Les dames de la rue rouge
2 La dame qui veut être épouse
— Droga — Brigitte olhou o grupo do prostíbulo.
— Que foi? — Leonor perguntou.
— Aquele pobre coitado que fiquei por duas vezes. Maldito stalker que acha que vai se casar comigo. O que faço?
— Por que não apenas explica a ele que não quer mais saber dele?
— Acho que era para eu ter feito isso. Sou uma idiota!
Leonor segurou as mãos da colega.
— Posso ficar com ele no seu lugar.
— Faria isso?
— Claro.
Brigitte abraçou Leonor e agradeceu pela ajuda.
...
Horas depois, Leonor abriu a porta de um dos quartos e puxou o cliente para dentro, ligando a luz e revelando que o homem era o cliente que esperava em frente ao bordel.
— Você tem certeza que pode ser melhor do que ela? Brigitte foi inesquecível para mim.
Leonor pediu ao homem que sentasse sobre a cama e aguardasse alguns minutos. Trocou de roupa e pôs uma camisola cor bege. Sentou-se ao lado do homem.
— Você gostou dela mesmo?
— Ela ouviu a minha história como nenhuma outra. Desculpa se estou falando demais...
— Não, fale. Melhor falar do que guardar tudo para si. Eu também tenho um passado que guardo pra mim, mas acabo sofrendo por não ter um ouvinte.
O homem se levantou, retirou o coldre e colocou sobre a cômoda ao lado da porta.
— Sou viúvo.
— Sinto muito.
— Perdi minha esposa por uma doença incurável. Não tinha mais o sentido de amar uma mulher até me encontrar com Brigitte. Ela me fez gostar de uma dama novamente.
Leonor falou que Brigitte não queria mais se encontrar com ele, haja vista ela nunca dera expectativas românticas.
— Eu sabia que isso aconteceria. Na verdade, insisti em Brigitte por ela ter me escutado e me aconselhado. Mas agora sei que fui inconveniente com ela. Você pode levar as minhas desculpas até ela?
— Levo sim. Na verdade, pensei que você fosse um canalha misógino e perseguidor.
O homem passou a mão no rosto de Leonor e a puxou para beijá-la. A sensação de lábios se tocando causava-lhe uma emoção sentida apenas quando beijou a esposa e a Brigitte. Puxou Leonor e a despiu lentamente, alisando as suas mãos sobre a pele branca e lisa. O cheiro de perfume de rosas era agradável. Ele beijou o umbigo dela, extraindo um sorriso da moça por conta das cócegas. Retirou a própria roupa e a camisola da prostituta.
Leonor entregou uma camisinha ao cliente e aguardou-o botar no pênis já ereto. Com paciência, esperou o policial terminar de colocar e se deitou confortavelmente na cama. O homem se debruçou acima dela e a beijou no pescoço. Com muita parcimônia, ele estendeu a preliminar a uma sessão de beijos do pescoço aos pés, chupando o dedão fino dela.
— Pode colocar.
Ele introduziu o pênis dentro da vagina rosácea e fez movimentos de estocadas. Era uma sensação prazerosa. Aquela mulher era a terceira em sua vida que conseguiu endurecer o seu órgão. E o sexo durou quase 40 minutos. Leonor sentiu o homem abraçá-la. Era um momento praticamente seráfico, pois nenhum cliente anterior a tratou com tanta dignidade. Perguntou-se o porquê de Brigitte rechaçá-lo.
— Eu fui abusada sexualmente por meu padrasto e a minha mãe ficou ao lado dele. Fugi para a casa dos meus tios, mas nunca contei essa história a eles nem a ninguém. Você é a primeira pessoa. Fugi para outra cidade até parar aqui em Rouge Bordeaux. Pirlo me tratou melhor do que a minha mãe.
— Sinto muito. Você não parece se encaixar a esse mundo do meretrício. Mas a verdade é que sou um homem muito carente.
— Qual é o seu nome?
— Ramón.
— Sou Leonor — encostou a cabeça sobre o peito dele — Estou nessa vida há 5 meses. Não era o que queria. Meu sonho é virar veterinária e cuidar dos animais. Mas não posso reclamar da prostituição. Consigo um dinheiro bom.
Ramón olhou ao espelho do teto e viu o semblante de Leonor triste.
— Quer sair dessa vida?
— Perdão?
— Queria tirar Brigitte daqui, mas ela me rechaçou. Tenho interesse em arranjar outra mulher para esquentar os meus pés durante o inverno.
Os olhos de Leonor e Ramón se encontraram. Talvez fosse o destino colocando-os naquele quarto, tendo aquela conversa.
— Eu ainda não me decidi. Mas se for pra sair, quero ir com você.
Ele adorou a resposta. Beijaram-se apaixonadamente sem nenhuma pressa. Apenas um intenso amor.
...
O programa variava. Normalmente era 1 hora, mas os clientes podiam contratar as prostitutas por 2 horas ou mais. Ramón quis ao menos duas horas da companhia de Leonor, porém não quis transar. Preferiu ficar deitado com a moça relaxada em seus braços.
— Vai aonde? — indagou ao ver a moça vestir a camisola.
— Esqueci o meu celular.
— Volta logo.
O homem viu Leonor sair do quarto. Ainda faltavam 30 minutos para o fim do programa. Preferiu se deitar e tirar um cochilo.
No pouco tempo que dormiu, sonhou com a sua ex-esposa. Um sonho estranho, esquisito. Ela sangrava entre as pernas. Um bolo de carne despencava do seu útero. O fato era que a mulher morrera grávida. Ramón se sentia culpado por perder seus dois amores. Mulher e filho se foram como folhas secas sopradas pelo vento.
Um estrondo!
Ramón abriu os olhos, sentindo-se mal. O sonho estava mais para um pesadelo. E o barulho? Não soube dizer se foi no sonho ou na realidade. Escutou gritos. Levantando-se imediatamente, procurava por Leonor em todos os lugares do quarto. Pôs a roupa.
— Meu revólver! — O coldre estava sem a arma de fogo. Alguém havia pego o objeto.
O corredor do segundo andar estava repleto de mulheres e alguns clientes. O policial passou para ver o que estava acontecendo. Desceu.
— Não, meu senhor! Não — Era a voz de Pirlo no salão de dança.
O Ramón pediu que todos ali se afastassem. Topou com a sua arma no chão. Abriu a cortina e viu o corpo desfalecido com um tiro no peito esquerdo. Sua mente foi tomada por uma grande ansiedade. Alguém havia roubado a sua arma e matado uma garota.
Fale com o autor