Lembrem-se de Cedrico Diggory
10 Quadribol
Notas iniciais
"It looks like the end of history as we know
It's just the end of the world
Back to the street where we began
Feeling as good as love, you could, you can"
No resto do feriado, embora estivessem cheios de tarefas a serem feitas, Cordélia e seus amigos passaram a maior parte do tempo do lado de fora, mesmo com a neve fofa que decorava todo o jardim e os fazia congelar. Geralmente, conjuravam algumas chamas azuladas quentes e deixavam no chão, sentando-se ao redor para fazerem jogos. Numa tarde, Cedrico resolveu apresentar Vítor aos feijõezinhos de todos os sabores, um pouco maldoso, mas bem mais divertido. Os ingleses, familiarizados com as cores e sabores, já sabiam evitar serem pegos numa surpresa desagradável, mas, após a terceira tentativa, o búlgaro exclamou, enojado:
—Come focês comeem esto?!
Ao que Cordélia riu e o ofereceu um feijãozinho sabor morango, que o fez mais simpático para com os doces.
Foi numa dessas tardes que a ideia surgiu.
Cordélia não estava prestando atenção na conversa. Estava distraída fazendo desenhos na neve com seus pés desde que a conversa migrara para quadribol. Com Cedrico e Vítor na mesma roda de conversa, estava honestamente surpresa que isso não houvesse acontecido antes. O grupo estava relaxando no pátio de manhã, antes do almoço. Fleur também estava dispersa, como se o assunto não a interessasse tampouco. Os três campeões, mais Mary e Cordélia, dividiam um saco de bolinhos de caldeirão recheados ainda quentes, que os aqueciam no frio do lado de fora.
—Temos três apanhadores entre os campeões. –Cedrico observou. –Poderíamos formar quatro times.
Foi essa a frase que chamou a atenção de Cordélia para o teor da conversa. Estava distraída secando a barra de sua saia de veludo com feitiços, já que a tinha molhado ao se abaixar para brincar na neve. Agora, encarava o rosto de Cedrico, a palidez colorida por manchas vermelhas nas maçãs do rosto. Se frio ou excitação, era difícil dizer.
—Cada um com os times de sua escola? –Krum perguntou desconfiado.
—Eu non voo. –Disse Fleur ao mesmo tempo, taxativa.
—Vamos lá. –Cedrico insistiu para a loura. –Não vai pegar bem se forem apenas os garotos jogando. -Então de volta para Krum. –De forma alguma. Cada um pode escolher os jogadores que bem entender entre todas as escolas.
—Eu ensino você a voar! –Mary se adiantou para Fleur, parecendo animada.
—Apenas precisamos falar com Potter. –Cedrico sorriu grandemente.
Cordélia não foi com ele chamar Potter para a partida amigável, mas já imaginava que o Grifinório não poderia recusar, afinal, era tão aficionado quanto os outros, se o fato de ser do time da Grifinória podia dizer alguma coisa. No fim, ela estava certa, porque no dia seguinte Hogwarts inteira estava em rebuliço com as notícias de uma pequena competição entre os campeões.
—Para alguém que não gosta de quadribol.... –Cedrico comentou com ela, os dois sentados no pátio, comendo os doces que ela ganhara de natal, enquanto Cordélia reclamava do engano que fora pensar que não haveria quadribol naquele ano. –Você namorou muitos jogadores.
Ela abriu e fechou a boca, surpresa com o comentário; jamais havia pensado dessa forma.
—Quero dizer... –Ele continuou, pensativo. –Tem eu. Houve Oliver Wood... eu me lembro disso. Ele grifinório, você sonserina, todo mundo comentou e ele era aficionado. Está jogando num time profissional, sabia? Então Rogério Davies... Marlon joga?
A sonserina ainda não acreditava que Fleur o havia dito sobre Marlon; e que ele nem parecera incomodado.
—Joga. –Respondeu com um muxoxo, sem querer admitir que ele estava certo. Em sua defesa, dois dos quatro relacionamentos com jogadores haviam terminado por causa do quadribol. Rogério, que quisera que ela torcesse por ele, e Wood, que se recusava a calar a boca sobre como ter Potter no time faria toda a diferença quando ele estava no quinto e ela no quarto ano. Então ela se lembrou de algo. –Eu namorei outro cara em Beauxbatons. Matteo Salvatore. Absolutamente nerd, de um jeito charmoso.
O olhar que ele a deu foi um pouco estranho.
—É diferente. –Ela disse a ele. Não para garanti-lo de nada, mas apenas para dizer em voz alta. –Com você, eu digo. Não sei explicar. Sempre fui muito consciente de você.
—Aposto que eu gostava de você antes. –Ele respondeu, sorrindo um tanto triste. –Lembro da primeira vez que nos falamos. –Como Cordélia nada disse, afinal, não se lembrava, ele continuou. –Nós trombamos um no outro no segundo ano. Eu machuquei o joelho, você me disse para ir à enfermaria.
—Eu lembro. –Ela finalmente sorriu, a lembrança clareando em sua mente. –Foi quando você foi escolhido apanhador da Lufa-Lufa.
—É. –Cedrico pigarreou. –Eu não sabia disso, mas gostava de você desde lá.
—Não acredito em você. –Ela disse baixinho. Não acreditava mesmo. Cedrico era popular e legal, ela era reservada e distante. Não havia chance de ele a ter notado antes, ainda assim, era verdade que ele lembrava daquilo e ela, não.
—É a verdade. –Ele deu de ombros, simplesmente.
Os campeões iriam inicialmente escolher a dedo quem seria seu time, mas foram tão assediados por jogadores querendo uma chance, garotos querendo um pouco de atenção, meninas agitadas, que, no fim, combinaram que haveriam testes para o time; embora a seleção final ficasse à escolha de cada um deles.
Mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, a sonserina se juntou a alguns colegas nas arquibancadas do campo de quadribol no dia marcado para o teste. A maioria dos alunos, porém, se encontrava no campo, segurando suas próprias vassouras ou as que pegaram emprestado com a escola, parecendo em diferentes níveis de ansiedade.
Todo o time da Lufa-Lufa estava ali para o teste de Cedrico, mas também algumas garotas e primeiranistas de todas as casas. O mesmo valia para Harry, que tinha todo o time da Grifinória esperando ser escolhido, mais alguns primeiranistas, porém nenhum sonserino ou lufano.
Na fila de Krum estavam muitos sonserinos, entre eles, Draco Malfoy, Cassius Warrington e Peter Busltrode, além de muitos alunos de Durmstrang. Na fila de Fleur, porém, havia um grande número de garotos e pouquíssimas meninas mais corajosas em falar com a francesa.
O teste levou toda a manhã, mesmo que metade dos concorrentes tivessem sido eliminados para a arquibancada, que ficava mais cheia enquanto a manhã passava e o sol se erguia mais ao alto, na primeira atividade, que consistia em dar uma volta no campo sem cair da vassoura. Cordélia e Lana, inicialmente sozinhas, logo estavam tendo que ouvir as risadinhas de duas meninas quartanistas da Grifinória ao seu lado, que não paravam mesmo diante de seus olhares mais frios.
Em algum momento, Hermione Granger se juntou a elas muito timidamente, parecendo incialmente desconfortável. Cordélia queria dizer à garota de cabelos muito cheios que preferia sua companhia à das meninas risonhas a qualquer hora do dia, mas não o fez.
Enquanto observava os primeiranistas serem majoritariamente expulsos do campo, lamentou que sua irmã caçula houvesse voltado para casa no feriado de natal, pois tinha uma melhor chance de, pelo menos, não cair da vassoura do que a grande maioria de seus concorrentes. Suspirando, ela se aproximou do campo, porque alguém decidira que seu dever como Monitora-chefe era cuidar dos primeiranistas.
—Primeiranistas, por questões de segurança, vocês não têm permissão para jogar! –Anunciou em voz alta. Era a vez de Vítor fazer os testes para seu time e o campo estava cheio de pequenos sonserinos, querendo impressionar o jogador búlgaro, mas haviam outros de outras casas também. Cordélia pensou que isso era problema dos outros monitores, mas todos pareciam estar fazendo os testes. Incrédula, ela percebeu que sentia falta de Percy Weasley e seu controle com as regras. –Qualquer primeiranista sonserino que estiver aqui em cinco minutos vai perder dez pontos para a Sonserina!
O anúncio não teve o efeito esperado. Ao invés de empalidecerem e saírem do campo às pressas, os pequenos alunos se encolheram atrás dos mais velhos, fazendo Cordélia suspirar.
—Harry Potter jogava no primeiro ano! –Disse um primeiranista da Grifinória. Cordélia olhou ao redor à procura de Spinnet ou Jordan, monitores da casa dos leões, mas Spinnet estava fazendo os testes e Jordan em nenhum lugar à vista.
Cordélia estava considerando se poderia manter o distintivo caso os enfeitiçasse com um feitiço de corpo preso e os levitasse para as arquibancadas quando Cedrico se aproximou meio correndo e parou ao lado dela. Ele tinha estado do outro lado do campo observado os testes do competidor búlgaro e havia notado a confusão apenas há pouco.
—O que temos aqui? -Ele sorriu amigável. Os primeiranistas olharam com curiosidade e um grifinório pequeno respondeu:
—Queremos jogar! Como Harry Potter. -O pequeno lançou um olhar ao outro lado do campo, onde o próprio Potter fingia não ver a cena que se passava, parecendo encabulado. -Ele passou um dragão na vassoura!
—Aquilo foi legal, não foi mesmo? -Cordélia ficou observando o namorado lidar com a pequena insurreição. -Também foi perigoso.
—Não temos medo do perigo. -O garotinho insistiu. Cedrico sorriu para ele, como se sua insistência em ser impossível fosse adorável e não irritante.
—Tudo bem, pessoal, vamos lá. –Cedrico acenou. –Harry Potter quebrou um braço dois anos atrás jogando quadribol e teve de passar dois dias na enfermaria. Ano passado, caiu de uma altura de mais de doze metros e quebrou a vassoura. Lamento mesmo, mas nós não podemos correr o risco de ter um de vocês se acidentando feio. –Ele encolheu os ombros como se realmente lamentasse profundamente. –Por favor, sigam a monitora Bloxam para fora do campo.
Resmungando, mas cedendo, vários primeiranistas, de todas as Casas, não apenas Sonserina e Lufa-Lufa, se aproximaram dela, deixando as vassouras emprestadas da escola aos pés de Cedrico, que sorriu e piscou para eles. Quando todos estavam prontos para saírem, ela se inclinou e deu um beijo na bochecha dele e sussurrou um agradecimento, que ele respondeu alcançando a manga do seu suéter quando ela deu as costas e a puxando para um beijo casto nos lábios. Depois disso, ela saiu do campo, sendo seguida por um pequeno grupo de garotos e garota incrivelmente pequenos.
—Você é namorada dele? –Perguntou uma menina de marias-chiquinhas de uniforme da Lufa-Lufa. Cordélia se virou com as sobrancelhas levantadas para ela, se perguntando como ela não poderia saber disso. Achava que toda a Hogwarts tinha consciência do seu relacionamento, mas talvez houvesse sido arrogante. A garota ainda não havia terminado. –Mas você é da Sonserina.
—Sou. –Cordélia franziu as sobrancelhas. –Tudo bem namorar ou ser amigo de alguém de outra casa, sabe?
—Mas vocês são inimigos. –Outro garoto apontou agora, da Grifinória, a olhando como se ela o tivesse insultado pessoalmente. –Eu nunca namoraria uma sonserina.
—Não somos inimigos. –A sonserina balançou a cabeça. –As casas são complementares. Não podemos ser todos corajosos e nem sempre somos todos gentis. Mas quando estamos juntos, somos tudo isso. Criativos, astutos, gentis e corajosos.
As crianças não responderam, parecendo pensativas. Quando se dispersaram para sentarem-se em diferentes locais nas arquibancadas, porém, ela notou o garoto pequeno da Grifinória se sentando com a menina lufana.
No fim, quando os times foram escolhidos, houveram muitos protestos, mas a maioria dos estudantes estava simplesmente ansiosa para a primeira partida, marcada para aquela mesma tarde, entre os times de Vítor e Fleur, que estavam em último lugar na pontuação do Torneio Tribruxo, o fator decisivo quando se tratou de fazer uma esquemática dos jogos, sugestão da própria Cordélia.
O time de Cedrico talvez fosse o mais variado. Rogério Davies, Edmundo e Marlon eram seus artilheiros, enquanto Hugh e Susana se postavam como batedores, um garoto de Durmstrang que mais parecia uma muralha fora escolhido para goleiro e o próprio Cedrico era o apanhador. Como tinha jogadores de várias casas, à exceção da Grifinória, que majoritariamente havia querido jogar com Harry Potter, toda a arquibancada vibrou quando ele anunciou seus escolhidos.
Krum ficara com Warrington e um rapaz chamado Córmaco McLaggen, da Grifinória, como batedores; Ivan Ibramovitch como goleiro e dois garotos de Durmstrang mais Peter como artilheiros. Harry Potter também não foi nenhuma surpresa: seu time era o time da Grifinória, com Rony Weasley como goleiro no lugar de Oliver Wood, os gêmeos Weasley como batedores, Spinnet, Johnson e Katie Bell como artilheiras. Cordélia observou com descrença o garoto ruivo muito alto tremer como um Tronquilho verde.
O time de Fleur Delacour, porém, era de longe o mais interessante.
A parte-veela havia ousadamente posto apenas garotas em seu time, fazendo todos os garotos que foram rejeitados vaiarem e insinuarem que elas eram fracas. Fleur seria a goleira. Cho Chang, a apanhadora e, surpreendentemente, Gina Weasley, uma menina magra e muito ruiva do terceiro ano, era uma de suas artilheiras, junto com uma outra grifinória chamada Demelza Robins, e Mary Selwyn, que passara todo o dia anterior ensinando Fleur a montar a vassoura. As batedoras eram ninguém mais, ninguém menos que Claire Bellefleur –sua tendência à violência certamente seria útil quando utilizasse aquele taco –e uma garota forte de Durmstrang com o dobro de seu tamanho chamada Keira Vulchanova.
O almoço foi uma das refeições mais agitadas que ela tivera em Hogwarts, desde que alguém deixou um trasgo montanhês entrar no castelo num dia das bruxas três anos antes.
Por toda parte, alunos se levantavam de uma mesa para a outra. Gregor, amigo de Cedrico, havia enfeitiçado bottoms para passarem o rosto de cada um dos alunos de cada time –e os vendeu pela pechincha de doze sicles aos torcedores. Logo, os times tinham torcedores leais, capazes de brigar para defende-los. Na mesa da Lufa-Lufa, Cedrico se reunia com todos os seus jogadores, mesmo que o garoto de Durmstrang, Eric Munter, Marlon, Edmund e Davies não fossem de sua casa.
Cordélia se manteve na mesa da sonserina, um pouco divertida em observar a cor de leite azedo no rosto de seu padrinho quando ele percebeu o que estava acontecendo. Mas lá também era onde Krum se reunia com seus jogadores. Cordélia ficou bastante surpresa que McLaggen tivesse tido a coragem de, como grifinório, ir se sentar à mesa das serpentes.
A mesa da Grifinória era provavelmente a mais barulhenta. O fato do time de Harry Potter ser feito apenas de grifinórios enfurecera boa parte de Hogwarts, mas a mesa dos leões não parecia em nada incomodada com isso. Os gêmeos Weasley enfeitiçaram cabeças de Leões para rugirem nos chapéus de seus torcedores e logo havia uma briga acontecendo na entrada do salão principal entre um sonserino e um lufano do terceiro ano, que Cordélia, como monitora, correu para separar.
Um garoto de sobrenome Jordan havia começado uma série de apostas, as quais Cordélia considerou parar antes que fosse longe demais, antes de apenas dar de ombros e deixar que seus colegas perdessem seu dinheiro no esporte se era o que queriam fazer.
O time de Fleur foi o primeiro a sair do salão em direção ao campo uma meia-hora depois que as travessas de comida se esvaziaram. Quando estava saindo em seguida do salão, Cedrico correu à mesa da Sonserina, de onde puxou Cordélia pela mão para ir com ele ao estádio, passando um braço por cima de seu ombro, mesmo que olhasse para o outro lado, discutindo com Rogério Davies questões de estratégia que não a interessavam.
Uma vez no campo, os times desceram para os vestiários enquanto os expectadores se acomodavam nas arquibancadas. Cordélia e Lana correram para pegar um lugar perto do narrador do jogo, que tinha a melhor visão possível do campo, embora tivesse a desvantagem de ser muito perto dos professores. Gregor e Anne, da arquibancada da Lufa-Lufa, acenaram para ela e, quando Jordan, que iria irradiar, se aproximou e as ofereceu bottoms, Cordélia aceitou um bottom que mostrava cada letra do nome de Cedrico junto com uma foto dos sete membros de sua equipe.
Para surpresa de todo mundo, Minerva Mcgonagall chegou ao campo trazendo consigo a Taça de Quadribol da escola, que ela pôs à vista de todos no camarote dos professores, perto de onde Cordélia estava. Haviam vários nomes gravados na taça, entre eles o de Olívio Wood, o da própria professora e o de James Potter –que chamou a atenção de Cordélia pelo sobrenome.
Mais perto da hora do jogo, o próprio Dumbledore acompanhado dos outros dois diretores, se juntou à professora Minerva no camarote, com um sorriso muito entretido em seu rosto bondoso. Karkaroff tinha as sobrancelhas muito juntas, não muito agradado, e Madame Maxime parecia principalmente temerosa, pois quadribol não era uma atividade muito incentivada em Beauxbatons.
Quando chegou ao campo, Fleur usava a mesma roupa que usara na primeira tarefa; uma camisa e calça azuis e brancos. Suas colegas de time também haviam transfigurado suas próprias roupas de quadribol para que as cores combinassem com as da capitã. Krum e seus jogadores chegaram logo depois, sem terem combinado uniformes, ao que as arquibancadas começaram a gritar “KRUM, KRUM, KRUM” com a força de uma centena de bruxos. Mesmo aqueles que usavam os leões nos chapéus pontudos pareciam torcer para o búlgaro naquela partida.
Fleur não pareceu abalada. Montou sua vassoura, se não com confiança, então com classe, e se postou junto das balizas.
Uma vez que o jogo começou, os dados rolaram e houve uma mudança de situação.
Os artilheiros de Krum não tinham entrosamento. Os dois garotos de Durmstrang e Peter Busltrode simplesmente não estavam se entendendo. Embora Ivan Ibramovitch fosse um bom goleiro, as artilheiras de Fleur eram uma única máquina em movimento síncrono. Sobre o fundo branco da neve e azul do céu, eram quase invisíveis, exceto pelos cabelos vermelhos de Gina Weasley colocando fogo na multidão enquanto ela acertava o primeiro gol da partida.
Então mesmo quando os artilheiros de Krum conseguiam a bola e voavam em direção ao gol, um fenômeno os impedia de prosseguir:
—Lá vai Busltrode com a goles, passa para Poliakoff e... –Narrava Lino Jordan ao seu lado. –ELE DEIXA A GOLES CAIR DE FRENTE AO ARO, para as mãos habilidosas de Selwyn, que passa para Demelza Robins e....
Embora mal se mantivesse bem sentada na vassoura, Fleur não precisava fazer um único movimento em direção aos aros. Apenas balançava seus cabelos prateados que os garotos supostos a fazer gols simplesmente se distraíram do jogo para admirá-la, então as artilheiras tomavam conta.
Na metade da partida, as meninas estavam ganhando de trezentos a setenta quando McLaggen se aproximou de Fleur, aos berros, com o taco na mão, para reclamar do modo como ela conduzia o seu time e Cordélia jurava ter podido ouvir, mesmo àquela distância, algo sobre ética de quadribol.
O balaço que Claire Bellefleur lançou em sua direção foi tão forte que McLaggen havia perdido a consciência mesmo antes de cair no chão.
—Eeeeee... –Lino Jordan continuava a narrar. –Bellefleur nocauteou McLaggen, batedor do outro time! Opa, opa, parece que Krum está em perseguição! Esse não é o momento para pegar o pomo, com seu time duzentos e trinta pontos atrás do time de Delacour, Krum! KRUM PEGA O POMO, ENCERRANDO A PARTIDA! PARABÉNS ÀS MENINAS DE HOGWARTS, DURMSTRANG E BEAUXBATONS! TREZENTOS A DUZENTOS E VINTE!
Incrédula, Cordélia se inclinou para frente em seu lugar para observar Krum, com sua carranca habitual, mas não parecendo especialmente chateado, pousar na grama do campo ao mesmo tempo que Fleur, e andando em sua direção para apertar a mão da francesa. Os dois times se dispersaram para dar lugar a Potter e Cedrico com suas equipes; Potter e seus colegas com os uniformes de quadribol da Grifinória e o time de Cedrico parecendo uma confusão de cores enquanto cada jogador vestia as vestes de sua escola.
A segunda partida foi menos interessante. Cordélia estava torcendo por Cedrico, mas o time da Grifinória era claramente mais entrosado. Nos primeiros minutos, porém, o lufano teve a vantagem por causa de Ronald Weasley, que deixou a goles entrar vez pós vez pelo aro e parecia que seguiria assim até que o time de Cedrico houvesse feito tantos pontos que ganharia mesmo se Potter pegasse o pomo.
—Beauvale passa para Greengrass, que se aproxima das balizas. –A voz tensa de Jordan deixava claro para que time ele torcia. –Goool do time de Diggory! Essa é a chance da Grifinória de se recuperar da partida perdida do ano passado, vamos lá, Weasley, defende que confiamos em você! Spinnet, Johnson, Bell, Johnson lança para as balizas e.... MUNTER DEFENDE! O time de Potter perde para o de Diggory por setenta pontos.... Logo não vai adiantar pegar o pomo, Potter, se adianta!
Antes que chegassem a esse ponto, porém, ambos direcionaram suas vassouras para as balizas do time de Cedrico ao mesmo tempo, à velocidade máxima. Susana ainda tentou lançar um balaço na direção de Potter, mas o grifinório estava mais perto do pomo e o pegou, fazendo com que todo o seu time largasse suas bolas com estardalhaço, se lançando em cima do garoto pequeno como bolas de canhão.
Cordélia desejou, maldosamente, que ele fosse gravemente ferido naquela explosão de felicidade.
Cedrico perdeu para o time de Krum, ficando em último lugar. Embora com um batedor na ala hospitalar, Vítor parecia bem mais atento e decidido, notando o pomo e acabando o jogo em cerca de seis minutos, recebendo algumas vaias das arquibancadas por essa decisão, querendo mais tempo de ação.
—KRUM PEGA O POMO! –Jordan parecia deliciado com a queda do lufano. Cordélia considerou fazer ele cair dali de cima. –O campeão de Durmstrang parece decidido a não cometer o mesmo erro duas vezes e fica em terceiro lugar! Diggory em quarto, mas vamos agradecê-lo pela ideia!
Para sua surpresa, quando se aproximou dela, Cedrico não parecia nada incomodado. Tinha os cabelos suados apesar do frio e da neve e, quando se aproximou da namorada, esta fez como se o fosse afastar, mas, quando ele pareceu como se fosse mesmo deixar de abraça-la, Cordélia o alcançou e o puxou para perto de si nas arquibancadas. Ele estava muito quente embaixo das vestes amarelas e pretas de quadribol, Cordélia podia dizer apesar do suéter e do cachecol que usava.
Quando a puxou pela cintura, Cedrico tacou-lhe um beijo de um jeito que ele nunca havia feito em público. Todo mundo nas arquibancadas, aqueles que deviam estar prestando atenção em Potter e Fleur, juntando seus times no campo, começou a gritar e bater palmas. Quando se separaram, Cordélia estava tão corada e sem ar que não conseguiu reclamar com o lufano, apenas sentou-se abalada, sob um olhar desagradado da professora Mcgonagall.
Dumbledore sorria, olhando para o outro lado como se nada houvesse notado.
O casal, então, sentou-se para assistir o último jogo. Peter, do time de Krum, que ficara em terceiro lugar, também já havia se juntado à Lana, embora mais discretamente, e Edmundo e Susana, eliminados junto com Cedrico, estavam torcendo para suas respectivas namoradas do time das garotas.
À princípio, pareceu uma partida equilibrada.
Rony Weasley era um goleiro inseguro e Fleur voava mal. As duas balizas pareciam sem defesa e as artilheiras do time de Potter não eram tão afetadas pela francesa como foram os garotos de Krum. Claire e a garota de Durmstrang, Keira Vulchanova, que equilibrava seu peso muito bem em cima da vassoura, lançavam balaços agressivos em direção à Potter e às artilheiras da Grifinória, enquanto os gêmeos Weasley eram mais cuidadosos, claramente assustados em acertar sua irmãzinha terceiranista ao mirar em Mary ou Demelza.
—Lá vai! –Narrou Jordan, aos berros. –Johnson, Spinnet, Bell, Spinnet, Johnson... vai ser gol! Delacour se prepara! Spinnet e.... BELL DEIXA CAIR O BALAÇO DIANTE DE FLEUR DELACOUR! O QUE É ISSO, KATIE? FLERTE FORA DO CAMPO!
—JORDAN! –Mcgonagall o interrompeu. –O jogo!
—Isso é o jogo, professora! –Jordan respondeu, mas voltou a irradiar. –Selwyn pega a goles...
Toda a arquibancada ria de Bell, que parecia bem mais atrapalhada depois da situação, deixando a goles cair mais algumas vezes, como se ainda sob efeito do charme da garota francesa. Na metade do jogo, quando defendeu sua primeira bola, Rony Weasley pareceu ganhar alguma confiança, porque, depois disso, começou a fazer o que poderia ser descrito como um bom trabalho em campo.
—Potter vai com tudo para a baliza de seu time! –Jordan narrou ansiosamente. –Parece que ele viu algo que Chang não viu, exceto que Vulchanova lança um balaço em sua direção e erra... NÃO! NÃO! Chang voa em direção às arquibancadas da Lufa-Lufa! Era uma tática! A tática de Potter não deu certo! E CHANG PEGA O POMO DE OURO! O PRIMEIRO CAMPEONATO QUADRIBRUXO DE QUADRIBOL –Ele acabara de inventar aquele nome –FOI GANHO PELO TIME DE FLEUR DELACOUR E SUAS GAROTAS TALENTOSAS!
De um jeito que jamais esperou fazer da vida quando se tratava de quadribol, Cordélia levantou-se batendo palmas com força, se juntando aos gritos da multidão. Quando seus amigos começaram a descer em direção ao campo, onde Fleur e as meninas haviam pousado e agora trocavam abraços e gritinhos, ela os seguiu, sentindo-se tão animada que por um segundo não pôde acreditar em si mesma.
A maioria dos alunos abriu passagem para que Cedrico atravessasse a multidão e, com ele, Cordélia, Susana e Edmundo, os dois últimos ansiosos para saudar Mary e Claire. Para surpresa do lufano, vários colegas batiam em suas costas, o dando os parabéns pela ideia e pelo jogo. Cedrico dispensava, modesto, dizendo que fora participação de todos, mas Cordélia podia dizer que ele estava orgulhoso pelo sucesso de sua empreitada–e ela estava orgulhosa por ele. Ela, Cordélia Bloxam, orgulhosa de um lufano porque ele pensara em jogar quadribol.
O mundo estava de cabeça para baixo.
Ela teve absoluta certeza disso quando Minerva Mcgonagall chegou, junto com os três diretores, que apertaram as mãos de cada uma das meninas do time de Fleur, parabenizaram todos os jogadores e a mobilização das torcidas, então enfeitiçaram a Taça de Quadribol para que Fleur assinasse seu nome nela permanentemente, isso tudo com a professora escocesa parecendo tão feliz que poderia chorar; e nem havia sido a Grifinória a ganhar.
—Bem, acho que cada jogador deve ganhar dez pontos para sua casa pela participação. –Disse a professora Mcgonagall, a taça em mãos para ser posta na sala dos troféus. Ao seu redor, todos os alunos de Hogwarts comemoraram; especialmente a Grifinória, que tinha um time todo para ela e outros jogadores espalhados pelos outros três times. Cordélia, que percebia haverem poucos sonserinos jogando, bufou. –Além disso, acho que o Sr. Diggory deve ganhar cinquenta pontos para Lufa-Lufa pela iniciativa louvável.
Agora a casa amarela e preta entrou em polvorosa. Cordélia foi lançada para longe do namorado por uma multidão de lufanos, que se aproximavam dele nem que fosse para dar batidinhas orgulhosas em suas costas.
Enquanto as meninas levantavam a taça para uma foto, então juntavam todos os times para mais fotos, cada campeão com seus jogadores e, mesmo entre os perdedores, enormes sorrisos, Cordélia se afastou um pouco, para observar a cena de longe e lembra-la mais tarde, sempre que precisasse de um pouco de felicidade.
—Sabe –Ela disse para Cedrico mais tarde, quando, sozinhos, voltavam ao castelo. –Você pode ter criado uma tradição no Torneio Tribruxo! –Quando ele se virou parecendo animado, ela fez uma cara decepcionada para ele, balançando a cabeça. –Típico! Um torneio competitivo e um lufano transforma em um ato de amizade!
Ele, que podia ler através de suas ironias, riu jogando a cabeça para trás e umedecendo os lábios com a língua. Cordélia sorriu, olhando para o relógio da torre, notando que eram nove horas e eles haviam passado o dia no campo, mas não parecia noite; ela não estava cansada.
Era como se fossem nove horas da tarde.
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