Les Enseignants
2 Vida adulta ...
Notas iniciais
Capítulo 1
O mês de junho de 1978 havia terminado aumentando gradativamente os termômetros junto ao êxtase dos jovens que cursavam o sétimo ano da escola de magia inglesa.
Após os exaustivos exames a certeza de que não acordariam diariamente as 6 da manhã e não passariam longas horas dentro de uma sala abafada era um bálsamo para todos.
A grande parte dos alunos estavam em seus dormitórios organizando seus pertences pela última vez. Logo, deveriam se dirigir as carruagens encantadas para embarcar no trem com destino a Hogwarts.
Lily Evans terminava de organizar seus poucos pertences, que ficavam sobre o criado mudo, dentro de seu malão. Com a varinha em mãos girou o braço esquerdo o limpando pela quinta vez naquele mês.
Passou seus dedos languidos sobre a colcha vermelha macia sobre cama, com a estampa do brasão da Grifinória. Sentiu uma lágrima solitária rolar pela maça de seu rosto. Em algumas horas embarcaria no expresso com destino ao mundo trouxa pela última vez.
Lily havia terminado o último ano do colégio com êxito e a guerra advinda por Voldermot, adjunto seus Comensais da Morte, estava próxima. O terror pelo seu futuro não apagaria de sua mente as memórias que vivenciou naquele castelo e os amigos que fizera durante os anos.
A menina de cabelos ruivos e cheios, que entrara pela primeira vez no principal salão, trazia receios e o medo de não conseguir se adaptar aquela nova realidade. Recordava com clareza que Severus Snape segurou sua mão quando anunciaram seu nome na cerimônia de seleção e tudo pareceu menos terrível até o dia no qual ele a ofendera em meio a uma multidão pelo fato de não possuir sangue puro.
Lily passou suas mãos pela face úmida. Odiava chorar por isso ... por ele. A ruiva passou inúmeras noites amparando seu pranto com o travesseiro macio. Demorou meses a se convencer de que o garoto não estaria a aguardando no pé da escada para terminar suas tarefas na biblioteca ou simplesmente trocar algumas palavras embaixo de uma arvore frondosa enquanto liam sobre um livro curioso de poções.
A moça balançou a cabeça com intuito de afastar qualquer vestígio de amargura provocado por Severus. Naquele dia não permitiria a tristeza tomar conta de si a impedindo de aproveitar seus últimos instantes em Hogwarts. Aquela escola havia se tornado seu segundo lar, ali aprendeu sobre o mundo mágico conquistando colegas e amigos inesquecíveis. Neste processo emergiram diversos inimigos, devido seu status de mestiça, e a perda da amizade ... dele. Fungou rapidamente limpando as lágrimas, que teimavam em cair, com as palmas de suas mãos rispidamente.
Era inevitável memorar de sua história nos últimos anos sem ele. Já haviam passados três anos desde que Severus a insultara e por mais que tentasse o perdoar as circunstâncias, em que o via gradativamente se afundando na escuridão, a impedia. Ele sempre estava acompanhado por Bellatrix Black e outros jovens vislumbrados pelas artes das trevas.
Bellatrix Black. De todos os defeitos que Severus possuía sua imersão nas artes das trevas, adjunto a ideologia de aniquilação aos não magos, fizera com que Lily se afastasse definitivamente. Lutava constantemente com sua consciência justificando a escolha de Severus, mas mesmo a vida penosa que levava fora dos muros de Hogwarts não era desculpa para se aliar aos bastardos Comensais.
Com o passar dos dias a presença do sonserino foi substituída pelo capitão do time dos leões. James Potter a conquistou pouco a pouco, cotidianamente, demonstrando a jovem no final do último ano que havia amadurecido. O rapaz conquistou seu afeto e logo Lily estava em seus braços. James fez renascer a alegria e obteve sua confiança.
Lily se levantou do tapete vermelho sangue e fechou seu malão com um singelo movimento de sua varinha. Girou seus calcanhares vislumbrando as camas arrumadas do dormitório. Arrastou seus pés até a porta com intuito de se juntar aos seus amigos na sala comunal.
Desceu as escadas lentamente segurando o corrimão. Procurou memorizar cada pedacinho da sala. Avistou uma roda animada de jovens ao fundo, próximos a lareira. Sorridente a ruiva rumou para seus colegas. Estava há alguns passos do grupo quando escutou uma voz feminina enfadonha.
— Não seja tolo Black. – disse Marlene Mckinnon mirando Sirius Black severamente.
— Estou sendo sincero, Lene. – respondeu fitando a face da morena com um sorriso travesso nos lábios – O pessoal pensará em suas carreiras só no término deste ano. Nada mais justo do que uma temporada de diversão adulta antes de entrar para a vida chata de bruxos maiores de idade.
— Enchendo a cara e saindo com qualquer uma? – indagou perplexa ignorando as risadinhas abafadas dos colegas que presenciavam a discussão de ambas.
— Por que não? – inqueriu Peter Pettigrew sussurrando entre as risadas mirando a expressão de James Potter confirmando o agrado de suas palavras ao ego do moreno.
— Porque tem um bruxo tentando destruir todos que não concordam com sua ideologia preconceituosa. – proferiu Lily se aproximando de seu namorado James Potter. — É por isso que temos que ser responsáveis. – encerrou se aconchegando em seus braços musculoso.
— Os tempos ficaram mais negros a cada dia. – resmungou Remus Lupin, que se encontrava um pouco afastado de seus amigos. Todos o fitaram com a face impassível, faziam alguns dias que ele não interagia com o grupo.
— Sim. – assentiu Marlene balançando a cabeça em confirmação – É por este motivo que eu pretendo me juntar a Ordem assim que terminar o colégio. – Lily se aproximou repentinamente tapando os lábios da colega com suas mãos.
— Shhiii .... – sibilou a ruiva olhando para os lados verificando se havia algum aluno próximo ao grupo.
— Cuidado Marlene. – advertiu Remus – Devemos ser cautelosos com aqueles que nos cercam. Nesses tempos qualquer um pode estar envolvido com os partidários das trevas.
O pequeno grupo ficou em silencio por alguns instantes após as palavras sombrias de Remus. Peter, que parecia mais tenso no último semestre com o final do curso, encolheu os ombros e baixou a cabeça para admirar seus sapatos. Sirius e James trocaram olhares significativos enquanto Marlene enrolava uma mexa de sua cabeleira castanha entre os dedos pensativa.
— Alguns lutaram conosco. – informou Sirius elevando o tom. Remus o encarou franzindo o cenho. Nas últimas semanas o rapaz e James estavam se comportando de maneira estranha consigo. Ambas pareciam querer dizer algo entrelinhas em meio as costumeiras conversas cotidianas e piadinhas.
— Mas muitos morreram... nossos amigos, conhecidos e ... também haverá aqueles que se unirão as fileiras de Voldermot. – disse Remus enfiando as mãos no bolso com a face mais pálida. Sirius se remexeu desconfortavelmente no braço da poltrona de carmim enquanto James tossia fracamente com uma das mãos sobre os lábios.
— O que eu sei é que enquanto ficarmos juntos nenhum Comensal estúpido conseguirá nos abater. – afirmou Sirius mirando Remus com sua íris acinzentadas dilatadas.
James mirou o elegante carpete, baixou a cabeça e a pendeu suavemente para a esquerda desenhando em sua face um singelo sorriso com intuito de disfarçar a satisfação que o afetava. Remus era um traidor, ainda não havia se envolvida com as artes das trevas, mas suas atitudes sombrias nos últimos tempos demonstravam que sua condição o conduziria a escuridão.
Peter ficou vermelho como um tomate em silencio. Desviou os pequenos olhos castanhos do grupo e mirou o fogo crepitar na lareira. As chamas dançavam entre a madeira consumindo –as lentamente. Suspirou pesadamente rememorando a conversa que compartilhara no dormitório algumas horas atrás. Apesar de ter conhecimento da desconfiança dos amigos não desejava tomar partido em meio a esta discussão. Decidiu, enfim, concordar com James e permaneceria seguro entre seus dois colegas. Remus abriu os lábios para retrucar o companheiro.
— E se for um dos nossos amigos? – silêncio – Alguém sobre uma maldição ou que queira estar lá?
— Como minha prima ou meu irmão? – resmungou Sirius desviando o olhar de seus amigos.
— Sirius! – exclamou Lily mirando o rapaz com seus encantadores olhos verdes.
— Vamos gente ... já são sete e meia! – exclamou uma jovem de cabelos negros ondulados no topo da escada do dormitório feminino acenando para um grupo de meninas sentadas alguns metros à frente. – Venham logo ... daqui a pouco teremos que partir.
— Já estamos indo Mary. – respondeu a futura senhora Longbottom acenando para sua colega de quarto.
— Hum ... – resmungou Lily cerrando os olhos – Acho que já está na hora. – sussurrou se afastando do namorando delicadamente. – Estou indo pessoal ... até daqui pouco. – desejou roçando seus lábios nos de James e subindo as escadas junto com Alice e outras garotas.
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Há alguns metros abaixo do lago Negro um jovem magricela de cabelos escuros e oleosos terminava de arrumar seus poucos pertences dentro de seu malão. O jovem, alto para sua idade, colocava cuidadosamente seus livros de segunda mão dentro do malão sem utilizar magia. Terminava de guardar seus livros escolares quando a porta do dormitório foi escancarada e alguns jovens adentraram rindo a respeito de alguma piada vulgar proferida por Rabastan Lestrange.
As gargalhadas foram cessando ao vislumbrar Severus organizando alguns livros em seu malão.
— Quais seus planos quando encerrar a escola Snape? – inqueriu o jovem atento aos movimentos calmos do outro ao guardar penas e tinteiros – Não deseja compartilhar conosco seus planos ou ...
— Não é do seu interesse Rabastan. – informou Severus fazendo com que os outros emitissem assobios de escárnio entre risadas aristocratas.
— Você sabe quem eu sou? – indagou o rapaz se aproximando da cama do outro rapidamente. Severus habilmente sacou sua varinha, que guardava dentro da manga cumprida da camiseta do uniforme e encostou na garganta do oponente.
— Um estúpido garoto mimado que não sabe como gastar a fortuna de herança e insiste em fazer com que os outros perda seu tempo com sua presença insignificante. – proferiu pausadamente rosnando os dentes. Os outros colegas deram alguns passos para trás. Severus baixou a varinha e a guardou dentro da manga esquerda de sua camisa. – Meu irmão saberá disso Snape. – rosnou o rapaz ao moreno que girou em seus calcanhares em direção ao salão comunal.
A Sala Comunal, assim como os dormitórios da Sonserina, estava localizada nas masmorras do castelo de Hogwarts, mais precisamente abaixo das águas do Lago Negro. A luz que refletia nos cômodos era verde e a temperatura sempre fria. Os moveis de madeira de lei eram adornados por elegantes esculturas de material valioso assim como as molduras dos poucos quadros presos no alto da lareira.
Severus desceu as escadas do dormitório do último ano apressadamente. Não desejava retornar ao seu aposento tão cedo, talvez pudesse ir até a biblioteca encontrar algum livro interessante para passar o tempo ou ...
— Severus! – evocou uma voz feminina gélida cortando o salão.
Alguns alunos, que desfrutavam o sábado, cessaram seus afazeres de imediato quando a garota de longas madeixas negras evocou o colega de casa.
Era de conhecimento comum que Bellatrix Black e seus colegas estariam adentrando no círculo de seguidores das trevas até o fim do ano. Isso tornava a garota ainda mais insuportável e temida nos últimos meses.
Severus girou o pescoço lentamente e avistou a moça vulgarmente maquiada com excessivo batom vermelho sangue. O rapaz andou elegantemente até Bellatrix e cumprimentou com um suave aceno de cabeça os outros jovens que a idolatrava.
— Como vai Severus, meu amigo? – disse Bellatrix com um sorriso zombeiro nos lábios.
— Estou bem Bellatrix. – respondeu cordialmente irritando a moça.
— Você irá nos encontrar naquele local? – indagou ao jovem acidamente.
Severus gelou por algum instante. Prendeu a respiração, que poderia denunciar seu estado emocional abalado, e encarrou as orbes negras da moça com placidez.
Já havia se passado algumas semanas desde que Bellatrix e Malfoy, noivo da pequena Narcisa, haviam o convidado a participar de uma restrita reunião com o Lord das Trevas. Segundo ambas o poderoso bruxo estava recrutando jovens talentos e se interessou pelas habilidades de Severus. Lucius Malfoy, informou no último encontro que tiveram nos Três Vassouras, que preciosos talentos como ele o próprio Lord das trevas iria ministrar aulas para que sua magia se desenvolvesse sem as hipócritas restrições impostas pelos centros estudantis. Apesar da tentadora proposta Severus temia pelo seu futuro ao ficar do lado do bruxo nesta empreitada.
Como conseguiria um emprego se descobrissem seu envolvimento? Era sabido que em cada missão que o Lord enviava seus seguidores os saques eram divididos igualmente, mas ... e se ele fosse pego? Não. Severus, apesar do fascínio pelas artes das trevas, temia pela segurança de sua mãe — além da sua — naqueles tempos.
— Possivelmente Bella. – informou fazendo o cenho da jovem se enrugar – Tenho que passar na biblioteca, acho que deixei um importante livreto de anotações sobre uma das mesas. Até breve. – encerrou saindo com passadas longas até o retrato.
Severus passou pelos retratos apressadamente com receio de Bellatrix o chamar novamente, ou um de seus colegas o alcançar sozinho em um daqueles corredores vazios. Subiu um ou dois lances de escadas e virou à esquerda. Raspou as solas gastas de seus sapatos contra as pedras do piso mirando suas passadas. Até que parou repentinamente diante uma parede. Suspirou cansado da caminhada sem rumo até que um sutil arranhar de garganta o despertou. O jovem levantou a cabeça rapidamente mirando a sua frente um imenso retrato de uma mulher gorda o mirando com as sobrancelhas arqueadas.
— Boa Tarde jovem rapaz. – informou a mulher arrumando seu colar de pérolas no pescoço gorducho. – O que deseja? – inquiriu apertando seus lábios rechonchudos em curiosidade.
O jovem suspirou pesadamente. Não era a primeira vez nos últimos anos que seus pés o levavam até a sala Comunal da Grifinória. Ás vezes ficava espreitando a entrada do quadro aguardando a ruiva sair e ... e .... e ... não importava mais. Respirou profundamente e baixou a cabeça com o propósito retornar de retornar ao seu dormitório.
— Hoje é sua última chance garoto. – informou a mulher com seus ares coquete assustando o rapaz. – Ela está vindo para cá sozinha.
— Não sei do que a senhora está falando. – informou rapidamente se atropelando nas sílabas causando uma crise de risinhos na mulher.
— Não fique envergonhado rapaz, conte a ela o que sente. Ela nunca saberá se você ficar calado. – informou sorridente fazendo o sangue do garoto ferver. Como aquela pintura pedante ousava o aconselhar? Ela não sabia o que havia ocorrido entre eles e muito menos os reais motivos por Severus possuir tais sentimentos pela jovem.
— Oh ... ela vem aí. Coragem. – informou a mulher girando em seu eixo.
Severus deu alguns passos para trás e se preparou para fugir, mas era tarde. Lily estava diante de si. Seus longos cabelos espalhados emoldurando sua face angelical. A ruiva fechou a expressão sutil endurecendo os suaves traços em sua face jovial.
O rapaz congelou rapidamente e um fleche passou pela sua mente acerca da última vez que tentou se aproximar e acabou com os dedos da moça tatuados em sua face por alguns dias, mesmo com uso de alguns feitiços descoberto em um livro perdido na biblioteca.
— O que você quer Severus? – indagou a ruiva com a face vermelha.
— Eu .. eu ... – Severus a mirou atentamente – Eu ... queria ... quero .. falar com você há algum tempo. – encerrou vacilante.
— Falar sobre? – questionou a ruiva cruzando os braços abaixo do seio, Silencio. Severus não era bom em falar de sentimentos, na verdade não era bom falando nada a respeito de si. Sua amizade com Lily se resumia em escuta –lá e compartilhar o tempo livre realizando tarefas. O rapaz abriu os lábios, tentando formular em sua mente uma frase de efeito, talvez a palavra exata para receber seu perdão surgisse e pudessem voltar a ser o que eram; mas a ruiva disparou irritada – Você já falou o que pensava. Naquela tarde. Eu lembro muito bem.
— Não. – informou o rapaz exasperado – Quero te dizer que tem razão em não conversar comigo. — Lily o mirou intrigada e Severus sentiu o peso em seu peito se dissipar – Eu queria pedir desculpas. – proferiu suspirando pesadamente — Eu tenho vivido com isso nos últimos anos. Você era minha melhor amiga, a única que estava lá por mim quando ninguém mais se importava. Eu quero que você saiba que eu sou grato por isso Lily. E .... – os olhos da ruiva se encheram de lágrima e suas orelhas ficavam vermelhas – e ... eu não irei mais incomodar você. – encerrou se afastando da moça.
Mas foi surpreendido pelo peso de Lily sobre si, seus braços em torno de seu pescoço. O moreno fechou os olhos sentindo o aroma adocicado de seus cabelos e o aperto de seu abraço em torno de si.
— Lily? — evocou um timbre masculino alguns passos atrás da jovem. James Potter, trajado em roupas trouxas demonstrava descontentamento em sua face.
— James. – sussurrou Lily se desvencilhando de Severus que recuou ao escutar o clamor do grifinório.
— O que o Ranhoso quer com você? – inquiriu apertando os passos indo em direção a cena.
— Severus eu ... – iniciou a moça encarando o sonserino no instante em que foi empurrada por James para esquerda repentinamente. Equilibrou — se em seus sapatos buscou seu agressor com uma mirada irritada, quando se deparou com os dois rapazes rolando no chão de pedra a socos e ponta pés.
— PAREM! – exigiu imediatamente, mas ambas não se importavam com sua presença e continuavam a se esmurrar. Severus já havia retirado a varinha entre as vestes. James o socou uma e outra vez até Lily perder a paciência e estuporar ambas. – Parem com isso!
— Esse idiota que veio te importunar. – informou James se levantando do chão com dificuldade.
— Eu queria apenas pedir o seu perdão. – retrucou Severus cravando sua mirada em Lily.
— Você ousa a se dirigir a ela depois do que ...
— CHEGA JAMES! – berrou a ruiva colocando seu corpo em frente ao do sonserino. James a mirou profundamente em silencio. — Severus eu posso te perdoar ... – sussurrou a ruiva o mirando se levantar com pouca dificuldade — ... quando largar esta obsessão descabida pelas artes das trevas e parar de andar com pessoas como Bellatrix Black. — Lily se afastou do sonserino indo amparar seu namorado. – Espero ver você em breve. – disse se aproximando do namorando, para lhe dar apoio, se dirigindo até a ala hospitalar.
Severus ficou em silencio. Não poderia prometer que se afastaria de Bellatrix ou de qualquer envolvimento com as Artes das Trevas. Como diria a Lily que as trevas acalentavam sua alma durante os últimos tempos o acolhendo em seu seio. Não. Ele não tinha coragem de admitir em voz alta, nem para si, que desvendar a magia oculta o inseriu em um mundo longínquo no qual poderia se tornar um homem livre. Arrebentaria as correntes que o prendiam naquela casa fúnebre e levaria sua mãe junto consigo. Suspirou profundamente girando em seus calcanhares retomando seu caminho para as masmorras.
Lily já havia o ajudado com sua presença muitas vezes agora estava na hora de seguir sua vida. E a ruiva não estava em seus planos, não mais. Naquele sábado ele deixou a moça seguir sua vida com seu escolhido enquanto traçaria o seu ao lado de um novo mentor. Voldermot era seu caminho para o conhecimento e poder. Estava decidido.
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10 meses depois ...
Era sabido que Lily Evans havia ingressado na Ordem da Fênix com intuito de aniquilar as artes das trevas na comunidade bruxa adjunto seus fiéis seguidores, mas sua real fidelidade ao movimento se manifestou após presenciar seu antigo diretor, Alvo Dumbledore, palestrando aos interessados no último verão.
Seus colegas de escola e outros bruxos pouco conhecidos se espremeram na sala de estar dos Mcgonagall em torno da luxuosa mesa de madeira. Mary Mcgonagall, sobrinha da anfitriã da casa, se apertava junto com algumas primas ao lado de Remus Lupin.
Mary esbarrou seu ombro em Remus duas ou três vezes com intuito de chamar atenção do rapaz, que estava mais pálido do que a ruiva se lembrara nos últimos tempos. A pequena Mcgonagall se remexeu em seu acento e beliscou o joelho do rapaz, que soltou um gemido intenso chamando a atenção da grande maioria dos convidados.
A garota sorriu marotamente baixando a cabeça enquanto Remus passava uma de suas mãos em seu joelho proferindo desculpas aos demais com a face tão rubra quanto a bandeira da Grifinória.
Os bruxos o miravam com semblante severo entre troca de olhares reprovadoras. Os marotos, que se encontravam alguns passos atrás do amigo esforçaram – se para disfarçar as risadas provocadas pelo constrangimento do amigo que ficavam mais vermelho a cada pedido de desculpas.
Lily girou os olhos em orbita, com um sorriso singelo nos lábios, quando vislumbrou vestes azuis celestes varrerem o chão. O cômodo emergiu em silencio no instante em que a figura de Alvo Dumbledore foi vislumbrada por todos.
O velho analisava os membros atentamente pelos óculos de tartaruga. Cumprimentou a todos os presentes e agradeceu a presença de cada naquela noite. Não se demorou a justificar o motivo da reunião como sendo de extrema importância naqueles dias negros. Alvo explanou o caos que se encontrava o ministério nas últimas semanas devido ao desaparecimento de importantes membros na assembleia que não condissessem com os ideais de Voldemort.
Alvos explanou as leis que deveriam ser aprovadas no Ministério naquela semana que limitava o direito civil dos mestiços na comunidade os equiparando aos elfos domésticos. O alvoroço se formou rapidamente encerrando quando o bruxo ergueu suas mãos pedindo silencio. Com o timbre firme requeria a todos que se mantivessem ao seu lado contra o Estado repressor que estava se formando.
Alvo falou a respeito da implementação de um novo sistema com reformas sociais que privilegiaria a classe social emergente composta pelos mestiços aniquilando a escravização de criaturas mágicas, consideradas inferiores aos bruxos, como os elfos doméstico e duendes. Alguns bruxos o encararam aturdidos enquanto os Marotos o mirava com admiração.
— Isso é um golpe! – blasfemou um senhor de meia idade apoiado em uma bengala de mármore.
— O senhor está nos pedindo para derrubar as leis do Ministério, não manter a ordem na comunidade. – complementou um rapaz jovem, poucos anos mais velho do que a ruiva, ao seu lado. – Isso é um golpe.
— Isso é justiça. – proferiu Lily entre os dentes ferozmente ao senhor que a mirou com assombro.
— Não participarei desta loucura. – informou a mirando com os olhos castanhos arregalados. – Isso é traição. – enunciou com timbre raivoso. Inúmeros participantes começaram a falar ao mesmo tempo contra a reforma social que Alvo Dumbledore sugeria até James Potter proferir um soco no queixo de um homem que se dirigiu ao ex – diretor proferindo insultos em voz alta.
— James! – exclamou Lily indo em direção ao rapaz com intuito de apartar a briga que se iniciaria. James e o homem desconhecido levantaram suas varinhas ameaçadoramente. Lily segurou sua respiração arrastando seus pés em direção ao confronto quando paralisou em choque vislumbrando inúmeros bruxos com varinhas em riste.
Algumas senhoras emitiram gritinhos de susto e o som do choro de duas crianças ecoou pelas paredes.
— Parem! Parem! – exigiu uma ruiva gorducha, devido a gravidez avançada, segurando um garotinho assustado em seus braços.
Os marotos abaixaram a varinha vagarosamente mirando os demais com apreensão. Alvo Dumbledore pediu que todos mantivessem o decoro. Em poucos segundos as varinhas foram baixadas. O jovem que fitou Lily algum instante atrás girou em seus calcanhares arrastando seus pés para sair do cômodo.
O habitual som de aparatação sessou após intermináveis minutos. Ficaram na sala aproximadamente vinte pessoas, grande maioria pertencente à família dos anfitriões, que permaneceram em silencio.
— Senhor ...? – iniciou Mary tremula.
— Senhorita Mcgonagall? – inqueriu o homem a mirando curiosamente.
—Quando podemos começar? – alguns bruxos sorriram perante a pergunta ingênua da garota. O homem a mirou com os orbes cintilantes e proferiu entre os lábios úmidos:
— Agora, se a senhorita desejar participar desta ordem. – Mary o encarrou com uma expressão surpresa e com um sorriso nos lábios balançou a cabeça em sinal de afirmativo. – Bem , primeiramente devemos nos reorganizar. Acabamos de presenciar esta noite ..
— Que Voldermot é o primeiro que devemos exterminar para que ocorra uma mudança. – disse Lily rapidamente recebendo a atenção do ancião.
— Qual é o outro? – inqueriu Peter, mais afastado de todos.
— O preconceito e o medo da mudança. – concluiu Alvo fazendo com que todos o mirasse.
A reunião continuou até o surgimento dos primeiros raios de sol. Alvo Dumbledore compartilhou com os demais fatos que estavam ocorrendo no Ministério e traçaram estratégias para se infiltrarem na sociedade sem levantar suspeitas.
A ruiva aparatou em frente de sua casa admirando o alaranjado que tingia o céu. Arrastou seus pés cansados sobre o asfalto em direção a uma casa de cerca baixa com ares fúnebre. Abriu a porta com o auxilio de magia não verbal e alcançou a primeira poltrona que avistou. Seu corpo estava dolorido e a mente cansada. Fechou os olhos por alguns instantes, com o propósito de descansar , ao abri –los vislumbrou o ambiente inundado pela luz do sol. Já passava do meio dia.
Lily bufou consternada. Subiu as escadas segurando o corrimão indo em direção ao seu quarto quando avistou uma porta cerrada. O quarto de seus pais ainda estava intacto, nem ela ou Petúnia havia entrado no local após o falecimento do Sr. Evans no último mês.
Quando Lily terminou a escola o Sr Evans ficou contente com a perspectiva de ter sua filha mais nova ao seu lado o alegrando todas as manhãs. Tinha certeza de que sua risada melódica ecoaria pelas paredes trazendo de volta aqueles cômodos um pouco de alegria.
O patriarca se sentia solitário naquela imensa casa depois do falecimento precoce da esposa culminando, um ano mais tarde, com o casamento de sua primogênita. E sua Lily foi seu refúgio durante o trimestre em que fortes dores no peito emergiam repentinamente. Ora durava alguns instantes, ora foi o motivo de passar dois ou três dias em observação no hospital.
James Potter, o namorado de sua filha mais nova, insistira para que tomasse a cada hora um cálice de poção com gosto mentolado. Por duas semanas parecia que sua saúde havia melhorado e os agradecimentos ao jovem Potter foram diligenciados até mesmo por Petúnia, sobretudo em um domingo particularmente quente uma sensação de queimação na boca do estomago irradiou uma dor aguda até sua mandíbula.
Com o corpo pesado tentou se levantar da cama com dificuldade, derrubando o porta retrato de seu casamento que costumava ficar na cabeceira da cama junto a Bíblia, tentando inalar oxigênio. Gritou pelas filhas, mesmo sabendo que havia somente uma na casa, mas sua voz não saia de sua garganta e os membros de seu corpo não respondiam mais aos seus comandos.
Lily adentrou no quarto de seu pai preocupada com o barulho de vidro se partindo e o avistou de bruços perto da cama imóvel. Seus olhos estavam arregalados e uma expressão de falsa gargalhada estampada na face. Ele havia morrido.
Seu pai teve um infarto fulminante e Petúnia não a perdoou pela sua morte. Lily era culpada pela morte do Sr. Evans. Segundo a irmã, James Potter foi seu cúmplice dando poções ao homem durante duas semanas.
— Assassina! – bradava Petúnia no enterro do Sr. Evans e mesmo sendo contida pelo marido e sogro a jovem alcançou sua irmã caçula e a esbofeteou inúmeras vezes. James tentou apartar a briga, mas também foi atingido por bofetes e profundas unhadas da cunhada.
Lily piscou algumas vezes mirando a porta do quarto cerrada de seus pais. Era insuportável retornar ao lar. A solidão intensificava a dor da perda fazendo com que rememorasse, os acontecimentos daquela noite até a culpa tomar seu espirito. Cansada a ruiva se dirigiu ao seu quarto e deitou em sua cama permitindo que a exaustão tomasse seu corpo.
O telefone no andar térreo soou fazendo com que acordasse repentinamente. Verificou o relógio no criado mudo constando que já era uma e meia da tarde. Em menos de vinte minutos deveria se apresentar no Ministério da Magia para iniciar seu estágio no Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas, tentaria ingressar no curso que permitiria ingressar no Esquadrão em Reversão de Mágicas Acidentais.
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A intervenção de Alvo Dumbledore no mundo da magia fez com que Lord Voldermot reestruturasse seus seguidores e os treinasse para uma eminente invasão na comunidade. De imediato o bruxo iniciou uma secreta negociação com criaturas mágicas hostilizadas pela comunidade. Assim, reclassificou seus aliados os tornando submissos a ele postulando que suas atitudes eram resultado da lealdade que depositava em seus servos.
Os bruxos que possuíam status importante na sociedade receberam a marca negra e poderes nefastos em troca da lealdade pela causa. Já os que não possuíam prestigio social eram utilizados como peões nos joguetes de seu mestre e buscavam cada vez mais agradar o bruxo das trevas em troca da marca negra.
Em menos de quinze dias Lord Voldermot recebeu em uma reunião secreta mais de quarenta aspirantes prontos para servi –lo cegamente. Com as varinhas em punho direcionava a ponta para seus corações juravam fidelidade ao homem.
Severus Snape, um comensal que acabara de receber a marca negra, observava o continuo crescimento do exército e muitas vezes uma voz dentro da sua cabeça o questionava a respeito de sua devoção. Teria coragem de dar sua vida em troca daquele ideal? Conseguiria torturar pessoas inocentes com tamanha facilidade?
— Severus. – sibilou o homem a poucos metros de distância com inúmeros servos ajoelhados aos seus pés após o juramento de fidelidade. O rapaz se aproximou sorrateiramente e se curvou perante o mestre. – Devo lhe dar os pêsames hoje. Faz cinco meses que sua mãe faleceu e depois ... aquele incidente ... – proferiu o homem com falsa comoção acentuando as últimas palavras com malícia.
Severus cerrou os olhos fechando sua mente com intuito de não demonstrar ao mestre o efeito que causou suas palavras.
Ellien e Tobias Snape haviam falecido há cinco meses atrás durante mais uma briga do casal em que o homem estava bêbado enquanto provocava a mulher na pequena cozinha.
Naquele dia o homem a ofendia por outro motivo torpe, mas o silencio da mulher o incomodou. O homem a puxou pelos cabelos até a pia prendendo seu frágil corpo entre si e a quina metálica. Debruçou — se sobre ela, a esmagando com seu peso, no mesmo momento em que seus dedos sujos subiam a saia maltrapilha pelas coxas magras de Ellien. Com os olhos esbugalhados de terror a mulher implorou para que o homem parasse a plenos pulmões, mas logo seus gritos de clemencias transformaram se em choramingo. Quando Tobias largou seu corpo frágil a mulher soltou um suspiro cansado em meio as lagrimas que cobriam seu rosto.
— Pare de chorar mulher! – exclamou o homem arrumando suas calças no corpo. Ellien secou suas lagrimas, mas seu nariz umedecido incomodou o homem que a esbofeteou uma, duas e três vezes . Topias colocou suas mãos em torno da cabeça da mulher apertando fortemente. Ellien soltou um grito e o homem, com um sorriso ébrio, batendo sua cabeça no armário da cozinha a fazendo desmaiar.
Foi Severus que a encontrou no chão frio da cozinha duas horas depois e aparatou consigo nas proximidades de um ponto socorro trouxa.
Sua mãe foi diagnosticada com anemia profunda, contusões má cicatrizadas pelo corpo, gonorreia, sífilis e no primeiro trimestre de gestação. Infelizmente faleceu as 20:00 devido a uma parada respiratória.
Consciente de que o autor do crime era Tobias o rapaz aparatou dentro do banheiro masculino do hospital até o bar predileto de seu pai. Aguardou pacientemente o homem sair do estabelecimento, por volta das duas da madrugada e o seguiu até um beco próximo.
— Tobias! – exclamou Severus aguardando o homem girar e vislumbrar sua face.
Severus ergueu sua varinha e lançou a maldição da morte em direção ao seu coração. Sem mirrar seu corpo retornou ao hospital com intuito de dar andamento na papelada para liberação do corpo de Ellien. A enterrou no dia seguinte com o dinheiro dos saques que participava como aspirante a Comensal.
Em três dias foi convocado pelo Lord das Trevas que decidiu marca-lo devido o sangue frio e a coragem que possuiu ao aniquilar Tobias.
Um burburinho fez com que Severus saísse de suas memórias. Mordeu a língua em desgosto. As fortes lembranças fizeram com que mergulhasse em suas memórias e baixasse os escudos que bloqueavam acesso a sua mente.
Os Comensais cruzavam o imenso salão de festas da Mansão Malfoy em alvoroço a procura de executar as ordens expressas pelo Mestre. O rapaz girou em seus calcanhares em direção a lareira ignorando os demais. Ele não se abalou com as ordens do Lord naquela reunião, sua única preocupação naquele instante era retornar a sua casa e se trancafiar no sótão para verificar o cozimento da poção do desespero e luxúria exigida pelo Mestre no dia anterior.
Severus retornou a casa de Spinner's End com a face contorcida em desgosto. Odiava continuar vivendo na casa que padeceu durante sua infância, mas por ordens de Lord Voldermot aquela residência se converteu em um esconderijo aos Comensais em missão. Enfuriado com a decisão do mestre transformou os cômodos da casa em ambientes elegantemente confortáveis e converteu o porão em um avançado laboratório de Alquimia, sendo o local que passava a maior parte do dia. O próprio Mestre havia lançado em torno de sua propriedade feitiços de proteção para repelir qualquer criatura mágica, ou não, priorizando a inserção de azarações horrendas aqueles que insistissem em bisbilhotar os arredores da casa.
Aquela noite Severus se encontrava sozinho na casa, o que era raro, se dirigiu a cozinha em busca do elfo que o Lord enviara para si e não o encontrou. Provavelmente havia sido convocado para alguma tarefa masoquista na Mansão Malfoy. O homem passou seus olhos pela bancada de metálica da cozinha e sentiu um nó no estomago. Cerrou os olhos afastando a imagem de sua mãe caída no chão ensanguentada, devido aos abusos de seu pai, e se dirigiu ao seu laboratório.
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Lily Evans estava radiante naquela tarde. Não apenas por ter conseguido ingressar no curso, mas pelo fato de que em apenas algumas semanas como estudante um dos professores a indicou para ser efetivada. A ruiva se dirigiu radiante até um pub trouxa, que costumava frequentar com seu namorado e alguns ex-colegas do colégio, se equilibrando nos saltos junto com algumas pastas de papelão embaixo do braço. Avistou uma mesa ao fundo rodeada por jovens e no meio da algazarra James gargalhava.
Lily se aproximou com um sorriso estampada na face. Nos últimos dias as conversas entre ambas se tornaram escassas e nas poucas ocasiões que se encontravam argumentavam sobre a ordem ou contrariedades frívolas emergentes do cotidiano estressante de um herdeiro milionário. Duas ou três vezes a ruiva se pegou divagando em pensamentos enquanto James narrava suas aventuras com Sirius. Isso não era certo, ela tinha consciência de sua atitude grotesca, mas não podia evitar de admirar suas unhas e até mesmo o entalhe em uma colher de chá.
— Lily, você está me ouvindo? – indagou James a fitando com seus lindos olhos caramelados pedindo por mais atenção. Eles haviam marcado de se encontrarem para um café em uma elegante lanchonete trouxa.
— Oh ... claro querido. – replicou a moça o fitando com as maças do rosto corada. – Estou um pouco cansada. Você sabe, esse estágio era tudo o que eu queria ... mas o curso ... e ... a ordem – cochichou se aproximando do moreno – estão me deixando um pouco exausta.
— Lírio, meu amor! Você sabe que pode largar isso tudo a qualquer momento. – proferiu com um sorriso cheio de dentes.
— James, eu não quero ser sustentada por ninguém. – informou se recostando na cadeira afetada. Já haviam discutido este assunto inúmeras vezes. – Falei isso para você há mais de dois meses, parece que não me escuta.
— Lily, eu escuto sim. – rebateu com timbre ofendido – Mas, você tem que entender que no meio desta guerra é perigoso tentar ingressar em uma nova carreira, principalmente você ..
— Que é mestiça e pobre. – completou amarga.
— Lily ... não é isso que eu quero dizer, você sabe disso. – informou com o tom severo – Eu quero apenas que você me deixe participar da sua vida ... mas eu respeito sua decisão de não morarmos juntos ainda. Realmente seria uma lástima, imagina nós três no mesmo teto? Falando nisso, na semana passada eu e Sirius ...
Bem, Lily passou aproximadamente meia hora escutando as aventuras de James e Sirius morando em um apartamento trouxa. Ela não pode evitar e sua atenção foi desviada pelo constante movimento do local. Analisava rapidamente os clientes entrarem e saírem, até memorizou o que cada um havia pedido.
Em síntese, o relacionamento estava fadado ao fracasso. Não havia mais romance, ele e Sirius constantemente participavam de Happy Hours após alguma missão sem sua presença o que aumentou a troca de correspondências contendo brigas juvenis descritas em letras gigantescas. E Lily aproveitaria aquele momento, entre amigos, para relaxar com James – seu namorado.
A ruiva estava alguns passos da mesa quando uma voz esganiçada anunciou sua chegada. Alice, futura senhora Longbottom, a evocou entusiasmada inserindo Lily na conversa acerca dos anos escolares.
James estava animado, parecia aquele garoto pelo qual ela se apaixonara no colégio. Mas, quando foi interrogada acerca de seu emprego o moreno franziu o cenho rapidamente.
— Então, você conseguiu a vaga que desejava? – indagou Frank com o tom um pouco ébrio.
— Hum ... bem ... – proferiu vermelha devido a atenção que recebia de todos repentinamente — ... eu sou a mais nova funcionário do Esquadrão em Reversão de Mágicas Acidentais.- todos aplaudiram entusiasmados, até mesmo James.
— Parabéns Lily, eu sabia que conseguiria. – solicitou o moreno com uma piscadela marota a fazendo sorrir.
E tudo naquela noite havia terminado bem. Pelo menos bem melhor do que nos últimos meses. James voltou para seu apartamento com Sirius e Remus alegando que estenderiam a festa até mais tarde enquanto a moça retornava para sua casa aliviada por ter conseguido manter um clima harmônico entre eles até o último segundo do encontro.
A ruiva girou em seus calcanhares , se afastando da entrada do bar, pronta para apartar. Cerrou os olhos e ... uma mão firme segurou seu braço e tapou seus lábios. Lily sentiu seu corpo ferver e o estranho soltou um grunhido. A moça debateu seu corpo tentando se soltar dos braços fortes do agressor e ... tudo ficou escuro.
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