Let´s Rock

24 Capítulo Oito, Parte Três: "...E A Persistência os Fará Encontrar!


Notas iniciais
Capitulo escrito pelo Fabiano Alves. De agora em diante, vou postar os capitulos toda segunda! ^^

- Senhor, devo adverti-lo que o tempo está se esgotando...

- Sei bem disso mulher. Sei do que nosso odiado inimigo trama e sei também de seu jogo usando os mortais...

- Irás deixar que ele obtenha sucesso? Cessaí imediatamente tudo! Esses humanos que foram recrutados por ti são...

- SILÊNCIO!

- ...

- Bem vejo que tu ainda não confias neles. Não a desprezo por isso, mas olhaí, vede quantas provações eles passaram e olhaí quem eles atraíram como aliados. Tu acreditas que eles ainda falharão na missão? Pense de novo mulher...vede as provas...Eles são os escolhidos...Desde o princípio eu sabia.

- E se eles falharem? E se eles falharem, meu senhor??

- Se eles falharem, tu sabe que aí NÓS tomaremos as redéas do destino...mais uma vez...

-----------------------

Rob estava em seu aposento, na Torre de Geffen. Sentou-se na cadeira que era sua por direito, a cadeira de mentor da antiga guilda dos bruxos.

Tinha dispensado Necrus, Billy e Crea: após o fracasso na arena, precisaria de tempo para poder vê-los de novo sem que lhe passasse a idéia de executá-los de alguma forma cruel e dolorosa.

Tempo era algo que Rob não tinha.

Eles escaparam...malditos...Como Zealotus ousou me trair? Porventura a magia que fiz não afetou também todos os monstros e demônios inteligentes...?

Rob tomou-se de assalto por um questionamento: Será que sua magia, que era superior a de todos os magos viventes, teria alguma falha?

Talvez...pensou o bruxo.

Ouviu então batidas vindas da porta dupla na entrada de sua sala. Cogitou dispensar quem quer que fosse, mas a idéia desvaneceu-se de sua mente.

- Pode entrar.

Era Artemis. O injustiçado decerto havia visto a fuga dos inimigos.

- O que quer, Artemis?

- Vim ajuda-lo Lorde Rob.

- E como prentende?

- Eu sei aonde Zealotus está...

- Até aí, eu também. Já mandei uma tropa atrás deles...Mais alguma coisa?

- Não...não senhor...Com licença, não vou mais perturbá-lo...

- Espere Artemis. Fique aqui.

- Mas...Porquê senhor?

- Eu vou precisar de sua ajuda. — Rob sorriu.

-------------------------------------------

Nem tudo que ocorrera na arena em Geffen foi visto como apenas "fuga" pelos que ali estavam.

No Feudo que antes era denominado como Britoniah, uma mulher de cabelos azuis corria pelos becos, apressada, para chegar a uma humilde casa, cuja fachada pedia por uma reforma já a tempos.

Bateu na porta. Olhou para as janelas gastas e alguns vidros quebrados; pensou que a irmã não estava, mas a dúvida sumiu ao ver a luz de uma vela se aproximando da porta de entrada.

- Pois não...? — a mulher que abrira a porta coçou um dos olhos com uma mão, enquanto colocava a vela numa mesa velha.

- Irene! Eu vi ela! Sua filha!

Irene de Comodo era uma dançarina. Viveu por muito tempo de festas, benesses e mimos dados por seus amantes. Um dia, conheceu um espadachim e ambos se casaram. Irene teve vários filhos, mas nenhum deles voltou sequer para vê-la. A última filha que partira foi uma jovem de cabelos castanhos claros, que ela chamou de Rachiele.

- Sua filha Rachiele está viva e bem! Eu a vi! Rob tentou matá-la na arena, mas ela fugiu com a ajuda de uma mulher estranha.

Não podia ser. Fazia muito tempo que Rachiele desaparecera e Irene achou por bem esquecê-la.

Enfim, todos sumiram, uma a mais, uma a menos, não faria tanta diferença.

- Irene?

- Sim, ok, acredito. Era minha filha sumida que dizem, virou uma bruxa das mais perversas. E...

- Irene...É sua filha! Ela não é bruxa coisa nenhuma! Estava vestida como noviça! Exatamente do mesmo jeito que na época que ela sumiu!

Irene cerrou os olhos, duvidando das palavras de Zurrumud, sua irmã. Simplesmente não podia ser verdade.

- Tudo bem Zurrumud, você veio me visitar, já brincou, agora eu vou dormir...

- Achava que nunca ouviria isso de você Irene...Você era a mais próxima da Fátima, que cuidou da gente...

- Isso é passado. Fátima e as outras se foram. Não temos mais Cassino, nem nada. Eu não posso assumir algo se não existe mais ninguém...

- Irene! Pare com isso, agora! — bradou Zurrumud irritada — Você sabe muito bem como eram as coisas! Você sabe que nós nunca desistimos! Nem quando mamãe morreu! Você vai ficar até quando aí, remoendo o fato da Rachi ter te deixado? Vai atrás dela! Eu não estou mentindo! Ela está viva e bem! É sua filha caçula, Irene!

Irene estava cansada. Era só isso que tinha certeza. Não sabia quando ou porquê Rachiele tinha sumido. Tudo tinha acontecido depressa demais.

A morte de sua irmã mais velha, Fátima, quando o vulcão em Comodo explodiu a deixou abalada. Se não tivesse vacilado, sua outra irmã, Budur, talvez estivesse viva.

O que a deixou de fato desconcertada foi o que ouviu quando se abrigaram no Feudo em Geffen.

A culpada pela tragédia em Comodo era uma bruxa de nome Rachiele, que ousou desvendar segredos obscuros de livros proibidos como forma de se vingar de todos que a fizeram sofrer.

E isso incluía as dançarinas de Comodo.

- Você não entendeu Irene? Olhe para você! Nós somos dançarinas ! Sempre duvidamos de tudo! Mesmo eu, desde o que aconteceu, duvidei! E você...

Eu me conformei... pensou Irene, triste. Fátima odiaria para todo sempre se me visse como estou... E a Rachi....

Irene sentiu-se desconfortável. Algo apertava seu peito. Ela encarou Zurrumud.

- Irmã...

- E então? Vai ficar aí?

- Não. Quem vive de passado é museu. Vamos atrás da minha filha.

-----------------------------------------------------------------

Não houve tempo para quaisquer divagações. Tão logo Chargeok, Aron, Rachiele e Force foram avistados, Amanda e Marceli, agora convertidas em duas mortais lanceiras, investiram contra eles.

Chargeok empurrou Force para trás, evitando que uma tempestade de raios explodissem no espadachim; Amanda encarou Chargeok sem nenhum brilho no olhar, e manejou a lança,visando o peito do cavaleiro, que rolou pelo chão para escapar.

Rachiele notando que Aron observava algo e não percebera o ataque, se jogou contra ele, indo os dois ao chão e evitando assim uma chuva de lanças de fogo que bombardeou o chão.

- Seu lesado! — esbravejou Rachiele — Quer morrer?

Logo após os ataques das lanceiras,vários mercenários sacaram suas espadas e investiram contra os heróis, mas foram detidos por uma explosão que jogou boa parte deles para trás e fez os restantes recuarem.

- IMPACTO EXPLOSIVO!

Todos olharam para trás; uma figura humana com pele roxa e olhos vazios pegou um machado que voou de novo para as mãos em forma de garras retorcidas.

- Rybio...? — indagou Force.

- Eu mesmo, sonhador de Izlude... — Rybio passou a língua por seus lábios azulados e balbuciou – Hora da festa...

Zea apareceu por trás de Rybio, empunhando seu chicote.

- Agora... — disse Zea se voltando para os heróis — Saiam daqui! Essa briga fica para mim e o Rybio! — e estalou o chicote.

Aron sentiu algo estranho dentro de si. Por alguma razão, não gostava da idéia de deixar Rybio e Zea entregues aos inimigos enquanto eles fugiam com Chargeok.

- Zea, tem certeza que podem aguentar todos eles? — indagou Rachiele.

- Claro docinho. — Zea sorriu — Nós não somos soldados de Glast Heim por acaso!

- Eu acho melhor corrermos mesmo nesse caso... — comentou Rachiele.

Não. Aron definitivamente não gostava daquela idéia.

- Chargeok, tudo bem? — perguntou Force, apartando o amigo.

- Eu estou bem... — o cavaleiro cerrou os olhos para os inimigos — Mas veja Force, aquelas são Amanda e Marceli...não sei como, mas elas são amazonas lanceiras agora...

- Maldito Rob... — murmurou Force.

- Mercenários... — falou Amanda com a voz robotizada — Destruam todos eles! — e apontou a lança para o grupo.

- Saiam daqui! — ordenou Zea se voltando para os inimigos — Rybio! Comigo agora!

- Seu pedido é uma ordem, madame.. — Rybio passou a língua pela boca.

- PROVOCAR! — e os dois atraem a atenção dos mercenários, que se lançam contra os soldados de Glast Heim furiosos.

- É a nossa chance! Vamos fugir! — falou Rachiele.

- Espero que eles aguentem... — disse Force — Vamos Chargeok?

- Sim...sim...vamos... — disse, meio que relutante.

- Não podemos deixa-los ali! — exclamou Aron — Eles são fortes, mas os inimigos também! E nós não somos covardes!

Silêncio. Chargeok assentiu com a cabeça. O rapaz de cabelos verdes tinha razão.

- Rach, Force, a gente encarou tudo até agora junto! Porque não mais isso? — indagou Aron.

- Porque...porque... — Rachiele sentiu sua voz tremer — Aron, estou cansada de lutar! Desde que nos encontramos até agora só lutamos! Cansei! Vamos fugir! Depois a gente...

- Não! Nós não temos escolha! Se corrermos agora, eles vão vir atrás da gente! Vamos acabar com isso logo!

Rachiele nada disse.

- Force... — disse Aron — Zea e o Rybio estão lutando com eles porque eles querem salvar Glast Heim! E eles vão precisar da nossa ajuda! Somos os escolhidos! E...e... — as palavras fugiram da boca de Aron, que disse qualquer coisa em seguida — Eles são sonhadores! Eles querem realizar um sonho! E...e...

- Aron... — disse Force, colocando a mão no ombro do amigo — Eu entedi. — ele sacou o sabre.

Chargeok sorriu para Aron dizendo: — Não é uma regra muito bem quista por cavaleiros deixar os companheiros perecerem. Vamos lá. Contem comigo. — e sacou sua espada de duas mãos.

- Espero que a gente pelo menos tenha um descanso depois disso tudo... — comentou Rachiele — Contem comigo também. — suspirou e empunhou a maça.

- Obrigado gente. Vamos lá ajudar Zea e Rybio. — disse Aron com Felizberta nas mãos.

- RAPIDEZ BRUTAL! FÚRIA! VIGOR! — disse Chargeok — Eu vou na frente. — Ele se voltou para Aron e Force — Bebam isso! — e arremesou para os dois duas poções.

- Que é isso? — indagou Aron, olhando o frasco.

- É uma poção de concentração. — explicou Force — Tome-a e seus ataques ficarão mais rápidos por um tempo. — disse isso e tomou seu frasco. Sendo seguido por Aron, que só esqueceu de tirar a rolha antes.

- BENÇÃO! ANGELUS! AUMENTAR AGILIDADE! — disse Rachiele — Não contem com minhas curas. Eu vou dar o meu melhor. Err...Aron, tira a rolha da poção antes...

- Ops...

Aron toma a poção e sente seu sangue pulsando mais depressa dentro das veias. Ao empunhar sua espada de estimação, sente como se ela tivesse ficado mais leve e mesmo seus passos não tocavam mais o chão da mesma forma. Ele olhou em frente e viu Rybio e Zealotus tentando conter o ataque dos mercenários que foram em sua totalidade contra eles.

- Vamos lá, turma! — e avançou com a espada em punho.

- Aron, espere! — falou Chargeok, indo atrás do espadachim.

- Mas que burro! — comentou Rachiele indo atrás de Chargeok.

- Aron você não toma jeito... — suspirou Force seguindo-os.

No meio do turbilhão de ataques, Zealotus tentava ganhar espaço.

- Rybio, aqueles idiotas já fugiram?? — perguntou enquanto quebrava o pescoço de um mercenário com o chicote.

- Humm.... — Rybio passou a lingua pelos lábios, olhando ao redor enquanto seu Cutelo cortava a cabeça de um outro mercenário — Acho que si...

- IMPACTO FLAMEJANTE! — Aron saltou e cravou sua espada bem no meio dos mercenários; Zea e Rybio, por instinto se afastaram e evitaram a coluna de fogo que se formou matando muitos inimigos.

- Esse aí é...- indagou Zea.

- Aron Wormior! — exclamou Rybio — Pelo visto, não foram embora. Tanto melhor.

- Acho que você acertou em cheio Rybio! — disse Zea, apontando para os outros, que se digladiavam com os mercenários.

-------------------------------

Rob assistia tudo olhando para a jóia em seu cajado. Amanda e Marceli serviriam mais uma vez ao seu intento de manter Force afastado do combate, mas a presença de Rybio e Zealotus tornava a situação favorável aos heróis.

O bruxo de Geffen escutou uma voz em sua mente.

Desista Rob. Não há mais nada a ser feito. Passe para a plano B de nosso estratagema.

Rob cessou a visão do palco da luta. Se ergueu e com o cajado a frente, bradou para todos da Torre usando de seu poder mágico:

- Tragam-me Mace Knight, a ferrreira, agora!

-------------------------------

Chargeok bloqueou com sua espada o ataque de dois mercenários, enquanto Rachiele fugia da lança de Amanda. Aron e Rybio mostravam uma estranha dualidade enquanto usavam de seus golpes na turba de soldados que os atacavam.

Zealotus usava sua técnica de provocação para fazer os mercenários tombarem diante de seu chicote.

Force encarava Marceli, que como uma autômata o atacava.

- Você deve morrer, sonhador de Izlude!

- Você não é a Marceli que conheci, é apenas é uma boneca desprovida de vida! Morra! IMPACTO EXPLOSIVO! — os olhos de Force brilharam com raiva: Rob tinha ido longe demais usando Amanda e Marceli contra ele uma segunda vez.

Chargeok empurrou dois mercenários ao chão e foi ajudar Rachiele, atacando com a espada de duas mãos as pernas da lanceira.

- Chargeok! — gritou Rachiele – Cuidado!

Tarde demais. Numa velocidade sobrenatural,a ponta da lança de Amanda cravou-se no peito de Chargeok, que ficou de joelhos.

- Morra cavaleiro rebelde... — disse Amanda, se preparando para dar o golpe de misericórdia em Chargeok.

- Diabos! — exclamou Rachiele, que pegou uma faca de um dos mercenários tombados e arremessou contra Amanda; a faca a atingiu, mas ela parecia não se importar com a faca cravada nas costas.

- Hora de morrer... — disse a assassina de lança.

- Nós não podemos desistir! — disse Aron, enquanto Rybio o protegia. — A persistência os fará encontrar! — e continuou a golpear um mercenário.

Rachiele e Force pararam por um segundo que pareceu uma eternidade.

De repente, tudo fazia sentido.

- Force! — gritou Rachiele.

- Aron descobriu! É o Chargeok! Vamos lá! — disse enquanto chutava Marceli para o chão, a desarmando da lança.

- Sua arruaceira desgraçada! — Rachiele inadvertidamente investiu contra a lanceira – Deixa ele!

- Não. — Amanda tirou a lança com violência do peito de Chargeok, que foi ao chão, muito ferido, e investiu contra Rachiele.

Naquele momento, tombado ao chão, Chargeok pensou ter ouvido uma voz falando em sua mente.

Decerto estaria tomado de forma tão absurda pela dor das lança em seu peito que estaria delirando.

Mas não estava.

"Thor, meu filho. É chegado o momento. Os escolhidos não falharam em sua missão e agora é hora do seu despertar. Pois seu irmão Loki está indo longe demais em sua ambição..."

Chargeok se ergueu, largando sua espada ao chão, um aura cresceu de dentro dele para fora, e então num instante, o tempo se tornou fechado e turvo, trovões ressoaram e relâmpagos atingiram o bambuzal.

E uma voz se fez ouvir:

- ODIN! SEU FILHO ESTÁ AQUI! E EU CUMPRIREI MINHA MISSÃO!

No instante seguinte, uma onda de energia varreu todos os mercenários, assim como Amanda e Marceli; menos os heróis e seus aliados, que absortos com o que viam não podiam acreditar.

- Aquele cavaleiro... — balbuciou Zealotus.

- Não pode ser... — encarou-o Rybio.

- Aron, dessa vez você acertou! Foi mais espero que todos nós! — comentou Rachi.

- É? — Aron olhou também para Chargeok – Eu só lembrei daquilo que você leu no templo... — sorriu, sem jeito.

- Chargeok é Thor reencarnado... — disse Force — Mas então isso quer dizer que Rob... — e silenciou, pois sabia a resposta.