Les Enseignants

1 1° de Setembro de 1991


A manhã do dia primeiro de setembro parecia permanecer nublada. A temperatura amena era uma dádiva aos moradores da Rua da Fiação, localizada no bairro Spinner's End, que podiam desfrutar a cor alaranjada proporcionada pelas folhas das árvores pelo chão.

O vento do outono arranhou a janela de madeira do quarto do casal no sobrado. A mulher ruiva estremeceu entre a manta carmim e o lençol. Aproximou se do marido, que ressonava lentamente de barriga para cima, envolvendo seus braços em seu tronco. As cortinas inglesas ocres ondulavam graciosamente junto ao vento quando uma voz infantil cortou a atmosfera.

— MÃE? PAI? ACORDEM! ESTAMOS ATRASADOS! – proferiu um timbre infantil esganiçado de um menino magricela de revoltos cabelos negros.

A mulher despertou rapidamente. Sentou –se na cama repentinamente colocando as mãos sobre o ventre inchado, o batimento do seu coração na garganta e com a respiração acelerada. Seu esposo pulou como um lince alguns instantes depois da ruiva ter acordado passando as mãos pelos cabelos negros. Mirou a sua esquerda vislumbrando a mulher com a mão repousada em seu ventre inchado sobre o tecido de seda negro e franziu o cenho.

A tez sensível da ruiva estava rubra devido ao enjoo natural adjunto o susto que o filho de ambas acabara de pregar.

— O que aconteceu? – indagou a ruiva em um muxoxo franzindo o cenho enquanto apertava o abdômen.

— Ele acordou. – informou o homem se levantando com impressionante autocontrole naquela manhã. A mulher se recompôs rapidamente e mirou o homem curiosa. Levantou — se da cama no exato momento em que o garoto adentrou no aposento.

— Mãe, você ainda está assim? Vamos nos atrasar! – informou o menino arrumando o emaranhado de cabelos com as mãos impacientemente – Não quero perder o trem.

— Calma. – proferiu o homem alcançando seu robe depositado caprichosamente no braço da poltrona namoradeira azul celeste. – Chegaremos a tempo. Nem são sete horas da manhã ainda.

— São vinte para as sete pai! – informou o garoto mirando o pai seriamente, descrente com a súbita paciência.

— Acalmasse querido. – informou a mulher se dirigindo ao filho e beijando sua testa carinhosamente. – Estaremos na estação em poucos minutos, certo? – indagou mirando os olhos verdes da criança idênticos aos seus. – Agora vá tomar banho e vestir um traje apropriado para o dia de hoje.

O menino girou em seus calcanhares e partiu às pressas em direção ao seu quarto cerrando a porta em suas costas com um estrondo. O homem, que vislumbrava a conversa entre ambos, franziu o cenho em sinal de desaprovação da atitude de seu filho.

— Algo me diz que ele irá para Grifinória. – informou com timbre baixo fazendo a ruiva emitir uma gostosa risada.

— Eu disse que ele tinha muito da Grifinória, mas você insiste em tentar transforma –lo em um Sonserino. – instruiu debochada se aproximando da porta do banheiro anexa ao quarto.

Após vinte minutos a pequena família adentrava no carro novo do patriarca com destino a estação King’s Cross. A mãe repassava pela milésima vez naquela semana as primordiais regras da escola e o menino respondia prontamente com riquezas de detalhes com intuito de afastar o crescente frio na barriga conforme se aproximavam de seu destino.

O homem estacionou alguns metros distante da porta de acesso a estação. A esposa passava seus olhos pela estação avistando os carrinhos há alguns passos no instante em que o garoto magricela sentia uma pedra gélida em seu estomago. O sonho de ingressar na escola estava se concretizando e isso o estava deixando inquieto.

Como seria seus dias na escola sendo seus pais diretores das casas e professores exigentes? Seria uma decepção para ambas se não caíssem na casa em que eram responsáveis? E se fosse selecionado para uma das casas iriam ficar magoados?

— Vamos querido. – proferiu a mãe em um elegante tailleur negro a moda trouxa saindo do carro.

Em menos de dez minutos seu pai havia colocado seu malão no carrinho e equilibrado uma gaiola com uma linda coruja branca. O menino passou seus dedos ossudos em torno do apoio do carrinho junto com seu pai e empurraram juntos em direção a estação.


O menino confirmou em seu relógio de pulso que faltavam vinte para meio dia. Seu pai, que vislumbrava atentamente os movimentos da criança prendeu a respiração quando averiguou o horário, apertou o passo esvoaçando o sobretudo negro em direção a plataforma.

— Pai, cuidado com Hedwing! – exclamou o garoto magricela ao homem que segurou a gaiola da coruja rapidamente.

Alcançaram a pilastra que marcava a plataforma nove e meia e lado a lado empurraram o carinho ganhando velocidade. Ao alcançarem a barreira, o garoto fez um careta, mas a colisão não ocorreu. Emergiram na plataforma lotada de jovens se despedindo de suas famílias. Vultos passavam por eles rapidamente os mirando com curiosidade. O garoto vislumbrou uma família de ruivos se aproximando que logo baixaram os ombros ao mirar seus pais desviando do caminho. Uma menina ruiva o encarava insistentemente e a pedra que estava em seu estomago se derreteu uma incomoda ardência na barriga.

— Vocês vão escrever para mim, não vão? – perguntou mirando os pais que fingiam não se importar com os olhares desaforados e inexpressivos dirigido a eles.

— Se você quiser querido, faremos isso todos os dias- respondeu a ruiva o mirando.

— Não todo dia ... – corrigiu rapidamente – Pelo menos uma vez por mês.

— Estaremos na escola com você. – informou o homem com um sorriso no canto dos lábios.

— Mas eu quero falar com vocês como meus pais, não como meus professores. – informou franzindo o cenho.

A mulher dirigiu ao marido uma mirada carregada de significados, sabia que este momento chegaria mas não tão rápido. Com um sorriso doce nos lábios se afastou do homem e seu filho lentamente.

— Eles irão me odiar, não é? – sussurrou o menino para si. Seu pai se ajoelhou e apoiou sua mão direita sobre seus ombros ossudos.

— Não Harry, eles irão adora –lo. – sussurrou respondendo a pergunta de seu filho — Você é um garoto maravilhoso e tenho certeza de que as crianças irão adorar te- lo como amigo.

— Pai eu sou filho do mestre de poções e da professora de feitiços. – sibilou em meio a um suspiro. – Será que entrarei na Sonserina? Não quero ficar na sonserina e ..

— Seguir meus passos? – indagou o homem o mirando silenciosamente.

— Não. – respondeu Harry rapidamente – Eu .. eu ... eu só não me vejo lá. Você irá me odiar se eu não cair na Sonserina pai? – questionou o garoto preocupado.

— Não. – respondeu com um sorriso pairando em seus lábios. — Eu somente desejo que você seja feliz. – Harry o encarou demonstrando alívio. Não desejava passar sete anos vivendo nas frias masmorras com os descendente dos antigos desafetos de seus pais.

— Pai, eu também não quero viver em meio ao vermelho da Grifinória. – o homem sorrio com a declaração do filho – Será que a mamãe ...

— Ela também não ficara decepcionada com você Harry. Nós não nos importamos se você será um futuro lufano ou corvino também. Desejamos apenas que você siga o seu próprio caminho e faça as escolhas certas. – o trem apitou e a ruiva se aproximou rapidamente do marido e do filho.

— Já está na hora querido. – informou passando as mãos nos cabelos negros do menino tentando arruma — lo.

— Até logo mãe ... – disse a mirando com um brilho maroto no olhar — ... ops... professora Snape.

— Até mais tarde. – desejaram o casal observando o filho indo em direção ao trem se misturando entre as outras crianças.

— Ele vai ficar bem Sev? – indagou a ruiva que sentiu os braços do marido entorno de sua cintura.

— Ele ficara Lily. Harry é forte. – informou com convicção fazendo com que o aperto no peito da mulher relaxasse por alguns instantes.

Severus segurou a cintura de sua esposa com firmeza. O trem já havia apitado duas ou três vezes indicando sua partida. Logo a locomotiva sumiu no horizonte e o casal permaneceu no mesmo local.

— Temos que ir Lily, devemos retornar a escola antes da Professora Longbottom. – informou próximo ao ouvido da mulher que estremeceu ao escutar o sobrenome de casada de uma de suas melhores amigas no passado. Antes da Grande Guerra, quando possuía amigos leais e acreditava que nunca virariam as costas para si mesmo no instante em que fez péssimas escolhas. – Ela faria com que nossa ausência durante estes dias se tornasse um ato anti patriótico. – encerrou o homem fazendo a esposa sorrir.

— Sev! – sussurrou fingindo indignação. Ele estava certo. Alice se empenhou em perseguir ambas desde o dia em que pisou no colégio. E tudo ficou pior há seis anos atrás, quando Lily foi nomeada diretora da casa Grifinória. – Ela é terrível. – admitiu – Vamos, temos que voltar rapidamente para a escola. E além disso hoje teremos a apresentação do novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas.

— Ah ... sim. – proferiu o homem com falsa emoção seguindo a esposa até a barreira emergindo na plataforma trouxa.

Não demorou para encontrar o carro. Severus apertou os passos e alcançou o automóvel à porta para Lily, que entrou rapidamente. Já haviam deixado a plataforma para trás a poucos instantes quando a ruiva o moreno.

— Sev?

— Hum. – retrucou o homem enquanto dirigia elegantemente.

— Você acredita no que fizemos hoje? — indagou a mulher. Severus a mirou rapidamente confuso – Quer dizer ... trouxemos nosso filho para o primeiro dia de escola. Isso é normal, seria o esperado para nós ... mas ...

— Se não tivemos conseguido. – completou o homem com a tez pálida. Severus odiava recordar de sua vida antes do nascimento de Harry e mencionar o assunto com Lily naquele estado o perturbava.

— Se não tivéssemos ficados juntos. – respondeu a mulher com o timbre tremulo — Se você não tivesse me perdoado? – indagou com o tom pastoso. Ultimamente estava ficando emotiva constantemente e isso a deixava irritada. Severus encostou o carro em uma esquina habilmente e mirou a ruiva ao seu lado.

— Lily ... eu ... – respondeu o homem segurando o volante com força. Severus suspirou profundamente e baixou sua fronte. Respirou profundamente. Não queria discutir ... não podia. Lily estava grávida de poucas semanas e o stress não faria bem a ele nem a criança. Contudo, o retorno constante a este tema fazia seu sangue ferver.

Ela sabia o quanto era incomodo reviver o passado falando sobre suas decisões. Sobretudo necessitava falar sobre isso ... talvez os hormônios abalados pela gestação a deixou um pouco depressiva ou eram seus sentimentos, oprimidos nos últimos anos, aflorando.

— Eu fiz muita besteira e você apareceu novamente na minha vida me resgatando daquela escuridão. Eu sempre retornaria para você. Por você. Sempre. – encerrou em tom baixo mirando o volante.

— Eu sei. – confirmou a mulher vislumbrando os carros da avenida principal pela janela – Mas não sei o que faria sem você. Sem que você me perdoasse ...

— Lily. – iniciou o homem com timbre cansado cerrando os olhos.

— Eu não me perdoei Sev. – informou em um suspiro pesado – Eu não sei se me poderia..

Notas finais
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