Lemon Drops

5 Lar doce lar?


Notas iniciais
Parece que foi ontem que comecei a escrever essa história... Mas na verdade foram anos! Como o tempo voa! "Vocês não imaginam o prazer que é estar de volta" XD Espero que gostem! E se gostarem, comentem o que estão achando! besos!

Aaah... chegar em casa, a melhor hora do dia! Eu amo meus amigos, acreditem, mas não tem nada melhor que entrar em casa, tirar os tênis e se jogar no sofá, tem? Ainda mais depois de um dia estressante como aquele. Mas meu sonho foi rápida e bruscamente interrompido por um grito estridente vindo da cozinha...

— Monaaaaa! — gritou minha mãe — venha aqui filha!

Acho que deixei passar as apresentações sobre minha mãe. Dona Marília, como a chamávamos pra irritar, pois ela odeia ser chamada de "dona", é aquela mãe super protetora que cuida das filhas como se fossem recém nascidas, apesar de já serem quase maiores de idade. Ela tem uma mania terrível de querer saber cada detalhe do que aconteceu nos nossos dias. Fácil pra mim, que quase nunca tenho nada de especial pra contar, difícil pra Malu, que tem sempre um segredinho escondido e que só sabe posar de boa moça na frente da mamãe.

Me aproximo dela com um sorriso extremamente falso, porém convincente.

— Oi mãe. Tudo bem?

— Filha, o que houve com sua irmã? Passou correndo por mim e foi se trancar no quarto. Aconteceu alguma coisa?

— Não que eu saiba mãe... — Eu odeio, simplesmente ODEIO mentir pra minha mãe, e compactuar com as mentiras da Malu me tirava do sério. Ah se não tivéssemos feito um pacto quando tínhamos nove anos e quebramos o vaso de porcelana da vovó, de que nunca contaríamos os segredos uma da outra pra ninguém. Sim, eu sei que eu era apenas uma criança, mas promessa é promessa, e eu não sou de quebrar as minhas.

— Tudo bem, depois que terminar o almoço falo com ela. Mas como foi seu dia filhota? Aposto que foi empolgante voltar pra escola, não é?

— Sim... Suuper empolgante — Tento não parecer tão irônica quanto eu realmente gostaria. — Foi bom rever o pessoal.

— Que bom Mona! Fico muito feliz por você! Espero que a Malu também tenha tido um bom dia, deve ser horrível começar o ano com o pé esquerdo né?

Mal sabia minha mãe que o meu ano tinha começado com cinco pés esquerdos...

Depois de almoçar, subi pro meu quarto e fiquei alguns minutos trocando mensagens com meus amigos no celular. Pam falava sobre uma foto nova que tinha postado e queria nossa opinião. Eu, como não tinha redes sociais e não sabia qual era a dita cuja foto, me abstive da discussão.

" você precisa urgentemente de um instagran, Mona", eram as palavras dela. Mas eu não via grande utilidade em ficar expondo minha vida particular na internet. E se algum maníaco me achasse nas redes sociais e começasse a me perseguir na vida real? Melhor não arriscar... Fora que eu também não tenho nada de tão interessante assim que seja digno de ser compartilhado.

A Pam, por exemplo, sempre viajava pra lugares lindos com os pais em todas as férias, tinha fotos esquiando, tomando café perto da Torre Eiffel e exibindo as sardinhas lindas e o corpo perfeito em um biquíni em alguma praia paradisíaca. Eu no máximo teria fotos no quintal de casa ou na casa da minha vó no interior (que era um dos meus lugares favoritos no mundo, mas ainda assim, só uma casinha no interior).

Lu, por outro lado, tinha o que ele costumava chamar de "feed perfeito", adorava fotos fazendo carão, com roupas estilosas, tinha o sonho de ser blogueiro e viver de mimos enviados pelos fãs. Não se pode negar que o safado tinha carisma, e sempre um comentário afiado na ponta da língua. Já eu, se tentasse tirar uma foto fazendo carão, pareceria um pinscher vesgo.

Até Diana, que sempre foi tímida e parecida comigo em seu jeito de ser, exibia fotos em redes sociais. Mas as dela eram diferentes. Diana era apaixonada por fotografia, adorava retratar o mundo do jeitinho que ela via, amava fotografar as pessoas em sua mais natural e espontânea forma de ser, e o resultado era realmente incrível. Eu tinha dificuldades até em enquadrar minhas tias quando pediam pra eu tirar uma foto da família.

Sim, era muito melhor eu permanecer quietinha com meus joguinhos de celular, esses sim eram aplicativos úteis...

Pouco mais de quatro horas da tarde, a campainha toca incessantemente. Eu odeio atender a campainha, geralmente é minha mãe quem sai saltitante para receber qualquer que seja a visita. Ela adora servir um cafézinho. Mas ela está no banho e Malu etá no telefone com seu projeto de namorado há quase uma hora. Com muita relutância, desço as escadas e me arrasto até a porta de entrada.

Ao abrir a porta, me deparo com uma supresa não muito agradável. Diante de mim estão a menina e o menino desconhecidos que roubaram meu lugar e de Diana na sala, acompanhados de uma mulher gordinha com um sorriso enorme no rosto.

— Olá fofinha! Somos seus novos vizinhos! — A mulher fala com um entusiasmo exagerado — Meu nome é Fabiana, mas pode me chamar de Fabi. E esses são meus filhotinhos, Fernando e Camile.

Eu olho para aqueles rostos conhecidos e lembro da discussão de mais cedo, corando instantaneamente. Eu realmente havia sido bem desagradável naquele momento. Obviamente devido à humilhação no auditório, mas, que ainda assim, não justificava meus modos.

— O- oi! — Falo sorrindo, tentando ser o mais simpática possível — acho que já nos conhecemos...

— Oi, tudo bem? Lembro de você! — Fala o menino, retribuindo a simpatia. Ele tinha cabelos pretos e olhos verdes, como eu. Eu já mencionei que tenho olhos verdes?

Desculpem a falta de descrições a meu respeito, mas, tirando os olhos, que são herança da família da minha mãe, eu realmente não tenho muitas características dignas de nota. Cabelos pretos escorridos e pele extremamente branca, altura mediana, aparência mediana, enfim, nada de muito animador.

— Ah... você — fala a menina, que é bem diferente do irmão, pra falar a verdade. Loira, com o cabelo curto e ondulado impecável, ela olhou pra mim com a maior cara de "tanto faz" do mundo. — oi.

— Ah que lindo! Vocês se conhecem? — Fala a mãe, surpresa e exageradamente animada — Devem ter se conhecido na escola, eu imagino.

— Sim — respondo — Somos da mesma classe.

— Mas que coisa maravilhosa! Ótimo! Realmente ótimo! Fiquei com medo deles estranharem a nova escola e terem dificuldade em fazer amigos, principalmente Camile, que é...

Antes que Fabiana completasse a frase, Camile lhe lançou um olhar furioso que fez a mulher dar uma tossida forçada e interromper sua fala.

— Bom ... — Fabi diz — O importante é que vocês já arrumaram uma amiga, e olha que coisa maravilhosa, ainda por cima é vizinha de vocês!

— Não somos amigas — Camile diz, séria

O menino a cutuca com o cotovelo.

— Mas garanto que vamos ser. Não é, Mile?

— Claro. — ela responde, revirando os olhos.

— Vocês... vocês querem entrar? — Digo, tentando desviar o assunto "amizade escolar" — Minha mãe está no banho, mas já deve estar saindo.

— Não! — A menina rapidamente responde — quer dizer... não vamos incomodar a moça, não é mãe? Voltamos outra hora.

— Oh sim, sim — Diz Fabiana — não se incomode querida, teremos todo o tempo do mundo para fazer as apresentações!

Aquele "todo o tempo do mundo" me pareceu tempo demais...

Notas finais
O inimigo está mais perto do que se imagina...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.