Les dames de la rue rouge
4 La dame qui est tombée sur scène
Brigitte cheirou uma fileira de cocaína e bebeu um gole de whisky antes de transar com o Ramón no seu primeiro programa com ele. Obviamente, o policial não notou que a moça estava drogada.
Ramón Loren foi um dos principais agentes no caso das drogas em Rouge Bordeaux. Após a operação que prendeu 10 pessoas, voltou a fim de verificar como era o estabelecimento. O fato era que o policial estava carente após a morte da esposa. E assim conheceu Brigitte.
Dois encontros e Ramón já pedia para a mulher deixar a vida de meretriz para namorá-lo. Brigitte rechaçou o convite e desde então evitava o homem.
Após a reunião no escritório de Pirlo, Brigitte foi até a área dos fumantes e acendeu um cigarro. Percebeu que Ramón havia entrado em contato dez vezes no dia.
— Maldito perseguidor. Sabe que não sou dessas de constituir família. Terei que bloqueá-lo.
Mas antes, Leonor surgiu.
— Quer um? — Brigitte ofereceu cigarro para Leonor.
— Merci. A clientela está fraca hoje — Leonor acendeu o cigarro com o isqueiro de Brigitte.
— Nem me fale. Desde o dia que drogas foram achadas, aqui diminuiu o movimento. Não que eu seja a favor de usar pó — Brigitte mentia, pois sabia que Leonor nunca provara. — Mas também usa quem quer. A sua cara não me parece boa.
Leonor se sentia culpada por ter feito a denúncia. O fato era que drogas havia acabado com parte da sua família.
— Droga — Brigitte olhou novamente para o celular e percebeu mais uma notificação de Ramón.
— Que foi? — Leonor perguntou.
— Aquele pobre coitado que fiquei por duas vezes. Maldito stalker que acha que vai se casar comigo. O que faço?
— Posso dar conta dele.
— Jura?
— Sim. Eu estava um pouco desanimada, mas prefiro ir atrás de um cliente. Pode me passar o contato dele?
— Claro!
...
Um tempo depois, à noite, Brigitte viu Ramón em frente ao bordel. Ela olhava pelas brechas do basculante de madeira da janela.
— Só pode ser brincadeira.
Viu Marine se aproximar dele por um momento pouco antes de Pirlo chegar.
Trocar de lugar com Leonor não foi de graça. O trabalho para limpar o palco de dança estava a cargo de Leonor, mas agora estava com ela.
Um tempo depois, Brigite iniciou a limpeza no palco quando viu um celular no canto da cortina. Estava bloqueado, mas ela reconheceu que era de Leonor.
— Não posso ir até lá agora.
— O que está fazendo, garota? — uma outra prostituta se aproximou do palco.
— Me preparando num salão de beleza. Não tá vendo, Cristie? Agora vaza.
— Quanta soberba, garota.
— Mulher... estou ocupada. O Pirlo me designou a limpeza do palco. A não ser que queira ficar no meu lugar, vaza.
Cristie revirou os olhos com desdém. Antes, porém, viu um celular e roubou.
Poucos segundos se passaram desde que Cristie surrupiara o celular, Brigitte procurou o objeto em todos os lugares.
— Droga! Aquela puta ruim deve ter roubado. Mas ela vai ser saco de pancadas assim que eu a pegar.
— Que foi? — Leonor chegou e viu Brigitte esbaforida.
— Acabou o programa?
— Que nada. Ainda faltam alguns minutos. É que pensei que havia esquecido o meu celular no meu quarto, mas esqueci foi por aqui mesmo.
— Corre para a saída dos fundos. Cristie acaba de roubar o teu celular e não sei o que ela pretende fazer.
Leonor agradeceu e foi atrás da ladra.
Brigitte retornou ao trabalho e varreu atrás da cortina do palco. Viu alguém surgir e pensou ser Leonor. Mas a verdade era Marine que havia surgido pronta para matar Leonor com a arma de Ramón. Brigitte levou um tiro certeiro no coração e morreu na hora, sem entender o que houve. O seu corpo caiu duro no palco.
O tiro assustou as prostitutas, Pirlo e os clientes, inclusive Ramón, que correu ao salão de dança e viu a sua arma no chão. Viu Brigitte morta.
...
Marine corria pelas ruas da cidade, tropeçando no meio-fio. Alguém surgiu em pé na frente dela.
— Leonor?!
— Escutei um tiro perto...
— Não... não... não era você?
Leonor não entendeu as palavras de Marine. Ela havia saído para buscar Cristie, mas não havia pego a ladra. Retornava ao bordel assim que escutara o tiro.
— Leonor — Ramón chegou até as duas.
O policial puxou Marine pelo braço e falou que ela havia assassinado Brigitte. Leonor correu desesperada.
...
O bordel Rouge Bordeaux fechou as portas após o assassinato de Brigitte. Pirlo não conseguiu manter o local após uma investigação iniciada pelo ministério público de Paris.
Enquanto isso no cemitério, Leonor deixou um buquê de flores no túmulo de Brigitte. Chorou mais uma vez. Nunca entendeu o porquê de Marine ter feito algo terrível.
— Vai ficar bem? — perguntou Ramón.
— Sim, obrigada. E você?
— Eu fui afastado. A corregedoria tá me julgando por ter levado uma arma ao bordel. Mas tem gente me defendendo. Não se preocupe.
— Marine matou Brigitte sem nenhuma consideração. Mas acho que o interesse dela era me matar. Eu tinha denunciado o lance das drogas no bordel. Uma amiga dela foi presa. Desde então, ela ficou com muito ódio de mim.
Ramón abraçou Leonor e jurou que a protegeria de tudo.
...
Marine foi presa e seria julgada com ela na prisão. Ter matado uma pessoa a deixou numa posição delicada.
A cela do corredor da prisão feminina foi aberta e o carcereiro levou a mulher até uma cela com uma outra mulher.
— Entra — Marine caminhou vagarosamente até o recinto. O carcereiro trancou — Divirtam-se, garotas.
A parceira de quarto de Marine era uma lésbica morena e toda tatuada.
— Carne fresca!
— Afaste-se de mim!!
A vida de Marine seria um inferno.
...
E esse foi a história de três mulheres envolvidas na fatídica conclusão. Prostitutas muito diferentes umas das outras. Brigitte pagou com a própria vida por ter ajudado uma colega de trabalho; Marine, muito enlouquecida, matou a colega e foi presa; e Leonor terminou se casando com Ramón e tendo uma família que sempre sonhou. E Rouge Bordeaux se tornou apenas uma história à francesa.
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