Lemon Drops

3 De volta a velha rotina


Notas iniciais
Aulas! Como eram as suas? Você sentava no fundo da sala? Na frente? Era da turma que falava sem parar? Lembrar dos tempos da escola é sempre uma aventura!
Comente como eram ou são seus tempos de escola, como era sua turma?
E não deixe de dar sua opinião sobre a história!
Obrigada.

Entrar na sala de aula... Depois de tanto tempo. Sempre é como se fosse a primeira vez. Mesmo com os rostos conhecidos, os amigos, tudo é diferente. É um novo começo, um novo ano, mais um ano esquecida nas ultimas carteiras da sala. "Só mais um pouco", penso. Já estou quase lá.

Apesar de meus amigos estarem sempre junto comigo, na sala de aula somos só eu e Diana. Porque Lu e Pam repetiram a oitava série, e desde então ficamos separados durante as aulas, o que tornava tudo pior. Ao menos ainda tinha a Di, sem ela, seria um ano insuportável.

Mas ao chegar na sala, qual não é minha surpresa ao ver rostos novos na classe. Não que isso nunca acontecesse, o que chamou minha atenção foi o fato de estarem sentados no lugar onde eu eu Diana costumávamos ficar... O fundo da sala.

-Dá lincensa? — Eu disse para a menina que estava no lugar onde eu costumava sentar -Você tá no meu lugar.

-Ah desculpe — Ela respondeu — Não sabia que tinha seu nome escrito aqui.

-Não tem, mas...

-Então não é seu lugar.

-Olha, você não vai querer sentar nesse lugar, por que não fica perto do pessoal "maneiro", lá na frente?

-Não, valeu. Tô bem aqui.

-Algum problema? — Perguntou o menino que estava do lado dela, no lugar que Di costumava sentar

-Nada não, Fê — Falou a menina — Ela já estava de saida, não é?

-Eu...

-Desculpem minha amiga — Diana falou — Nós duas costumávamos sentar nesses lugares ano passado, mas não tem problema algum, nós procuramos outro lugar.

-Melhor assim — A menina disse, com a cara fechada

-Quem são aqueles dois? — Perguntei enquanto sentávamos em duas carteiras no meio da sala.

-Não sei. — Diana respondeu — Mas parece que se conhecem. Viu como a menina chamou o garoto?

-"Fê". Devem ser namorados, ou coisa do tipo. Muito antipática, a menina.

-Vamos combinar que você também não foi das mais simpáticas com ela, Mona.

-Ah, deixa isso pra lá...

A sala ficou em silêncio. Uma mulher aparentando mais idade entrou na sala, e se apresentou como Sueli, professora de artes. Ela falou um monte de ladainhas sobre a importância da arte, e depois disse para aproveitarmos bem, pois poderia ser o útimo ano de artes na escola...

-Por quê? — Perguntei, aflita. Nessas horas deixava até a timidez de lado.

-O que disse?

-Por que vão fechar a oficina de artes?

-Não prestou atenão no que o diretor disse, não é... — Ela procurou meu nome na chamada — Monalisa? Nossa verba para artes está muito pequena, o colégio não anda bem de finanças. Então serão necessário cortes. Decidiram começar por artes, que segundo o comitê, não é tão importante para a formação acadêmica. Uma lástima em minha opinião...

-Não tem nada que a gente possa fazer? — Disse Susana, uma de nossas companheiras no mundinho impopular.

-O diretor sugeriu que tentássemos angariar fundos para tentarmos reerguer a oficina, fazendo feiras de livros, exposições de desenhos e pinturas e peças de teatro. Achei uma boa ideia, mas preciso da ajuda dos alunos. Será que posso contar com vocês?

Metade da sala ficou em silêncio... O povo pop não estava ligando muito para a oficina de artes, para os garotos, contanto que não fechassem o clube de esportes, tudo estava as mil maravilhas. Mas as meninas, essas sim se importavam, sim, as meninas rebocadas de maquiagem também se importavam com as artes, mas não pelo fato de apreciarem arte de verdade. A única coisa que gostavam era aparecer, pra variar. Não davam a mínima para desenhos e livros, mas não perdiam uma chance de aparecerem nas peças da escola, nos papéis principais, óbviamente.

Para nós, meros mortais, sempre sobravam os papéis de "mendigo no fundo da cena" ou "árvore número três". Normal.

O fato é que, pelo menos uma vez na vida, essas meninas estavam a favor da mesma coisa que eu. Não podiamos deixar a oficina de artes fechar. O que seriam das futuras gerações "sem jeans de marca", como eu, se não houvesse mais um porto seguro onde pudessem se refugiar? Não. Eu não ia deixar isso acontecer!

-É ótimo ver o entusiasmo de vocês, meninas! — A professora falou, sorridente. — Mas vamos precisar da ajuda dos meninos também. Não se esqueçam que artes é uma matéria como as outras, portanto, vale nota!

É incrível o poder que a palavra "nota" tem. Foi só ouvirem isso que os meninos se trannsformaram completamente, começando a discutir projetos que podiam realizar, para garantir pelo menos uma nota razoável, e não serem expulsos dos times da escola...

Ao final da aula ficou decidido que fariamos uma exposição de quadros pintados por alunos do ensino médio, um show de talentos em que cada um deveria mostrar o que faz de melhor, e todos os alunos deveriam participar, o que me deixou totalmente desesperada, já que não sei fazer nada! Também teriamos uma festa junina, no meio do ano, para arrecadar fundos com as barracas, e por fim, uma peça de teatro, ainda a ser escolhida. Tudo pela arte!

Eu e Diana ficamos conversando enquanto a segunda aula não começava. Foi quando empalideci completamente, ao ver um anjo entrar pela porta da sala. Literalmente um anjo. Com cabelos loiros e olhos azuis... Tá, eram castanhos. Mas mesmo assim eram perfeitos. Eu não podia acreditar que o carinha mais lindo que já tinha visto, era meu professor! Como eu nunca o tinha visto antes? Com certeza era novo na escola...

Logo que entrou, lançou um olhar pela sala toda, como se procurasse algo... Ou alguém... E foi parar seus olhos... Justamente em mim! Pensei que poderia ter se lembrado da cena ridícula que fiz no auditório, e deveria estar rachando de rir de mim por dentro! Mas então ele sorriu... O sorriso mais lindo do mundo! Será... Que era pra mim?

Notas finais
Obrigada por lerem! Continue acompanhando!