Let It Bleed

2 Popping a scab that's never healing


- Bert — Ouvi o garoto deitado me chamar. Meus olhos estavam fixos no vidro da janela enquanto eu refletia sobre qualquer assunto que me fizesse esquecer do principal, nem que fosse por apenas alguns segundos. O cigarro permanecia entre meus lábios levemente entreabertos, a fumaça desenvolvendo-se rapidamente sob o ar, reproduzindo seu cheiro. Pude ouvir claramente quando a cama rangeu e, logo depois, senti os braços de Quinn envolverem minha cintura.

Apesar de minha confusão, pode-se dizer que eu era bom em bloquear sentimentos. A última coisa que planejei quando meus olhos fecharam-se para aqueles à minha frente e meus lábios tocaram os seus pela primeira vez, foi em amor. Eu nunca havia chego à supor algo relacionado com amor, apenas com amizade ou simples paixão e atração passageira que cessaria assim que alguma de nossas brincadeiras em cima do palco acabassem em um beijo. De qualquer forma, admitir algo mais sério com ele, técnicamente, seria admitir meu amor. E só de pensar e repetir mentalmente a maldita palavra com \"A\", os poros de minha pele arrepiaram-se em tremor; e isso não tinha nada à ver com os beijos que Quinn espalhava sobre meu pescoço enquanto suas mãos apertavam firmimemente minha cintura, tomando conta da situação. Amor, quando se torna um sentimento sério com dependência afetiva, se torna também a pior das coisas. Não é como se você sempre tivesse a pessoa que quer e, quando me deixei amar pela primeira e última vez, também não a tive. Então para que repetir o erro novamente com duas tentativas frustradas? Para que me deixar sofrer de novo? Amor era um sentimento insensato e isso, com certeza, estava proibido de ser incluído em meus futuros planos de vida.

Afastar Quinn agora, sim, parecia fazer parte de um desses planos. Mas esperar até o futuro para fazê-lo seria tempo demais, um tempo que passaria enquanto seus dentes e língua delineassem minha pele e nossos gemidos e ofegos chamando um pelo outro preenchessem o quarto de novo. Mas eu não pretendia deixar isso acontecer.

- Quinn — Chamei, deixando minha respiração sair de entre meus lábios e se desfazer sozinha no ar. Não havia percebido que meu cigarro não estava mais em minha boca ou preso entre meus dedos. Talvez Quinn tivesse o afastado em um dos meus momentos de reflexão. Ele gostava de fazer isso quando eu estava distraído o bastante para não retrucar. — Onde está meu cigarro?

- Sei lá. — Respondeu-me sem realmente prestar atenção na conversa, mordiscando agora meu ombro direito que estava nú pela noite anterior.

Eu me afastei sem hesitar, deixando-o de lado para procurar o bendito cigarro. Na verdade, qualquer objeto seria importante demais para ser achado agora, apenas com o propósito de me afastar dele.

Quinn me encarou, uma interrogação visível em seus olhos castanhos enquanto me analisava.

- O que você tem?

- Nada — Retribui seu olhar, estudando-o. Por que ele tinha que ser tão desconfiado e insistente? Quinn me passava sua insistência em saber com só um olhar, nenhuma palavra proferida. — É sério, só preciso achar meu cigarro.

- Seu cigarro nunca foi um problema nessas horas.

- Talvez eu me preocupe com problemas agora.

- E talvez um dos seus problemas seja eu.

Vi seu olhar triste, antes de rapidamente desviar os olhos da consciência e deixar o quarto, sem responder.