Let Me Be Your Superhero
33 Capítulo 32 - Old Enemies.
Notas iniciais
Capítulo 32 – Old Enemies.
[Natasha]
Sinto uma dor de cabeça terrível me invadir no momento que desperto. Meus olhos se abrem vagarosamente devido ao peso que sinto em minhas pálpebras. O lugar que me encontro nesse momento quase não consigo ver. A claridade que o preenche se resume a um feixe de luz que adentra pela pequena janela visível na parede a mais de dois metros do chão, na posição contrária da porta de ferro que provavelmente deve estar trancada.
Respiro fundo, tentando me mover, meu corpo completamente dolorido, e no instante que tento levar as mãos nos cabelos, sinto a pressão de correntes nos meus braços, os trazendo de volta para o chão. Estava acorrentada a parede, numa sala minúscula e nojenta, o cheiro de mofo impregnado em todo o lugar.
Olho para meu ombro direito, na tentativa de avistar o ferimento que intensificava sua dor constantemente, mas pela falta de claridade no ambiente não consigo enxergar, porém posso sentir o líquido ainda escorrendo, deixando meu corpo aos poucos. Procuro mantê-lo o mais imóvel possível, pois qualquer movimento exagerado poderia fazer com que a ferida vertesse sangue em maior quantidade.
Minha memória ainda está um pouco vaga, apenas alguns flashes me mostram cenas fora de ordem, me permitindo ter uma noção de como vim parar nesse lugar e nesse estado. A imagem do assassino Deadpool avançando contra mim e penetrando sua lâmina em meu corpo me deixava intrigada e ao mesmo tempo com uma puta raiva.
“O que aquele filho da mãe quer comigo afinal?” questiono em meus próprios pensamentos, como se esperasse que o universo fosse responder-me de alguma forma.
Ouço o ranger da porta levemente enferrujada ecoar pela sala, enquanto abria-se revelando uma figura que eu tanto queria encontrar, só não imaginava que seria tão cedo e nessas circunstâncias.
Eis a maldita resposta do universo...
— Veja só quem acordou. – mesmo depois de todos esses anos que se passaram, sua voz ainda me enojava – Surpresa em me ver aqui, Natália?
— Muito grata, na verdade. – respondo, me esforçando ao máximo para não gemer de dor durante o ato, suportando-a como possível – Me poupou o trabalho de ter que ir atrás de você.
Sua risada irônica demonstrava sua completa falta de senso.
— E o que você pode fazer? Está ferida, não tem a menor chance de lutar com nós três e sair daqui com vida. – ela se gaba, me prendendo a um pequeno e importante detalhe.
— Três?
Essa pergunta paira no ar, arrancando um novo sorriso, macabro e perturbador, de Yelena Belova, enquanto calmamente ela abre espaço para duas pessoas entrarem, uma delas eu já esperava que estivesse por ali, embora o outro tenha me deixado um pouco surpresa por ainda se encontrar vivo.
— Acho que não preciso apresenta-los a você. Já os conhece muito bem, não é?
Sinto meu sangue ferver, encarando as três pessoas que parecem se divertir com meu estado deplorável nesse momento. Cerro os punhos, tentando não perder o controle, pois minha vida depende disso.
— Rumlow, sua cara está horrível! – comento, provocando o cara que há poucos meses havia sido soterrado pelos destroços no Triskelion, como ele não morreu é um mistério pra mim – Você sempre foi um desgraçado mesmo.
— Não sou eu quem está acorrentado esperando para morrer. – ele rebate.
Embora não quisesse demonstrar, sei que eu o havia irritado, e isso me faz sorrir, mesmo não conseguindo evitar a careta de dor que se misturou a minha expressão.
— Precisa mesmo desses dois idiotas pra me superar? – zombo da loira que ainda me encara, se mantendo indiferente as minhas palavras – Pensei que fosse melhor do que isso, Belova.
Ela sorri um tanto desdenhosa, desviando seu olhar para o chão por um momento, para depois fitar-me novamente com seriedade.
— Você se acha tão esperta Natália. – sua voz sobressai ao silêncio. Mesmo Wade Wilson sendo tão tagarela no confronto, não pronunciara uma palavra sequer até o momento, parecia que o mesmo estava dormindo em pé, cansado do tedioso diálogo estabelecido – De fato, eu sempre quis te superar, e até tentei uma vez...
— Você lembra muito bem como isso terminou. – zombo outra vez, a dor se tornando cada vez mais difícil de ignorar.
— Eu cometi um erro. – ela rebate, um tanto geniosa – Mas dessa vez é diferente... Eu conheço mais de você do que imagina. Você tem fraquezas Natália, e eu não posso ignorar isso. – confesso que, a cada palavra eu começava a entender onde ela queria chegar, um desespero iminente se alastrando por todo meu ser, um pesadelo prestes a se tornar realidade – Deadpool?
Enfim o mercenário de collant vermelho e preto é solicitado, despertando de supetão após um ronco exageradamente alto. Ele realmente estava dormindo em pé.
— Oh... Chegou minha vez? Do que estamos falando mesmo? Eu não aguento esse drama de velhas inimigas com complexo uma da outra se reencontrando. Chatoooooo! Só estou aqui pela grana. – e dispara, recebendo o olhar fulminante de Belova, sua mudança de humor bastante notável – Ah sim, Capitão América, Steve Rogers, o saco que o país todo ama puxar. Incrível como músculos bem definidos e um rosto perfeito fazem suas bolas serem as mais desejadas... – irritada pela enrolação, a loira saca sua arma, disparando no corpo do tagarela, que interrompeu sua fala, colocando as duas mãos nas laterais do rosto, fingindo estar apavorado com o buraco recém aberto em seu peito. Mas em questão de segundos o ferimento se fecha, provando mais uma vez que é impossível ferir permanentemente esse bastardo – Sua tpm está descontrolada, loirinha.
— Acabe logo, Wilson! – é tudo que ela diz.
— Ah, sim! Seu namorado deve estar agora seguindo as migalhas que eu deixei pelo caminho... Tão desesperado para te encontrar que nem percebe quão fácil está sendo. – senti meu coração apertar, o controle das minhas emoções cada vez mais distante. Steve era minha fraqueza, eu sempre soube disso, mas só agora me dou conta de como fui estúpida e egoísta por colocar ele nessa situação – Assim que ele chegar, provavelmente com seus amiguinhos super-heróis, essas belezinhas aqui estarão esperando. Meus pêsames.
Acariciando as lâminas de suas duas espadas, Deadpool se retira da sala juntamente com Rumlow. Belova, antes de acompanha-los, olha pra mim de maneira sádica e pronuncia as palavras que me cortaram como uma faca...
— Eu vou mata-lo, Natália, e você só poderá assistir. Esse será meu triunfo sobre você.
Movo meu corpo, ignorando a dor, o ferimento, as correntes, tentando com toda força arrancá-las, nem que pra isso acabasse perdendo minhas mãos. A vontade de quebrar o pescoço de Belova apenas crescia enquanto ela se afastava de mim, virando de costas e deixando-me presa naquela sala. Perdi completamente o controle, e não me importava se perderia mais sangue, se morreria ali, tudo que eu conseguia pensar era no homem que por minha causa poderia morrer.
Não, eu não podia deixar isso acontecer, eu precisava sair dali e evitar tudo isso. Eu tinha que ser forte, tinha que dar meu jeito, tinha que matar aquela vagabunda antes que ela destruísse tudo que me é mais importante nessa droga de vida, tudo que consegui conquistar até aqui. Eu tenho que salvá-los. Eu sou a Viúva Negra, porra!
Continuo a me debater, tentando me livrar das correntes grossas e pesadas, tudo em vão. Sentindo a dor se intensificar por causa de meus movimentos bruscos, o sangue escorrendo incontrolável do meu ombro, o cansaço me dominando, espalhando-se por todo o meu corpo, despenco no chão. Estava mais uma vez perdendo a consciência, enquanto lutava para não desmaiar, sem sucesso algum...
— Não... – murmuro, meus olhos pesando cada vez mais, a visão turva novamente – Steve... – meu último sussurro antes de apagar por completo.
[Autora]
Cinco corpos espalhados pelo chão, totalmente desacordados. O som de golpes sendo aplicados com toda ferocidade ecoa pelo ambiente hostil. Uma fábrica, completamente abandonada há anos, mas que nesse momento é cenário de uma pancadaria intensa.
Mais uma vez, o punho firme do Capitão América se choca contra o rosto do indivíduo a sua frente, que cai no chão, sentindo o sangue escorrer por seu rosto, parcialmente machucado. Seus olhos mal abertos, olhando para o vingador diante dele.
— Onde ele está? – a voz furiosa de Steve se faz audível, a mandíbula cerrada e os olhos severos – Eu não vou perguntar outra vez...
Surpreendendo o Capitão, uma risada forçada se estende por alguns segundos, o pobre coitado se levanta com certa dificuldade antes de encarar seu oponente com certa diversão.
— Não sei onde Deadpool está... Mesmo se soubesse, por que diria a você? – o deboche presente em cada palavra foram suficientes para despertar ainda mais a ira de Rogers.
Sem aviso, suas mãos seguram o homem pela camisa abruptamente, o aproximando, para finalmente distribuir socos violentos e consecutivos em seu rosto. Sentindo o calor percorrer por todo seu corpo, queimando sua pele de dentro para fora, liberando todo furor que antes estava preso no seu interior, ele mantém o ritmo de seus golpes.
O descontrole de Steve é perceptível mesmo de longe, suas emoções tomam conta dele. A preocupação, o desespero para encontrar Natasha, falam mais alto no momento, deixando sua mente cada vez mais nebulosa e seu punho cada vez mais pesado. O sangue que verte do rosto de sua vítima agora já começa a encharcar sua mão escorrendo por seu braço, ao mesmo modo que o líquido espirra em suas roupas as manchando explicitamente.
— Capitão, pare! – ele ouve o chamado, mas ignora por completo, não parando nem por um segundo sua investida bruta. A respiração do coitado a sua frente ficando cada vez mais falha, a face se desfigurando aos poucos – Capitão, já chega!
De repente seu corpo cambaleia para trás, uma dor súbita se instalando em seu ombro esquerdo, enquanto o homem todo machucado por seus golpes despenca sobre o chão, quase inconsciente. Ao olhar para o local ferido, ele encontra uma flecha fincada em sua pele.
— Mas o que...? – ele murmura, olhando atônito ao seu redor, encontrando o dono da flecha bem a sua frente, há poucos metros de distância.
— Você está fora de controle Capitão. Deixe que eu cuido disso...
Sem esperar que Clint terminasse, ele arranca o objeto de seu ombro e rosna sem a menor paciência.
— Sai da frente Barton. Eu tenho que encontrá-la.
Com um olhar compreensivo, o arqueiro se aproxima, colocando uma mão sobre o ombro direito e sem ferimento de Steve, que o lança um olhar angustiado.
— Cuide dessa ferida Capitão. Prometo que não vou descansar até conseguir algo que nos leve até ela.
Sincero sobre suas palavras, Clint lhe dá as costas, indo em direção ao homem semiconsciente estirado no chão, o pegando pela gola de sua roupa, arrastando-o para longe dali, deixando para trás um Steve atormentado.
O loiro não sabia onde Natasha poderia estar, nem mesmo tinha certeza se a encontraria viva... Mas de algo ele tinha certeza, mesmo que o tempo para isso fosse longo, ele a encontraria, nem que lhe custasse sua própria vida...
Mal sabia ele que de fato, toda sua busca pela Viúva Negra, poderia custar sim uma vida.
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