Let Me Be Your Superhero
32 Capítulo 31 – Blueberry Pie
Notas iniciais
Capítulo 31 – Blueberry Pie
[Autora]
As gotas de chuva caíam com violência naquela tarde de Domingo. O transito pelas ruas de Manhattan se complicava cada vez mais devido ao tempo fechado. Pessoas que foram pegas de surpresa pela mudança repentina de clima, buscavam abrigo para evitar terem suas roupas encharcadas pela água.
Natasha andava calmamente pela calçada, não se importando com o tempo nem com o barulho das buzinas dos veículos a sua volta. Protegida com seu guarda-chuva preto, ela seguia em direção a pequena confeitaria localizada bem na esquina.
Apesar do movimento e de estar em um lugar público, a ruiva tinha a leve sensação de estar sendo observada durante todo o seu percurso, tanto que perdeu as contas de quantas vezes interrompera os passos e correra os olhos procurando encontrar quem quer que a estivesse espionando.
Em dado momento, pensou estar ficando maluca, pois não encontrara sinal algum de que estivesse sendo perseguida. Mas em todos esses anos trabalhando como espiã e agente da SHIELD, a experiência que adquirira, a fez aprender a dar considerável atenção aos seus próprios instintos, e naquele momento algo dentro dela se mantinha em alerta, ela estava sendo seguida e tinha quase certeza disso.
Antes de entrar no local, Romanoff deu mais uma bela olhada a sua volta, tentando em vão encontrar alguma coisa. E outra vez, nada.
A confeitaria estava com fraco movimento naquele dia, provavelmente por causa do tempo chuvoso, e as poucas pessoas que se deslocaram de suas casas afim de comprar bolos e rosquinhas de chocolate, ou qualquer coisa com bastante açúcar, pareciam demorar-se um pouco mais que o comum ali, na esperança do sol voltar e a água parar de cair.
Dirigindo-se diretamente ao balcão, Natasha encontra uma moça de cabelos negros em um corte Chanel, olhos castanhos e sorriso forçado. Ela parecia exausta, como se tivesse trabalhado o dia todo e mal esperava a hora de ser liberada de seu serviço.
— Boa tarde, em que posso ajuda-la? – Clary, como estava escrito em seu uniforme, pergunta tentando soar o mais simpática possível.
Natasha olha as opções em seu balcão, tentando lembrar o que Bobbie lhe dissera pra buscar... Sua sobremesa favorita, qual ela só comprava naquele lugar, pois julgava ser o melhor da cidade.
— Uma torta de blueberry, para viagem.
Apesar de parecer cansada, o atendimento daquela moça até que fora bem rápido e eficiente, não dando muito tempo para espera. Quando saíra do estabelecimento, Natasha percebeu que a chuva não diminuíra seu ritmo nem um pouco sequer.
Com o guarda-chuva em uma mão e a torta embalada na outra, voltou pelo mesmo caminho, rumo a Torre Stark, onde sua amiga a aguardava ansiosa. Mesmo após o parto, Bárbara continuava com desejos constantes por vários tipos de comidas, fazendo com que, ora Natasha, ora Clint, tivessem que correr pela cidade a procura de pratos apetitosos para ela, alguns nem tanto assim na opinião da ruiva.
O transito parecera diminuir naqueles poucos minutos que estivera dentro da confeitaria, e agora o som de buzinas e gritos de motoristas estressados reduzira agradavelmente. O movimento de pessoas na calçada também se tornara lento, e aquela sensação de estar sendo observada se mantinha presente.
Desde o casamento dos agora chamados Sr. e Sra. Barton, a vida de todos na Torre dera uma acalmada. Até mesmo Bucky, que causara tanto reboliço nos primeiros dias presente na Torre, agora era aos poucos menos odiado pela recém mãe residente do prédio. Jacob, com apenas alguns dias de vida, já deixara todos de cabelo em pé. As noites passaram a ser mais agitadas com os choros de um bebê recém-nascido, e como em uma grande e esquisita família, todos ajudavam a cuidar do projeto de Légolas, como Stark carinhosamente já o apelidara. Quanto ao relacionamento com o capitão, bem, a ruiva não podia reclamar de nada nem mesmo se quisesse, Steve sempre fora maravilhoso para ela, e a mesma sabia que a melhor coisa que já lhe acontecera foi tê-lo conhecido, sem a menor sombra de dúvidas.
Olhando por esse ângulo, não pareciam que as coisas fossem mudar drasticamente de rumo, tudo estava indo tão bem que, para a Viúva Negra era difícil acreditar que fosse real. E como tal, tinha suas preocupações de que em algum momento algo ruim pudesse acontecer. Afinal de contas, mesmo com essa realidade quase surreal para ela acontecendo, ainda haviam ameaças à solta, meses de busca por Yelena Belova que não deram em nada, era frustrante e completamente inaceitável para ela. Depois de tantos anos sua pior inimiga resolveu dar as caras com a nítida intenção de matá-la, para então após algumas tentativas simplesmente desaparecer como um fantasma.
O pensamento constante de que sua rival estava planejando algo contra ela a assombrava dia e noite, e a possibilidade de estar próximo de acontecer a fizera perder muitas noites de sono, como se não bastassem os pesadelos. Quisera Natasha estar errada sobre tudo isso, quisera ela poder finalmente aproveitar esse momento de tranquilidade sem medo do futuro e assim deixar seu passado para trás.
Infelizmente, as coisas raramente acontecem como queremos, e a ruiva sempre teve total ciência disso. E mesmo não conseguindo confirmar suas suspeitas, ela sabia que a hora de enfrentar seu destino estava prestes a chegar, pois naquele fatídico dia de chuva alguém a estava olhando de longe, seguindo seus passos, a vigiando de maneira discreta. E aquela sensação a acompanhava como uma sombra...
[Natasha]
Ouço um barulho, que me mantém ainda mais alerta, fazendo-me interromper meus passos, parando em uma parte deserta da cidade, há alguns quarteirões da Torre Stark.
Alguém havia se aproximado, eu podia sentir, e apesar da rapidez do ser atrás de mim, meus bons reflexos me permitiram desviar do golpe que fora lançado contra mim, dando-me tempo de virar meu corpo para trás e usar o guarda-chuva como escudo, interceptando a espada que rompera o tecido e parara à poucos centímetros de acertar o meu rosto. Sem perder tempo, abaixei-me habilidosamente a fim de dar uma rasteira no desconhecido que ainda não pudera ver, soltando o objeto que acabara de me proteger. Porém, meu adversário também tinha reflexos bons, e uma agilidade impressionante ao dar um salto mortal para trás, parando a poucos metros de distância. E ainda abaixada, eu pude enfim nota-lo com clareza.
Roupa vermelha e preta, colada, bem chamativa por sinal. Uma máscara cobrindo sua cabeça inteira, mais duas espadas sendo seguradas firmemente por suas mãos. Ele com certeza me era familiar, um mercenário que a SHIELD tentara prender diversas vezes. Nunca participei de nenhuma dessas tentativas, mas já conhecia a ficha do sujeito. Além de matar por quem paga mais, ele também tem a curiosa habilidade de se curar de qualquer ferimento, e não estou falando de arranhões ou ferimentos por bala... Essa habilidade em especial é o que o torna uma pessoa impossível de ser morta, pois não importa o que você tente fazer para feri-lo e mata-lo, ele sempre se regenera.
— Olha só que desperdício. Porque não me avisou que era torta de blueberry? Eu teria sido mais cuidadoso. – Deadpool se pronuncia apontando para a embalagem toda destruída que escapara de minhas mãos – Ficar te vigiando por essas horas me deixou com fome.
Ouvi falar que ele é conhecido como “mercenário tagarela”, apenas por gostar muito de falar em meio a um combate, com certeza algo que deve ser no mínimo bem irritante.
— Por que você está aqui? – questiono, embora minha mente começasse a ter uma leve noção de suas intenções.
— Não é óbvio? Torta de blueberry. – ele replica ironicamente, se aproximando aos poucos – Mas agora que está em pedaços, posso me contentar com você.
E então ele ataca, numa velocidade que me deixou atordoada por um segundo, sentindo a dificuldade de desviar de suas investidas com as espadas, mas não descansei em momento algum. Estávamos a uma distância de poucos centímetros um do outro, quando a arma afiada se aproximou de meu pescoço. Inclinando meu corpo para trás pude ver a lâmina passar acima de meus olhos, e na mesma rapidez que ela se movia, comecei a mover minhas pernas em um salto, atingindo o braço de Deadpool que deixou uma das espadas voar para longe, e em um mortal para trás aterrissei no chão.
As roupas encharcadas pela água da chuva que não dera sequer uma trégua. E mesmo conseguindo tirar uma espada das mãos de meu adversário, ainda restava outra, e não tive tempo de evitar. Com rapidez a segunda lâmina deslizou sobre minha coxa, fazendo um corte levemente profundo verter um pouco de sangue pra fora do meu corpo. A dor foi suportável, mas quase não consegui me desviar do golpe que acertaria meu abdômen em seguida.
Simplesmente recuei, enquanto Deadpool se aproximava cada vez mais. Mesmo conseguindo ignorar o recente ferimento, eu percebi a agilidade e velocidade superior de meu adversário, o que tornava o combate corpo a corpo bem mais difícil.
Levo as mãos por dentro da jaqueta de couro que uso, retirando a arma que estava bem presa a ela, uma pistola calibre 380. Sem cerimônias, dou início aos disparos contra meu oponente, que mesmo sentindo as balas perfurando seu busto, não parava de avançar contra mim.
Enquanto recuo e atiro aos mesmo tempo, só consigo pensar no quão inútil estão sendo minhas tentativas de assumir o controle dessa luta, onde meus golpes não ferem, e meus disparos não matam. A cada passo para trás, uma bala a mais perdida, e um passo mais próxima da morte, até que finalmente aconteceu. Minha munição havia acabado, assim como a distância restante entre nós dois. O grito de dor foi incontrolável assim que senti a espada perfurar meu ombro direito, rompendo os tecidos do meu corpo, liberando o sangue que escorria e se misturava as gotas de chuva que inundavam a calçada abaixo de meus pés.
Caí de joelhos, sentindo-me fraca, e meus olhos fitavam o rosto coberto pela máscara. Eu poderia jurar que havia um sorriso sádico escondido ali.
— Não é nada pessoal pra mim Romanoff, só que alguém realmente quer você morta. Alguém disposto a pagar muito. – ouço as palavras do assassino a minha frente, sentindo minha consciência se perder aos poucos, até mesmo as gotas de chuva que tocavam meu rosto pareciam não mais ter efeito de sentido sobre minha pele – Mas não se preocupe, vou comprar outra torta de blueberry para a viagem.
Um suspiro exala de meus pulmões, ultrapassando minha garganta e se complementando em um gemido baixo.
Meu corpo despenca.
Meus olhos se fecham.
Enfim tudo escurece.
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