Notas iniciais
Olá, pessoal, bem-vindos à minha primeira Fanfic de Harry Potter! Comecei a escrevê-la principalmente por achar que faltam fics de Cedrico no mercado do Nyah, enquanto os Marotos -lindos, amo -ganham todos os holofotes. Espero que gostem!

Take me back to the light
I know you were way too bright for me
I'm hopeless, broken

Os corredores do Expresso de Hogwarts estavam surpreendentemente movimentados naquele ano; os alunos fora das cabines para passarem o tempo andando pelo estreito corredor de carpete vermelho e janelas verdes pelas colinas do lado de fora. Cordélia havia saído da cabine dos monitores há apenas alguns minutos para fazer o primeiro turno do revezamento de rondas, mas já havia separado uma discussão entre setimanistas da Grifinória e dois sonserinos, além de passado numa cabine cheia de primeiranistas para checar sua irmã caçula. Cansada, embora estivesse fazendo seu trabalho há apenas alguns minutos, encostou-se numa das janelas do corredor, de onde ela podia ver tanto seu reflexo –um par de olhos verdes muito grandes para o rosto, um nariz pequeno e arrebitado, maçãs do rosto altas –quanto as colinas verdejantes dos campos escoceses, passando rápido pelo trem. Já não estavam mais na Inglaterra, percebeu, com saudade de sua casa no Norte da Escócia, à beira do mar negro, outro lugar cheio de colinas.

—Bloxam! –Uma voz familiar a chamou de trás. Cordélia se virou para encontrar Rogério Davies, monitor de seu ano e capitão do time de quadribol da Corvinal, que ficara com o mesmo turno que ela na divisão. Cordélia teria preferido ficar com seu colega sonserino, Edmundo Greengrass, mas este fora alocado com a monitora da Grifinória. –Chame Diggory para substituir seu turno. Eu já avisei a Jordan que é a vez dele.

Cordélia apertou os lábios e fez um gesto de cabeça, confimando. Davies era bonito e eles haviam saído num encontro em Hogsmead no ano anterior, que deu errado quando ele esperou que ela torcesse pela Corvinal num jogo de quadribol contra a Sonserina ao qual Cordélia se quer tinha se dado ao trabalho de comparecer. Parecera a ela um pedido pretensioso da parte dele a bem da verdade, desde que ele sabia que ela não era nenhuma fã do esporte.

O trem inteiro só tinha dois assuntos a serem conversados, Cordélia notou enquanto andava à procura da cabine de Diggory: o desfecho da Copa Mundial de Quadribol ou os atentados que seguiram a vitória da Irlanda. Cordélia não se importava nem um pouco com o primeiro assunto, mas vira seus pais ficarem bastante nervosos com o segundo, cochichando pela casa quando ela e Lucy não estavam à vista e cortando abruptamente o asusnto se entravam na sala, o que a deixou preocupada.

Cansada de espiar por dentro de várias cabines seguidas sem sucesso em sua busca, Cordélia, localizando um grupo de lufanos numa cabine na metade do trem, abriu a porta com um sorriso educado. Reconheceu o grupo como quatanistas: Abbot, Smith, Mcmillan, Finch-Fletchley e Bones, ela achava.

—Boa tarde. Algum de vocês viu Cedrico Diggory? –Cordélia se postou de forma que seu distintivo de monitora-chefe brilhasse sob a luz amarela dentro da cabine.

Seus ocupantes, que estavam numa partida de snap explosivo, regado a tortinhas de abóboras e doces dos carrinhos que fizeram Cordélia –uma aficionada por doces –ficar com água na boca, pararam o que faziam para prestar atenção nela. As duas meninas lá dentro trocaram olhares e risadinhas ao som do nome do Garoto de Ouro da Lufa-Lufa, mas os meninos foram mais prestativos.

—Duas cabines naquela direção, eu acho. –Respondeu Justino, apontando para que ela continuasse seguindo o corredor.

—Obrigada. –Cordélia se inclinou para fora da cabine com um aceno. Lufanos nem sempre eram desconfiados com sonserinos, mas aqueles pobres coitados eram quartanistas, o que significava que conviviam com sonserinos tais como Draco Malfoy e seus armários, Crabbe e Goyle, que não eram exemplos para a Casa das serpentes.

Cordélia atravessou o espaço entre a cabine dos quartanistas e a cabine que Cedrico supostamente ocupava em poucos passos largos, mas, quando se preparava para bater nas portas de vidro da cabine do lufano, o próprio Cedrico saiu, rindo de alguma coisa que seus amigos falavam, ainda vestido em suas roupas comuns e não no uniforme, mas com os distintivos tanto de capitão do time da Lufa-Lufa quanto de monitor-chefe presos em suas vestes.

—Continuem sem mim, eu alcanço vocês quando voltar. –Ele disse aos amigos, antes de fechar a porta com um estalo e focar seus olhos incrivelmente cinzas na sonserina à sua procura. –Cordélia! –Ele exclamou amigavelmente, embora não se conhecessem o suficiente para se tratarem pelo primeiro nome. –Como foram as férias?

Cordélia na verdade achava Cedrico Diggory muito intimidante. Claro que ele não fazia de propósito. Para todos os efeitos, ele era apenas um dos alunos mais brilhantes de Hogwarts, além de bonito. O que realmente mesmerizava Cordélia eram as coisas das quais ele era capaz e ela, não. Cedrico era, por exemplo, incrivelmente popular. Não podia andar por um corredor qualquer sem cumprimentar pelo menos uma dúzia de colegas de todas as Casas, enquanto os ares sérios e distantes de Cordélia, além do fato de ser uma sonserina, pareciam manter a maioria de seus colegas longe. Depois, ele era incrivelmente bom em Transfiguração. Cordélia era boa em muitas matérias em que seus colegas tinham dificuldade: Poções (cada ingrediente tinha uma função e cada mistura um resultado previsível, muito simples), História da Magia (datas, acontecimentos em cadeia, nada muito complexo), Herbologia (novamente, previsível) e Feitiços (puro talento). Mas Cedrico era um gênio da Transfiguração, enquanto Cordélia simplesmente não sabia qual o funcionamento da coisa. Além disso, de novo, ele era muito bonito. O tipo de bonito que fazia garotas corarem e desviarem o olhar. Cordélia teve que fazer um esforço para não ter exatamente aquela reação.

—Foram... Humm... boas. –Cordélia respondeu, mirando o peito dele para não olhar em seu rosto e completamente distraída do motivo pelo qual procurara por ele em primeiro lugar.

—Vamos lá. –A voz dele era suave e masculina; simpática e curiosa, como se ele estivesse muito interessado nela, embora ela não pudesse imaginar um motivo para isso. –Quão boas?

—Tudo bem... –Ela se viu respondendo, como se fosse bons amigos. Era a magia de Cedrico, ela supunha: ele fazia com que qualquer pessoa se sentisse confortável em sua presença. –Fiquei duas semanas na França, na casa de amigas. Você sabe, fiz um ano de intercâmbio em Beauxbatons no meu quinto ano. Quando voltei para casa, um dos unicórnios da propriedade teve filhotes; pequenos, dourados, lindos! Minha família cria animais mágicos, então sempre temos eventos assim. E minha irmã caçula vai entrar em Hogwarts esse ano, então fomos ao beco diagonal comprar sua varinha. Há algo mágico em comprar sua primeira varinha, não acha?

Cedrico tinha um sorriso entretido em seu rosto e não tirou os olhos dela mesmo quando um grupo de meninas do sexto ano da Corvinal passou dando risadinhas.

—Acho. Foi a primeira vez que realmente me senti um bruxo. –Concordou, se desviando automaticamente das garotas que pssavam, dando um passo para mais perto de Cordélia. –Minha varinha tem o fio da calda de um unicórnio. Talvez tenha sido um dos seus. –“Talvez”, Cordélia se viu concordando, embora não achasse provável. –Meu pai trabalha no Departamento para Regulação e Controle das Criaturas Mágicas; ele estava bastante preocupado com a venda ilegal de pomorins nessa época de copa; afinal, todos querem seu próprio pomo-de-ouro vivo.

—Ele está certo. Minha mãe também estava preocupada. Temos um santuário de proteção aos pomorins e colocamos proteção extra esse ano. Você sabe, feitiços e vigias. –Cordélia balançou a cabeça gesticulando com as mãos, pensando nas criaturinhas douradas e velozes que voavam pela propriedade de sua casa e que eram uma das lembranças mais doces de sua infância. –Como foram as suas férias?

O lufano deu de ombros, os cabelos castanhos se movimento com o gesto.

—Nada de unicórnios, infelizmente. –Disse, modesto. –Fiquei feliz em ver a Irlanda ganhar da Bulgária na copa, entretanto.

—Você estava... –Cordélia hesitou. –Você ficou bem?

—Sim. –Ele se apressou em responder, estendendo uma mão para o ombro dela e hesitando no meio do caminho, deixando a mão cair de volta ao seu lado. Cordélia lamentou por isso. –Tudo bem. Meio assustador, mas... ninguém foi irreversivelmente ferido.

Nesse momento, ambos foram interrompidos pela tia do carrinho, que vinha empurrando seu antro de guloseimas na direção deles e a atenção de Cordélia foi completamente eclipsada pela visão de varinhas de alcaçuz, diabinhos de pimenta, sapos de chocolate, bolos de caldeirão, tortilhas de abóbora, pirulitos de sangue, balas ácidas, bombons explosivos, esqueletos de chocolate e mais coisas coloridas cheias de açúcar.

Cedrico seguiu seu olhar com um sorriso.

—Quais seus preferidos? –Perguntou, se virando para o carrinho.

—Ah. –A sonserina sorriu para ele. –Todos. Eu amo doces. Não precisaria almoçar, jantar ou tomar café. Apenas açúcar, açúcar e açúcar para sempre.

O seu colega lufano já estava falando com a moça do carrinho quando Cordélia percebeu o que ele estava fazendo.

—Um de cada para a senhorita, por favor. –Ele disse, apontando para a ala de doces. Cordélia se apressou em negar: “Ah, não! Cedrico, realmente, não precisa. Por favor, me deixe pagar, eu...”, mas ele não teve dó em interrompê-la. –Vamos lá, me deixe pagar alguns doces para uma colega de quem gosto, tudo bem? Aqui, pegue. Eu tenho que fazer minha ronda; já estou um pouco atrasado na verdade, mas não queria desperdiçar o tempo que tinha com você me dando um pouco de atenção. Nos vemos mais tarde?

Sem fala, com o rosto quente de vergonha, Cordélia deixou que ele colocasse os doces em suas mãos, sorrindo para ela. A sonserina balançou a cabeça, mas não pôde deixar de sorrir também e murmurou baixinho um agradecimento, antes de ele tocar a mão dela rapidamente –apenas o pouso de uma borboleta, nada comprometedor –com as costas dos dedos e sair no corredor para cumprir suas obrigações. Ela o assistiu indo embora, os ombros largos, mas não muito, a silhueta magra, até que sumisse entre os alunos fazedno bagunça.

Sem deixar de sorrir, Cordélia colocou uma varinha de alcaçuz na boca e foi encontrar seus colegas na cabine onde os deixara.

Ela já havia devorado a maior parte dos doces quando chegou à sua cabine e seus colegas estavam cheios demais para aceitar algum dos que ela oferecera. Mary Selwyn e Lana Burke estavam sentadas do mesmo lado da cabine, enquanto Mary fazia uma trança delicada no cabelo louro de Lana. Do outro lado, estavam Edmundo Greengrass, Cassius Warrington e Peter Bulstrode, ainda discutindo sobre a Copa Mundial de Quadribol. Todos os cinco acenaram para Cordélia quando ela entrou e Mary fez um gesto para que se sentasse ao seu lado, onde descansava seu meio-amasso, Gargamel, mas voltou-se logo ao seu trabalho com o cabelo da outra colega. Aproveitando a distração dos amigos, de forma boba, Cordélia pegou a figurinha de Morgana que havia vindo no sapo de chocolate que comera e, com uma das penas de fiuum de luxo de sua bolsa, escreveu as iniciais C.D, antes de enfiar o card colecionável em seu bolso.

Gargamel, o seu meio-amasso de cor cinza-azulada, cara amassada e rabo de escovinha, a olhou com o que Cordélia pensou ser julgamento quando a viu deslizando o card de volta nas vestes. “Shiu”, ela murmurou para ele, fazendo uma careta.

—Foi egoísmo. –Dizia Edmundo, batendo no banco estofado com força. –Ele queria ser conhecido como o cara que encerrou a copa pegando o pomo, mesmo que para isso tivesse que condenar o time.

—Ele sabia que o time não tinha chance. –Contra-argumentou Warrington, enquanto Bulstrode acenava em concordância. –O time da Irlanda era mais forte e mais bem-preparado. Se ele não houvesse pegado o pomo, teriam terminado com um placar muito mais humilhante que ficaria gravado na história.

Os garotos pareciam como se a discussão pudesse ficar ainda mais acalorada quando Mary interrompeu, terminando a trança de Lana com um feitiço de aperto para que não se soltasse.

—Quem liga para isso? –Murmurou, provavelmente sem intenção de ser ouvida. –Krum é um gato.

O olhar de Edmundo ficou bastante azedo depois do comentário. Gargamel moveu as orelhas para a palavra "gato" como se temesse ser o assunto da conversa, os olhos violeta focando Mary com curiosidade.

—Com aquele nariz de Drácula dele, certamente um partidão. –Riu com escárnio Edmundo. –Ele é um grande apanhador e só.

—Ele tem um grande físico, isso sim. –Lana o provocou também, apenas por maldade. –Não vejo a hora de sair uma foto dele sem camisa no Semanário das Bruxas. Vou colar um pôster no dormitório.

A discussão provavelmente teria continuado até que eles chegassem em Hogwarts. Cordélia já havia desligado seu cérebro do assunto; afinal, o desinteresse que ela cultivava sobre quadribol certamente se estendia até seus jogadores. Então, distraída, ela olhou pela janela para checar se estavam próximos do castelo e encontrou sua visão completamente obstruída por um aguaceiro.

—Minha nossa, que recepção. –Comentou, pensando nos feitiços de impermeabilidade que teria que lançar sobre si mesma quando saísse do trem.

—Não invejo os primeiranistas que terão que atravessar o lago. –Peter comentou, torcendo a boca.

Cordélia ficou pensando em sua irmã até o momento em que o trem parou. Deixou seus colegas, pegando seu malão e seu gato, e se apressou para fora da cabine para encontrá-la antes que desembarcasse. Lucy estava, junto com alguns outros primeiranistas, parada à porta do trem, parecendo hesitante em descer. Seus olhos azuis se iluminaram ao focar a irmã mais velha, que a puxou de lado e usou na caçula os feitiços que havia lançado sobre si mesma contra a chuva, inclusive um em seus olhos, para ajudar a visão.

—Impervius. -Teve o cuidado de dizer em voz alta para que a mais nova o aprendesse.

Quando, com o coração na mão, deixou a caçula ir, percebeu que havia perdido as primeiras carruagens. Torceu para que seus colegas a houvessem esperado, mas, naquela chuva, achou improvável. Então foi desanimada na direção do transporte puxado por testrálios –não que pudesse vê-los, mas aqueles haviam sido vendidos a Hogwarts por seus pais, que treinavam cavalos alados –usando seu corpo para proteger Gargamel da chuva torrencial. Antes que pudesse se enfiar em alguma carruagem com alunos mais novos, alguém tocou seu ombro por trás.

Cedrico Diggory havia posto o uniforme em algum momento da viagem, mas se esquecera dos feitiços de impermeabilidade e, por isso, suas vestes e seus cabelos pingavam água fria, que escorria pelos ângulos pálidos e afiados de suas maçãs do rosto e maxilares e pingavam de seus cílios vastos como lágrimas. Ele fez um gesto para que ela o seguisse, pois não seria ouvido por debaixo da tempestade, e logo os dois estavam entrando numa cabine com outros lufanos.

Haviam dois garotos e duas garotas na cabine: Hugh Spizba e Gregor Abbot e Anne Smith e Susana Pevensie. Todos acenaram para Cordélia, sem parecer particularmente animados com sua presença, até que a bruxa se virou para o colega ensopado, um pouco trêmulo de água gelada e, com sua especial aptidão em encantamentos, fez um particularmente bem-executado feitiço de secamento nele.

O lufano a olhou agradecido com os lábios voltando ao normal tom rosado e seus colegas também pareceram aliviados que ele não estivesse mais pingando água na carruagem. Então o lufano colocou uma mão, agora quente, sobre a sua que repousava no banco, de forma lenta, primeiro encostando os dedos no dela e subindo lentamente, como um polvo cujos tentáculos testavam uma superfície desconhecida, esperando que talvez ela recusasse o gesto. Cordélia, autoconsciente, fez um esforço para parecer casual e relaxada para que ele se sentisse confortável, até que que colocou toda a mão por cima da dela e Cordélia virou sua palma para entrelaçar seus dedos.

Embora houvesse ficado olhando pela janela, à espera da primeira visão do castelo, podia dizer pela sua visão periférica que o lufano olhava para ela.

Notas finais
Comentários? Ideias? Pensamentos? Sou aberta a críticas! A música do início do capítulo é Golden, de Harry Styles e está disponível na playlist da fanfic no Spotify!