Lembrem-se de Cedrico Diggory
5 O Cálice de Fogo
Notas iniciais
And the fever began to spread
From my heart down to my legs
But the room was so quiet oh
And although I wasn't losing my mind
It was a chorus so sublime
Finalmente, eles foram liberados para atravessar o saguão para entrar de volta no castelo com o resto dos alunos. Não apenas Mary, mas várias meninas ficavam nas pontas dos pés para encarar a nuca de Krum, e alguns garotos também. Um grupo de alunas do quinto ano da Sonserina chamavam o nome do jogador baixinho, tentando chamar sua tenção, mas as meninas pararam quando Cordélia perguntou se elas gostariam de esperar no salão comunal.
No salão principal, foram em direção à mesa da Sonserina. Quando passaram pela Corvinal, Cordélia se destacou de seu grupo ao notar que os alunos de Beauxbatons haviam se instalado ali, olhando ao redor tristemente com seus xales muito finos para o tempo frio. Cordélia se aproximou de Marlon com passos rápidos.
—Acerrrtame a mese? –Perguntou o bruxo francês com um sotaque forte. Claire e Fleur estavam usando xales e a olharam com expectativa. Fleur foi a primeira a notar o erro.
—Merde. –Xingou descaradamente, sem preocupações com as crianças ao seu redor. –Pensame qu’ ta gravate errra azule am escurrre.
Cordélia riu do engano dos amigos baixinho.
—Tenho que voltar para a minha mesa. Aquela garotinha ali. –Cordélia apontou mais para o meio da mesa. –É minha irmã caçula, Lucy. Peçam o cachecol dela emprestado. Falo com vocês depois.
Quando voltou para a mesa da Sonserina, com passos apressados, notou que estava mais apertada do que o usual, porque a delegação de Durmstrang a havia escolhido para acomodarem-se. Para horror de Mary, Cordélia achou um lugar ao lado de Vítor Krum para sentar-se. Sua amiga, do outro lado da mesa, a fez uma careta e mesmo Lana a olhou de forma traída quando Peter não estava olhando.
Krum não estava prestando atenção em nenhuma delas, entretanto. Observava com interesse o céu enfeitiçado que era o teto do salão principal e parecia mais tranquilo do que os alunos de Beauxbatons, que, acostumados com mais conforto do que os banquinhos duros de Hogwarts, olhavam tristemente ao redor.
Depois que todos os alunos estavam acomodados lá dentro, entraram os diretores para tomar acento à mesa principal. Quando madame Maxime entrou, seguindo o costume, a delegação francesa ficou toda de pé e Cordélia precisou lembrar a si mesma que estava em Hogwarts para não imitar o gesto, e só voltaram a se sentar quando Madame Maxime estava ela mesma acomodada confortavelmente.
—Boa noite, senhoras e senhores, fantasmas e, muito especialmente, hóspedes. –Dumbledore havia se levantado de sua cadeira para falar ao salão. –Tenho o prazer de dar as boas-vindas a todos. Espero e confio que sua estada aqui seja confortável e prazerosa.
Cordélia ouviu a inconfundível risadinha de zombaria de Fleur, mas não ficou incomodada com a amiga. Mary, por outro lado, a lançou um olhar fulminante.
—O torneio será oficialmente aberto no fim do banquete. –Dumbledore continuou. –Agora convido todos a comer, beber e se fazer em casa!
As travessas diante deles fizeram como sempre faziam e se encheram de comida magicamente. Os elfos haviam caprichado: Cordélia logo notou alguns pratos estrangeiros no meio das comuns batatas assadas e rosbife. Cordélia logo localizou com alegria um prato de bouillabaisse e se serviu. Krum, ao seu lado, comia o que parecia ser carne de carneiro com legumes e havia se despido da capa, relevando um uniforme vermelho-sangue por baixo, que muito destoava da sobriedade sonserina. O bruxo seguia olhando para o teto, agora com desconfiança.
—É encantado, sabe. –Cordélia disse para ele amigavelmente. Parecia que toda a mesa tinha parado para ouvir a conversa. –Para refletir o céu lá fora, seja lá qual o tempo for.
Krum olhou para ela com agradecimento.
—Eo essstava pensando em com farriam caso chovesse. –Disse ele, entretido. –Eu sô Vítor Krum.
Cordélia apertou a grande mão que ele a estendeu com a sua própria pequena mão pálida.
—Sou Cordélia Bloxam. –Respondeu com um aceno.
De alguma forma, Edmundo, Peter e Cassius entraram numa conversa com o bruxo sobre o cancelamento da Copa de Quadribol entre as casas, deixando os alunos mais novos cheios de inveja. Draco Malfoy estava verde, olhando com raiva para os mais velhos, mas ninguém o deu atenção. Krum parecia entretido, assim como o colega ao seu lado, igualmente alto, mas mais magro e de cabelos cumpridos que se apresentou como Ivan Ibramovitch, com a descrição do campeonato entre as casas.
Uns vinte minutos depois, quando todos os pratos estavam limpos, as travessas foram substituídas pelas sobremesas, que também estavam mais variadas do que de costume. Clafoutis e macarrons faziam parte do menu, mas também, e quando notou isso Cordélia pulou no banco batendo palmas:
—Kransekake! –Era um kransekake de verdade, não as torres de rosquinha colorida que ela fazia no café quando precisava de animação.
Krum olhou para ela mais uma vez, parecendo entretido.
—Gosta de comida norueguesa?
—Gosto de kransekake. –Cordélia encolheu os ombros. –Não conheço mais que isso. É uma das minhas sobremesas preferidas. Minha mãe sempre fazia em meus aniversários ou quando queria me animar.
Depois que os pratos de ouro estavam todos limpos, Dumbledore se levantou mais uma vez. O salão deixou de ser tranquilo e curioso e um tipo de eletricidade começou a ser sentida no ar atravessando as cinco mesas no ambiente cheio de excitação.
—Chegou o momento –Dumbledore sorria para o mar de cabeças, detentor do poder. –O Torneio Tribruxo vai começar. Eu gostaria de dizer algumas palavras de explicação...
Depois disso, o diretor tomou algum tempo para apresentar o Sr. Bagman e o Sr. Crouch, do ministério da magia, que estavam responsáveis pelo torneio e que seriam juízes ao julgar as tarefas. Foi trazida para dentro do salão uma arca de madeira, incrustada de pedras preciosas que fez com que todos os alunos da Sonserina se inclinassem para frente com curiosidade. Tinha uma aparência antiga e nobre, Cordélia pensou.
—Como todos sabem, três campeões competem no torneio. –Continuou Dumbledore calmamente. –Um de cada escola. Eles receberão notas por seu desempenho em cada uma das tarefas do torneio e aquele que tive obtido o maior resultado no final da terceira tarefa ganhará a Taça Tribruxo. Os campeões serão escolhidos por um juiz imparcial... o Cálice de Fogo.
Com três pancadas leves de sua varinha, Dumbledore abriu a caixa de madeira, enfiou a mão dentro dela e dali tirou um grande cálice de madeira toscamente talhado. Teria sido considerado comum se não estivesse cheio até a borda com chamar branco-azuladas que pareciam dançar. O diretor pousou o cálice sobre a tampa da arca, visível para todo o salão.
—Quem quiser se candidatar a campeão deve escrever seu nome e escola claramente em um pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice. Os candidatos terão vinte e quatro horas para apresentar seus nomes. Amanhã à noite, Festa das Bruxas, o cálice devolverá o nome dos três que ele julgou mais dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir. Para garantir que nenhum aluno menor de idade ceda à tentação, traçarei uma linha etária em volta do Cálice de Fogo depois que for colocado no saguão. Ninguém com menos de dezessete anos conseguirá atravessar a linha.
Cordélia olhou para os seus colegas, mas todos pareciam abduzidos pelas palavras do diretor. Seus amigos de Beauxbatons estavam inclinados para frente e, Cordélia notou com alguma preocupação, mesmo Cedrico tinha os olhos grudados no diretor, com uma estranha expressão determinada que o fazia parecer mais velho e nobre do que o garoto de dezessete anos que ele era.
Depois de mais um aviso sobre não levar o torneio levianamente, pois é um ato mágico contratual impossível de ser quebrado, Dumbledore os dispensou para que ruminassem suas palavras em suas camas confortáveis. Cordélia notou Karkaroff se apressando em chegar à mesa da Sonserina, mas sua atenção estava em Peter.
—Querem ver amanhã? –Perguntou ele com deboche. –Vamos ter vários menores de idade tentando e falhando. Vai ser divertido.
O grupo de Sonserinos se levantou de sua mesa. Cordélia fez um aceno amigável para Krum, que recusando uma taça de vinho de seu diretor, acenou para ela de volta. O grupo saiu do salão sem mais problemas e Mary entrelaçou seu braço com o de Cordélia, que notou as mãos da amiga suando.
—Warrington. –Ela chamou, a voz tremendo. –Quer... ficar por aqui? Não descer agora... esperar todos saírem e...
Ela não terminou, mas não precisava. Os dois sonserinos ficaram e Cordélia considerou ficar também –não para se inscrever, não queria a glória eterna, mas para checar se Cedrico se inscreveria. Todos os lufanos pareciam ansiosos para isso, mas ele não a dera nenhuma confirmação inegável de que o faria. Cordélia deixara claro que não pretendia se inscrever e que achava perigoso. É claro que não o impediria, mas gostaria de ser avisada. Mesmo assim, deixou os dois amigos voltarem sozinhos, indo para as masmorras com Edmundo, Lana e Peter.
O dia seguinte foi um sábado, o que significava que Cordélia planejava dormir até mais tarde. Seus planos foram estragados por Mary, que acordou cedo como se fosse um dia de aula e as fez se vestirem com roupas comuns para irem tomar café. Cordélia colocou o seu cachecol verde preferido por cima de um vestido creme, bordado com delicadas flores coloridas no busto e na barra da saia, um cardigã de caxemira branco-pergaminho, e seguiu as duas colegas para o saguão.
Quando emergiram do corredor no espaço com as grandes portas de madeira, caíram logo na risada. Mary e Cordélia se agarraram uma na outra para rir dos gêmeos Weasley, que haviam tentado transpassar a linha etária e ganharam longas barbas brancas parecidíssimas com a do professor Dumbledore.
—Eu disse a vocês. –Peter comentou, balançando a cabeça. –Vai ser um show de circo hoje.
—Eu avisei a vocês. –O professor Dumbledore vinha saindo do salão principal com os olhos cintilando a examinar os Weasley, antes de manda-los para a ala hospitalar.
O grupo entrou no salão, para ir à mesa da Sonserina, onde estavam Warrington e Edmundo, já de pé e comendo, quando passaram pela mesa da Grifinória e Cordélia entreouviu a conversa de um grupo de quartanistas.
—É melhor você do que o Zé Bonitinho do Diggory. –Disse um garoto irlandês baixinho, com desprezo.
A sonserina não estava nada animada em imaginar seu namorado no torneio e, como sonserina, devia torcer para Warrington e Mary, mas mesmo assim lançou um olhar sombrio para o grifinório, que fez seus amigos mudarem de assunto rapidamente. O grupo sentou-se no lugar de sempre à mesa.
—E aí? –Mary perguntou principalmente para Warrington. –Quem mais se inscreveu?
O grande e desajeitado sonserino parecia prestes a vomitar como Cordélia nunca o vira. Ele parecia incapaz de responder, então Edmundo o fez:
—Todo o pessoal de Durmstrang, Clearwater e Cumberbatch da Corvinal, Johnson e Spinnet da Grifinória e Diggory e Susana da Lufa-Lufa.
—Ah, Susana se inscreveu! –Mary pareceu animada. –Só espero que não seja ninguém da Grifinória. –Comentou com maldade. –Embora eu goste de Spinnet. Mas, honestamente, odeio como eles se acham os superiores, nobres, corajosos.
Cordélia por outro lado ainda estava digerindo, e não com facilidade, o que o colega havia dito.
—Você disse que Cedrico se inscreveu? –Repetiu, enfatizando o nome dele.
Edmundo pareceu confuso.
—Essa manhã. –Deu de ombros com tranquilidade. –Ele e Susana vieram com Hugh, Anna e Gregor e colocaram, só os dois, os nomes no cálice.
A bruxa passou um segundo para repassar todas as conversas que tivera com o namorado sobre o assunto, procurando saber se ele havia em algum momento afirmado suas intenções em participar do torneio. Seus amigos haviam voltado a conversar, a deixando com seus pensamentos, e Cordélia se imaginou por um minuto escrever seu nome num pergaminho e colocá-lo no cálice, apenas para diminuir as chances do lufano. Mas logo deixou a ideia de lado, um arrepio subindo pela sua espinha com a ideia de ser escolhida.
—Vejo vocês mais tarde. –Murmurou baixo e desatenta aos amigos, que pareceram curiosos quando ela saiu da mesa, decidida a achar seu namorado.
Porém, ao passar pelas portas do salão principal, deu de cara com os alunos de Beauxbatons colocando, um a um, seus nomes no cálice de fogo. Marlon, que já estava esperando na fila para sair, acenou para ela e Madame Maxime, liderando seus alunos, seguiu seu aceno e se aproximou, falando em francês:
—Cordélia, querida, há quanto tempo que esteve em minha escola! —Trocou com a menina mais nova dois beijinhos no ar, embora a diferença de altura fizesse com que Cordélia desse dois beijinhos no ar em volta de seu tórax.
—E agora a senhora visita minha escola. —Comentou alegre. –Espero que a estadia seja de seu agrado.
—É diferente do que eu esperava. —Admitiu a bruxa –Mas Alvo faz o seu melhor. Por que não vem conosco para a carruagem passar a tarde com seus amigos?
Agora, Fleur já tinha colocado seu nome no cálice também e se aproximava com passos precisos. As duas amigas trocaram mais beijinhos no ar.
—Diga sim. —Pediu a meia-veela.
Cordélia olhou para trás, para a mesa da Lufa-Lufa onde Cedrico não estava. Não sabia quando ele pretendia aparecer ou se a estava evitando ou simplesmente comemorando com os colegas. Desejou que ele não houvesse colocado seu nome no cálice e então desejou que ele quisesse comemorar com ela. Então voltou-se sorrindo para os seus amigos franceses.
—Ficaria encantada.
O grupo seguiu de volta para os Jardins, onde estava estacionada a carruagem na orla da floresta. Seus colegas franceses já estavam usando roupas mais adequadas ao frio; a combinação de inverno que tinha mangas mais longas e uma capinha charmosa ao redor dos ombros. Os meninos usavam um pulôver azul-claro peludo por cima de uma blusa de botões e gola branca e gravata azul e prateada.
Claire, andando ao seu lado, tirou seu chapéu e colocou na cabeça de Cordélia, que abraçou de lado. As duas amigas, ladeadas de Fleur e Marlon, seguiram a diretora e os outros alunos para dentro da carruagem gigante.
Por dentro, era toda decorada em azul, branco e dourado. No hall, o chão era de ladrilho branco e preto e haviam sofás confortáveis com ar antigo e portas brancas que davam para os dormitórios, o salão de refeições e os banheiros. Primeiro, eles foram ao salão de refeições, onde os quatro amigos tomaram chá com bolinhos recheados de chocolate e geleias de frutas variadas. Cordélia contou que não se inscreveu, o que deixou os amigos muito surpresos. Marlon afirmou que ainda havia tempo para isso, mas a sonserina rejeitou a ideia.
Então o grupo subiu para os dormitórios, que não era separado por sexo, por escadas em espiral. Os dormitórios eram grandes e Fleur e Claire dividiam um sozinhas.
Cordélia observou com saudosismo os armários familiares, as camas com lençóis de seda, as penteadeiras espaçosas, cheias de lugares para seus produtos e as peônias que enfeitavam cada superfície do quarto. Marlon, que estava mais alto do que da última vez que ela o vira, o cabelo louro num adorável tom dourado, a pele com um bronzeado saudável, o nariz reto impecável, jogou-se na cama de Fleur e ficou observando divertido enquanto as meninas francesas sentavam Cordélia na penteadeira para pentear seus cabelos.
—Vai haver um baile. –Fleur confidenciou. –Você vem se arrumar conosco?
A bruxa britânica fez um muxoxo com a boca.
—Eu adoraria. –Respondeu, pensando nos velhos tempos em que elas se arrumavam juntas para as festas. –Mas acho que minhas amigas sonserinas vão querer que façamos isso juntas.
—As chame também. –Disse Claire com tranquilidade. –Tem espaço o suficiente para cinco meninas nesse quarto, uma vez que mandemos Marlon embora.
—Vai haver uma festa proibida essa noite, de Halloween. –Cordélia falou enquanto se lembrava. –Depois da seleção dos campeões. Vocês acham que conseguem se esgueirar de madame Maxime?
—Com certeza. –Disse Fleur, animada.
Cordélia prometeu que as iria encontrar após o jantar de halloween para guia-las à festa. Com as mãos habilidosas de Fleur penteando seu cabelo com gestos precisos como eram os dela quando fazia poções, Cordélia se sentiu à vontade para falar sobre o que houvera com Cedrico e o quão chateada estava com ele por ter escondido dela que se inscreveria para o torneio.
Os franceses eram bons ouvintes. Fleur, que não tinha muito apego com garotos, num instante disse para ela arrumar outro namorado; haviam muitos meninos bonitos em Hogwarts. Mas Claire, que era gentil com o coração alheio, sugeriu que ela voltasse a Hogwarts para encontra-lo e, na hora do almoço, quando deviam descer para o salão de jantar, Cordélia se despediu das amigas e refez o caminho para o castelo.
Para sua surpresa, parecendo inseguro e ansioso, Cedrico Diggory esperava por ela à porta so salão principal, enquanto era cumprimentado por colegas que passavam com apertos de mão e palminhas no ombro. Ele pareceu feliz e assustado quando ela se aproximou, ainda usando o chapéu de Claire. Ele olhou para o objeto azul-claro em formato de noz por um segundo com um sorriso.
—Passei a manhã procurando por você. –Disse, com um encolher de ombros.
A bruxa de cabelos mais escuros não tentou evitar o assunto.
—Soube que você se inscreveu para o Torneio Tribruxo. –Cedrico pareceu prestes a interrompê-la. Naquele momento, ela percebeu que ele provavelmente iria se desculpar por não a ter dito, quando ela queria se desculpar por não ter sido confiável o suficiente para que ele se sentisse confortável para falar. –Não, me deixe falar. Lamento ter feito você pensar que não podia me contar sobre isso. Não gosto to Torneio Tribruxo. Acho brutal e cruel. Mas talvez eu tenha sido exagerada em minhas reclamações. Se você quer competir, eu apoio você. Vou torcer por você não importa o que aconteça. Me desculpe por fazer você pensar que não.
Cedrico hesitou na porta.
—Eu desculpo você se me desculpar por ter sido covarde e escolhido não contar. –Ele abriu os braços. Cordélia, se sentindo mais leve e decidida a ignorar o anseio de preocupação em seu estômago, que ficava relembrando o Profeta Diário e sua recente dedicação a noticiar estranhos desaparecimentos, além da questão da Copa Mundial de Quadribol. Deu um passo à frente e se jogou nos braços de Cedrico, que continuou falando:
—Só quero uma chance. De fazer meu pai e minha casa orgulhosos. –Ele sorriu para ela com carinho, levantando uma mão para colocar os cabelos escuros da namorada atrás das orelhas.
Cedrico a puxou com ele para almoçar na mesa da Lufa-Lufa com seus colegas. Embora desconfiada, sem seu uniforme, quase ninguém notou que havia uma intrusa da mesa amarela e preta e, para surpresa geral, um pouco mais tarde, também sem uniformes, se juntaram a eles Lana, Mary e Edmundo quando a sobremesa foi servida.
Num segundo, Mary e Susana, sentadas lado a lado, entraram numa discussão amigável:
—A Lufa-Lufa precisa parar de ser subestimada. –Argumentava Susana. –Por isso, o campeão deve ser lufano.
—A Sonserina é incompreendida e excluída! –Mary choramingou. –Precisamos provar que também somos corajosos.
Lana, sempre promovendo a paz, num instante as interrompeu:
—Vamos combinar o seguinte: se qualquer um de nós, sonserinos ou lufanos for escolhido –Ela disse misteriosamente. –Apoiaremos uns aos outros. Porém, se for um Grifinório, o mataremos para escolher um novo campeão.
Os setimanistas se dissolveram em algumas risadas pela mesa. Alunos mais novos seguiam passando por eles para demonstrar apoio a Cedrico e Susana e pareciam surpresos quando davam de cara com Mary, que todos sabiam ter se inscrito, mas ainda assim a desejavam sorte. Quando o almoço acabou, o grupo foi todo para os jardins, jogar uma partida de algo que Gregor Abbot chamou de futebol, que envolvia todos eles, divididos entre dois times, correndo atrás de uma bola.
Na metade da partida, Vítor Krum e Ivan Ibramovitch se juntaram a eles e mais tarde mesmo Fleur, Claire e Marlon foram apresentados ao grupo para mais uma partida. Na partida, todos eles se conheceram como não se conheciam antes. Descobriram a tendência de Fleur a xingar e de Mary a roubar. Cedrico era justo, mesmo quando podia não ser e Cordélia era astuta como uma serpente. Vítor era surpreendentemente desequilibrado sobre os dois pés e soltava palavras em búlgaro que ninguém entendia, enquanto seu amigo era habilidoso e flertador, de um jeito inofensivo. Flertava com Mary, Fleur, Claire, Cordélia, Lana, Susan e Anna da mesma forma, sem parece falar sério com nenhuma delas. Edmundo era competitivo e estrategista e Cordélia gostava de ficar no grupo dele.
Susan era, não havia outra palavra, boa. Sempre se oferecia para trocar de lugar com um goleiro insatisfeito e parava o jogo a qualquer queda. Claire era agressiva e causou a maior parte das contusões, mas Marlon era sensato e tentava a conter. Anna era atenciosa, sempre ao lado de Gregor, que era um líder nato. Hugh era divertido: ria quando alguém caia e ria quando alguém errava o gol e ria quando tentavam, furiosos, acertar a bola nele.
—Esperro que focê non seja escolhida. –Murmurou Krum para Claire quando esta o derrubou na grama fofa do jardim com um empurrão forte para alguém de seu tamanho. Susana apareceu num instante, varinha em mão, para fechar o pequeno corte feito na pele do búlgaro.
Quando a noite caiu, junto, o grupo de adolescentes, que havia se esquecido por duas breves horas o torneio mortal que tinham à frente, se juntou para subir as escadas de pedra para o saguão e então seguirem para o salão principal, que estava decorado com morcegos e abóboras para os quais Fleur torceu o rosto. O Cálice de Fogo fora movido do saguão para o lugar diante da cadeira de Dumbledore e estava quase cheio das chamas brancas. Os lufanos acenaram, indo para as suas mesas, então os franceses ficaram na mesa da Corvinal e os sonserinos e alunos de Durmstrang seguiram juntos para a mesa da Sonserina.
Warrington parecia melhor, Cordélia notou. A cor havia retornado ao seu rosto e ele comida do banquete que era parecido com o da noite anterior. Pronta para algo novo, Cordélia se serviu de comida escandinava: carne cozida e legumes, mas comeu pouco. A maioria dos alunos olhava de tempos em tempos para a mesa do professor, para checar o quão cheio estava o prato de Dumbledore. Foi uma longa espera antes que os pratos voltassem a sua limpeza inicial e Cordélia sentiu Vítor de um lado e Mary do outro ficarem tensos. Dumbledore então se ergueu.
—Bom, o Cálice de Fogo está quase pronto para decidir. Estimo que só precise de mais um minuto. Agora, quando os nomes dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até esse lado do salão, passassem diante da mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado. –O bruxo indicou uma porta por de trás da mesa. –Que é onde receberão as primeiras instruções.
O coração de Cordélia batia com força no peito, parece diminuir a cada batida, como se fosse espremido por um punho dentro dela.
Com um gesto de varinha, o diretor apagou todas as velas que sobrevoavam o salão, menos as que se encontravam dentro das abóboras recortadas com rostos fantasmagóricos; fazendo com que o Cálice de Fogo fosse a luz mais forte da sala, a brancura da luminosidade deixando seus rostos pálidos e alienígenas.
Era como se o próprio salão, o próprio Cálice prendesse a respiração.
As chamas do Cálice de repente se tornaram avermelhadas, soltando faíscas. No momento seguinte, uma língua de fogo se ergueu no ar e liberou o primeiro pergaminho chamuscado, que Dumbledore apanhou, erguendo-o longe do rosto para o ler diante da luz novamente branca do Cálice.
—O campeão de Durmstrang –leu em alto e bom som –é Vítor Krum!
Cordélia olhou de relance para o novo colega, que os lançou um olhar tenso antes de se levantar rapidamente, como que querendo passar despercebido apesar dos parabéns do diretor de sua escola, e sumiu pela porta atrás da mesa dos professores.
A sonserina pensou que o evento se parecia muito com a seleção de Hogwarts novamente, exceto que mortal. Seu coração ainda batia dolorosamente em seu peito, como se ela esperasse más notícias.
Os aplausos e comentários morreram. O Cálice de Fogo teve todas as atenções mais uma vez e, segundos depois, tornou a se avermelhar, lançando um segundo pedaço de pergaminho nas mãos do diretor.
—O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour!
Enquanto duas meninas de Beauxbatons se debulhavam em lágrimas na mesa da Corvinal, o estômago de Cordélia caiu pelo que pareceu até os seus pés e ela acompanhou os cabelos prateados da amiga sumirem na câmara ao lado com um sentimento ruim no peito, que parecia crescer como um monstro, a engolindo por dentro, deixando suas entranhas vazias e frias.
O Cálice de Fogo ficou vermelho uma última vez. Quando o terceiro pedaço de pergaminho pousou na mão de Dumbledore, Cordélia de alguma forma sabia o que dizia mesmo antes de ser anunciado. Era o seu pior pesadelo. Mary segurava sua mão com força, esmagando seus ossos, mas seus ossos estavam insensíveis em antecipamento. Ela sempre soubera, desde antes.
—O campeão de Hogwarts –anunciou Dumbledore, a sua voz soando distante como num sonho –é Cedrico Diggory!
Todo o sangue foi sugado de seu rosto no momento em que seu coração parou, inchando em seu peito. A mesa da Lufa-Lufa explodiu em vivas e palmas. Mesmo seus amigos na mesa da Sonserina, até Warrington que parecia ter recuperado toda a cor agora, aplaudiram com alegria verdadeira. Cedrico tinha um enorme sorriso no rosto quando virou-se procurando por ela com os olhos e Cordélia teve pouco tempo para recompor sua expressão em um sorriso convincente. Ele a olhou por um segundo, orgulho em cada traço, e sumiu pela câmara ao lado.
—Excelente! –Dumbledore dizia ao longe. Cordélia estava muito ocupada se sentindo mal para dar ouvidos a ele. –Muito bem, agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos, inclusive os demais alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelos seus campeões, vocês contribuirão...
O discurso de Dumbledore foi interrompido, mas Cordélia nem registrou o motivo. Não viu o Cálice ser tornar vermelho mais uma vez, nem expelir um novo pergaminho que não devia ser expelido. Na verdade, ficou tão surpresa com o que aconteceu em seguida que nem registrou o fato, sem saber do que se tratava:
—Harry Potter! –Chamou Dumbledore.
Fale com o autor