Lendas da meia-noite
4 Aquele Incidente....
Passaram-se dias e mais dias, Chris e Sophia viraram bons amigos, mas eles não se esqueceram do sonho da menina. Algo que estava sempre em pauta era como matariam a bruxa.
— Meu pai diz que bruxas não existem. — Sophia comenta sentada num banco da Praça com Christopher ao seu lado.
— E você acredita nisso? — Ele indaga.
— Não. Adultos são burros. Apenas os idosos e as crianças são inteligentes. Bem... É o que a vovó diz.
— E por que ela diz isso?
— Porque ela diz que os adultos são muito presos em seus interesses que ficam cegos.
— Meu pai acredita nas lendas da vila. Disse que o muro existe para nos separar dos animais selvagens. Por isso é vigiado. E que logo será a nossa vez. Todos começam aos 14 anos.
— Eu sei, meu pai me falou sobre isso. Parece que será semana que vem, não?
— Sim, na sexta-feira. Será nossa primeira vigia no muro. Está ansiosa?
— Não, nem um pouco! — Se gaba. — Vai ser chato e entediante.
— Não se for minha parceira de vigília. — Ele fala corando.
— Verdade, nós iremos nos divertir muito estando juntos. — Sophia sorri. — Será que veremos alguns monstros? — Ela já se anima.
Ao contrário dela, Chris não tinha essa animação toda para encontrar monstros e matar bruxas. Ele era mais quieto e se interessava mais por livros, tímido e pode-se dizer que mais covarde do que sua amiga. E não fazia ideia de como ele a ajudaria. Logo ele, que não gostava de aventuras? Que preferia estudar em casa ou então jogar com os amigos? Sua inteligência só lhe seria útil na escola.
— Eu prefiro não ver nenhum monstro.
— Ah, mas seria tão legal!
— Não acho. — Chris discorda.
Sophia estava pronta para retrucar e listar todas as razões de ser interessante e muito legal encontrar um monstro, mas a mãe de Chris gritou da porta de casa, chamando-o para jantar. As crianças se despediram e cada um foi para sua casa. Chegando na porta, Sophia viu seu irmão Tyler sentado na varanda.
— O que foi? Por que está aí? — Ela pergunta se aproximando dele.
— Nada, só estou me sentindo cansado. — Ele responde ofegante.
— Pensei que não iria se sentir assim de novo. A alimentação reforçada? — Sophia se preocupa.
— Não! Está sim, Só... Eu só... Corri muito hoje com meus amigos.
— Ah sim! Quase me matou de susto. Bem, te vejo no jantar então.
Sophia entra em casa. Laura está fazendo o jantar, e Elizabeth estava bordando na sala. A garota decidiu ir até a irmã, para conversarem um pouco, como faziam quando eram menores e brincavam de bonecas.
— Lize? — Ela chama.
Elizabeth tira os olhos do bordado e observa a irmã caçula com seu vestido rosa florido sentando no sofá ao seu lado. Elas ficam se olhando por algum tempo, a mais velha se volta novamente para seu bordado?
— Lize? — Repete Sophia.
— Vai falar o que quer ou não? — Responde já sem paciência para as brincadeiras de sua irmã.
— Não precisa ser grossa. Eu só queria conversar com você.
— E não vê que estou ocupada?
— Bordado não é importante. — Sophia retruca de nariz em pé.
— Para uma criança boba como você, o que importa?
— Não sou uma criança boba, não gosto que me chamem assim.
— Então não me irrite quando estou ocupada! Saia daqui Sophia! — Elizabeth a expulsa.
— Você é muito chata! A pior irmã do mundo! — Sophia grita tão alto que sua mãe se assusta.
— Que barulho é esse aí na sala? — Grita a mãe da cozinha.
— É só a Sophia sendo infantil! — Respondeu Elizabeth de volta.
— É a Elizabeth sendo idiota! — Desmente Sophia e sai correndo subindo as escadas para seu quarto.
Laura vai para a sala com o avental sujo, olha para a filha que voltava a bordar como se nada estivesse acontecendo. Cruza os braços e espera uma explicação.
— Pare de me olhar assim. — Elizabeth pede, sem tirar os olhos do bordado.
— Pare de bordar agora e olha pra mim. — Laura ordena, com a voz firme, e sua filha o faz, um tanto irritada, largando o bordado no sofá e encarando a mãe.
— Ela começou com as brincadeirinhas idiotas! — Se defende.
— Pensa que não te conheço? O que iria lhe custar se largasse esse bordado e conversasse um pouco com a sua irmã?
— Muita coisa! Eu preciso terminar de bordar para a aula amanhã, e ela não queria conversar, queria me irritar, como sempre. Por isso ninguém gosta dela! Só irrita as pessoas.
— Não fale assim de sua irmã. Isso a deixa magoada. Ela só é extrovertida.
— Não. Ela é infantil, não cresceu e nunca irá crescer se vocês não pararem de protegê-la. Como fará a vigília se aparenta sempre ter 10 anos? Ela por acaso sabe a responsabilidade de vigiar o muro?
— Só porque aconteceu um incidente com você na sua primeira vez de vigília, não significa que ocorrerá com ela. Pare de tratá-la como criancinha, que ela é mais esperta do que muita gente! — A mãe se retira da sala, deixando Elizabeth derramar algumas lágrimas, ao lembrar-se do que aconteceu em sua primeira vigília.
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