Let Me Correct It
3 Capítulo 3
III.
Dois dias tinham se passado do meu porre. Ryan ainda estava meio arisco comigo, mas ficava me rondando e não me deixava beber. Essa noite teríamos um show completo, com nossas dançarinas, com nossos instrumentos, com nossos figurinos. Eu estava na frente do espelho do hotel, segurando infantilmente um shampoo enquanto cantarolava Camisado.
- Brendon, você já é um astro da música. – Jon falou, rindo. – Nós temos que ir para a passagem de som.
- Eu não queria ir... – Ryan confessou. – Eu estou completamente cansado.
- Brendon! – Disse Jon, rindo, jogando a almofada da poltrona em minhas costas. – Como é que você não conta para essa banda que se redimiu e está transando com Ryan Ross!
- Eu não estou transando com o Brendon. – Encolheu os ombros enquanto eu fui até Ryan, deitei-me em seu abraço, meio contra sua vontade e olhei para Jon e Spencer que riam baixinho. – Muito pelo contrário. Ele devia escolher pessoas mais discretas para esse tipo de ato.
- Pára de falar besteira. – Eu murmurei. – Se eu te pegasse, ia te fazer gemer igualzinho uma de minhas garotas.
- Só nos seus melhores sonhos! – Me afastou, rindo baixo. – Eu não sou escandaloso daquele jeito e você faça o favor de não me tirar mais da cama com aqueles gemidos estrambólicos.
Nós três – Jon, Spencer e eu – começamos a rir. Rimos muito dos protestos de Ryan Ross. Ergui meu corpo e deixei um beijinho estralado em sua face, como se pedisse desculpas por me esquecer que dividimos o quarto. Apesar de tudo, Ryan sorriu com aquilo e isso que era importante para mim.
Algumas brincadeiras aqui, outras acolá, fomos para a casa de shows. Não era muito difícil ver a banda toda animada, eu pulando o tempo todo, Jon com aquelas suas ‘reboladinhas’ e Spencer na bateria, tocando e se misturando a ela; o único problema estava em Ryan. Ele realmente estava cansado e eu só estava percebendo isso agora. Ele tocava e sequer me olhava. Marcávamos onde deveríamos ficar – supostamente – parados, embora pedir isso para mim era quase como pedir para as nuvens virem ao chão.
Eu realmente teria mais cuidado essa noite. Ia, com certeza, terminar antes das três pro Ryan poder descansar. Nós passamos o show inteiro em uma hora e meia. Eu perdi as contas de quantas vezes errei os passos de dança da música, porque tinha a concentração em Ryan e seus bocejos estendidos. Eu ia ter que teimar com ele e colocá-lo para dormir até a hora do show. Ryan Ross não era daqueles que obedeciam, mas com meu jeitinho, eu sempre conseguia o que eu queria com ele.
Fomos para o hotel novamente. Depois de muita insistência minha consegui que Ryan Ross dormisse. Cuidei uma parte do tempo para que ele ficasse bem, mas depois acabei saindo. Eu não sou um cara de ficar parado em um lugar só. Talvez essa fosse minha maior fraqueza, eu não sei ficar parado sem fazer nada, ou fazendo alguma coisa que necessita de silêncio. Fui dar uma volta pela nova cidade e acabei encontrando-me com uma garota incrivelmente linda.
- Desculpe, eu sou um desastrado. – Eu disse, com certo rubor nas bochechas. Ela me deu um sorrisinho pequeno e eu dei os ombros, também sorrindo. Ela era ruiva, tinha os cabelos jogados aos ombros, alguns centimetros menor do que eu e um corpo de fazer inveja a qualquer mulher e me tirar o sono.
- Não se preocupe. – Encolheu os ombros. – Brendon Urie, certo?
- E você seria...? – Disse, mordendo o lábio para conter o sorrisinho sacana que queria sair dos meus lábios.
- Anny. Você poderia me dar um autógrafo? - Sorri de leve e assenti com a cabeça. Ela deu-me uma caderneta e eu autografei e deixei o número de telefone do Ryan Ross. Ele geralmente dava um jeitinho de sumir com as meninas das quais eu queria por uma noite. Uma conversinha aqui, outra ali e ela já estava comigo em um quarto de motel. O bom de ser famoso é que as pessoas anônimas nunca sabem te dizer não.
Confesso que passei a tarde com ela. Cama, banheiro, cama de novo... Aliás, a cama redonda vibratória me relaxou bastante. Voltei para o nosso hotel eram umas seis e meia da tarde e Ryan ainda dormia. Era eu quem teria que acordá-lo e acredite, isso era verdadeiramente uma tarefa difícil. Entrei em nosso quarto e o olhei. O homem alto, magro, com uma expressão angelical e um dos braços embaixo do travesseiro. Tinha a respiração calma que ia se alterando conforme meus passos se aproximavam dele e se aveludavam.
Sentei-me em sua cama e trouxe seu travesseiro – junto com sua cabeça -, de forma bem delicada para meu colo. Esparramei meus dedos magros por todos os fios de cabelo da cabeça do meu grande protetor e comecei uma carícia bem delicada, a fim de acalmar aquela respiração que só continuava a ficar descompassada e desritmada. Aproximei meus lábios de sua bochecha e dei-lhe um beijo longo ali. Ryan Ross se mexeu em meu colo, resmungou infantilmente e minutos depois acordou, desesperado e com uma cara péssima.
- Você tá bem? – Perguntei e o maior assentiu com a cabeça. Não confiei naquele movimento e reprimi o impulso de querer abraçá-lo, cuidar dele até que sua respiração e afeição melhorassem. Suspirei. – Tem certeza? Você me parece apavorado.
- Tenho. – Falou coçando manhosamente os olhos – Foi só um pesadelo.
- Hmm. – Resmunguei, pendendo o corpo para trás e me deitando desajeitado em sua cama. Ross manteve sua cabeça em meu colo e eu continuei minha carícia preguiçoso, quase o fazendo dormir novamente. Deixei um sorriso bobo invadir meus lábios e pedi a Deus que ele não pudesse ver aquilo. – George, você não pode mais dormir agora. – Murmurei, sem a intenção de atrapalhar.
- Brendon, é você quem está me ninando. – Sorriu, sem abrir os olhos. – Se importa se eu tomar banho antes de você? Você demora muito... – Abri os olhos que eu tinha fechado quando quis conter o sorrisinho idiota dos meus lábios e assenti com a cabeça. Com relutância, tirei a mão dos cabelos e o deixei levantar para tomar seu banho. – Obrigado.
Coloquei o travesseiro de Ryan embaixo da minah cabeça e fiquei pensativo ao ouvir o som da água em seu corpo magro. Liguei a televisão, para me distrair e não me concentrar exclusivamente no cheirinho sóbrio que inebriava meus sentidos. O cheiro de Ross, o único que sabia resistir a mim.
Ryan começou a demorar demais no banho e eu comecei a ficar preocupado com ele. Percebi que não tinha levado nenhuma roupa para o banheiro. Ryan nunca tinha feito isso, porque era sempre muito atencioso e não gostava de se trocar em minha frente. Era provável que ele nem tinha notado seu próprio lapso. Girei os olhos e levantei-me de sua cama quentinha e aconchegante, preocupado, selecionando cuidadosamente sua roupa. Como complemento, peguei sua boina marrom que tinha lhe dado de presente em um de seus aniversários.
Pensei em sair do quarto, já que ele era muito tímido. Eu já tinha tomado um banho, mas com o calor que andava fazendo naquela cidade, eu não me arriscaria a dizer que tinha me enxarcado de suor. Ross deixou o banheiro momentos depois. Sorriu com minha atitude de separar sua roupa: camisa amarela clara, jeans, boina. Nossos olhares se chocaram e ele sorriu forçado para mim que devolvi no mesmo tom o seu sorriso.
Entrei no banheiro e tomei meu costumeiro banho de uma hora ou uma hora e meia. Quando eu saí de lá, Ryan estava se maquiando. Parei no portal da porta do banheiro e fiquei apreciando a cena; seus traços finos e ao mesmo tempo firmes, frios, pincelados com aquele instrumento segurado com extrema delicadeza por seus dedos magros, longos e estranho.
- Não vai se trocar? – Perguntou, me olhando pelo espelho que segurava. Sequei meu cabelo com a toalha que tinha envolta em meu pescoço. – Eu já estou acabando aqui.
- Pode ficar tranqüilo, não estamos atrasados. – Encolhi os ombros, brincando.
- Bobo. – Sorriu. Caminhei até minha cama e fiquei de costas para ele. Ross tinha separado minha roupa. Dei um sorriso ao ver que se preocupava comigo e comecei a me trocar. Me senti observado, então imaginei que Ryan estivesse me olhando pelo espelho. – Eu espero que goste da roupa que escolhi. Nem precisa me agradecer, mas eu amo te ver fazer sucesso com suas garotas com as roupas que eu escolho para você.
Esforço... Muito, muito esforço. Não era exatamente queria falar. Eu o conhecia o suficiente para apostar e ganhar que Ross ia me dizer outra coisa. Eu só não sabia o que exatamente ele queria me dizer e era isso que me incomodava. E incomodava muito.
- Você deveria ser estilista, Ross e não compositor.
- Você deveria ser garoto de programa, Urie e não cantor. – Deu os ombros e terminou de se maquiar. Tinha ficado incrível, como sempre. Aproveitando a brincadeira, o olhei com um pouco de malícia, prendendo meu lábio inferior entre os dentes e depois sorri, torto, o maliciando ainda mais.
- Você pagaria por um programa comigo? – Perguntei e Ryan encolheu os ombros, após sorrir maliciosinho.
- Pagaria, oras... – Piscou. – Quando se liga pra esse tipo de agência, vem qualquer um. E pagando, você até que fica bem atraentezinho.
- Quem desdenha quer comprar, Ross. – Murmurei, o olhando. Mantive o tom malicioso da brincadeira ao dizer: — Eu sei, Ryan, que você é louco pra cama comigo. – George encolheu os ombros, não concordou nem discordou.Dei um suspiro longo, e por fim terminei de me trocar. Depois dessa brincadeira ficamos em silêncio até que eu decidi quebrá-lo.
- Ross, faz maquiagem em mim?
- Senta. – Empurrou-me, apenas com uma das mãos e eu levei aquilo para o tom sexual. Sentei-me na cama como me foi pedido e mordi meu lábio, o provocando. Depois da mordida, os umideci com a ponta da língua sem desviar o olhar do dele. Ryan me olhava com certo fascínio, que, vez ou outra ele perdia o controle. Passou o pincel sem pó nenhum em meu olho, a fim de que eu parasse.
Fechei os olhos e sentia o meu amigo pincelando o meu rosto com delicadeza. Parecia ser mais cuidadoso comigo do que com ele próprio. Movimentos suaves, doces, precisos, firmes. Tornei a morder o lábio quando percebi alguns pensamentos estranhos envolverem minha cabeça.
- Terminei! – Falou, dando um pulinho vitorioso em minha frente, infantil.
- Eu vou conseguir muitas mulheres com isso? – Perguntei, arqueando a sobrancelha. Ross engoliu em seco e novamente eu vi um certo esforço em sua fala, embora seu rosto continuasse inexpressivo e seu tom vitorioso tinha se perdido no ar.
- Vai ter quem quiser assim. – Respondeu. – Agora vamos, uh?
- Eu vou ter você se eu quiser?
Deu de ombros e me puxou. Quando estávamos no ônibus, até tentei puxar assunto, brincar, fazê-lo sorrir, mas tudo foi completamente em vão. Ryan Ross não se mexia. Não ria. Algo me dizia que eu tinha feito algo para ele e não sabia o que era.
Durante o show, de verdade, eu estava desesperado por buscar a atenção dele. Num momento de euforia, enquanto tocávamos Time to Dance, arrisquei a ir por trás e deixar um beijinho estralado e rápido em sua nuca. Como eu já estava esperando, Ross me olhou com um de seus olhares estranhos. Eram apartir daqueles olhares e daqueles meus surtos de desespero por ter sua atenção que surgiam boatos como Ryden.
Confesso que eu adorava aqueles olhares, os resmungos de ‘por quê?’ que vinha depois dos shows. Eu adorava ter dado um motivo para Ross me olhar e, às vezes, até o desdém dele me agradava. Gosto de atenção. Gosto que a pessoa que cuide de mim preste atenção em mim e mais nada. E ser o centro das atenções é ótimo, quando perco isso, ainda que por um momento, desespero.
Depois disso tudo a banda foi para o hotel. Chamei Ryan em um canto e depois de muita insistência – beijinhos em sua nuca, sussurros dizendo que não o deixaria em paz -, consegui fazer Ryan ir tomar uma cerveja comigo. Ele disse que não ia beber, mas com jeitinho, consegui fazê-lo beber algumas coisinhas. Acabei descobrindo que Ryan era muito fraco para bebidas e isso o deixava a minha mercê. Não era uma coisa que eu deixaria a oportunidade passar, pela manhã, Ross não se lembraria disso.
- Quero carinho, Ryan... – Murmurei, quando chegamos no hotel.Ross se jogou na cama e abriu os braços para que eu fosse até ele.
- Eu te dou. – Fui até ele e ronronei quando seus dedos começaram a tocar abaixo da minha blusa. Ross então me deu uma mordindinha tímida na bochecha. – Você anda tão carente, Brendon...
- Você nunca quis me dar carinho. – Fiz um bico e ele arqueou a sobrancelha, como se algo ali estivesse errado. Eu estivesse errado. – Não importa, hoje você vai compensar minha espera.
- Sossega, Brendon! – Ross rosnou, quando eu comecei a me mexer demais em busca de uma posição confortável. Estava em dúvida entre apoiar meu rosto em seu peitoral ou escondê-lo em seu pescoço.
- Só quero uma posição melhor. – Falei baixinho, manhoso.
-Whatever. – Deu os ombros –Não consigo te acariciar com você se retorcendo feito uma minhoca.
Fiz um bico ainda maior e Ryan riu baixinho. Ele ficou me acariciando por um longo tempo até que me olhou e sorriu forçado. Ross me deu um abraço e disse que precisava ir ao banheiro. Ele foi meio cambaleando e depois ouvi o ruido de seu vômito. Levantei da cama e fui até ele. Ross estava praticamente sentado frente ao vaso sanitário e com a cabeça praticamente enfiada lá dentro.
- O que é que se faz quando alguém bebe e passa mal desse jeito? – Perguntei, já que eu nunca tinha sido quem cuidava e sim quem era cuidado. – Eu não o que você faz comigo quando eu bebo.
- Me lembre de embebedar você mais vezes. – disse, com a voz inebriada e brincando. Encolhi os ombros e me sentei ao seu lado. Acariciei sua perna com cuidado e fiquei ali até que ele mesmo se levantase e escovasse seus dentes. Fiquei sentado no chão, olhando para ele e pelo espelho, sorriu pra mim. – Eu tô com uma cara péssima, não é?
- Não. – Encolhi os ombros. – Você não consegue ficar feio. – Confessei.
- Bobo. – Sorriu e quando terminou de escovar os dentes, me levantei. Ajudei-o a caminhar até sua cama. Me deitei ali e voltamos a posição inicial. Aquilo me lembrou tanta coisa, de quando ainda não éramos famosos e que as garotas me consideravam como irmão, Ross estava sempre comigo, dormíamos juntos, jogavamos video-game até nossos dedos doerem. Eu dormia em sua carícia, em seus braços, em seu cuidado e eu sempre considerava aquilo como a melhor parte do meu dia.
Ross esparramou seus dedos estrambólicos em meus cabelos. Fazia pequeninos movimentos circulares e depois me abraçou fortemente. Como se quisesse que aquilo durasse eternamente; me protegeu de absolutamente nada. Eu tinha me esquecido daquela sensação, do quanto era bom e do quanto eu não era merecedor. Acabei me deixando levar por um impulso e segurei seu rosto. Juntei nossos lábios repetidas vezes, os pressiondo, os mordendo, os sentindo.
Ryan deu um grunhidinho insatisfeito. Afastou-se de mim rapidamente e pensou em se desvencilhar, indo para a outra cama. Eu o prendi com força e o deixei ali. Murmurei qualquer coisa sobre ele não sair dali, porque eu estava sóbrio e eu o queria assim.
- Não faz isso comigo, Brendon... – Pediu enquanto eu beijava seu pescoço. Resmunguei negativamente e ele inclinou seu pescoço. – Por favor, meça as conseqüências comigo.
- Esquece as conseqüências. – Murmurei. – Por mim, esquece as conseqüências, se deixa levar por seus instintos, Ross.
- Nã-ão. – Disse falho. Eu sabia que ele queria então, pressionei nossos lábios e Ryan aprofundou o beijo. Ele não conseguiu mais me parar, mas suplicava para que com ele fosse diferente, fosse único, não fosse [i]só[/i] sexo, mas eu não estava levando nada disso a sério, porque para ele, isso simplesmente não existiria.
Stop there and let me correct it.
I wanna live a life from a new perspective.
You come along because I. Love. Your. Face.
Eu não pude compreender sua súplica. Sua entrega pra mim em cada um dos seus movimentos, suas investidas fortes, falhas. Eu ainda não [i]o[/i] tinha compreendido. Se tivesse ao menos tentado abrir os olhos, isso seria diferente. Eu só quis sexo, o tempo todo, mas Ryan era diferente e eu aprenderia na prática.
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