Let Me Take Care Of You

4 PARTE III - MEET THE LESTRADES


Quando Sherlock e John retornaram da cafeteria cerca de uma hora depois, encontraram Mycroft em pé, conversando com três pessoas, um homem e duas mulheres. Eles conversavam em voz baixa, as faces externando preocupação, mas pareciam calmos. Mycroft virou-se para o irmão com um sorriso polido.

- Ah, Sherlock! Permita que eu lhe apresente... – e foi interrompido pela mulher mais baixa.

- Não, não, não, Mycroft, não seja um estraga prazeres. – ela abriu um sorriso doce para os recém-chegados – Nós obviamente já conhecemos de ouvir falar, e muito, Sherlock Holmes, e já conhecemos pessoalmente seu amigo, Doutor John Watson. Agora, Sherlock... – o sorriso tornou-se ferino – quem somos nós?

Mycroft suspirou. Ela era impossível, aquela ali. Faria qualquer coisa por um pouco de diversão. Ele já podia ver o cérebro do irmão trabalhando, analisando primeiramente o homem – da mesma altura de Lestrade, cabelos grisalhos encaracolados onde ainda era possível distinguir uma sombra de castanho, magro, vestindo jeans e uma camisa de flanela grossa sob a jaqueta de couro marrom -, passando para a mais baixa das duas mulheres – cabelos castanhos quase pretos, cortados num estilo curto e repicado, um corte masculino, vestindo uma calça preta social e tênis Converse, uma camisa pólo de mangas compridas e um enorme casaco camuflado, que engolfava a figura de menos de um metro e sessenta – e, finalmente, parando na mais alta das duas mulheres – cabelos castanhos um pouco mais claros, num corte chanel moderno e feminino, da altura de John, vestindo jeans justos vermelhos com sapatilhas pretas, uma camiseta preta que dizia I Believe in Severus Snape, um cachecol verde e prata e um casaco longo de lã xadrez. Os três tinham em comum os olhos, no mesmo rico tom de castanho dos de Lestrade, mas todos escondidos por trás de óculos de armação grossa. John apenas observava, sorrindo. Olhou para Mycroft, que rolou os olhos com um esgar. Eles já sabiam o resultado de antemão.

- Obviamente, vocês são os irmãos de Lestrade. – ele falou, disparando os fatos enquanto apontava para cada um. – Você é profissional da área de saúde, mas trabalha em administração hospitalar. Tem entre 38 e 40 anos. É casado há menos de dez anos, sem filhos, mas tem dois enteados já crescidos. Gosta de dançar e de ver filmes. Você – ele virou-se para a mulher mais alta – tem entre 26 e 28 anos, trabalha com publicidade, tem um namorado, mas não mora com ele, gosta de ficar em casa e ler. E você – ele finalmente virou-se para a baixinha, que tinha um sorriso de lado no rosto – tem entre 22 e 24 anos, trabalha com tecnologia da informação, é solteira, gosta de sair pra beber com os colegas de trabalho. Ah, e é bissexual.

Sherlock cruzou os braços e ficou esperando a reação. Que não foi exatamente a que ele esperava.

- Buyah! – a baixinha gritou, enquanto a outra estendia a mão na frente do homem. — Na sua cara, Christian! Não falei? Indedutíveis. – ela dançava no lugar enquanto o homem estendia uma nota de dez libras para a mulher alta com uma careta. As duas trocaram um high five e se viraram para Mycroft, que bufou e virou-se para um muito confuso Sherlock.

- Permita que eu lhe apresente, irmão. Este é Christian, irmão mais novo de Gregory. – Christian estendeu a mão e apertou com firmeza a mão de Sherlock, que ainda estava confuso.

- Comigo foi muito bem, colega. Tenho 40 anos e sou casado há seis.

- Esta é Natalie Anne. – ele colocou a mão sobre o ombro da mulher mais alta. Ela estendeu a mão para Sherlock com um sorriso largo.

- Bom, parceiro, eu tenho 23 anos, sou patologista clínica, trabalho num hospital em Yorkshire e adoro sair pra beber. Mas acertou o lance do namorado que não mora comigo, então, kudos. – O detetive franziu a testa, a boca torcida num biquinho infantil que fez Natalie rir.

- E este pequeno demônio – Mycroft apertava o ombro da mulher mais baixa com carinho – é Nadine Marie. – ela lançou-se contra Sherlock, beijando-o nas faces à francesa. Fez o mesmo com John, que imediatamente corou.

- Prazer, meu querido. Eu tenho 28 anos, sou redatora numa agência de publicidade e romancista nas horas vagas, sou casada há seis anos e tenho um filho de quatro. Adoro ficar em casa lendo e vendo séries de TV com meu marido. Mas você acertou o lance da bissexualidade. Corre na família. – Natalie e Christian reviraram os olhos, e Mycroft abafou um risinho. – Mas nós não somos todos irmãos. Eu e Nat somos irmãs, obviamente, já que uma é a versão de bolso da outra. – a compreensão atingiu os olhos de Sherlock, que abriu a boca, espantado.

- Mas vocês não podem ser...

- Exatamente isso. – Natalie falou, abraçando a irmã pelos ombros – Somos filhas do Detetive Inspetor Lestrade.

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Sherlock levou um tempo para recuperar-se do choque de ter errado tão grotescamente suas deduções. Era proposital, ele descobriu depois; as irmãs faziam de tudo para que ninguém soubesse identificar com clareza sua verdadeira natureza. Desde crianças, gostavam de vestir as roupas uma da outra, de trocar de personalidade no meio do dia, de confundir os outros com seu comportamento. Sherlock conseguiu ver que era um mecanismo de defesa: se ninguém soubesse a verdade, não tinha como lhe machucar com ela.

- Então... você já as conhecia. – ele virou-se, acusador, para John.

- Obviamente, uma vez que almocei no último Natal com Greg. Conheci toda a família, na verdade. Você ouviu quando Nadine disse que tem um filho?

- Lestrade é avô. – Sherlock subitamente se deu conta, e virou com um sorrisinho maligno para Mycroft – Seu namorado é um vovô, Mycroft. – o médico revirou os olhos com a óbvia infantilidade do detetive.

- Ao menos eu tive coragem de arrumar um namorado – ele retrucou, venenosamente, fazendo Sherlock engolir em seco e John parecer confuso com o súbito embaraço do amigo. – Em todo caso, o que John dizia é que eles se conheceram no dia de Natal, depois de todo aquele... problema que nós tivemos. Almoçamos na casa de Nadine e Eric, e conhecemos finalmente o pequeno Johnathan. Sinceramente, Sherlock, se você se esforçasse para ouvir o que as pessoas falam pra você fora do contexto de um crime, essa situação embaraçosa não teria acontecido. – Mycroft olhava o irmão com uma sobrancelha erguida, e os dois se encararam por um tempo, tendo uma de suas discussões silenciosas. Eles trocaram olhares e bufos, enquanto os outros observavam, o olhar pulando de um para o outro, como numa partida de tênis. Finalmente, Sherlock soltou um suspiro e deixou os ombros caírem. Mycroft deu um sorriso mínimo e sentou-se em uma das cadeiras desconfortáveis, cruzando as longas pernas.

- Eu vou, Mycroft, não precisa me incomodar. – Sherlock soltou, sentando-se ao lado do irmão e convidando John a sentar-se ao seu lado. – Então... eu não poderia imaginar que Lestrade tivesse duas filhas adultas. Quando eu o conheci, ele era casado há pouco tempo com... Eve, né? – Nadine bufou e encostou-se na parede, cruzando os braços e apoiando um calcanhar contra o rodapé. Natalie escorou-se ao lado dela, na mesma posição, parecendo irritada de ter ouvido o nome da ex-mulher de Gregory.

- Aquela vadia. – Nadine falou, venenosamente. – Nossos pais não foram casados. Eles eram namorados na faculdade quando, por acidente, maman engravidou de mim. Então eles foram morar juntos, e sofreram um bom tempo pra terminar a faculdade enquanto trabalhavam e me criavam. Logo depois da formatura, maman descobriu que estava grávida da Nat. E então... ela morreu no parto. Basicamente, papa nos criou sozinho, com a ajuda ocasional do tio Christian como baby-sitter quando ele tinha que dar plantão na Yard. Nós estávamos indo muito bem. Papa às vezes trazia alguém em casa para nos apresentar – namorado ou namorada. Ele nunca escondeu de nós que era bissexual. Eu cresci, fui pra universidade, e quando estava prestes a me formar, noiva do meu Eric, Nat aparece na minha casa, furiosa, com uma bolsa, dizendo que papa estava pretendendo se casar com uma verdadeira cretina. Achei que fosse implicância dela, ciúme de filha caçula mimada, mas ela foi morar com tio Christian. E não me olhe com essa cara, você sabe que isso partiu o coração do nosso pai. – Nadine falou para a irmã, quando ela olhou-a com o cenho franzido e a boca apertada. Sherlock reconheceu a mesma expressão que Gregory fazia quando ele e Anderson tinham um de seus arranca-rabos. – A princípio, não vi nada demais nela. Mas com o passar do tempo, vi meu pai afundar-se cada vez mais no trabalho, passar noites na Yard, aparecer de repente na minha casa aos finais de semana com olheiras que iam até o queixo e parecendo cada vez mais infeliz. Eu queria a cabeça daquela desgraçada. – Ela estreitou os olhos, certamente pensando em todas as coisas terríveis que adoraria fazer com a ex-madrasta – O divórcio foi a melhor coisa que aconteceu para o papa. Pena que ele precisou passar por todo aquele inferno antes de se dar conta que a felicidade estava a apenas um guarda-chuva de distância, não é? – ela piscou para Mycroft, que lhe sorriu de volta.

Havia uma verdadeira camaradagem entre os dois. Quando ela descobrira que Gregory mudara-se para seu flat, ela fora fazer uma visitinha surpresa, num horário que sabia que o pai estaria na Yard e Mycroft prestes a sair para o trabalho. Deu todo o discurso de “Se você machuca-lo, eu machuco você”, mesmo sendo quase trinta centímetros mais baixa e 17 anos mais nova que Mycroft. Ainda ameaçou trazer a irmã junto, caso fosse necessário buscar vingança. O político convidou-a a subir para um chá, ligando para Anthea segurar seus compromissos por uma hora, mais ou menos. Ele garantiu que suas intenções em relação a Gregory eram extremamente honestas, e admitiu estar atraído por ele há mais de cinco anos. Nadine praguejou e perguntou por que, então, ele não fizera nenhum movimento mais cedo. Ele explicara que tinha uma política muito rígida em relação a homens casados; mas Gregory finalmente se livrara da esposa que lhe traía compulsivamente, e ele estava com o campo livre diante dele. Nadine então passou a hora seguinte contando todas as pequenas coisas sobre Lestrade que Mycroft talvez ainda não soubesse (a esmagadora maioria ele já sabia, ou deduzira; mas o fato de Gregory ter participado de uma banda punk durante a juventude foi algo que Mycroft nem em seus sonhos mais selvagens imaginara. Ele era um admirador secreto de punk rock, e possuía uma vasta coleção de vinis do Sex Pistols e dos Ramones). A partir daquele dia, Nadine ligava para Mycroft diariamente, para saber como estava o pai e como andava o progresso da relação. Fora a primeira a saber quando eles, finalmente, se acertaram. Perdera dez libras para o tio, pois apostara que seria Mycroft a fazer o primeiro movimento. Mas estourara uma garrafa de champanhe com a irmã e o marido em comemoração, pois ela simplesmente sentia que Mycroft era a pessoa certa para seu pai.

Eles ficaram conversando a tarde toda, aguardando ansiosamente a enfermeira que trazia relatos de hora em hora. As duas moças já haviam doado sangue logo ao chegar, e também seu tio, que era O negativo. O nervosismo se dissipava, cada vez que a enfermeira aparecia e dizia que eles estavam reduzindo a sedação de Greg, porque ele estava reagindo bem após a cirurgia. Quando a noite caiu, os Lestrade precisaram se retirar – Natalie tinha plantão no hospital onde trabalhava, Nadine precisava voltar para o filho, e Christian trouxera as duas; nenhuma delas estava em condições de dirigir depois do choque da notícia. Depois de fazerem Mycroft prometer que ligaria quando o pai delas acordasse, e que informaria exatamente os horários de visitação da UTI, que eram extremamente restritos, elas saíram, despedindo-se de John e Sherlock com beijinhos no rosto. Nadine voltou correndo e deu um abraço em Mycroft, enterrando o rosto na lapela do paletó dele.

- Obrigada. – ela murmurou, para que apenas ele ouvisse. – Se não fosse por você... bom, você sabe. – Mycroft sorriu e abraçou-a de volta, murmurando de forma que os outros não ouvissem.

- Você sabe que eu nunca deixaria que algo acontecesse com ele. E nem com vocês.

- Eu sei. – ela afastou-se, enxugando uma lágrima teimosa e acenando enquanto saía, o solado de borracha dos tênis rangendo no linóleo do corredor.

Notas finais
N/A: SELF-INSERCTIOOOOON o/

Arween, sista, aí estamos nós!! O nome da minha personagem é dedicado ao meu adorável Id, e o da minha irmã é uma das versões do nome dela =D Eu queria muuuuuuito fazer uma self das Terrible Three, e com uma pequena adaptação (sorry, old sister, I turned you into a guy XD), aí está XD

Na verdade, até marido e filho entraram na onda (lembram? Eowin é mãe de família, agora) XD

A todos os que deixaram adoráveis reviews na história, sinto não ter respondido, mas andei (bem) doente. Esta semana eu vou responder com calma e carinho todas as mensagens ^^

Until next time,

Eowin