Lembrem-se de Cedrico Diggory
11 A Segunda Tarefa
Notas iniciais
"Well I've been on fire, dreaming of you
Tell me you don't
It feels like you do"
Uma vez que as aulas voltaram, começou a passar muito de seu tempo no laboratório do professor Snape, cada um em sua bancada, trabalhando em silêncio em seus projetos, geralmente se cumprimentando apenas à entrada e saída. Quando o professor estava em aula, Cedrico se esgueirava para dentro do laboratório também, geralmente estudando quieto em um canto sem a atrapalhar, apenas pela sua companhia.
Numa noite após o jantar, Cordélia havia tido uma ideia e por isso correra para o laboratório para fazer algumas anotações em seu projeto. Lá estava o professor Snape, como sempre, porém parecendo mais nervosos do que o normal: passava um unguento no braço esquerdo com violência e se virou com agressividade quando Cordélia entrou sem bater.
—Desculpe. –A sonserina se apressou. –Eu não sabia que...
—Não. –Snape a cortou. –Pensei ser outra pessoa. Entre.
Cordélia o fez, de forma lenta e desconfiada, olhando bem para o rosto do padrinho, embora, notando a atitude da afilhada, ele tenha se desviado para longe. Havia uma carta em cima da mesa dele, e ela reconheceu o lacre com o brasão de sua família, mas não ficou particularmente curiosa. Seu pai estava sempre escrevendo para o padrinho.
O padrinho, porém, continuava a agir de forma estranha, esfregando o braço e olhando para as paredes com raiva, como se o houvessem ofendido pessoalmente. A sonserina levou alguns segundos olhando de seu braço esquerdo, agora coberto pelas vestes negras mais uma vez, para o rosto do professor, antes de recuperar a fala.
—Karkaroff anda incomodando você, não é? –Perguntou astutamente, lembrando de tê-los visto confabulando no baile. –Mas não é o único. O que mais o incomoda? –Perguntou mais para si mesma do que para ele. –Potter no Torneio Tribruxo, quebrando regras mais uma vez? Ou... –Uma luz iluminou seus pensamentos –Coisas estranhas andam acontecendo, não é?
Snape apenas resmungou em resposta para que ela cuidasse de seus assuntos, mas Cordélia havia começado e não estava perto de terminar. –Vamos, você é meu padrinho! Sabe que pode confiar em mim.
O outro bruxo respirou fundo e fez uma cara desgostosa, mas Cordélia, que o conhecia bem, pensou que parecia aliviado. Mas então, ele puxou as mangas da veste para revelar um desenho, como uma tatuagem desbotada, em forma de caveira com uma cobra saindo de sua boca, queimada contra a pele, enegrecida; a marca mais assustadora do mundo bruxo. Cordélia segurou a vontade de se virar e correr. Sabia que seu padrinho havia sido um comensal da morte muitos anos antes, mas jamais vira a prova cabal do ocorrido.
—Não era para estar dessa cor. –Ele explicou a ela. –Tem ficado cada vez mais marcada ao longo dos últimos meses.
Ele a deu um minuto de silêncio para processar a informação.
—Ele está se fortalecendo. –Cordélia percebeu. –As coisas que têm ocorrido... a Marca Negra na Copa Mundial de Quadribol, Potter no Torneio Tribruxo...
O professor cobriu a marca com as vestes mais uma vez.
—O sumiço de um trouxa no vilarejo onde o Lorde nasceu, o de Berta Jokins. Ele já tentou e falhou em se erguer antes. –A voz do padrinho não soou como um consolo. –Não perca a cabeça.
—Não estou perdendo a cabeça. –Disse, mas estava, Só conseguia pensar no aquilo significava para as pessoas ao redor de Potter, que era sempre o alvo da confusão. Não apenas Cedrico, com quem ela mais se preocupava, mas Krum e Fleur, Hermione e o amigo ruivo estranho também.
—Não comente com ninguém. –Ele sugeriu.
Cordélia fez que sim com a cabeça.
Poucos dias depois, um furo jornalístico do Profeta Diário anunciou para todo o mundo bruxo que o diretor Dumbledore contratara um meio-gigante para o cargo de professor. Cordélia não ficou particularmente impressionada, já que ele também contratara um lobisomem em outra ocasião, mas ficou ainda mais satisfeita em ter largado Trato das Criaturas Mágicas, percebendo ter sido a decisão acertada.
—O professor Hagrid era legal. –Diagnosticou sua irmã, enquanto elas andavam juntas para fora do salão principal. Lucy tinha uma pequena estatura, ossos delicados e uma boca teimosa. Cordélia suspirou.
—É mesmo? –Respondeu, pouco acreditada. Havia desistido de Trato das Criaturas Mágicas bem quando ele se tornara professor, mas sempre o via andando pelos corredores parecendo grande e desajeitado, mas não maldoso.
Seus colegas sonserinos não pararam de falar no assunto durante todo o dia, mas quando encontrou Cedrico e os lufanos mais tarde na biblioteca, notou que a maioria deles parecia estar ao lado de Hagrid, com exceção de Gregor, que era de uma família mais tradicional.
Cordélia não expressou sua opinião sobre gigantes, que acabaria causando o mesmo tipo de briga de quando ela falou para Cedrico sua opinião sobre lobisomens e ele a dissera que, para uma sague-puro de família tradicional, era irônico que ela não tivesse nada contra nascidos-trouxas, mas sim contra criaturas meio-humanas. Sentou-se ao lado de Cedrico para estudarem para os NIEM’s de Herbologia e, quando todos os seus colegas se dispersaram para outras atividades, deixando-os sozinhos, ela se virou para o namorado:
—Não está pensando na tarefa?
Ele balançou a cabeça, tranquilo.
—Já tive uma ideia: Feitiço Cabeça de Bolha. Posso passar quanto tempo for preciso debaixo d’água com ele.
—Ah. –Cordélia estava impressionada por ele ter pensado nisso antes dela. –Eu pensei em guelrricho.
Cedrico deu de ombros, dizendo que seria difícil de conseguir algum. A namorada provavelmente poderia pegar de seu padrinho, mas ele não pediu e, já tendo descoberto o que faria, não ficou preocupado com esse assunto.
—Fico apenas pensando em qual será o tesouro que tirarão. –Ele encolheu os ombros. –Se é algo de que sentiríamos falta, como vão tirar de nós discretamente? E se forem nossas varinhas e eu não conseguir fazer o feitiço?
—Eu o emprestaria a minha varinha. –Cordélia respondeu com tranquilidade. –Mas varinhas são substituíveis, não é? Importantes e é claro que há um laço entre um bruxo e sua varinha, mas não deixam de ser substituíveis.
Ele concordou e virou o rosto para longe de novo, pensativo. Cordélia deixou que ele pensasse, ficando quieta com suas anotações sobre plantas aquáticas. Haviam acabado o trimestre, finalmente, então mudariam de assunto. Em feitiços, o astrangulare estava quase pronto; ela e Edmundo precisavam apenas terminar o relatório para entregar. Tinha também a preocupação extra do Torneio Tribruxo e vinha pensando em como poderia garantir a proteção de Cedrico. O havia ensinado todos os feitiços sombrios que conhecia, mas talvez devesse cutucar a mente à procura de melhores feitiços de defesa.
—Ei. –Cedrico chamou sua atenção, trazendo-a de volta para o mundo real, de onde ele a olhava com olhos cinzas brilhantes e estranhos. Estranhos, porque sua expressão estava difícil de ler e ela havia aprendido a lê-lo muito bem nos últimos tempos. Parecia esperançosa, maliciosa. –Eu tenho pensado bastante naquela banheira no banheiro dos monitores...
A bruxa pensou imediatamente na iluminação suave do lustre de mármore branco cheio de velas e na piscina retangular que se enxia de bolhas coloridas se eles abrissem as torneiras certas.
—Ah, sim. –Ela disse maldosamente por cima do rubor que ameaçava subir suas bochechas quentes. –Você e aquele ovo, imagino?
Ele ignorou sua alfinetada.
—Pense nisso... –Sugeriu com a voz macia. –Há alguma espuma... água quente...
Ela precisou de uma grande concentração para se impedir de rir. Não porque a situação fosse engraçada, mas porque ele estava muito perto, confortavelmente quente e ela ficara nervosa com a sugestão, porque vinha pensando no mesmo, sem coragem de sugerir; o nervosismo estava prestes a fazê-la rir como uma quartanista boba.
—Agora? –Respondeu, quando percebeu que teria de falar algo à sugestão.
—Por que não? –Ele deu de ombros. –Somos monitores, podemos andar depois do horário. –Então ele brincou um pouco: -Além disso, sou o campeão de Hogwarts; posso me acidentar e perder as habilidades motoras o resto da vida. Que professor não vai entender que eu queira curtir minha saúde com a garota mais bonita de Hogwarts?
Cordélia teve uma clara visão de alguém que não entenderia.
—Gostaria de ver você explicando isso para o meu padrinho, com essas palavras. –Comentou. Mas o olhou em seguida e, suspirando, levantou-se de cadeira. Não tinha porquê não ser agora, afinal, ela havia colocado uma bela lingerie verde de renda naquela manhã, seu namorado era o garoto mais lindo de Hogwarts e ela o adorava. Cedrico permaneceu sentado, a olhando com curiosidade quando Cordélia se virou para ele. –Você não vem?
Parecendo desconfiado, ele a olhou, mas, quando viu que ela falava sério, abriu um sorriso e a seguiu para fora da biblioteca, plantando beijos em seu pescoço e ombros, enquanto ela ria e o empurrava para longe por todo o caminho para o quinto andar, até encontrarem-se na estátua de Bóris, o Pasmo, com seu olhar desorientado e as luvas em mãos trocadas. Foi uma sorte não terem dado de cara com professor algum no caminho, porque suas intenções estavam tão claramente explícitas em seus sorrisos que os poucos colegas com quem trombaram levantavam a sobrancelha e fingiam não os terem visto.
Uma vez dada a senha, ambos deslizaram para dentro do banheiro. Havia um frio no estômago de Cordélia que não era inteiramente desconfortável e o fato de que o próprio Cedrico estava agindo estranho; tenso, ansioso e hesitante, a fazia se sentir melhor sobre isso. Cordélia, enquanto Cedrico ia ligar as torneiras e uma espuma densa e branca, com reflexos coloridos muito perfumada, ficou descalça no piso de mármore, olhando com desconfiança para a sereia adormecida no vitral da janela quando Cedrico fechou as cortinas de linho.
Notando que ela hesitava enquanto a banheira enchia de água, Cedrico se aproximou, sugerindo que ela poderia parar quando quisesse, então a beijou. Se sentindo corajosa, ela explorou a pele lisa da barriga e costas dele por debaixo da camisa, antes de incitá-lo a tirá-la por cima da cabeça. Então ele fez o mesmo com ela, colocando as mãos nas laterais de suas coxas e subindo por dentro da saia. Quando Cordélia se despiu desta, ela caiu como uma flor ao redor de seus tornozelos.
Os beijos foram ficando mais quentes e mais rápidos conforme os dois se aproximavam da água, a língua de Cedrico fazendo explorações que ele nunca havia ousado antes em sua pele exposta, até o sutiã, que foi quando Cordélia começou a soltar gemidos baixos e irresistíveis conforme ele mordia, chupava e dava delicados beijos na sua pele pálida. Já estavam apenas de roupas de baixo, quando se sentaram à beira da banheira afundada no piso. Cedrico deslizou para a água primeiro, seus pés tocando o chão com firmeza, e estendendo os braços para que ela descesse também.
Cordélia quase hesitou, mas deu uma olhada no rosto confiante e amoroso do namorado e se deixou cair na água quente com leveza. Ele a pegou imediatamente, arrumando suas pernas longas ao redor de seu tronco e sustentando seu peso com os braços, passeando as mãos por suas curvas, cabelo, rosto e perigosamente perto de sua calcinha.
—Você já fez isso antes? –Ele perguntou em dado momento.
—Não. Você?
—Já. –Ele hesitou, a olhando com cuidado, enquanto movimentava as mãos por ela. –Aqui.
Os dedos dele estavam decididamente por cima de sua calcinha agora, fazendo movimentos lentos e circulares. Cordélia ficou chocada com a reação de seu próprio corpo: suas pernas pressionaram-se ao redor dele, seu quadril se movendo decidido contra os dedos, ajudando o movimento. A outra mão dele a apoiava pela bunda, mas apenas até que ele houvesse a encostado na borda da piscina, contra a parede um pouco fria.
Então ele pressionou todo o corpo contra ela.
Naquele momento, Cordélia considerou o quadribol uma benção na vida dos estudantes de Hogwarts. O corpo de Cedrico tinha músculos magros, porém firmes debaixo da pele lisa e macia, que ela podia sentir se movimentarem quando os dedos dele escorregaram, finalmente, para dentro da calcinha da sonserina. Cordélia deixou escapar algo que soava como um ronronar pela sua garganta, escondendo o rosto no pescoço do lufano. Sentia mais do que seus músculos firmes agora. Ele abaixou um pouco o corpo dela, deixando que o volume em sua cueca pressionasse sua intimidade molhada.
Algo nela acordou. A sonserina, se sentindo quente e apertada ainda com o sutiã, ansiosa para que ele se livrasse das peças molhadas em seus corpos, tomou a iniciativa de lançar vários beijos em seu pescoço, que desceram pelos ombros –ele tinha algumas sardas ali, adoráveis e Cordélia as beijou uma por uma –enquanto sua mão, um pouco mais ousada do que normalmente era, ia de encontro com o volume que pressionava-a insistente.
A anatomia do corpo masculino era uma matéria nova para ela. Deslizou a mão para dentro do tecido, tateando pelo membro macio. Instintivamente, fechou a mão ao seu redor, movendo-se para cima e para baixo lentamente, mas com um aperto firme.
Cedrico parou o trabalho que fazia em sua calcinha por um minuto, enterrando o rosto em seus cabelos castanhos –molhados do ombro para baixo, secos no resto –e apertou sua cintura com um pouco de violência.
—Qual o problema, capitão? –Cordélia perguntou, se referindo à partida há apenas algumas semanas.
O olhar que Cedrico a lançou em seguida era muito sério, mas de um jeito bom. Um jeito que mandou arrepios pela sua espinha. Com força surpreendente, ele a suspendeu, sentando-a na borda da piscina, onde ela ficava mais alta, porém, cortando seu acesso à cueca dele, onde ele pulsava tanto quanto ela.
Ela devia ter imaginado o que ele faria, mas, enquanto o namorado dava um beijo em cada um de seus joelhos pálidos, antes de afastá-los um do outro, colocando-se entre suas pernas, ela apenas olhou curiosa o ato.
Então ele beijou a área interna de sua coxa, se aproximando perigosamente dela. Cerrando os olhos, Cordélia se deixou inclinar um pouco para trás, enquanto ele colocava os dedos de cada lado da lingerie verde-escura e puxava para baixo; primeiros deslizando entre suas coxas, que estavam tão sensíveis que aquele movimento sozinho quase a fez gemer, então pelos tornozelos antes de deixar a peça ao seu lado.
Ele olhava suas reações com muito cuidado, ela notou. Pronto para parar se ela assim quisesse. Cordélia não sabia como fazer ele perceber que precisava de mais.
Para seu horror, quando a boca dele finalmente se aproximou de sua intimidade pulsante, ele decidiu a torturar. Ao invés de ir direto ao ponto, ele rodeou seu clitóris, beijando, ao invés, seus pequenos e grandes lábios. Cordélia sentia espasmos de antecipação, gemendo baixinho em protesto, os dedos nos ombros dele.
—Cedrico... –Ela gemeu; o que o fez sorrir cruelmente –como nenhum lufano deveria sorrir –antes de, finalmente, dar atenção ao seu clitóris, que ele contornou com a língua, beijou e moveu, a fazendo deitar no chão frio à beira da banheira, os gemidos inteligíveis até que seu corpo vibrasse no ritmo dos dedos dele, que passaram a acaricia-la também.
Antes de terminar, ele parou, diminuindo a intensidade dos movimentos enquanto as mãos a puxava, delicadamente para dentro da água de novo. Cordélia murmurou reclamações, mas ele riu e colocou os lábios aos dela, sugando e mordendo de um jeito ousado enquanto, mais uma vez, deixava que ela colocasse as pernas ao seu redor.
Sabia o que ia acontecer agora, percebeu com surpresa, e ficou ansiosa. Tomando a inciativa, a sonserina se livrou da última peça de roupa dele. Ele continuou a tocando enquanto ela segurava seu membro e voltava aos movimentos anteriores por algum tempo, antes de guia-lo para sua entrada.
Ele deslizou para dentro dela devagar, mas ainda assim Cordélia deu um pulinho, tensa com a dor repentina que interrompeu o que estava sendo puro prazer. Cedrico a segurou delicadamente, pronto para afastá-la, mas Cordélia murmurou para que ele continuasse, “tudo bem”, disse a ele.
Uma vez que a dor abrandou, a própria sonserina começou a mover os quadris com mais intensidade, percebendo que o atrito de suas peles na verdade era tão prazeroso quanto o resto. Gostava do modo como ele entrava nela, centímetro por centímetro e se concentrava na sensação enquanto arfava sobre seu pescoço.
As bolhas haviam acabado ao ponto em que eles pararam. Cedrico a olhava pelo canto dos olhos, checando-a enquanto ela displicentemente vestia o sutiã. Suspirando, a sonserina se virou para ele.
—Tudo bem com você? –Ele perguntou antes mesmo que ela pudesse dizer alguma coisa. O olhar no rosto dele era hesitante. –Se sente bem?
Cordélia nem sabia explicar. Suas pernas estavam um pouco bambas, mas seu corpo parecia leve e flexível.
—Me sinto muito bem. –Ela se aproximou enquanto ele ainda não vestia a camisa, respirando o cheiro de sua pele. –Foi bom para você?
Ele riu em cima de seus cabelos e ela o sentiu balançar a cabeça divertido.
—Bom? –Ele perguntou. –Foi... foi maravilhoso, tudo bem? –Ele se inclinou e beijou a ponta de seu nariz. –Olha, você quer que eu fale com a professora Sprout sobre a Poção Contraceptiva.
—Não –Cordélia respondeu, ao que se arrependeria mais tarde. –Eu consigo.
Na manhã do dia seguinte, antes das aulas, Cordélia foi até a ala hospitalar, encontrar Madame Pomfrey e explicar que precisava de uma Poção Contraceptiva, que a escola disponibilizava para os alunos quando eles iniciavam as atividades sexuais, que, embora preferissem que não iniciassem, preferiram prevenir. Devia ser tomada até vinte e quatro horas após relações sexuais.
—Você deve falar com o diretor de sua casa, Srta. Bloxam. –Madame Pomfrey explicou, dessa vez com impaciência, despois da sonserina ter insistido que a medi-bruxa a ajudasse. –Lamento que ele seja aparentado com você, mas é assim.
Incrédula, a sonserina voltou às masmorras apressada, os sapatos pretos de boneca batendo nos ladrilhos com um som reconfortante, esperando achar o padrinho antes que as aulas de ambos começassem. Talvez pudesse entrar em seu laboratório e simplesmente surrupiar um pouco de poção, mas a ideia de tê-lo pegando-a no ato foi tão macabra que ela decidiu que a outra opção ainda era a mais viável.
Quando o encontrou, em sua sala escura, a cabeça baixa, fazendo anotações num pedaço de pergaminho, ela sentiu que não estava pronta, mas, como ele a tinha visto na porta, era tarde demais para voltar atrás.
—Entre, Cordélia. –Ele pediu distraído. –O que posso fazer por você?
Com um suspiro apologético, ela atravessou a distância entre a porta da sala e a escrivaninha, encostando-se desconfortavelmente na madeira escura com o quadril.
—Escute... –Suspirou novamente, o que chamou a atenção de seu padrinho para sua hesitação. Os olhos dele eram impenetráveis, o que era ainda mais desconfortável. –Eu preciso de uma Poção Contraceptiva. Tentei pegar com Madame Pomfrey, mas ela disse que teria de ser com você.
A cor pálida de seu padrinho azedou como leite; e ele pareceu como se quisesse estar em qualquer outro lugar. Ela também desejava.
Parecendo de forma proposital, ele a deu as costas ao se levantar de supetão, a cadeira arrastando no chão com o movimento, voltando-se para seu armário de poções, onde começou a empurrar frascos que tilintavam à procura do que ela precisava. A Poção Contraceptiva tinha um tom branco pérola e consistência leitosa. Seu padrinho se virou com o frasco arrolhado e o empurrou em suas mãos com alguma violência.
—Cordélia. –Ele chamou quando notou que ela parecia prestes a correr dali. –Meu ingrato trabalho como diretor da Casa de Sonserina –sua voz era lenta e infeliz –é aconselhar meus alunos quando certas situações vêm à tona. Esta é uma das infelizes situações. Não vou perguntar se tem certeza do que está fazendo, mas digo que não faça nada estúpido. Porque é minha afilhada. Agora faça um favor a nós dois e saia dessa sala.
Cordélia ficou muito feliz em aceitar a última sugestão.
Nas semanas seguintes, Cedrico seguiu sem descobrir qual era o tesouro a ser roubado. Ele a tratava como sempre tratara: segurava sua mão nos corredores, emprestava seu cachecol quando ela teimosamente vestia roupas finas para o inverno que ainda não fora embora e estudavam juntos na biblioteca todo dia após as aulas, para os NIEM’s. Os horários livres que eles costumavam preencher andando juntos pela propriedade ou fazendo piquenique à beira do lago, porém, passaram a incluir muito mais idas ao banheiro dos monitores, ou, em dias de mais pressa, à sala de aula vazia mais próxima.
O professor de Trato das Criaturas Mágicas achara um par de unicórnios filhotes na Floresta Proibida e os levara para a aula. Cedrico pediu permissão ao professor para levar Cordélia para vê-los depois do horário. Cordélia sabia muito sobre os unicórnios por conta de sua família, mas não se incomodou que o meio-gigante repetisse a aula apenas para os dois quando foram visita-lo fora do horário.
Seus deveres de monitora também a mantinham ocupada. Além de suas rondas e relatórios, do dever de separar qualquer intriga que estivesse ocorrendo por debaixo de suas vistas, havia ainda um outro estranho dever em sua rotina; ajudar alunos com problemas. Foi assim que, numa tarde, antes de ir para a aula de Transfiguração, ela encontrou seu caminho detento por uma pequena garota loura do segundo ou terceiro ano que provavelmente devia estar em aula, mas, ao invés disso, vagava pelo corredor do segundo andar.
—Srta. –Cordélia chamou, observando sua gravata da Corvinal e se perguntando se, não sendo de sua casa, a menina era mesmo responsabilidade dela. –Por que não está em aula?
A monitora não soube dizer se a menina se constrangeu em ser encontrada matando aula, porque, inocentemente, ela apenas virou dois grandes olhos azuis como vidro para o seu lado.
—Alguém pegou meus pertences na aula de Poções e eu não posso ir à aula de Feitiços sem eles. –Explicou. –Então estou os procurando.
Cordélia deixou que suas sobrancelhas se levantassem até o topo de sua cabeça, bastante curiosa.
—Quem pegou seus pertences, Srta....?
—Lovegood. –Ela encolheu os ombros. –Não sei. Pode ter sido qualquer um, sabe? Fazem isso às vezes.
A sonserina suspirou, imaginando quantos pontos perderia para sua casa ao chegar atrasada para a aula da professora Minerva, então, em seguida, mandou a garota segui-la enquanto ela fazia um complexo feitiço de rastreamento que havia aprendido num livro preparatório para o curso de aurores que havia pego nas coisas de Peter. Num segundo, sua varinha passou a apontar o caminho a ser seguido.
A sua varinha a guiou pelo caminho até as masmorras, que Cordélia fez com passos que batiam no chão com força e impaciência. Quando a luz natural foi extinguida e as duas alunas se encontraram num corredor de pedra iluminado por archotes e sem janelas, a sonserina começou a ouvir vozes vindas de uma sala vazia; vozes vagamente familiares e um bocado irritantes.
Os pertences da garota da Corvinal; alguns livros didáticos, penas, tinta, estranhos óculos bicolores, uma revista colorida, alho, um colar feito com rolhas de cerveja e alguns rabanetes, estavam espalhados em cima de uma escrivaninha dentro da sala em desuso, sendo usados como treino para feitiços convocatório por um grupo de quartanistas sonserinos que incluíam Draco Malfoy, Crabble, Goyle e Dafne Greengrass.
O grupo olhou para trás alarmado quando Cordélia terminou de abrir a porta com um aceno de sua varinha que fez com que a madeira pesada ricocheteasse na parede com um estrondo. Todos eles pareceram pálidos ao notarem que ela vinha acompanhada de Lovegood atrás dela, parecendo sonhadora e intrigada, mas relaxaram um pouco ao notar seu uniforme da Sonserina.
Isso a enfureceu um pouco. Se eles pensavam que ela ia pegar leve porque eram sonserinos, estavam prestes a ter uma surpresa.
—O que temos aqui? –Perguntou em voz alta, sorrindo cruel. –Furto dos pertences de uma colega mais nova, matando aula... suponho que vocês também não tenham permissão para usarem essa sala de aula, têm?
Draco Malfoy, como seu padrinho, ficava da cor de leite azedo quando empalidecia; e Dafne desceu da mesa onde estava sentada como se, de todas as coisas que ela estava aprontando, aquela fosse a que a colocaria em problemas.
—Quero que devolvam imediatamente todas as coisas da Srta. Lovegood, e é melhor que estejam em bom estado, se não vou colocar vocês em tanto tempo de detenção que vocês serão considerados os zeladores oficiais do castelo quando acabarem. –Ameaçou, muito séria, a varinha ainda em riste por questões de segurança; afinal, já fora atacada um par de vezes antes por alunos insatisfeitos com seus castigos. Era uma sorte que fosse sonserinos, porque só assim poderia tirar pontos da Casa, embora não fizesse isso com alegria. Cordélia esperou o grupo arrumar as coisas de Lovegood com pressa; Malfoy com um ar azedo, os lábios apertados em indignação silenciosa, e entregarem a mochila da menina, antes de continuar. –Menos vinte pontos para cada um de vocês, e se não chegarem à sua aula nos próximos dez minutos, serão mais cinquenta pontos.
“Meu pai vai saber disso”, Malfoy murmurou baixinho ao passar com ela, mas não diminuiu o passo, o que significava que havia levado a sério suas ameaças. Enquanto o grupo passava apressado por eles, ela ainda falou em voz alta para Dafne:
—Greengrass, vou falar com seu irmão mais velho sobre suas escolhas de companhia. –Edmundo não ficaria mesmo satisfeito ao saber com quem sua irmãzinha vinha andando. Eles já estavam no fim do corredor quando ela acrescentou: -Esperem uma carta com os detalhes de suas detenções!
Lovegood, como ela, ficou assistindo até que eles sumissem, então se virou com um sorriso agradecido no rosto e saltitou até a aula que ela devia estar tendo, enquanto Cordélia se preparava mentalmente para perder ainda mais pontos para sua Casa ao se atrasar para a aula de Mcgonagall.
Numa tarde de sexta-feira, ela estava na biblioteca estudando Transfiguração, depois de passar vergonha na sala de aula transfigurando um cavalo num unicórnio de dois chifres ao invés de um, quando Cedrico se aproximou como quem nada quer da seção de Transfiguração Avançada onde ela havia se escondido.
—Ei. –Ele se aproximou, inclinando o corpo por cima do dela por trás de sua cadeira e passando os braços ao seu redor, o cheiro de sabonete de limão e lavanda ameaçando sufoca-la, mas de uma forma boa. –Eu tenho pensado na segunda tarefa... em um aspecto específico. Estava pensando em nadar um pouco, para treinar.
O modo sugestivo como ele construiu a frase fez com que Cordélia se levantasse e o acompanhasse biblioteca afora. Ficou bastante surpresa ao notar que não estavam indo ao quinto andar, onde ficava o banheiro dos monitores, mas aos terrenos do castelo. Ela levara suas anotações de Transfiguração consigo na mochila, guardadas, mas no fim fora uma decisão muito acertada, pois ela e Cedrico não tinham a mesma coisa em mente.
À beira do Lago Negro, ela se sentou na sombra de um salgueiro (pacífico, não lutador) com suas anotações e uma expressão fechada e apenas ficou um pouco menos chateada quando notou o namorado tirando a gravata amarela, então o blusão de Hogwarts e, finalmente, a blusa branca de botões que ia por baixo. A sonserina levantou as sobrancelhas para o livro de Transfiguração Avançada em seu colo, sufocando um sorriso.
Ela encarou o tronco desnudo dele em seguida; os músculos magros e o pelo descendo sua barriga por um segundo, antes de olhar ao redor desconfiada.
—Você vai perder tantos pontos para a Lufa-Lufa se algum professor achar você assim... –Observou, não muito preocupada. Depois dos cinquenta pontos que ele conseguira para a Casa com o jogo de quadribol, a Lufa-Lufa estava muito bem no placar da Taça das Casas e ela não se importaria que perdessem alguns pontos.
Ela agora encarava o lago para não o encarar. Era um dia de sol, embora estivesse frio e ventoso, e a superfície escura do Lago Negro refletia os nuances azuis e brancos do céu como um espelho, além das colinas verdejantes ao redor. As águas estavam perfeitamente paradas –enganosamente paradas, como se nada houvesse abaixo da superfície. Mas ela vivia no salão comunal da Sonserina, onde as janelas proporcionavam vista para as mais estranhas criaturas.
—Entre comigo. –Ele pediu, a voz macia; a ideia lançando arrepios em seu corpo.
—Ah, não sei. –Cordélia abaixou os olhos para a pergunta no questionário preparado por alguns colegas da Corvinal para a aula de Transfiguração; “Como diferenciar um feitiço de uma transfiguração?”, mas aquela era uma pergunta óbvia, então voltou-se para o namorado de novo. –Você nadando sem camisa no Lago vai chamar um pouco de atenção, vai ganhar uns assobios; talvez leve uma detenção. Mas eu sem camisa no lago? Seria escandaloso.
Cedrico não pareceu convencido.
—Porque você é garota? Ou porque tem... Humm... peitos? –Ele levantou as sobrancelhas e sorriu, provocando-a.
—Não... –A outra revirou os olhos, abrindo um grande sorriso cínico, com covinhas dos dois lados de sua bochecha. –Porque eu sou uma sonserina e as pessoas esperam um decoro de nós que simplesmente não se vê na... não sei... Lufa-Lufa, por exemplo.
Ele a encarou, parecendo ofendido e divertido ao mesmo tempo; uma expressão que só ele conseguia fazer, levantando as sobrancelhas, sorrindo e a olhando atravessado. Era sexy, ela notou, tristemente. Ele sempre era sexy. Mas tentou não deixar transparecer o que estava pensando em sua expressão; continuando a sorrir de volta para o lufano.
—Quer saber... –Ele chutou os sapatos para longe, se aproximando dela. –Você vai pagar por isso. Vou mostrar a você a dignidade Lufa-Lufa, Bloxam.
Ela devia ter visto o que estava por vir. Ele andou até ela em passos largos e, quando a sonserina tentou largar seu material de estudo onde estava, para levantar-se, virar e correr, já não havia mais tempo. Quando se levantou, ele já a estava pegando pela cintura e a jogando por cima dos ombros; sua varinha caindo ao chão, inutilizável.
—Me coloque no chão. –Ela sussurrou com urgência, se impedindo de gritar porque não queria chamar atenção para os dois e acabar perdendo pontos para ambas as casas. –Diggory...
Eles já haviam entrado na água agora. Cedrico caminhava lentamente, para vencer a resistência da água e carrega-la ao mesmo tempo. Ela podia ver o reflexo –agora distorcido pelo movimento dentro do Lago –dos dois na superfície: o seu cabelo cor de mogno balançando contra o vento e o modo como se apoiava nos ombros largos dele.
A água primeiro a atingiu nos tornozelos, no segundo seguinte estava no seu joelho e logo Cedrico estava mais nadando do que andando e ambos estavam submersos, exceto pelas suas cabeças. Ele tinha um grande sorriso no rosto, como se achasse que fosse muito esperto.
—Bem, e o que você ganhou com isso? –Ela perguntou, seca. Ele nem se intimidou. –Provou algo sobre a Lufa-Lufa ou Sonserina?
Ele deu de ombros –um movimento que ela podia notar mesmo pela água turva do Lago Negro. Seu sorriso não esmoreceu e ele estendeu as mãos para pegá-la pela cintura e enlaçar as pernas longas e esquias dela no tronco dele. Era uma boa coisa; ela, ao contrário de Cedrico, não conseguia tocar o chão naquela profundidade, além disso, ele era quente e macio e cheirava bem e parecia incrível mesmo com os cabelos molhados, enquanto ela devia estar parecendo a Murta-Que-Geme.
—Vou ver você com a roupa molhada, colada e transparente quando sairmos daqui. Para mim é o suficiente.
—Você é baixo. –Ela observou. Então, imitando o gesto dele e dando de ombros, ela o lançou um jato de água no rosto que o fez fechar o sorriso para cuspir a água que engolira de volta no lago. Ao invés de se vingar, ele mergulhou com ela debaixo d’água, onde, submersos, a beijou apaixonadamente. Apenas depois disso, se vingou um pouco.
A tarde de estudos foi completamente perdida a partir de então. Cedrico engoliu mais água do que ela, mas isso foi porque era um cavalheiro e ela não tinha escrúpulos. Os feitiços de secamento que lançaram em suas roupas ao saírem do lago não foram o suficiente para tanta água, o que significou receberem vários olhares atravessados ao passarem pelo saguão pingando nos corredores. Era incrível, ela pensou, observando-o discretamente enquanto andavam lado a lado de mãos dadas, quantas de suas melhores lembranças envolviam ele agora. O pensamento foi um pouco temeroso.
Sem que percebesse a passagem do tempo, logo faltava apenas um dia para a tarefa. Cedrico ficara no salão comunal da Lufa-Lufa naquela noite, fazendo com que Cordélia largasse a biblioteca para jogar conversa fora com Mary em seu próprio salão comunal, já que era incapaz de se concentrar quando pensava no que passaria no dia seguinte. Estava ouvindo uma descrição detalhada da última aula de adivinhação de Warrington e Peter, onde a professora seguia predizendo morte e tragédia –nenhuma surpresa, segundo eles –quando Edmundo chegou no salão parecendo afobado.
—Ei, Cordélia, o professor Snape quer ver você na sala dele.
Trocando olhares estranhos com os amigos, Cordélia saiu do salão pelos corredores frios das masmorras à procura de seu padrinho. No corredor de seu escritório, ele a esperava do lado de fora, na porta, e não dentro. A mandou segui-lo para o escritório do diretor, o que ela fez com desconfiança; temendo ter algo a ver com o pedido que o fizera há algumas semanas sobre uma certa poção para bruxas com vida sexual ativa. Ou talvez houvesse descoberto onde ela fazia aquelas coisas e a fosse proibir de usar o banheiro dos monitores permanentemente. Isso seria um golpe em seus privilégios escolares.
A escada que se abria com a Gárgula quando uma senha era dada os girou para cima, largando-os de frente para uma porta de madeira. Lá dentro, o escritório de Dumbledore era amplo e iluminado, mesmo à noite, e cheio de apetrechos estranhos, muitos desconhecidos, cujo uso ela não podia sequer imaginar. Para sua surpresa, lá dentro também se reuniam a professora Minerva, Sprout, Madame Maxime, acompanhada da irmã mais nova de Fleur, Gabrielle, com quem Cordélia trocou um sorriso, Karkaroff e o próprio diretor, com as mãos no ombro do Weasley mais novo, amigo de Potter, e Hermione, a garota de Krum.
Cordélia voltou-se para o padrinho com um ar inquisitório.
—Ah. –Dumbledore virou-se para ela. –Srtª Bloxam, que bom que pôde se juntar a nós. Muito bem, agora que estamos todos aqui, vocês quatro devem estar se perguntando o que queremos com vocês. Vejam, esta noite algo deve ser tirado de cada um dos campeões, algo importante de que sentirão falta, que os faça ir em busca do que foi perdido.
Cordélia franziu a testa, ainda sem entender, mas a garota Hermione corava furiosamente e parecia mais informada que ela.
—Esse algo será, se vocês concordarem... –Dumbledore piscou, continuando. –Vocês. Observamos nossos campeões antes de decidir que cada um de vocês aqui presente seria o tesouro ideal. Algo que eles pensam não poderem viver sem.
Houve um longo silêncio enquanto cada um deles percebia o quanto significava para cada campeão. Cordélia considerou a proposta. Percebeu que, por mais que quisesse torcer por Cedrico, também se sentia um tanto orgulhosa de ser a coisa da qual ele mais sentiria falta, e queria fazê-lo ir buscá-la no fundo do lago. O pensamento logo a trouxe uma preocupação:
—Como nos manterão no Lago Negro submersos sem respirar por uma hora inteira? –Pensou que sua voz provavelmente saíra desigual.
Os olhos de Dumbledore brilharam para a sonserina por trás de seus oclinhos meia-lua.
—Vejo que o Sr. Diggory a mantém informada. –Comentou. –Você, Srtª Bloxam, que é tão competente no preparo de poções, deve conhecer o Gole do Aqueronte?
—É uma poção que induz um sono mágico que conserva o organismo funcionando sem gasto de energia ou consumo de oxigênio. –Falou com segurança, antes de hesitar. –É uma poção muito rara.
—De fato, é. Mas o nosso Mestre de Poções, o professor Snape, vem trabalhando nela há muitas semanas e agora está pronta. Será completamente seguro. –Dumbledore olhou cada um deles com cuidado de novo. –Se concordarem.
Cordélia fez que sim, com a cabeça, assim como Gabrielle. Mas Rony e Hermione trocaram um estranho olhar.
—Desculpe, diretor, mas eu e Rony não entendemos. –A meninas adiantou, fazendo Severus, atrás de Cordélia, revirar os olhos negros. –Bloxam é a refém de Diggory, é claro. E Gabrielle, de Fleur. Mas eu e Rony... qual de nós vai ser do Harry?
A sonserina pensou que, para uma menina que tinha fama de ser inteligente, Hermione estava sendo muito obtusa. Karkaroff claramente concordou com ela, porque fez um barulho deselegante ao soltar ar pelo nariz, incrédulo.
—Bem, Srtª Granger, veja...este seria o Sr. Weasley. –Então fez uma pausa. –Você foi escolhida para ser a refém do Sr. Vítor Krum.
Com interesse acadêmico, Cordélia ficou observando enquanto os rostos de ambos os Grifinórios coravam, parecendo em brasas, e eles evitavam olhar um para o outro. Mas então ambos fizeram acenos de concordância com a cabeça e o professor Dumbledore passou um frasco de poção para cada um e recomendou que se sentassem nas cadeiras disponíveis, o que eles fizeram, hesitantes.
—Tampem bem o nariz. –Ele recomendou, então Cordélia observou todos os seus colegas respirando fundo e desarrolhando a poção, antes de virarem-na garganta abaixo, desmaiando em seguida.
Sendo a última, Cordélia trocou um olhar com seu padrinho que se adiantou para amparar sua cabeça de bater no encosto com força quando ela tomou sua dose, sendo a última coisa que ela viu antes de apagar completamente.
Quando acordou na superfície do Lago Negro, pareceu como se tivesse tirado um cochilo muito revitalizante. Ao seu redor, expectadores nas arquibancadas faziam um grande estardalhaço, com gritos e vivas. Virou a cabeça com pressa, para encontrar Cedrico, com uma expressão vitoriosa, mas as sobrancelhas ligeiramente franzidas ao checar seu bem-estar, os olhos estreitos enquanto checavam seu rosto com uma expressão estranha.
—Estou bem. –Ela disse para ele, então ele abriu um sorriso ainda maior enquanto os dois nadavam para a margem sem mais dificuldades. Poucos segundos depois de eles alcançarem –Snape e a professora Sprout os esperavam com toalhas secas, que enrolaram ao redor de seus estudantes antes de Madame Pomfrey aparecer para checa-los –Krum e Hermione voltaram à superfície.
Cordélia notou com horror que a metade de cima do corpo de Krum estava voltando ao normal, mas que antes fora um tubarão branco de dentes muito afiados. Pelo olhar no rosto de Hermione, ela também ficou assustada com a estranha magia operada pelo bruxo. Cedrico ao seu lado, comentou, desejando ter pensado em algo tão legal.
—Gosto mais do seu jeito. –Cordélia garantiu.
Mas Cedrico já havia se distraído, de olho no lago.
—Harry já devia ter voltado. –Franziu o cenho.
O tempo seguiu passando. Todos olhavam os relógios agora e Cedrico havia esvaziado os bolsos, onde guardara um canivete mágico, que abria várias portas. Hermione estava posta ao seu lado e Fleur parecia como se estivesse prestes a mergulhar no lago de novo, sendo segurada por Madame Maxime, quando finalmente, três cabeças se ergueram.
As arquibancadas entraram em gritos novamente, com pessoas ficando de pé para ter uma melhor visão da chegada. O garoto ruivo e a garotinha loira pareciam pálidos, mas vivos e os dois garotos começaram a ajudar a menina a nadar para a margem, enquanto Fleur ia em sua direção para amparar a irmã mais nova.
—O que houve? –Finalmente ela perguntou.
Cedrico balançou a cabeça.
—Harry estava hesitando lá embaixo. Acho que preocupado com Hermione também. –Cedrico olhou para ela como que constrangido. –Talvez eu devesse ter ficado para ajudar.
A sonserina considerou a questão por um segundo. Mas se Potter havia perdido seu tempo levando a música a sério, parecia problema dele, então fez que não para Cedrico.
—Não seja bobo. –Beijou sua bochecha. –Eu sei que você quer ser justo e bom, mas é uma competição. Você se inscreveu para ganhar.
Depois que os três últimos competidores estavam seguros na margem, os juízes se juntaram para deliberar sobre as notas que seriam dadas em segredo. Ao fim de não mais do que dez minutos, que Fleur passou agradecendo a Potter e Weasley pela segurança de sua irmãzinha, Dumbledore se virou para todos os outros alunos:
—Senhoras e senhores, já chegamos a uma decisão. A chefe dos sereianos, Murcus, nos contou exatamente o que aconteceu no fundo do lado e, portanto, em um máximo de cinquenta pontos, decidimos atribuir a cada campeão as seguintes notas...
“A Srta. Fleur Delacour, embora tenha feito uma excelente demonstração do feitiço Cabeça-de-Bolha, foi atacada por grindylows ao se aproximar do alvo e não conseguiu resgatar sua refém. Recebeu vinte e cinco pontos. ”
Houveram aplausos da arquibancada, enquanto Fleur se martirizava em francês por ser uma decepção. Cordélia a alcançou para colocar uma mão em seu ombro.
—O Sr. Cedrico Diggory, que também usou o Feitiço Cabeça de Bolha, foi o primeiro a voltar com a refém, embora tenha chegado um minuto depois da hora marcada. –Cordélia, que não havia percebido o atraso, levantou as sobrancelhas para ele, surpresa. –Portanto, recebeu quarenta e sete pontos.
Com uma exclamação de prazer, a bruxa se jogou em cima do namorado, certa de que os outros não conseguiriam pontuação tão boa.
—O Sr. Vítor Krum usou uma forma de transformação incompleta, mas ainda assim eficiente, e foi o segundo a voltar com o refém. Recebeu quarenta pontos.
Soltando-se do abraço, Cordélia bateu palmas para alguém que ela já considerava um amigo.
—O Sr. Harry Potter usou guelrricho com grande eficácia –continuou Bagman, Cordélia ficou surpresa com a notícia, procurando sinais do efeito da erva no pescoço de Potter, mas as guelras já haviam sumido. –Ele voltou por último e ultrapassou em muito o prazo de uma hora. Contudo, a chefe dos sereianos nos informou que o Sr. Potter foi o primeiro a chegar aos reféns, e o atraso na volta se deu à sua determinação de trazer todos os reféns à segurança e não apenas o seu.
Rindo de incredulidade, a bruxa da sonserina concordou mentalmente com Malfoy quando ele chamava o garoto-que-sobreviveu de “O Santo Potter”. Havia algo muito verdadeiro nisso. Se perguntou se era uma coisa dele, ou dos Grifinórios e se era por isso que eram tão metidos.
—A maioria dos juízes –Bagman continuou, olhando exasperado para Karkaroff –acha que tal atitude revela fibra moral e merece o número máximo de pontos. Mas... o Sr. Potter recebeu quarenta e cinco pontos.
Numa matemática rápida, Cordélia percebeu que isso o deixaria empatado com Cedrico. O namorado parecia ter feito o mesmo cálculo porque, embora batesse palmas com entusiasmo, havia um vinco de preocupação entre suas sobrancelhas.
—A terceira e última tarefa será realizada ao anoitecer do dia vinte e quatro de julho. –Bagman anunciou. Cordélia se inclinou sobre Cedrico para sussurrar que seria depois dos NIEM’s. –Os campeões serão informados do que os espera exatamente um mês antes. Agradecemos a todos o apoio dado aos campeões.
Cordélia respirou aliviada. Nem havia percebido que segurava a respiração no último anúncio. Estava terminando, percebeu. Logo, logo, a vida voltaria ao normal e ela e Cedrico continuariam fazendo planos. Ele começaria o treinamento para virar animago, ela mandaria seu projeto para o Instituto Flammel. Os dois podiam dividir um apartamento em Londres se fossem aceitos em seus respectivos cursos. O futuro brilhava no horizonte, quase palpável agora.
"Only been here for a moment, but I know I want you
But is it too soon?
To know that I'm with you
There's nothing I can do"
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