Let Me Correct It
2 Capítulo 2
II.
Depois de algumas horas rodando naquele ônibus sem graça, eu acordei. Me ajeitei no banheiro e fui até onde os meninos estavam. Eles pareciam bastante animados a conversarem, exceto que Ryan parecia deslocado dos demais. Spencer me apontou o sofá e me entregou uma garrafade vodka. Aceitei, tomando um gole longo da mesma. Eu não tinha comido absolutamente nada.
Joguei-me ao lado de Ryan e ele me aninhou em seus braços. Eu nunca tinha entendido aquela mania que Ryan tinha de me proteger, de me acolher, de contornar minhas mentiras – quando eu aprontava -, de rir longamente das minhas palhaçadas quando ninguém mais ria. Eu poderia chamar Ryan Ross de especial, mas preferia chamá-lo de irmão mais velho..
- Brendon, já chega! – Ross puxou a garrafa dos meus lábios, me fazendo formar um bico manhoso nos mesmos. – Pára. Temos um acústico para fazer e você precisa estar sóbrio.
- Porque bêbado você vai esquecer do palco que querer agarrar o Ryan. – Jon encolheu os ombros, me fazendo mandar o dedo e ele me responder com os ombros encolhidos – Eu não estou mentindo, Brendon. Toda vez que você faz show bêbado, você dá um jeito de se insinuar para o Ross.
E eu realmente tinha pensado – vez ou outra – que depois daquelas insinuações em Lying, em Time to Dance e em tantas outras, Ross fosse ceder aos meus encantos, mas ele era o único que conseguia resistir a mim, estar comigo o trempo todo sem realmente me querer. Ou era o que ele sempre me passava. Talvez ele fosse o único que eu jamais conseguiria conquistar e talvez fosse o único que valesse a pena, porém eu não ia tentar nada com ele, não se não fosse algo realmente sério.
Confesso que, por mais que os pedidos do Ryan, continuei a beber. O problema nisso é que eu não tinha comido nada enquanto viajava ou quando saí do hotel. Apenas bebidas. Bebidas atrás de bebidas. Pela noite, no acústico, eu estava completamente alegre e ainda sentia o efeito do Red Bull que acabara de beber. Essa bebida sempre me deixava mais ‘alegrinho’ que o normal.
Chegamos a casa de shows e eu comi, depois de muita insistência do Ryan, alguns salgadinhos. Às vezes o Ryro tinha um poder sobre mim que eu desconhecia. Okay, eu estou exagerando, eu só nunca gostei de deixar as pessoas que cuidam de mim decepcionadas. Ele cuida de mim então, não posso decepcioná-lo ou ferí-lo. Ross é meu amigo e eu sempre ia velar por aquela amizade.
O camarim não era muito grande, mas era suficientemente aconchegante e tinha um sofá fofinho. Ryan foi o primeiro a deitar de forma largada. Cheguei a me repreender mentalmente por desejar deitar por cima dele. Ross me afastaria. Simplesmente não falava comigo quando eu bebia dessa forma, apenas cuidava para eu comer alguma coisa e se afastava até eu ficar de ressaca e cuidava de mim. Jon e Spencer diviram o outro sofá, como se me empurrassem para ficar perto de Ryan que girou os olhos e encolheu um pouco das pernas e eu me joguei ali.
- Você tá bem? – Perguntou. Assenti com a cabeça e sorri. Eu estava elétrico e ainda tinha uma lata de Red Bull nas mãos. Estava quase vazia, para ser sincero. Spencer e Jon se levantaram, indo para outra parte do camarim. Estranhei aquela atitude, mas acabei gostando. – Já chega de beber, Brendon.
- Por quê? – Brinquei – Já que você não me quer, eu encho a cara mesmo.
- Eu não quero você assim. – Desdenhou, me fazendo pôr um bico nos lábios. – Se um dia eu quiser você, te quero sóbrio.
Percebi o esforço que ele fez para falar aquelas palavras, percebi também o errinho no verbo e isso me apavorou. Percebi que ali tinha um pouco mais que uma simples resposta de uma brincadeira que eu fiz, mas com certeza, era o efeito do Red Bull que o Ryan odiava. Se eu tentasse beijá-lo naquele momento, Ross me chutaria e me xingaria de quantos palavrões que quisesse. Eu não estranharia aquela reação.
- Você nunca me quis, Ryan Ross. – Mantive o bico e ele simplesmente ergueu o corpo e puxou a lata de mim. Suspirou e o roadie nos chamou. Era hora do acústico. Ryan foi o primeiro a sair do camarim e logo foi seguido por Jon e Spencer. Eu fiquei, fazendo alguns aquecimentos vocais.
- Brendon. -Disse Jon, dando alguns passos para trás ao notar que eu pulavae algumas vezes caía no sofá ao fazer isso. – Você consegue fazer esse show?
- Claro que consigo! – Falei, olhando para ele. – Desde quando você tem um irmão gêmeo, dude? Eu estou em completas condições de fazer esse show.
- Eu tô vendo. – Murmurou. – E vê se não dá em cima do Ross no show, uh?
- O Ryro não me quer. – Falei dando os ombros enquanto seguia com Jon para o palco. Me sentei no banco destinado a mim e começamos nosso acústico. Eu nem posso dizer muito, bem nessa hora foi que as coisas começaram a girar e eu sem enxergar muito.
Lancei alguns olhares para Ryan que apenas balançava a cabeça. Aquilo definitivamente não foi o incentivo que eu esperava para continuar tocando, mas mesmo assim continuei. Ryan me lançava alguns olhares repreensivos e eu já imaginava que estava desentoado. Não tentei consertar, apenas deixei como estava.
Quando saímos, eu fui direto para o banheiro do camarim. Ouvi os meninos falando que já iam, mas Ryan se despediu deles e veio até mim. Achei que ele ia passar mais um daqueles sermões moralistas, mas dessa vez ele só se inclinou até mim e acariciou-me as costas. Cuidaria de mim outra vez. E eu estava decidido a agradecer aquilo, só não sabia – ainda – como.
Ryan me levou para o ônibus praticamente nos braços. Por um momento, achei que ele fosse se quebrar ao meio, mas por mais que ele tivesse apenas ossos naquele corpo magro e comprido, ele tinha força. Apesar de sua expressão estar bastante triste e ao mesmo tempo preocupada. Ross me deu um banho, trocou-me e cantou baixinho para que eu dormisse.
Eu ia pagar aquilo, como eu não sabia. Ainda.
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