Lemon Drops

2 Flechada, cruelmente flechada


Notas iniciais
Quem nunca teve uma quedinha por algum professor?
Mas o caso de Monalisa foi muito diferente, muito diferente mesmo!
Continuem comentando, dando sua opinião sobre a história, é muito importante!
Obrigada.

Andar pelos corredores da escola pode ser uma aventura cruel, muito cruel. Olhar para os lados e só ver brilho, rimel, batom, gloss, lápis de olho, e coisas que você nem sabia que existiam nos rostos estampados das cool girls, e logo depois olhar-se no espelho do seu armário e só ver uma cara limpa, pelo menos está limpa...

Andamos até o auditório, em que o diretor Lewis faria o discurso de início de ano. Pelo menos iamos dar algumas risadas com seu jeito atrapalhado de falar. Mas quando ele abriu a boca para começar o disurso eu não pude prestar atenção em mais nada...

Pois quando olhei para o palco, lá estava ele... Sentado junto com todos os professores. O cara mais lindo, mais fofo, mais tudo que eu já havia visto. E depois disso, em meus pensamentos, o diretor sumiu, todos sumiram, só ele e... "O que está acontecendo comigo?"

Me senti estranha, nunca havia me sentido daquele jeito. Claro que já havia me interessado por outros garotos, que garota não? Mas aquilo era bem diferente, beirando o surreal! Pois apesar de parecer bem mais novos que os outro que estavam ali, ele estava junto com os professores, sendo assim, só podia ser um... Oh não!

-Mona! O que houve? — Perguntou Diana

— Am... como ? — perguntei, ainda presa em meus pensamentos

-Nós é que perguntamos, fofa — falou Pam — Tá aí no mundo da lua, não ouviu o que o diretor Lewis disse?

-Acho que me distrai, o que foi que ele disse?

— A pior coisa que podia ter dito... — falou Diana, cabisbaixa — Estão ameaçando fechar a oficina de artes.

-O quê ?!

Isso não, isso não! Nosso único refúgio era a oficina de artes. Um lugar que causava alergia ao povo pop da escola. Lá era só a gente, nosso mundo. Livros, filmes, teatro, desenho. Todos os meus hobbies reunidos em um só lugar! Não podiam acabar com isso, não mesmo!

-Mona! — Lu disse, envergonhado. Todos no auditório olhavam para mim, que estava em pé, sem me dar conta que havia falado, digamos, alto demais... Na verdade, gritei mesmo.

-Algum problema, Monalisa? — Disse o diretor

-P-problema? — Não sabia onde enfiar minha cara — Problema nenhum diretor... Eu estou ótima... Maravilhosa — Então aquele rosto lindo no palco voltou sua atenção para mim, ele sorriu olhando nos meus olhos, e eu, pra variar, fiquei vermelha como um pimentão.

-Se é assim, podemos continuar...- O diretor se virou e continuou a discursar

-O que deu em você, amiga ? — Pam, perguntou, assustada — Geralmente quem gosta de aparecer sou eu haha

-Eu... Não sei — respondi — Não sei o que aconteceu...

-Tá tudo bem, lindinha ? — Lu perguntou, preocupado

-Tá, tá sim... Só preciso de um pouco de ar...

Deixei o auditório antes mesmo que o diretor terminasse o discurso... Precisava pensar. Mas ao mesmo tempo queria não pensar em nada. O que eu fiz? O maior vexame ! Decididamente não estou raciocinando direito.

Fui até o bebedouro, e qual não foi minha surpresa ao ver um casal se agarrando atrás de um painel de madeira. Tive vergonha, vergonha de mim mesma. Enquanto aqueles dois praticamente engolem um ao outro em beijos ardentes, eu, a tímida, a esquisita, a quieta, a pamonha... Nunca beijei ninguém...

Você deve estar me achando bem estranha agora né? "Qual o problema dessa garota? dezessete anos nas costas e nunca beijou na vida? Até a irmã mais nova dela já beijou, e bem mais de uma vez!" É eu sei, eu sei... Mas é a mais pura verdade... Na frente de minhas amigas eu digo que sou decidida, que não ligo pra isso, que tenho que me procupar com a minha faculdade e não com essa besteira de garotos. Mas a verdade é que eu estava desesperadamente desesperada para beijar alguém! Não queria ficar sozinha para o resto da vida, poxa... Será que eu não tenho esse direito?

O mais perto que cheguei de ganhar um beijo foi uma vez em um aniversário da Pam... Ela sempre dá umas festonas. Embora eu não seja muito fã de festas, sempre vou, por ela.

Lembro bem desse dia, foi há dois anos atrás... Uma prima mais velha da Pam inventou de jogar um jogo desses sacanas em que a pessoa tira no dado o que tem que fazer com a outra pessoa. Bem pervertida essa prima da Pam, me deixou realmente traumatizada!

Eu me recusei a jogar, obviamente...

O problema foi que o jogo podia envolver pessoas de fora, e foi o que aconteceu comigo. Um garoto, o nome dele era

Hugo

, jogou o dado e quem deveria escolher a pessoa com quem ele deveria fazer a "coisa" foi a tal prima da Pam. Eu odiei, odiei ela por isso...

"-Hum... Que tal aquela quietinha ali no canto? — Falou ela, com uma vozinha irônica

-E-eu? — Perguntei, asustada — N-não, eu não estou brincando

-Ah, deixa de ser boba. Não tem nada demais nesse dado... O máximo que tem é beijo na boca. Você já deve estar cansada de fazer isso né?

-Er... É claro... Mas eu não tô afim de jogar....

— Qual é... O Hugo aqui tá doido pra te dar um beijo, não é Hugo?

O menino era bem esquisito, mas tinha uma cara de sem vergonha, o que me dava mais medo ainda... Ele me olhou de cima a baixo e disse:

-É... Pode ser...

"Pode ser? Pode ser? Como assim pode ser? Quer me beijar e fica esnobando?" Fiquei com raiva naquele momento... Mas por outro lado pensei que podia ser a oportunidade perfeita para largar aquela sina de "garota pega ninguém".

-Vamos lá pessoal, vamos ajudar o casal! — A prima da Pam puxou o coro de vozes

"Beija! Beija! Beija!" — Todos gritavam

Tem coisa mais vergonhosa que isso ? Queria enfiar minha cara debaixo da terra!

O menino veio se aproximando cada vez mais com aquela boca molhada pro meu lado, mas quando ele ia chegar perto de mim eu surtei! Sai correndo desesperada e fui embora da festa...

Sim, eu sou retardada.

O fato é que eu não beijei naquele dia, nem em dia nenhum depois daquele.

Sai de meus pensamentos e quando olhei na direção do painel de madeira, o casal ainda estava se agarrando descaradamente. Será que não tem mais o que fazer?

-Mona! — Uma voz gritou de longe, e eu logo reconheci a Diana, vindo ao meu encontro

-Oi...

-O que aconteceu? Você saiu do auditório sem mais nem menos

-Só um pouco de falta de ar... Precisava respirar um pouco.

-Tá melhor agora?

-Tô... Tô sim

-Ótimo! Vamos procurar nossa sala agora? Todo mundo já foi...

-Claro.

Vai ser um looongo ano...

Notas finais
Continuem lendo e acompanhando!