamos com um bebê chorando e você foi acalmá-la. Eu não sei bem o que aconteceu, mas naquele momento, quando a mãe da criança nos expulsava do quarto, eu percebi que isso não estava mais dando certo, a opção mais óbvia era conversar sobre o que vínhamos evitando, porém tomamos outro caminho e decidimos nos divorciar. Já chegando.

Robin assentiu observando o carro estacionar na frente de um enorme prédio. Ela saiu sentindo o peso do gesso em seu braço era como se toda a tensão em seu corpo a fizesse se sentir mais fraca.

—Você tem certeza que quer ir? Posso te levar para casa de Lily e faremos isso depois. — Barney sugeriu, mas Robin sabia que esse depois nunca chegaria. Ele a afastaria novamente e Robin seria deixada com mais perguntas do que respostas.

—Eu estou bem, Barney. — ela segurou a mão dele e lhe deu um sorriso afirmativo. Barney assentiu e sem soltar sua mão a guiou para dentro do galpão, eles demoraram apenas alguns segundos para achar o seu armazém. Ambos pararam hesitantes e nervosos, Robin podia jurar que Barney estava tremendo ou seria ela?

Barney deu um passo à frente e ergueu a grade de ferro revelando caixas e mais caixas empilhadas. Robin franziu o nariz ao sentir a umidade do ambiente abafado, mas de repente uma onda de tristeza tomou conta de seu corpo ao perceber que aquilo era tudo o que havia sobrado da vida deles. Ela podia passar horas e horas naquele lugar apenas revirando cada caixa e saber mais sobre eles, porém naquele momento ela só tinha uma missão.

—Qual a caixa?

Barney passou a frente dela e pegou uma das caixas que estavam mais ao fundo, um tom de marrom escuro com letras rabiscadas e borradas na lateral, ele colocou no chão a frente dela e Robin se ajoelhou para abri-la.

Haviam vários objetos dentro da caixa, roupinhas para bebê como macacões, blusas de frio e calças de tricô, e também um pequeno terno feito de um material macio, Robin riu retirando a peça da caixa.

—Eu fiz isso quando descobrimos. Não poderia deixar o bebê sair da maternidade mal vestido. — Barney disse ao se sentar ao lado dela.

—E se fosse uma menina? — ela indagou mesmo sabendo que aquele terno era unissex. Barney riu tristemente e pegou um vestidinho dentro da caixa, Robin segurou a peça observando com delicadeza os bordados de flores na saia. — Era uma menina.

—Lucy. — Barney sussurrou o nome como se fosse uma prece. Robin encarou o pequeno vestido que sua filha deveria ter usado, ela podia imaginar uma linda garotinha com os olhos de Barney e seu cabelo correndo pelo parque com um boneca na mão ou vestido um terno para ajudar Barney no trabalho. Robin podia imaginar mil e um cenários diferentes, mas a verdade era que sua pequena Lucy não estaria ali para viver nenhum deles. As lágrimas se acumularam em seus olhos e ela os fechou deixando-as escorrer pelo seu rosto, Barney colocou o braço ao redor dos ombros dela e a puxou para perto de si, Robin deixou que aquela torrente que se formava em seu peito se desfizesse em lágrimas e soluços que faziam seu corpo inteiro tremer. Era como se somente naquele momento seu quebra-cabeça estivesse completo, mas não havia nenhuma imagem a ser revelada, porque que deveria estar ali já não existia mais.