Let It Bleed

1 This poison is my intoxication


A mínima fresta da janela deixava com que raios de sol adentrassem o local, iluminando-o. Graças à essa claridade, eu podia ter uma melhor visão do garoto deitado ao meu lado. Os fios loiros de seu cabelo caiam-lhe em sua testa e em parte de seus olhos fechados, e seus lábios permaneciam entreabertos enquanto sua respiração executava-se de modo trânquilo, batendo quente e calma contra minha pele. Eu podia distribuir calmamente seguidos beijos em sua pele, descendo com meus lábios até seu pescoço e roçando-os em um caminho invisível por cima de seus ossos. Ou eu podia apertá-lo entre meus braços; tudo isso sem que o acordasse realmente.

Minha parte preferida em todas as horas que passava acordado olhando-o dormir pela manhã, era sentir seu cheiro. Não era nada parecido com algo que já estivesse sentido, era um cheiro que podia ser estudado mentalmente até você chegar em alguma conclusão de como ele conseguiu aquele odor. Havia vezes em que voltavámos da turnê tão tarde e tão cansados que não tinhamos tempo para qualquer chuveiro que fosse. Eu gostava de lembrar dos movimentos que seus dedos percorriam as cordas da guitarra e de como seus braços balançavam no ritmo da música assim que dava, enquanto Quinn se dividia em tocar e pronunciar em voz baixa as palavras que eu proferia no microfone para todos ouvirem. E eu gostava de saber que, assim como eu, ele soava pelo nosso trabalho. Havia também as noites em que voltavamos tão agitados para o quarto do hotel que não conseguiamos pegar no sono na mesma hora. Então eu envolvia seu corpo em meus braços e nossas línguas dançavam a noite inteira em um ritmo intenso enquanto a música que fazíamos juntos servia como trilha sonora para nossa dança. Depois, nossa música não podia ser tão bem escutada por nós, já que nossos gemidos e ofegos preenchiam o local. Quando acabava, eu estudava novamente seu cheiro até amanhecer.

Meu odor preferido eram das noites de sexo, quando Quinn carregava aquela essência tão leve, mas também que cheirava mais do que qualquer coisa naquele quarto. Mais do que tudo, eu gostava de ver que de certa forma, eu sempre contribuia com aquele odor que me era embriagante, quase um veneno que eu não podia ficar sem.

Mas agora, o que eu mais queria era esquecer. O cigarro preso entre meus dedos era levado e afastado dos meus lábios por seguidas vezes. Eu estava mesmo querendo substituir aquele veneno que Quinn tinha sob mim, e isso ficava quase fácil com o cheiro de tabaco em minha frente.