Les dames de la rue rouge
3 La dame qui voulait se venger
— Não se faça de santinha. Foi você que denunciou, não foi?
— Não faço ideia do que esteja falando.
— Naquele dia, minha melhor amiga foi presa como traficante. Eu a vi sair algemada e colocada para dentro da viatura policial. Antes, porém, ela se virou para mim e disse "Leonor". Fala, sua vadia.
— Fui eu sim, e daí? Nem mesmo Pirlo tava sabendo das artimanhas de vocês — Leonor se desvencilhou — Aqui fazemos sexo. Se quer droga, vai numa biqueira.
Marine jurou a sim mesma que acabaria com a vida de Leonor. A sua vingança pela prisão da amiga tinha que ser pesada.
...
Um ano atrás, Marine chegou ao bordel e conheceu a melhor prostituta dali. Isso porque a garota chamada Elay fazia um escândalo com Pirlo na frente do casarão.
— Elay... dá um tempo. Você não pode passar quase um mês fora e vim aqui com a maior cara de pau.
— Eu já te disse. Foi tipo umas férias.
— Teu cu que e férias. Desde quando prostituta tem férias, mulher? Se manca. Agora já é tarde. Alguém vai chegar e tomar o seu lugar.
Marine se aproximou dos dois e pediu para que não brigassem. A loira queria ganhar dinheiro como garota de programa, mas jamais pensou e passar por cima de outra.
— Uau. Você devia tá desfilando no Victoria Secrets. O que faz aqui? — perguntou Pirlo ao ver a beleza e estatura da loira.
— Vim pela vaga disponível. Mas acho que não é o momento adequado. Pelo que entendi, a vaga já era dela.
Elay olhou Marine dos pés a cabeça e perguntou se a moça já havia sido modelo. Marine concordou, mas modelou até os 17 anos.
— Pirlo e eu somos amigos. Ele só tava me dando um fecho porque fui irresponsável. Mas já nos acertamos. Ele tem interesse em você.
Pirlo pigarreou. Elay era inescrupulosa, inteligente. Aceitou a veterana de volta e pediu para a novata entrar.
Marine foi aceita e começou o trabalho básico do cabaré: garçonete no salão de dança. Mas o verdadeiro trabalho começou com uma semana. A loira se saiu bem, apesar de algumas vezes vomitar após os programas, porque sentia nojo de transar com homens que não conhecia. E quem a salvou de desistir do meretrício foi Elay. Ambas se tornaram amigas e se apoiaram. A veterana sempre dizia que transar com homens velhos e gordos era melhor do que jovens e atléticos, pois os primeiros eram inseguros e sempre pagavam mais.
— Tenho um cliente com 65 anos e é pelancudo.
— Que bizarro, Elay!
As duas fumavam na área externa.
— Mas ele tem o pau grande. O que me importa nesse trabalho é a carteira e o pau. Não importa se são velhos e cheios de dobras. Você tem potencial para agarrar até mesmo políticos. Quer saber de um segredo?
— Diz.
— Alguém que trabalha no Palácio do Eliseu já foi o meu cliente.
— Mentira...!
— E nem é peixe pequeno. O cara simplesmente tá em cargo alto no governo e sempre se reúne com o presidente. O dinheiro que guardo dá pra comprar um carro zero.
Os meses passaram e ambas se tornaram mais amigas do que nunca. Até chegar o dia em que Elay revelou que um cliente milionário tinha gostos peculiares: cheirar cocaína. Nunca houve caso assim no bordel, por isso Elay fazia tudo escondido de Pirlo.
— Ele me pagava 500 euros por hora. Com a branquinha me paga 1000 euros. É um risco.
— Topo.
Em pouco tempo, houve um aumento de clientes que pagavam mais quando o programa tinha drogas incluídas. Mas um denúncia desmantelou o esquema e cerca de 10 pessoas foram presas. Foram 3 prostitutas e 7 clientes. Pirlo fora inocentado por falta de provas que atestassem que ele sabia. E Elay era uma das três presas.
Marine viu a melhor amiga passar pelo vestíbulo e ouviu o nome "Leonor" sair de sua boca.
...
O dia todo chuvoso. À noite, saiu um pouco e viu um homem esperar na frente do casarão. Reconheceu sendo o policial cliente de Brigitte.
— Tá chovendo. Vai ficar aí se molhando? — Ela estava com um guarda-chuva.
— Eu aguento.
— Você que sabe. Ah... meu chefe ali. Melhor eu entrar.
Marine reconheceu o cliente. Sabia que era um policial e que sempre andava armado.
Um tempo depois, Marine viu o cliente entrar com uma garota para dentro do quarto e julgou que era Brigitte. Aguardou alguns minutos até abrir a porta vagarosamente. Ela observeu o cliente sobre a meretriz, mas não percebeu que era Leonor. Viu o coldre sobre a cômoda bem ao lado da porta. Roubou a arma.
— Que faz aqui nos corredores? — perguntou Pirlo ao chegar no andar de cima.
— Nada. Agora vivo em uma prisão em que não posso andar? — Ela escondeu o revólver dentro da calça.
— Não fique perambulando. Se surgir algum cliente...
— Sei, sei. Eu juro que pegarei o próximo cliente. Não se preocupe, chefinho.
Pirlo voltou ao escritório.
Marine respirou aliviada e voltou ao seu quarto pessoal. Ela viu o tambor da arma, constatando que estava cheia. Seu coração disparou pela ansiedade. Mas a vingança era irreversível.
Passado algum tempo, viu Leonor descer ao andar inferior e caminhar ao salão de dança. Pegou a arma e seguiu a colega. Antes de ir ao encontro de Leonor, foi parada por uma outra prostituta.
— Escute, não quero saber de papo furado.
— Tá branca como papel. Por que essa pressa?
— Vaza, garota!
Marine aproveitou que o salão estava vazio para agir com o seu plano de matar Leonor e vingar a prisão de Elay.
As cortinas vermelhas do palco estavam fechadas, mas, aparentemente, havia uma pessoa atrás. Sem pensar duas vezes, Marine deu um tiro.
O corpo da moça caiu instantaneamente no palco.
Um tiro certo. Um tiro direto no coração. Marine largou a arma e fugiu sem olhar para trás. Sem ter a certeza de que concluiu a sua vingança.
A única coisa que ouviu foram os gritos de desespero das colegas e o urro que Pirlo deu ao ver o cadáver.
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