Notas iniciais
Para esse capítulo, eu simplesmente recomendo que vocês ouçam as músicas do capítulo (Do The Hippogriff e Magic Works, ambas da trilha sonora de HPCF) para acompanhar a vibe! Voltamos à história original agora, e aqui vocês vão reconhecer alguns dos passos de Harry. Boa leitura!

"Alright Hogwarts!
Are you ready for some REAL MUSIC?
I said are you ready?
ARE YOU READY?!"

A neve passara a cobrir o terreno e se acumular nas torres do castelo àquela altura do mês. A carruagem de Beauxbatons parecia uma grande e elaborada torta coberta de glacê, e Hogwarts vinha se esforçando nas comidas quentes e nutritivas para mantê-los aquecidos, embora em alto e bom tom Fleur continuasse reclamando desse aspecto. A maioria dos alunos a partir do quarto ano havia assinado seu nome para ficar no castelo durante os feriados; muito mais do que normalmente ficavam. Cordélia pretendia ficar de todo jeito; afinal, era sua última oportunidade de passar o natal em Hogwarts, mas sua irmã mais nova decidira pegar o trem na véspera com os colegas mais novos.

—Mande beijos para a mamãe e o papai. –Dizia Cordélia, no saguão entregando presentes para a caçula enquanto ela esperava pelas carruagens no saguão. –Cuidado com os doces no expresso; você sabe que tem alergia a abóbora.

—Eu sei. –Lucy respondeu, afastando as mãos da primogênita, que iam dar mais uma volta em seu cachecol.

Quando as carruagens se aproximaram –ela sabia serem puxadas por testrálios, mas ainda a enervava o modo como pareciam se mover sozinhas –Cordélia deu um beijo no cabelo da irmã, que estava gelado pelo vento frio e ficou no saguão, observando enquanto ela se juntava à sua amiga de Casa, Olga, e a carruagem partia silenciosamente pelos terrenos do castelo.

Quando acordou na manhã de natal, uma pilha de presentes estava posta à beira de sua cama e, sem acordar suas colegas, ela foi logo os abrindo. De seu pai, ganhara um livro de poções em edição especial, com anotações do autor, capa dura e carta ao leitor. De sua mãe, um bonito suéter de caxemira azul no tom de Beauxbatons com detalhes de tule branco nos punhos. De seus amigos, ganhara principalmente doces e livros, mas Mary a dera dois ingressos para um show das esquisitonas nas férias e Lana uma pulseira de cordão fino cheia de pérolas.

De Cedrico, recebera um anel dourado, com uma pedra verde e outra amarela. Então, em um exame mais atento, percebeu que não era uma pedra amarela, mas a miniatura de um pomorim enfeitiçado, que se levantava e dava uma volta na pedra verde de tempos em tempos, antes de se acomodar de novo. Percebeu, com um risinho, que combinava com o presente que comprara para ele: um pomo de ouro com suas inicias, onde dentro ela havia posto uma foto dos dois juntos em Hogsmead. A bruxa colocou seus novos presentes todos no corpo ou, no caso dos livros, ingressos e doces, os guardou com carinho no malão.

Cordélia esperou que as amigas acordassem e abrissem suas pilhas antes de subirem para o café da manhã.

Cedrico a encontrou na porta, o novo presente voando ao seu redor. Cordélia agradeceu o anel, deixando ele observar o pomorim voando em volta de seu dedo. O namorado a contou que havia descoberto a pista do novo e parecia ansioso em descobrir o que seria tomado dele.

—Você anda tomando banho com o ovo, Cedrico? –Perguntou cinicamente, enquanto ele ria.

Ela teria ficado com o namorado em algum lugar do castelo pela manhã, mas estava surpreendentemente frio e ambos concordaram em voltarem aos seus respectivos salões comunais, onde Cordélia passou a manhã jogando xadrez com os colegas. O almoço de Hogwarts estava especialmente feito, com perus e pudins com passas.

À tarde, encontraram Krum, Ivan, Fleur, Claire e Marlon do lado de fora e o grupo começou uma guerra de bola de neve muito parecia com o jogo de futebol que tiveram no mês anterior; ou seja, cheio de trapaças, gritos, dedos apontados e pouca civilidade. Cordélia teve um arrepio ao pensar no que seu padrinho diria se a visse fazendo parte daquele ato de rebelião.

Umas cinco horas, Mary, Lana e Cordélia buscaram suas coisas em seus dormitórios e acompanharam Fleur e Claire para a carruagem de Beauxbatons, onde largaram os malões no chão e começaram uma sessão que incluía banho, esfoliação da pele, revistas de penteados de cabelos, conversas sobre seus pares, elogios sobre os vestidos e troca de maquiagem.

Ainda com os cabelos enrolados numa toalha, já estava escuro quando Fleur fez nela uma maquiagem que iluminava seus olhos muito verdes, acentuava suas belas maçãs do rosto e chamava a atenção para os seus lábios bem-desenhados. Depois, Claire, com suas mãos habilidosas, penteou o seu cabelo para cima, distribuindo nele algumas pérolas que se destacavam contra a cor escura e, em combinação com o seu vestido de tule, a fazia parecer Afrodite, nascendo da espuma do mar.

As meninas lancharam sanduiches de pepino às sete horas, embora o baile fosse começar às oito. Apenas depois disso, colocaram seus vestidos: Fleur um vestido cinza com textura fria de água, Mary uma peça verde muito justa de costas nuas, Claire um vestido rosa de babados e Lana uma peça amarela alegre.

O vestido de Cordélia era azul-gelo de seda diáfana, coberto por tule azul-claro, de cintura marcada e saia rodada que a fazia parecer uma criatura etérea. Deixava sua clavícula e ombros de fora, mas não era muito decotado, embora seus peitos, dentro do corpete muito justo, ficassem exuberantes na peça. Usou acessórios de prata e pérolas que faziam sua pele pálida-rosada resplandecer na luz noturna. Para atravessar os terrenos gelados do castelo, as meninas colocaram capas de peles e seda, que deixaram no saguão com o zelador, que recolhia casacos.

O saguão de entrada estava lotado de alunos esperando seus pares quando as garotas entraram. Rogério Davies, Cedrico Diggory e Susana Pevensie estavam juntos esperando as meninas. Cedrico estava elegante em vestes pretas, de colete e camisa branca por baixo, mas Cordélia não pôde deixar de olhar com admiração para Susana, que usava um justo vestido preto de material brilhoso e entrelaçou o braço orgulhosamente com Mary; as duas parecendo mais incríveis juntas do que já pareciam sozinhas.

Peter e Edmundo também esperavam seus pares mais para dentro do saguão.

—Você está... maravilhosa. –Cedrico falou a última palavra em um suspiro quando Cordélia o alcançou. Ele também estendeu um braço para que ela segurasse, o que a sonserina fez.

—Você também. –Sorriu calorosa. –Muito elegante com esse colete. Muito natural. Aposto que você poderia se vestir assim sempre e não ficar estranho.

Cedrico riu com ela e quase respondeu quando foram interrompidos pela professora Mcgonagall.

—Campeões aqui, por favor!

A professora trajava vestes a rigor de tartan vermelhas e usava a feia flor escocesa –uma guirlanda de cardos –no chapéu cônico. A maioria de seus colegas deu espaço para que passassem para se juntar aos outros campeões e seus pares. Fleur e Rogério, que parecia tão aturdido a ponto de não conseguir tirar seus olhos da acompanhante, foram os primeiros da fila, seguidos por Cordélia e Cedrico, então Vítor e Hermione, que sorriu timidamente para Cordélia quando esta fez um aceno, então Harry Potter a uma garota da Corvinal.

Depois que todos estavam sentados no salão, eles seguirem a professora em um cortejo, que foi aplaudido quando eles entraram e se dirigiram a uma grande mesa redonda ao fundo do salão, onde estavam sentados os juízes.

As paredes do salão estavam cobertas de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro salpicado de estrelas. As mesas das casas haviam desaparecido; em seu lugar havia uma centena de mesinhas iluminadas com lanternas que acomodavam, cada uma, doze pessoas.

Cordélia ignorou os olhares de algumas alunas menos simpáticas quando ela entrou ao lado de Cedrico, que sorria amigável para os colegas, então de volta para Cordélia lançava um olhar incrédulo, de quem não acreditava que ela estava com ele, fazendo a garota corar.

Dumbledore sorriu quando eles se aproximaram e tomaram lugar. Cedrico segurou uma cadeira para que ela se sentasse e apenas depois disso tomou seu lugar ao lado da namorada. Fleur, ao lado de Cordélia, parecia pela primeira vez não ter um comentário desagradável a fazer. Krum e Hermione conversavam baixinho do lado de Cedrico e do outro lado de Fleur e Rogério, Cordélia notou que a bonita garota de vestido branco acompanhando Harry Potter era Cho Chang.

Havia um menu ao lado dos pratos deles, que permaneciam vazios. Cordélia olhou ao redor para notar que não havia ninguém os servindo e estava prestes a se inclinar para Cedrico e perguntar se alguém o havia dado instruções sobre isso quando Dumbledore examinou o próprio menos por um segundo antes de falar claramente:

—Costeletas de porco!

E as costeletas de porco apareceram em seu prato. Entendendo o funcionamento, todos começaram a fazer o mesmo. Cedrico também foi na carne, mas Cordélia pediu salada de atum. Os casais ao seu lado começaram todos a conversar: Krum e Hermione sobre o castelo e os arredores, Fleur finalmente recuperou a voz para reclamar da decoração e o fazia com entusiasmo.

—Esse é um modo muito decente de terminar nossos estudos em Hogwarts, não é? –Cordélia se virou para Cedrico. –Festas de Halloween, Bailes de Inverno... eu poderia me acostumar com isso.

—É mesmo? –Cedrico sorriu. –Vai me acompanhar ao Baile de Formatura, então?

—Acompanho você a todos os bailes que quiser.

—Então prepare-se para uma vida de festa.

—A vida toda? –Colocou as mãos diante da boca em falso espanto.

—Os primeiros anos da juventude. Depois... podemos casar. –Ele disse, olhando para ela pelo canto do olho para checar sua reação. Como Cordélia não fez nenhuma expressão de choque, ele continuou tranquilo. –Seria uma despedida das festas nosso casamento. Poderíamos fazer no inverno para combinar com seu coração de gelo.

—Ou para evitar que você sue em seus trajes a rigor. –Cordélia esfregou o nariz arrebitado no tecido preto das vestes dele, o fazendo sorrir. –Você sabe que vai ter que conhecer meus pais antes.

—Não podem ser piores do que seu padrinho. –Ele falou baixo, cuidando para que o dito padrinho não o ouvisse.

—Ah, são. –Mentiu, descarada. –Severus é apenas a primeira tarefa do Torneio Cordélia.

Nesse ponto, ele riu alto, os lábios se abrindo em um sorriso que mostrava seus dentes retos.

Quando toda a comida foi consumida, Dumbledore se levantou e pediu aos estudantes que fizessem o mesmo. Então, com um aceno de sua varinha, as mesas se encostaram às paredes, deixando o salão vazio, em seguida ele conjurou uma plataforma ao longo da parede direita. Sobre ela foram colocados uma bateria, alguns violões, um violoncelo e algumas gaitas de fole.

As Esquisitonas subiram, então, no palco, sob aplausos delirantemente entusiásticos; eram todas extremamente cabeludas, trajavam vestes negras que haviam sido artisticamente rasgadas. Apanharam seus instrumentos e todas as lanternas se apagaram, fazendo Cedrico estender a mão para que ela o acompanhasse.

As Esquisitonas tocaram uma música lenta e triste enquanto os campeões e seus pares iam para a pista de dança. Cordélia se sentia segura; confiava em Cedrico e, se não confiasse, ainda haviam as habilidades de dança em salão que adquirira após um ano de aulas em Beauxbatons; valsar era tão natural para os estudantes da academia francesa quanto andar sobre os dois pés.

Como previra, Cedrico a conduzira com segurança e habilidade. O ritmo deles se completava: não havia pressa ou passos equivocados. Logo, os colegas começaram a entrar na pista em pares para dançar também: Lana e Peter, agarradinhos, assim como Mary e Susana. Warrington e Marietta tinham uma química estranha e inesperada, enquanto Edmundo e Claire pareciam deslizar sobre os pés experientes. Quando um dos gêmeos Weasley e seu par se aproximaram, porém, com passos elaborados e perigosos, os seus colegas forem se afastando, com medo de serem atingidos.

Quando, com uma última nota da gaita de fole, as esquisitonas pararam de tocar, houveram aplausos em todo o salão. Cedrico fez uma coisa estranha, a puxando para perto dele e batendo palmas com os braços ao redor dela, como se não pudesse soltá-la. Cordélia riu pelo nariz, deixando o cheiro de lavanda de suas vestes e de sabonete de limão de sua pele do pescoço inebriarem-na um pouco.

A música seguinte era muito mais animada e Cordélia logo reconheceu as notas inicias. Quando Do The Hippogriff começou a tocar, Cordélia girou nos braços de Cedrico e o puxou para mais perto do palco, movendo os quadris e as mãos contra o corpo dele, que ria e colocava as mãos na cintura dela, tentando acompanhar seu ritmo. Se ele ficou assustado enquanto ela movia os ombros e a cabeça, cantando alto, não demonstrou.

Aos risos, ele perguntou:

—Quem é você?

Cordélia entendeu a pergunta imediatamente.

—Eu sou um elfo louco1! E você? –Ela balançou a cabeça mais um pouco quando chegaram ao refrão.

Quando olhou ao redor, notou que seus amigos estavam perto dela, dançando quase tão animadamente, alguns em pares organizados, outros simplesmente pulando em grupo uns sobre os outros, fazendo so colegas deslizarem para longe. Com um olhar mais observador, Cordélia logo notou os gêmeos Weasley no meio da algazarra.

—Eu sou o ogro com as mãos para o alto2! –Cedrico respondeu, gritando por cima da música e jogando as mãos para cima para demonstrar seu ponto.

—Eu sou um fantasma assustador3! –Mary e Susan haviam se aproximado deles, com Mary um pouco mais animada, movendo os quadris perigosamente e não exatamente no ritmo da música.

—E eu sou um bicho-papão em sofrimento4! –Susana acrescentou, divertida com o jogo.

Quando Vítor e Hermione se aproximaram para dançar, Cedrico e Krum começaram uma estranha dança que não combinava com o tom da música, de braços dados e balançando os pés alternadamente. Ao seu lado, Hermione ria e se dobrava por cima da barriga. O casal se afastou algum tempo depois, sendo substituído por Harry e Cho, que pareciam amigáveis, embora estivessem acompanhados por um ruivo emburrado. Harry não fez esforço para dançar, mas Cho acompanhou Cordélia –um pouco alta do uísque de fogo que os colegas trouxeram para ela –tentando imitar cada uma das criaturas descritas na música.

A próxima música, Magic Works, também das Esquisitonas, era mais lenta e, mais uma vez, Cedrico pôs uma mão em sua cintura e a puxou para perto. Do outro lado do salão, Madame Maxime deixava Hagrid colocar as mãos perigosamente perto da curvatura de sua bunda enquanto eles também dançavam colados. Cordélia fechou os olhos para a imagem e deixou seu rosto encostar nas vestes macias de Cedrico, que, ao invés dos movimentos elaborados da primeira dança, apenas deu passos para um lado e para o outro, a conduzindo por uma dança lenta e simples, muito mais um abraço do que uma coreografia.

Depois, Ivan se aproximou com uma garota de Beauxbatons que ela conhecia apenas de vista, de nacionalidade espanhola, mais ou menos ao mesmo tempo que Hugh, ainda sem par, apareceu. Parecia um mistério a Cordélia que o lufano estivesse sem par, pois não tinha de forma alguma uma má aparência ou era má companhia. Tudo foi explicado, porém, quando ele passou os olhos por Mary e Susan, abraçadas uma na outra, os tecidos dos vestidos verde e preto misturando-se, e então voltou-se para Ivan Ibramovitch, que girava seu par delicadamente ao seu redor.

—Meu Merlim! –Ele exclamou com ironia, olhando o búlgaro, que parou de dançar para encará-lo de volta. –Você é mesmo muito covarde.

Então deu meia-volta. Cordélia finalmente entendeu alguma coisa que deixara passar –vinha deixando passar muito disso ultimamente. Nenhum de seus amigos pareceu particularmente surpreso.

—Vá atrás dele! –Mary exclamou para Ivan com impaciência, após um minuto de silêncio.

Por um segundo, pareceu como se o búlgaro fosse seguir sua ideia, mas então seus ombros caíram murchos em cima do tronco e ele lançou um olhar ao diretor de sua escola, que conversava com Snape num canto.

—Melhor não. –Murmurou e se afastou com o par à tiracolo.

Eles continuavam indo à uma mesa da parte de trás, que servia bebidas apenas para os alunos mais velhos, então voltavam e seguiam dançando aos giros, os meninos as trazendo copo após copo de bebida que as deixavam tontas e risonhas.

Quando As Esquisitonas acabaram à meia-noite, Cedrico e Cordélia quase não haviam parado de dançar, mas a bruxa ainda reclamou que estava muito cedo. Se despediram de seus amigos e Cedrico deixou que a sonserina se apoiasse nele enquanto a escoltava com o braço para o lado de fora, onde encontraram Harry Potter subindo as escadarias com seu amigo muito ruivo que convidara Fleur ao baile.

Ele fez um gesto para que ela o acompanhasse, enquanto, a passos rápidos, Cedrico subia as escadas para acompanhar o grifinório.

—Ei... Harry! –Ele chamou, fazendo o garoto mais novo parar onde estava, se virando.

Cordélia os alcançou logo depois, mancando sobre os pés machucados, mas ansiosa para ouvir Cedrico com o colega.

—O quê? –O garoto parecia desconfiado, lançando especialmente a ela um olhar que era comum quando se tratava de grifinórios e sonserinos. Cordélia esperou com impaciência enquanto Cedrico fazia um olhar hesitante para o amigo de Harry, que, soltando um muxoxo, continuou a subir a escada sozinho.

—Escuta... –Cedrico baixou a voz para que só os três ouvissem. –Eu lhe devo um favor por ter me falado sobre os dragões. Sabe o ovo de ouro? O seu solta um grito agourento quando você o abre?

—Solta.

—Então... toma um banho, okay?

Harry Potter pareceu confuso e Cordélia rolou os olhos para Cedrico, que começou a refazer a frase.

—Toma um banho e... –Ele recomeçou. –Humm... leva o ovo junto e... rumina um pouco as coisas debaixo da água quente. Vai ajudar você a pensar, acredite em mim.

Cordélia teve a intrusa visão de Cedrico, debaixo da água quente do banheiro dos monitores, que a deixou quente por baixo de sua pele, mas afastou do pensamento, pigarreando para apressá-lo antes que algum professor os visse confabulando.

—Vou lhe dizer uma coisa. –Disse Cedrico. –Use o banheiro dos monitores. –Aqui Cordélia o lançou um olhar exasperado. Ela havia demorado cinco anos para poder usar aquele banheiro, mantendo suas notas altas apenas pela descrição da banheira e das espumas quando fosse nomeada monitora. –Quarta porta à esquerda daquela estátua de Bóris, o Pasmo, no quinto andar. A senha é frescor de pinho. Tenho que ir... quer dizer, boa noite.

Com isso, Cedrico se virou para Cordélia e praticamente a rebocou escada a baixo, com seus pés a matando, não voltando aos dormitórios, tal qual deveriam, mas em direção ao sétimo andar.

Era tudo invenção de Rogério Davies mais uma vez, é claro. Ele havia –como, ela não saberia dizer –deixado convites em cima dos travesseiros nos seus dormitórios antes do recesso começar. Como corvino, o garoto não era suposto a poder entrar em nenhum dos outros salões comunais, mas, mesmo assim, ela e seus amigos sonserinos, assim como os lufanos, e um pessoal da Grifinória com quem Cordélia mantinha contato, haviam recebido os convites em papel vermelho natalino, com bolas de ouro desenhadas e renas que se moviam.

Assim, à meia-noite e meia do dia vinte e seis de dezembro, ela e Cedrico pararam de frente para uma tapearia de Barnabás, o Amalucado, no sétimo andar, encarando uma parede vazia entre dois archotes que ainda queimavam com intensidade.

—Bem. –Cedrico mudou o peso de um pé para o outro, o rosto um pouco risonho. –Ele diz para darmos três voltas na frente dessa parede pensando na senha “azevinho”.

A sonserina cruzou os braços e fez que não com a cabeça. Tinha a distinta impressão de que aquilo era um tipo de pegadinha e não estava disposta a cair nela. O namorado, por outro lado, deu de ombros e começou a caminhada de um archote a outro, as sobrancelhas franzidas de concentração, enquanto Cordélia olhava para os cantos do corredor, pensando se seriam pegar primeiro por um professor ou por um grupo de alunos da Corvinal aos risos.

—Inacreditável. –Ela murmurou quando uma grande porta com arabescos intricados de madeira escura surgiu diante deles. Cedrico parou ao seu lado, parecendo convencido e tomou sua mão, abrindo a porta para ambos.

Vários de seus colegas já estavam lá dentro. A sala tinha um teto alto, azul escuro, com alguns arcos dourados. A sala era ampla, dividida por tecidos brancos de seda, num jogo de esconder e mostrar as estátuas de gelo junto às paredes. Visco e azevinho surgiam magicamente em cima de casais que conversavam, os fazendo sorrir e se inclinaram para se beijar. Haviam alunos do quarto ano para cima, mas Cordélia não viu Harry Potter nem Cho Chang em lugar algum. Vítor estava lá, sem Hermione, conversando com a garota de Beauxbatons que Ivan havia levado ao baile, enquanto Ivan estava sumido.

Na parede de frente para a entrada, se encostava uma longa mesa cheia de bebidas; garrafas de cerveja amanteigada e suco de abóbora, mas também shots de algo verde com ar ácido e copos cheios de uísque de fogo laranja avermelhado.

—Que lugar é esse? –Cordélia girou olhando ao redor, a mão de Cedrico da sua cintura enquanto ele a mirava.

—O melhor salão de festas de Hogwarts. –Rogério Davies havia se aproximado do casal com um par de copos de uísque, que empurrou nas mãos deles, mesmo quando Cedrico tentou recusar o seu. –Reza a lenda que ele só aparece para os melhores planejadores de festas do castelo.

Cordélia o lançou um olhar duvidoso.

—Sei. –Duvidava que Hogwarts estivesse incentivando Rogério Davies a planejar festas proibidas, mas, ao mesmo tempo, não iria reclamar. O corvino se afastou, então o casal se virou à procura de seus conhecidos.

Hugh estava com Ivan num canto após a mesa de bebidas, atrás de um dos tecidos de seda branca amarrados no teto, mas mesmo o tecido diáfano não conseguia disfarçar a expressão intensa dos dois, por isso não se aproximaram. Mary, por outro lado, dançava balançando o quadril ao lado de Edmundo e Claire, com Susana sentada, olhando consternada.

O hálito da amiga tinha um cheiro alcoólico quando ela se aproximou dos dois. Cedrico abandonou Cordélia com um sorriso culpado, sentando-se ao lado de Susana e deixando com a namorada o trabalho de seguir Mary pela grande sala, sendo arrastada para a mesa de bebidas, então para falar com o grupo de Theodore Clearwater e James Cumberbatch no fundo. Por esse motivo, quando se encontrou bêbada por conta da amiga, Cordélia na verdade culpou Cedrico.

Por isso, quando as duas encontraram-se numa mesa vazia, discutindo o conceito de Artes das Trevas: intencionalidade, possibilidade e credo, os dois lufanos foram atrás delas.

—Ei, não vão ficar conosco um pouco? –Cedrico colocou uma mão em suas costas para apoiá-la no caminho para a mesa onde esperavam Edmundo, Claire, Lana, Peter, Hugh e Ivan. Vítor já havia se recolhido para o barco de Durmstrang e Warrington sumira com Marietta para algum lugar muitas horas antes.

A festa seguiu ocorrendo. Um setimanista da Grifinória vomitou dentro de um vaso natalino de cristal, fazendo com que Davies corresse para limpar a bagunça com um aceno de sua varinha, os gêmeos Weasley fizeram algumas das estátuas performarem uma dança para entretê-los, um grupo de alunos do quarto e quinto ano das três escolas haviam sentado no chão para jogar um jogo que envolvia deixarem uma garrafa enfeitiçada escolher quais deles deviam se beijar e Cordélia passou a tomar grandes goles de água para diluir o álcool em seu estômago.

-Nossa próxima invenção será uma pílula antirressaca. –Anunciou um dos gêmeos Weasley em dada altura.

—Ei. –Cedrico chamou sua atenção, se inclinando para ela por cima da mesa. As luzes ali eram azuladas e fracas e o rosto dele estava iluminado apenas de um lado, fazendo seus olhos parecerem mais brilhantes? –Quer ir embora?

O modo como ele disse sugeria que “ir embora” não significava de volta para seus respectivos dormitórios ainda, então, por isso, Cordélia fez que sim com a cabeça, e se despediu de seus amigos com acenos, antes de segui-lo para fora da sala.

Os corredores de Hogwarts ficavam mais estranhos de madrugada, quando os archotes começavam a magicamente se apagarem para o nascer do sol e todos os corredores e cantos, estátuas e armaduras eram envoltos em penumbra e um jogo de luz e sombras. Eles passaram pelos corredores de mãos dadas, pelos pontos de luz que eram as janelas. Às vezes, ela puxava Cedrico para o nicho entre uma estátua e outra, enquanto elas dormiam, e o beijava de encontro a parede, ao que ele respondia a puxando para perto, passando os braços pelas costas dela e se curvando para alcançar sua boca.

Era de se esperar que tivessem se acostumado um com o outro àquela altura, mas, enquanto Cedrico a beijava, Cordélia sentia suas pernas perderem o movimento com o nervosismo, sua respiração se acelerava junto com a dele e as paredes de seu útero se contrariam quando ele descia os lábios pela pele exposta de se pescoço. Naquela noite, ele estava especialmente ousado; nos pontos onde ele geralmente apenas beijava levemente, ele chupou, fazendo Cordélia arfar em surpresa e ele rir levantando a cabeça para ela; as mãos deles sem deixar sua cintura, subindo e descendo pelo tecido frio como água de seda.

—Tudo bem? –As sobrancelhas dele se ergueram em falsa inocência.

A sonserina fez que sim com a cabeça e respirou fundo antes de, ela mesma, descer seus lábios hesitantes pela mandíbula dele, em direção ao pescoço, onde, imitando os movimentos dele, ela beijou calmamente. Cedrico ficou muito parado; ela podia sentir seus ombros tensos em suas mãos e as mãos dele ficaram paradas em sua cintura, hesitantes. Cordélia provou o gosto da pele dele, salgada e macia, antes de pressioná-lo com a língua, fazendo movimento de sucção.

Cedrico deixou a cabeça cair para trás, a dando espaço, e apertando sua cintura. Ele respirou fundo quando ela usou os dentes para uma leve mordidinha.

Ele mudou as posições deles, colocando-a contra a parede. Cordélia soltou um muxoxo de ser parada de seu intento de provoca-la e, agora no controle, ele manteu o corpo a uma distância segura do dela; perto o suficiente para que ela sentisse seu calor, mas sem tocá-lo. Não era nem de perto o suficiente, mas ele passou a mão pela parte de trás das coxas dela, puxando-a. Cordélia se impulsionou e passou as pernas ao redor da cintura dele e ele a pressionou na parede. A sonserina arfou, mais do que surpresa, enquanto ele a erguia até que o decote dela estivesse na altura de seu rosto, então ele passou a beijar a parte exposta de seus peitos, uma mão a apoiando e a outra em suas costas.

—Ced... –Ela chamou baixinho, com urgência, enquanto ele respirava fundo e colocava os olhos cinzentos nos dela.

Ele abriu a boca para responder, mas qualquer coisa que ele fosse falar teve de ser adiada, pois alguém acabara de entrar no corredor, com um barulho de toc, toc nos passos de madeira. Cedrico se afastou dela, a pousando delicadamente no chão, abalada, e arrumando as costas, antes mesmo que ela se recuperasse da proximidade dele.

—Diggory! –O professor Moody se aproximou deles com passos mais rápidos, o olho de vidro examinando o campeão, depois vendo através da estátua que ainda escondia o corpo de Cordélia, sua voz imperativa –Não devia estar fora da cama essa hora; não me interessa se é o campeão de Hogwarts. –Agora, Cordélia, em poder de seu corpo, saiu de seu lugar escondido e estendeu uma mão para o namorado. Moody não pareceu surpreso em vê-la. –E você é?

—Cordélia Bloxam, professor. –Respondeu rapidamente. O olho bom de Moody se estreitou um pouco, mas na penumbra era difícil ter certeza. –Foi culpa minha. Eu o convenci a estender um pouco o baile.

—Não. –Cedrico se adiantou, exasperado. –De jeito nenhum, eu...

—Não me importa. –O professor os interrompeu com um aceno da mão que não segurava a bengala. –Os dois irão para os seus dormitórios agora, sem perder pontos.

—É claro... –Cedrico concordou, colocando uma mão nas costas dela e a guiando pelo caminho para os andares de baixo.

—Não sozinhos. –O professor sorriu, o que, de alguma forma, deixava seu rosto mais disforme e grotesco. –Vou acompanhar a Srta. Bloxam de volta para as masmorras.

O lufano apertou os lábios, mas não discutiu. Acenou para o professor e o desejou uma boa noite antes de dar um beijo na têmpora da namorada e se virar na direção de seu salão comunal. Cordélia hesitou um segundo quando o professor Moody recomeçou a andar, se perguntando se eles eram supostos a ficarem todo o caminho em silêncio e, se não, o que seriam supostos a conversar se ele sequer era seu professor. Desejou que ele tivesse acompanhado Cedrico e a deixado ir sozinha, mas supôs que aquela não era a forma que o mundo funcionava para garotas.

—Você deve ser filha do pocionista, Alastair Bloxam? –Ele perguntou quando ela o alcançou, como se apenas esperasse sua companhia para começar a conversa. Eles haviam chegado às escadas agora, enganosamente paradas. A voz dele soava rude, mas ela achou que não era sua intenção.

—Sou, sim, senhor. –Ela confirmou, os passos largos para acompanhar os dele, que andava surpreendentemente rápido com a bengala. –O senhor conhece o meu pai?

—Muito pouco. –Disse com brusquidão. Cordélia achou que na verdade ele queria dizer outra coisa, mas como um auror iria conhecer seu pai, que passara a maior parte da vida dentro de um laboratório de poções e jamais havia se envolvido com o Ministério? –Ele se recusou a se juntar ao Lorde das Trevas na primeira guerra e se escondeu. Não muitas pessoas se escondem com sucesso Dele. –Em sua voz havia um tipo de reprovação. Cordélia supôs que ele desejaria que todos os bruxos jovens e saudáveis houvessem lutado. –Já a sua mãe... eu conhecia a irmã caçula dela, Marlene, que foi auror também. Todos mortos, os Mckinnons. De uma única vez. Ela foi a única que sobrou....

—Você dá aula à minha irmã caçula. –Cordélia observou, ansiosa para mudar de assunto. –Lucy Bloxam.

Ele fez que sim com a cabeça, o olho de vidro grudado nela, embora o olho normal se postasse à frente.

—Já você não é minha aluna. –Observou de volta com um sorriso macabro. –Não tem interesse em Defesa Contra as Artes das Trevas? Prefere ficar de fora, como os seus pais?

Cordélia piscou, ignorando o que pareceu uma provocação, embora o tom dele fosse apenas curioso.

—Não sou uma pessoa de ação. –Respondeu, lentamente. –Há mais em magia e guerras do que batalhas e confrontos. Alguém tem que cuidar do cenário de fundo.

—É isso que está fazendo por Diggory? -A voz dele era decididamente provocativa. Cordélia não respondeu. Era um assunto delicado; ela não podia dizer que se sentia animada em ficar em segundo plano, no fundo, mas já esperara por aquilo.

Agora ele virou a cabeça toda para ela, não apenas o olho mágico. Havia algo em sua expressão, como se ela o houvesse surpreendido. Eles pararam então na frente da parede de pedra úmida que se abria para o salão comunal das cobras. Foi a vez de Cordélia o olhar com surpresa.

—Você foi um sonserino. –Notou.

Ele abriu um daqueles sorrisos tortos, que deformavam seu rosto.

—De fato, Srta. Bloxam.

—Pensei que todos vocês, com tendência ao heroísmo, fossem da Grifinória. –Ela sabia que estava sendo ousada agora.

Mas ele apenas riu –não um sorriso, uma risada de verdade, mais perturbadora do que divertida.

—Boa noite, Srta.

—Boa noite, professor.

Notas finais
1- Referência à música original "Spinnin' 'round like a crazy elf" 2- Referência à música original "Put your hands up in the air Like an ogre, just don't care" 3 -Referência à música original "Groove around like a scary ghost" 4- Referência à música original "Shake your booty like a boggart in pain" E então, que tal esse capítulo? O que vocês acham das mudanças na história original do Harry? Vem seguindo a fic e ainda não comentou? Me deixe conhecer a sua opinião! Até o próximo capítulo!