Let Me Be With You...
3 Um dia entediante
Notas iniciais
-Bia! acorde!- minha mãe, Mary, sacudia meus ombros na tentativa inútil de me acordar do sono pesado.
-Hmmmmm....- gemi. Odeio acordar cedo.
-Vamos filha! coragem! fiz panquecas pro café-da-manhã.- ela falou, sorrindo.
-Tá mãe, já vou-murmurei, sonolenta.
-Ok, mas não deixe as panquecas esperando muito hein?- ela piscou e depois saiu, balançando os longos cabelos loiros atrás de si.
"Minha mãe é tão bonita... como eu fui nascer feia assim??..." tal pensamento me fez fazer uma careta de desgosto.
Me sentei na cama e esfreguei os olhos, olhei ao redor, meu pobre quarto... Sem fotografias, sem ursos de pelúcia, sem cor-de-rosa. Nem parecia o quarto de uma menina de 15 anos.
Estava frio, muuuito frio, oque não aumentava em nada a minha coragem de me levantar da minha cama quentinha. Suspirei e me pus de pé, calçando os chinelos já preparados na beira da cama.
Me arrastei feito um zumbi descabelado até o banheiro. Fechei a porta e me olhei no espelho, meu Deus! minha cara consegue ser mais feia ainda quando acordo. Prendi meu cabelo e tomei meu banho quentinho
Depois do banho, cumpri com todos os rituais da manhã: Lavar o rosto, escovar os dentes, pentear os cabelos. Meu cabelo deve ser a parte menos feia do meu corpo: era castanho chocolate ( como o do meu falecido pai), lisos na raiz, fazendo cachos grossos na altura do ombro, e uma franja que cobria quase metade do meu rosto esquisto.
Me enrolei numa toalha e fui quase correndo até o quarto, definitivamente estava MUITO frio.
Vesti meus trajes tradicionais,que era uma camiseta preta, calça jeans, all star vermelho,uma fita amarrada no cabelo e meus óculos de grau; mas dessa vez havia um pequeno adicional: um moletom e uma jaqueta jeans por cima. Peguei a mochila e desci as escadas para o café-da-manhã.
-Bom-dia minha preguiçosinha.- minha mãe cumprimentou, já sentada á mesa tomando seu chá.
-Bom-dia loira.- respondi, me sentando e já atacando minha panqueca.
-Dormiu bem?
-Muito bem.- respondi, de boca cheia- e você?
-Bem também...
Eu e minha mãe nunca temos muito assunto.
-Olha, hoje eu vou pegar o plantão das 7:00 até ás 19:00, então se vira aí!- minha mãe é médica.
-Tá bem mãe, já sei...
-Eu sei que você não curte muito mas, se quiser sair, por mim tudo bem tá?
Revirei os olhos.
-Ainda bem que você sabe...
Minha mãe acha que eu sou muito anti-social, mas quem é feio, não pode se dar ao luxo de sair por aí. O melhor é ficar em casa, que é o que eu chamo de "zona de segurança".
-Você deveria...
-Mãe, me poupe!- eu a interrompi antes que ela começasse com as lições de moral do tipo: "para de ser retraída! saia com seus amigos!" — eu tenho aula agora, beijo e tchau!
Dei um beijo em sua testa, peguei minha mochila e saí o mais rápido que pude daquela casa, tudo isso para fugir do assunto.
-Tchau...- murmurou minha mãe, claramente frustrada.
Quando saí de casa, percebi que estava mais frio do que eu imaginava, o céu estava nublado, o que indicava uma chuva daquelas... coragem! coloquei meu capuz, enfiei as mãos nos bolsos da jaqueta e fui. A escola ficava menos de um quilômetro de casa.
-BIAAAAAAAAAAAAAAA!- Carmem me agarrou num abraço de urso assim que atravessei o portão do colégio.
-O..oi- eu retribuí o carinho da melhor forma que pude, corando de leve.
Ela me soltou e apertou as minhas bochechas.
-Você fica tãão fofa vermelhinha!- Ela comentou, dando uma risadinha.
-Ahh é?
-Aham!
Ela sorriu e fomos juntas até os nossos armários.
-Hey, o que foi aquilo ontem hein?- Carmem perguntou, enquanto me observava colocando meus livros no armário.
-Aquilo oque?- franzi a testa.
Ela revirou os olhos, impaciente e explicou:
-Na aula de inglês, bobinha!
-Ahh...- corei com a lembrança.
-O gato do Edward decidiu ser gentil é?- ela deu uma risadinha maldosa.
-Pois é...- meu rosto ficou ainda mais vermelho.
-A voz dele é tão...
-Perfeita- soltei, sem acreditar que eu tinha deixado aquilo escapar.
Ela me olhou e sorriu.
-É, acho que é essa a palavra.- concluiu.
As aulas foram tranquilas e totalmente normais- ou seja: entediantes.
Edward se tornou impassível novamente. Frio, distante, calado. Não me olhou, não me cumprimentou, não falou. O Edward de sempre. Ele permaneceu tão calado e normal que eu havia quase me esquecido do acontecimento do dia anterior.
Quase.
O sinal tocou, interrompendo meus sentimentos. De certa forma, eu guardava uma esperança para esse intervalo, a esperança de que ele viria me esclarecer algo. Movida por essa esperança, parei perto á porta, esperando ele se aproximar, mas ele apenas passou por mim, sem ao menos me olhar. Um sentimento diferente me tomou, seria aquilo que chamam de... Decepção?
-Bia! o que está fazendo aí parada?- Carmem me repreendeu, puxando-me pelo braço para fora da sala.
Pigarreei e a acompanhei pelo pátio.
-Aconteceu alguma coisa? você parece meio pálida...- seu tom trazia certa preocupação.
-Estou bem...- menti.
-Hum.- ela não parecia satisfeita, mas apensa se calou e me acompanhou.
A hora do intervalo também foi perfeitamente "normal", já havia me acostumado á velha rotina e até gostava dela, não sou muito fã de surpresas. Mas eu QUERIA ser surpreendida, aliás, queria ser surpreendida por ELE.
Mas não aconteceu nada. Ele estava no canto de sempre, sozinho em sua mesa. Mastigando uma maçã e olhando para a chuva na janela. Estava com seu clássico headphone, mas suas roupas... Meu Deus! ele estava espetacular!. Usava uma camisa branca perfeitamente abotoada uma jaqueta de couro preta, com jeans da mesma cor. Seus pés inquietos calçavam all star branquíssimos. Seus negros cabelos estavam levemente bagunçados e com algumas gotas de chuva. Ele parecia um deus juvenil.
-Limpe a baba aí Bianca!- Carmem riu, maldosa.
Corei e murmurei de cabeça baixa:
-Só estava olhando...
-Você estava praticamente almoçando o garoto com os olhos!- ela gargalhou com prazer.
Corei violentamente.
-Na...nada a ver...- gaguejei.
Ela deu mais uma risadinha e falou:
-Tudo bem Bia, ele é uma gato, isso não é novidade; é normal se sentir atraída.
Beberiquei meu refrigerante, morrendo de vergonha.
-Ahhh! eu tenho que te falar uma coisa!- ela falou, ao terminar seu sanduíche.
-O que?
-Eu vou viajar hoje á noite para a fazenda do meu tio- ela anunciou.
Olhei para ela,atônita.
-Quantos dias você vai ficar lá?
-Uma semana.- respondeu.
Meu queixo caiu.
-E... e... e oque eu vou fazer sem você??- sussurrei, á beira do desespero.
Ela deu de ombros e respondeu:
-Sobreviver até que eu volte.
Suspirei, exasperada.
-Você vai conseguir!- encorajou ela- é só uma semana!
Concordei com a cabeça.
-Claro...- murmurei, desanimada.
Ela sorriu e deu uma beijo na minha bochecha.
-Fofa!
A aula de química foi um saco, mas nada era pior do que o que viria á seguir.
-Educação física...- gemi, enquanto me dirigia ao vestiário feminino.
Carmem riu da minha cara de desgosto.
-Você deve ser a única aluna aqui que odeia educação física.- observou.
É fácil descobrir o porque do meu ódio por essa maldita aula, quando se vê eu jogando vôlei ou qualquer outra droga de esporte. Não consigo passar uma aula sequer sem me machucar, ou machucar alguém, ou os dois. Em geral, eu corro quando a bola vem na minha direção, mas ás vezes é inevitável um ou outro hematoma, minha coordenação motora é uma merda. Além disso, o uniforme da aula é totalmente desapropriado: um short vermelho-escuro no meio da coxa (!!!) e uma camiseta cinza sem mangas com o símbolo da escola no meio. Eu sou magrela, não é aceitável sair por aí exibindo minhas pernas de saracura, aliás, não gosto de me exibir e pronto!!
-Você vai ficar bem!- encorajou Carmem, enquanto nos vestíamos para a tortuosa aula- Apenas fique longe da bola!
Revirei os olhos.
-Como se isso adiantasse- murmurei- a Jéssica sempre dá um jeito de me atingir.
-Humpf... essa metida... Aquela garota é o cão, isso sim!!- nós duas rimos.
Jéssica Collins é a tal "popularzinha" da escola. Também não é pra menos: era uma ruiva linda, tem todos os garotos aos seus pés, é inteligente, boa em esportes, líder de torcida... Simplesmente o modelo perfeito de garota.
-Fiquei sabendo que ela já levou um fora do Edward!- Carmem informou, o tom de voz assumindo uma certa maldade.
Ergui as sobrancelhas.
-Sério?
-Seríssimo. Edward faz bem o tipo "nenhuma garota dessa escola é boa o bastante para mim"
-Hmmm...
Caramba! se ele rejeitou ELA, que chances uma garota como eu teria??
"OPA OPA OPA!! afaste essa ideia!"- repreendi a mim mesma- " Você não pode se dar ao luxo de se apaixonar!"
Saí da escola ainda meio atordoada pelas cinco boladas recebidas na partida de queimada, e os milhões de hematomas no jogo de futebol.
Minha mãe estava trabalhando, então eu teria que cuidar do almoço.
Fiz macarrão com salsichas. Fiz bastante, já conhecendo a fome da minha mãe ao chegar de um dia inteiro de trabalho.
Quando se tem uma mãe ou pai que é médico, não é incomum almoçar sozinho. Além disso, as pessoas me irritam ás vezes, então era bom me ausentar delas um pouco.
Arrumei a cozinha e planejei o meu dia mentalmente: tirar o lixo, varrer a casa, arrumar meu quarto e, por último fazer minha lição de casa.
Depois de tirar o lixo e varrer a casa, fui para a tarefa mais trabalhosa: arrumar meu quarto.
Entrei nele e gemi. Minha escrivaninha estava cheia de livros, papéis rabiscados, cd's de rock...
Depois de colocar tudo no lugar, fui fazer minha tarefa. Nada muito difícil, só algumas fórmulas e interpretação de texto.
Quando terminei tudo isso, já beirava as 19:00, minha mãe voltaria logo.
Desci as escadas e esquentei o jantar, jantei e voltei ao quarto com uma lata de coca-cola na mão.
Meu ritual de todas as noites:me sentar na sacada, tomando coca e olhando as estrelas. Refleti sobre o meu dia chato e monótono. Tentei traçar um plano de sobrevivência sem a minha companheira Carmem, mas esta era uma tarefa impossível. Joguei minha lata vazia de coca fora e fui tomar um banho.
Depois do banho, coloquei um moletom quentinho e me deitei na minha cama. E do nada, comecei a chorar, sem saber muito bem o motivo.
Talvez estivesse chorando pela droga da minha vida, ou pela droga do meu dia...
Ou pelo Edward.
Notas finais
Comente, please ¬¬
Bjuss
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