Lendas da meia-noite

3 Por Causa de um Sonho


Sophia estava no parque tomando sorvete após a aula, quando se deparou com um garoto loiro e razoavelmente "gordinho", cabelo nos olhos, escondendo seu tom verde. Era Christopher, o menino de seu sonho, que não queria ajudá-la, pois alegava que não eram amigos, e então não haveria motivos para prestar-lhe auxílio. Aquele pesadelo ainda lhe assombrava, e Sophia sabia que significava algo, como a importância de Christopher nessa história toda. Precisaria da ajuda dele, e conseguiria isso se fossem amigos. Sem hesitar, correu em sua direção e o chamou.

— Quer um sorvete? — Ofereceu-lhe tentando ser educada.

— Isso na verdade é um picolé. Sorvete é aquele que vem em bolas. E não, obrigado, não quero. — Recusou.

— Eu sonhei com você, Christopher, e acho que o sonho quis dizer que devemos ser amigos.

— Por quê?

— Porque eu acho que vou precisar da sua ajuda em algum momento, e se formos amigos, você irá me ajudar. Então devemos ser amigos.

— Você começa toda amizade assim? — O garoto, atrás daquele cabelo nos olhos, expressava interesse pelo jeito estranho daquela garota de tentar ser sua amiga.

— Só as que vão durar pra sempre! — Ela sorri.

— Gostei. Acho que seremos bons amigos então.

— Sophia. — Ela estendeu a sua mão livre para o garoto.

— Eu sei quem você é. Estudamos na mesma sala.

— Sério? Eu nunca te vi.

— Você nunca me percebeu. Eu sento na última carteira e nunca falo nada. Sou Christopher.

— Ah... Prazer em finalmente te perceber Chris! — Eles apertaram as mãos, concordando em serem amigos.

— Mas me conta que sonho foi esse. — Chris estava curioso para saber o que motivara Sophia a querer ser sua amiga.

— Eu fugia da bruxa, da lenda que o Donen contou pra gente, e aí eu caí e pedia para você me ajudar a levantar, para aquela bruxa não me pegar, mas você disse que não me ajudaria, pois não éramos amigos, e a bruxa acabou me pegando.

Christopher fica um tempo em silêncio, analisando o sonho da nova amiga.

— Uau. — comentou. — Que loucura. E por que você acha que tem alguma verdade nisso? Quer dizer... Eram lendas de meia-noite, não são reais.

— Eu acredito nessas lendas, sempre têm um fundo de verdade em todas. E também, minha avó sempre me dizia que os sonhos, aqueles que nos assustam ou que não esquecemos com facilidade, são presságios. E eu prefiro estar prevenida, pois seu que, do seu lado, a bruxa não virá me pegar.

— E se nada disso for real?

— Se nada disso for real, pelo menos terei ganhado um novo amigo, de qualquer jeito saio ganhando.

— Você é estranha. — Conclui Christopher.

— E você ainda mais estranho por concordar comigo, e por isso seremos bons amigos! — Replica Sophia.

Pelo sorriso tímido de Chris, a menina percebeu que ganhara a discussão.