Let Me Be With You...
4 Primeiro Dia- O Acordo De Uma Semana
Notas iniciais
Acordei dessa vez com o som estridente do meu despertador, ao invé da minha mãe sacudindo meus ombros. Se eu bem a conheia, ela iria dormir até bem mais tarde.
Estava chovendo bastante lá fora, o que me desanimou um pouco. Caminhar na chuva até a escola não percia nem de longe "legal" ou "divertido".
Fui eté o banheiro e examinei meus ohos no espelho: ainda estavam meio vermelhos de tanto chorar. "Eu sou uma idiota" pensei. Tomei meu banho, escovei meus dentes e lavei meu rosto. Meus olhos pareciam menos vermelhos. Penteei meu cabelo e fui até o quarto.
Dessa vez escolhi roupas mais quentes: uma blusa de lã azul- marinho de mangas compridas e um decote discreto em V, um casaco grosso preto, meus habituais jeans, um par de All Star pretos e amarrei uma fita vermelha no cabelo. Coloquei meus óculos, peguei a mochila enfiando os livros nela e desci as escadas.
A mesa do café-da-manhã não estava pronta, claro. Peguei uma caixa de cereais no armário, uma tigela, uma colher, uma caixa de leite e mandei ver. Tomar café-da-manhã sozinha também não era nada incomum para mim.
Olhei para o relógio na parede: estav muito cedo. Eu não queria chegar muito adiantada, já que não teria Carmem para me fazer companhia, mas aquelas quatro paredes da cozinha estavam me dando uma certa melancolia.
Subi as escadas e peguei meus Headphones; selecionei minhas músicas favoritas do Linkin Park e desci as escadas novamente. Olhei para a chuva na janela, estava bem forte, e não dava sinais de que iria diminuir ou parar logo. Suspirei, eu não tinha escolha.
Peguei meu guarda-chuva, minha mochila, e encarei a chuva ao som de In The End.
Ainda estava cedo quando cheguei no colégio. M e arrependi amargamente de ter chegado tão cedo, não tinha nenhum amigo. Corri os olhos pelo pátio procurando um lugar cedo para eu ficar. Então avistei um lugar que há muito tempo eu não visitava: a biblioteca. Eu gostava de ler, mas Carmem detestava, então eu raramente punha os pés naquele local. Decidi ficar lendo lá até o sinal bater.
Entrei na pequena biblioteca, estava vazio, claro, execeto por uma pessoa- um garoto para ser mais precisa. Estava de costas para mim, e olhava a categoria Romance. Mesmo sem ver o seu rosto, eu já sabia quem era; reconheceria aquelas roupas e aquele cabelo em qualquer lugar.
Edward.
Xinguei mentalmente. Tinha que começar o dia dando de cara com aquele indivíduo??. Respirei fundo, eu precisava manter a calma e compostura. Estava lá para ler, não para socar a cara de alguém.
Reprimi a vontade infantil de sair correndo e entrei. Eu queria olhar a categoria Romance, mas lógico que não queria me aproximar dele depois de ele ter me ignorado no dia anterior. Decidi ir olhar a categoria Suspense, que ficava bem longe de onde ele estava. Peguei o primeiro livro que vi pela frente e logo me sentei, sem nem prestar atenção no título. Tirei meus Headphones e dei uma rápida olhada pela sala, Edward também se sentara. Balancei a cabeça e voltei minha atenção para o livro. Tampei o rosto com o cabelo, fomando uma cortina escura entre eu e ele.
Estava meio que absorta na história quando uma voz de veludo ao meu ouvido me fez voltar á terra:
-Bom dia Bianca.
-Bom dia- repondi, mal-humorada.
-Posso me sentar aqui, ao seu lado?- ele pediu gentilmente.
Eu queria dizer um NÃO, curto e grosso, mas me ouvi dizendo o contrário:
-Claro...
Ele se sentou, estava tão próximo que nossos ombros se tocavam. Tive o cuidado de não levantar o rosto.
-Você esta sozinha hoje.- ele observou.
-É...
-A Carmem vai faltar ou está apenas atrasada?
-Vai faltar, está viajando.
-Ahhh... para onde?
-Uma fazenda.
-Hmmm... ele refletiu.
Olhei para as páginas do meu livro, mas já não lia mais nada.
-Você não te mais nenhum amigo?- ele perguntou.
-Nenhum.- repondi, sem entender por que eu ainda falava com ele.
-Então temoa algo em comum.- sua risada parecia música.
Minha ira se derreteu ao som daquela risada inocente. Como ficar brava com alguém como ele???
Senti seu olhar sobre mim, mordi o lábio inferior, sem saber oque fazer.
Seus dedos ágeis tocaram meu mp3 sobre a mesa.
-Linkin Park- ele leu- gosta de rock??
-Adoro...
Ele deu um sorriso tão lindo que eu quase caí dura pra trás.
-Sua história na aula de inglês esta muito boa. Você lê Sheakspeare?
Fiquei boquiaberta.
-Sim... por que??- franzi a testa.
-Eu sou meio observador. E também reconheci algumas passagens de Romeu e Julieta.
-É... eu fiz algumas referencias sutis- eu murmurei, ainda intrigada.
-Bem sutil mesmo, mas foi o suficiente para que eu percebesse.
Dei um sorrisinho tímido.
Os seus olhos verdes encaraam a chuva na janela.
-Gosta de chuva?
Sua pergunta me pegou de surpresa.
-Mais ou menos- respondi- e você?
-Gosto muito.
Seu tom de voz era tão misterioso que eu me vi perguntando:
-Porque?
Ele respirou fundo e respondeu:
-Não sei explicar. Talvez seja a semelhança dela com a minha personalidade.
Franzi a testa.
-Como assim?- perguntei.
Ele parecia meio sem jeito.
-Pode ser calma ou violenta, rápida ou devagar, mas é sempre fria; como eu- seus olhos traziam uma certa tristeza.
Eu estava muda, ele era tão... viciante...
Ele suspirou, forçou um sorriso e me olhou; e eu, claro, desviei o olhar.
Ficamos naquele silêncio constrangedor até que ele o quebrou:
-Você é diferente.
-Como assim?- perguntei, confusa.
Ele me olhava com uma certa curiosidade.
-Você é intelectual, mas não exibe isso, o que me revela que ou é tímida, ou humilde, ou sofre de baixa auto-estima. Se veste de forma conservadora, ou seja: não gosta de se revelar. Sempre usa laços, o que indica que é meiga, talvez um pouco sensível. Tem um pequeno calo no dedo do meio na mão direita, revelando que passa horas do seu tempo escrevendo ou desenhando, ou talvez os dois. Mas seus olhos...- ele se interrompeu por m momento- Eu sou bom em ler os olhos dos outros, mas os seus...- ele balançou a cabeça- São ilegíveis.- conclui, trazendo uma certa dose de frustração no tom de voz.
Eu estava sem palavras.
-Ahhh, e claro, você usa uma franja para tampar o rosto o que conclui a minha teoria de que não goste de sua aparência. Então sim, senhorita Porthman, você é diferente das outras garotas, e das outras pessoas.
Eu não conseguia acreditar. Ele acertara em TUDO. Meu Deus! ele.. ele... é tão.. perfeito...
Ele me olhou com preocupação.
-Te constrangi né? desculpe...- ele abaixou a cabeça, parecendo chateado consigo mesmo.- Me empolguei.
Eu me forcei á sair do transe e respondi:
-Imagine! esta tudo bem...
Ficamos novamente naquele silencio pesado. Edward exalava um cheiro delicioso, quase inebriante. Seus olhos se fixavam na janela, ele parecia pensativo.
O som do sino tocou, estridente. Anunciava que ter´tamos que voltar ás nossas salas.
As aulas foram comuns, como no dia anterior, e mais uma vez eu não prestava a mínima atenção no que o professor dizia. Eu não conseguia acreditar no que havia acontecido á alguns instantes. Nem me recordava da última vez em que eu havia falado tão naturalmente com alguém além de Carmem.
Quando o som do sino para o intervalo tocou, me senti meio trsite. Seria entediante ficar sem Carmem um intervalo inteiro. Mas oque eu não sabia era que eu não passaria aquele intervalo ( e nenhum ) sozinha.
-Vamos?- a voz de veludo de Edward soou ao mu ouvido assim que me levantei para sair.
Instintivamente, virei meu rosto em sua direção. Nossas faces ficaram tão próximas que eu podia sentir o chiero de seu hálito ( que á propósito era quase viciante), podia sentir teu cheiro ( inebriante), podia sentir o calor emanando de seu corpo perfeito ( desnecessário descrever).
Por um segundo, eu fiquei ali, paralizada e hipnotizda pelos seus olhos verdes profundos. Mas quando me dei conta da proximidade de nossos corpos,abaixei a cabeça, corando.
-Desculpe...- ele murmurou.
Saímos da sala. Eu estava caminhando o mais rápido possível para o refeitório, mas a mão de Edward agarrou meu braço, me impedindo de avançar.
-Espere- ele falou- quero te pedir uma coisa...
Eu estava meio confusa.
-Peça.
Ele deu um sorriso tímido.
-Já que a Carmem vai estar fora, você não vai ter ninguém para te acompanhar, certo?
-Certo.
Ele parecia nervoso.
-Posso... posso ser seu amigo por essa semana? só por essa. Não fico confortável ao te ver sozinha andando por aí...
Sua proposta me sobresaltou.
-Não... não precisa... eu... eu fico bem sozinha...
Ele dei um meio-sorriso.
-Por favor... eu quero saber como é ter uma amiga. Me permita. Só por essa semana, depois disso, te deixo em paz.
Ele estendeu a mão na minha direção e me olhou, me desafiando.
-Temos um acordo?- propôs.
Engoli em seco e apertei sua mão.
-Temos... temos um acordo...- murmurei.
Ele deu um sorriso de satisfação.
-O Acordo de Uma Semana.- conclui.
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