Lemon Drops

4 Inferno colegial


Notas iniciais
Perder a paciência no primeiro dia de aula, com certeza não é um bom sinal... A transformação de Mona esta prestes a começar, e com consequências fortes em seu futuro.
Preciso da opinião de vocês para poder continuar, então, por favor, não deixem de comentar, ok?
Beijos

-Bom dia galera. — Foram as primeiras palavras ditas pelo meu mais recente sonho, eu estava enlouquecendo, com certeza. Mas não estava nem ligando. Aquele sorriso me encantou de um jeito que nunca antes em minha vida havia acontecido. Sim, eu estava perdida!

-Meu nome é Tiago. — Ele continuou, olhando para toda a sala agora — Sou o novo professor de inglês de vocês. Acabei de me formar então, por favor, não peguem pesado comigo. Sou praticamente um colega de turma de vocês — Ele deu uma risada muito fofa.

Agora entendi porque aquele Adonis parecia ser tão novinho. Acabou de sair da faculdade! Que sonho! Mas logo, meu sonho virou pesadelo... Pois não foi só a mim que ele chamou atenção, logo as descoladas começaram a se interessar pelo seu carisma e simpatia... Aquelas bonequinhas plastificadas, avançando sobre a carne nova como leoas sedentas de fome.

-Fica tranquilo, Ti. — Disse Natália, uma das leoas da sala — Nós seremos muito boazinhas com você — Ela sorri com aquela boca lotada de gloss.

Ti? Como assim Ti? Que intimidade é essa, senhor? Mal conhece o cara e já vem colocando apelidos? Esse mundo está mesmo perdido...

-Obrigado pelo apoio, pessoal — O lindo responde, meio envergonhado. Quem não ficaria com aquelas sirigaitas se engraçando pro lado dele? — Mas vamos começar logo com a matéria, porque ainda temos muito o que ver...

Fiquei o resto da aula ardendo em fúria. Perdida em pensamentos vingativos. Eu nunca fui assim, sempre estranhei aquele povo descolado, mas nunca quis nenhum mal a nenhum deles. Pensei na hora que estava só estressada. Primeiro dia de aula, gente chata tomando meu lugar na sala, ameaça de fechar a oficina de artes e agora, essas meninas dando em cima do meeu lindo novo professor... Tinha mesmo que ficar estressada não? Sim, era só isso...

Mas eu estava enganada... Mal sabia eu que toda aquela fúria dentro de mim seria o primeiro passo para a minha terrível transformação... em uma terrível garota mimada.

Enfim o intervalo. Meia hora para poder esquecer das torturas da escola. Poderia encontar meus amigos e jogar conversa fora, mesmo que fosse por pouco tempo. Me dava forças para seguir em frente.

-Mona! Di! — Gritou Pam, no meio do pátio — Estamos aqui!

Fomos ao encontro dos dois e nos sentamos em uma das mesinhas coloridas que enfeitavam o pátio da escola.

-Como foram as primeiras aulas? — Lu perguntou

-Ah, o de sempre. — Diana, respondeu, desanimada — Ainda não acredito que podem fechar o clube de artes. É inaceitável!

-Você tá nervosinha demais, Di — Pam disse, dando uma risada — Vamos conseguir salvar a oficina, você vai ver. Já tiveram aula de artes?

-Já — Di disse, novamente

-Então já devem saber que vamos ter vários projetos para arrecadar fundos. Relax, vamos conseguir... Ei Mona, por que está tão quieta?

-Nada. Só tô um pouco cansada.

-E você acha que eu nasci ontem? Eu te conheço bem amiga, conta logo o que está afligindo seu coraçãozinho. — Porcaria de convivência, ela gera uma coisinha chamada "intimidade" e aí, meus caros, você não consegue esconder mais nada!

-Bem... Eu, acho que estou interessada em alguém...

-Ah, não. Para tudo! — Lu disse, espantado — Monalisa? Aquela que disse que "garotos são pura perda de tempo", interessada em alguém?

-Não me diga que é aquele menino novo da sala? — Diana pergunta — O tal que estava do lado da menina que implicou com você?

-É claro que não!

-Então quem é? — Perguntou Pam, curiosa como sempre.

-Eu... Não posso dizer. Pelo menos por enquanto.

-Jura que vai esconder segredo dos seus melhores amigos? — Diana perguntou, indignada.

-Vocês não entendem. Eu nem tenho certeza se estou mesmo interessada, ainda é cedo pra dizer... Me deixem entender primeiro o que está acontecendo comigo, tudo bem?

-Ok, florzinha — Lu disse — Vamos dar esse tempo pra você. Mas saiba que para qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, vamos estar aqui pra te ajudar, está bem?

-Valeu, galera!

As aulas seguintes se arrastaram por uma eternidade. Matemática, física e geografia... Nunca me dei bem em nenhuma delas. Minhas únicas paixões eram biologia e história. E justo no meu primeiro dia de aula, não tive nenhuma dessas aulas, pra você ver como é a minha sorte.

Ao final da aula, conversei raidamente com o pessoal e logo fui embora, não estava com cabeça para continuar ali por muito tempo. Tudo que eu queria era voltar pra casa, deitar e esquecer do resto do mundo. Dormir, dormir, dormir. E nada mais...

Infelizmente tinha que esperar a Malu para voltar pra casa. Meus pais sempre me deixavam essa responsabilidade, pois apesar de nossa diferença de idade ser de apenas um ano, nossa diferença de idade mental e intelectual era bem maior. Malu ainda vivia no mundinho das garotas de treze anos, que colecionam revistas de fofoca e colam pôsteres de artistas nas paredes do quarto. Então sobrava pra mim, tomar conta da minha "querida" irmãzinha.

Não foi surpresa nenhuma encontrar ela na porta da escola se agarrando com o que ela chamava de "namorado". Um tal de Douglas, com quem ela já estava há alguns meses, e que eu tinha que acobertar, já que ela se recusava a apresentá-lo aos nossos pais. Se bem que nisso eu tenho que concordar, eu também não teria coragem de apresentar esse garoto como meu namorado... O cara não sabia falar nenhuma frase sem colocar um "velho" no meio, e ainda andava com as calças caindo pelos corredores da escola. Será que ele não sabia que já haviam inventado uma coisa chamada "cinto"?

-Malu, vamos pra casa — Falei, evitando olhar para a cena de agarramento entre os dois.

-Ah... Eu vou ficar mais um pouco com meu mô. Pode ir se quiser

-Malu, eu não posso chegar em casa sem você! Vamos embora, você tem muito tempo pra ficar com seu "mô", depois.

-Dá um tempo, Mona. Eu já sou bem grandinha, não preciso mais ir pra casa com você.

-Isso você discute com nossos pais, se eles te liberarem eu garanto que você não vai nem me ver na saida da escola. Mas antes disso, não posso fazer nada.

-Pode ir, eu me entendo com eles depois

-Relaxa, mô — O menino falou, passando a mão nas costas da Malu. — Depois a gente continua...

-Você não pode ficar me controlando assim! — Detesto, detesto quando a Malu começa a dar chilique no meio da rua...

-Já chega Maria Luisa! Vamos pra casa, agora!

-Você não é minha mãe!

Aquela ceninha da Malu ainda durou mais longos dez minutos, eu já não tinha mais argumentos para convencer aquela pirralha mimada a ir pra casa. Por sorte o namorado pervertido dela conseguiu convencê-la a ir comigo pra casa, e depois de espernear como uma garotinha de sete anos querendo uma boneca nova, ela finalmente foi comigo pra casa, óbviamente sem dizer nenhuma palavra. Mas eu conhecia bem a minha irmã. Logo, logo já estaria falando comigo outra vez, aquela lá não conseguia ficar um dia sem abrir a boca...

E assim terminou o primeiro dia de aula, agora só faltavam mais 199... E minha paciência já estava quase chegando ao fim. Não faltava acontecer mais nada... Ou será que faltava?

Notas finais
Espero que tenham gostado, deixem sua opinião!