Lendas da meia-noite
9 Tyler e July
Já era noite quando Tyler e July foram para a primeira vigília juntos. Estavam nervosos e não tinha nada a ver com a muralha. O garoto segurava a tocha para iluminar o caminho enquanto a garota tinha o apito amarrado em seu pescoço.
— O que você acha do Bernardo? — Perguntou July para seu companheiro.
— Bernardo? É legal… Mas por que pergunta? — Tyler estranha o repentino interesse em um de seus colegas de classe.
— Nada…
— Está gostando dele? — Seu tom era acusador, o que assustou a garota.
— Não… Só queria ver sua reação. — Ela ri. — Para ver se você se importava…
— Então não está gostando de ninguém, certo? — Desta vez, faz a pergunta com um pouco mais de cautela.
A menina ruiva franze a testa, selecionando a melhor resposta para esta questão.
— Por que quer saber? — Isso! Um ótimo jeito de se esquivar e ainda obter a resposta que queria.
— Curiosidade? — Responde, vendo, pela cara de July, que sua resposta não a convenceu. — Bem... Você é minha amiga, me importo com você.
— Se importa quanto? — Dava para ver o florescer de um sorriso no rosto da menina que era iluminado pelo fogo da tocha.
— Muito, é claro. Somos amigos.
— Por quanto tempo? — July morde o lábio inferior, nervosa com o rumo da conversa.
— Como assim? — Ele se finge de desentendido.
— Daqui alguns meses, você espera que sejamos amigos?
— Espero que não sejamos indiferentes. — Ele contorna a situação.
— Quer saber? — Ela para de andar, nervosa e agitada. — Cansei desse joguinho idiota de perguntas idiotas com respostas idiotas! — July bate o pé e cruza os braços.
— É? — Tyler chega mais perto dela.
— Sim! Você sabe o que eu estou querendo dizer com tudo isso aqui…
O garoto, nervoso e com o coração batendo cada vez mais rápido, encosta a tocha no chão, a apoia na muralha de pedra. Está mais próximo de sua paixão. Sente o suor em sua testa, as palpitações, os gritos do coração pedindo para ir devagar se não iria estourar de tanta emoção! Mas só olhava nos olhos dela. Seus olhos grandes e pretos que o olhavam encabulados e agitados.
— E o que você está querendo dizer? — Ele a provoca, pondo a mão em sua cintura.
— Vo…Você sabe muito bem. — Ela o afasta e cruza os braços, olhando para os seus sapatos, continua: — Eu gosto de você. Desde que era fraco e simpático e eu lhe trazia tortas todo mês. Era tudo uma grande desculpa só para te ver. Só para olhar seu sorriso quando me via. Eu sempre fui apaixonada por você, Tyler.
Havia um sorriso enorme no rosto do garoto ao perceber que seu amor era correspondido, e sempre fora plenamente correspondido. Intensamente correspondido! Tyler ri. Ri vitorioso, ri apaixonado! Ah, deuses! Como é bom amar e ser amado!
— Não ria de mim! — Chora July. — Eu sei que sou boba, que é impossível que alguém sinta o mesmo por mim. Sou cheia de defeitos, seria milagre alguém se apaixonar assim por mim… Sou insuficiente para qualquer garoto. Não sei cozinhar, limpar, bordar... Não nasci para ser esposa ou dona de casa. Desculpe incomodá-lo com meus sentimentos tolos, mas eu sei que meu destino é acabar sozinha.
— Do que está falando? — Tyler fala sério, preocupado com as lágrimas da moça. Ele a abraça, e dessa vez ela não foge. — Eu sempre fui perdidamente apaixonado por você. Não me importa se cozinha bem ou não. Só me interessa se você me ama como te amo. E pelo que vi você me ama tão intensamente quanto a amo. Temos tanto tempo para o futuro aparecer! Que tal resolvermos o agora?
— Resolver o quê? — Ela indaga levantando a cabeça para olhar nos olhos de seu amado.
— O nosso primeiro beijo. — Tyler sorri.
Ele põe o cabelo ruivo da menina para trás de sua orelha. Acaricia seu rosto. Ele está tão nervoso que sente seu coração saltar de seu peito a cada movimento que dá. Ela não foge. Desta vez, ela congela, não escapa de seus braços nem inventa desculpas para ir embora.
— Vê se não foge dessa vez. — Ele brinca para tirar um sorriso dela. E assim o faz.
— Nunca mais. — E assim se beijam.
Mas que beijo lindo! Dois adolescentes, entregando-se à magia do primeiro beijo, do primeiro amor. Ele colocava suas mãos na cintura da moça, e a puxava para si. E ela abraçava-o, segurava-o pelos ombros, nunca mais iria soltá-lo.
Fale com o autor