Lembrem-se de Cedrico Diggory
7 A Primeira Tarefa
Notas iniciais
"You held your head like a hero
On a history book page (...)
I had the time of my life
Fighting dragons with you
I was screaming, "long live the look on your face"
O domingo seguinte à festa foi um dia perdido. Acordaram todos apenas à hora do almoço e, embora Cedrico dissesse que não, ela sabia que ele estava dolorido da noite que haviam passado no chão da Torre de Astronomia. À tarde, ela foi ao corujal, escrever para os seus pais, endereçando a carta à Marilyn e Alastair Bloxam e deixando a carta aos cuidados de uma das corujas da escola.
Depois, foi à procura da sua irmã.
Lucy estava com alguns colegas primeiranistas conversando excitadamente na beira do lago e não se incomodou quando Cordélia se aproximou. Os primeiranistas claramente ainda não haviam tido tempo de encontrar dentro de si a rivalidade entre casas, porque não pareciam preocupados com a questão Diggory/Potter, mas pareciam admirar ambos de forma parecia. Sua irmã concordou em andar com ela até as estufas, onde ela devia conseguir um pouco de folhas de mandrágora a pedido do professor Snape.
—É verdade que você está saindo com o campeão da Lufa-Lufa? –Lucy perguntou, quando se afastaram o suficiente de seus colegas primeiranistas para não serem ouvidas.
Cordélia olhou para a caçula; tão parecida consigo que poderiam ser versões temporais diferentes da mesma pessoa: o mesmo cabelo pesado e castanho-escuro, os olhos grandes demais para o rosto, o nariz arrebitado com sardas por cima, as maças do rosto largas e o queixo fino.
—Ele é meu namorado. –Admitiu Cordélia. –Como estão indo suas aulas?
Lucy fez uma detalhada descrição de suas proezas em feitiços e transfiguração, além de reclamar do professor Snape, que era ainda mais mal-humorado em sala de aula do que era fora dela. Falou sobre como todos os seus colegas achavam excitante que sua irmã mais velha fosse monitora-chefe, porque isso significava que ela podia dar e tirar pontos.
—Não é assim. –A sonserina discordou, observando o novo corte de cabelo de sua irmãzinha; curto acima do ombro, muito mais ousado do que o dela própria, que sempre mantinha os fios na altura das omoplatas.
—Bem, você namora um garoto bonito. Minha amiga Natália disse que isso é melhor do que ser monitora-chefe. –Observou Lucy.
—Espero que você não concorde com ela. –Cordélia disse secamente.
O olhar que a irmã a lançou era de profunda pena.
—Ela é da Grifinória. –Imitou o tom que a mais velha usava para se referir a casa dos leões: profundamente desdenhoso.
Uma vez na estufa três, Cordélia usou a chave cedida pela professora Sprout para entrar, colocar abafadores de ouvidos nela e em sua irmã, cujos olhos grandes brilhavam de curiosidade com as plantas exóticas que ela ainda não tinha conhecido, e então arrancar algumas folhas de mandrágoras quando as localizou, antes de sair e trancar de novo.
Estava voltando ao castelo com sua irmã mais nova, ouvindo enquanto ela contava de seus amigos. Olga, outra garota da Corvinal, que dividia dormitório com ela, era muito simpática, mas Natália da Grifinória era metida. Além disso, sempre encontrava Gabrielle, a irmã de Fleur, nas refeições e gostava muito da francesa.
No saguão do castelo, casualmente encostado na porta de madeira, usando um suéter azul-claro de Beauxbatons debaixo de um blazer de linho branco, estava Marlon Beauvale, parecendo como se esperasse por ela. Lucy a lançou um olhar muitíssimo desconfiado, mas se afastou com um aceno para dentro do castelo, deixando-a sozinha para se aproximar do garoto.
Ele tinha uma expressão estranha no rosto quando a amiga se postou na sua frente; e Cordélia entrelaçou as mãos nervosamente enquanto ele ajeitava a postura, alisando as calças de algodão com as mãos.
—Querr andar comigo até o lague? –Ele perguntou, fazendo um gesto de mão para o caminho de volta.
Cordélia considerou o lugar aonde ela e Cedrico vinham se encontrando com frequência por um segundo, então hesitou, lamentando que o namorado estivesse preso na sala comunal da Lufa-Lufa com as comemorações, ao invés de com ela.
—Vamos até a Torre de Astronomia. –Sugeriu, ao invés.
Eles andaram em silêncio, exceto quando Cordélia apontava para o estrangeiro os pontos que gostava no castelo; passaram por algumas escadas em movimento e o retrato de uma bruxa em lágrimas que sempre sorria para ela. A sonserina tentava evitar olhar para o amigo; o contorno familiar de suas bochechas afiadas, o nariz reto, os olhos muito azuis e o cabelo dourado que caía sobre seus olhos, além da estatura magra e alta.
Marlon era bonito o suficiente para arrancar a respiração do peito de qualquer garota. Tão bonito quanto Cedrico e muito mais do que Vítor Krum. Não a surpreendia ter sido abalada por aquele tipo de beleza dois anos antes. Seus colegas de Hogwarts lançavam olhares enquanto eles passavam e duas meninas sussurraram o nome de Cedrico num tom de fofoca.
Não era tão estranho ele ter sido atraído por ela também. Em Beauxbatons, dividira um dormitório com Fleur e Claire e, naquela época, não era nada como a monitora quieta que se tornava em Hogwarts. Juntas, iam a festas proibidas –isso não mudara tanto assim –, aceitavam desafios de quem bebia mais, vestiam-se melhor do que o resto das garotas e sentavam-se nos jardins de peônias com as pernas pálidas esticadas sobre as flores, os cabelos louros das duas francesas se misturando ao seu próprio cabelo cor de mogno, num contraste bonito.
Marlon fazia parte de um grupo de garotos parecidos com ele, mas era o mais charmoso. Havia o italiano Matteo Salvatore, com cabelos castanhos bonitos e óculos nerds e o espanhol Rafael Grigori, que tinha ossos do rosto delicados como os de uma garota. Eles se davam infinitamente bem; eram jovens e talentosos e bonitos e cheios de diferentes culturas. Sem feitiços que impediam garotos de entrar em seus dormitórios –que eram maiores e mais arejados do que os dormitórios de Hogwarts –eles muitas vezes dormiram nas poltronas e divãs do dormitório das meninas, depois de noites que acabavam tarde.
Naqueles tempos, Cordélia não teria hesitado em largar um namorado sem explicações porque encontrara algo melhor para fazer. Era muito parecida com Fleur nesse aspecto, enquanto Claire era a romântica entre elas. Era o que fizera com Rogério Davies, afinal, e com Oliver Wood antes dele.
Só que não era a mesma coisa.
Eles subiram as escadas da Torre de Astronomia; ela pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas, e se aproximaram das grades, mantendo uma distância respeitosa um do outro.
—Ali é o corujal. –Cordélia apontou. –O Lago Negro, é claro... as estufas ficam atrás dessa torre e....
—Enton é sérrrio entrre você e Diggorry? –Ele a interrompeu.
Cordélia hesitou. Não fora confrontada com aquela pergunta até agora e, com Marlon, Fleur e Claire por perto, era difícil não ceder a velhos hábitos. Dois anos antes, em Beauxbatons, se houvesse sido confrontada com aquela pergunta sobre qualquer outro garoto, haveria respondido de forma vaga. “Defina sério” ou “Enquanto for divertido”, acompanhados de um sorriso maroto que exibisse suas covinhas. Porém, parecia essencialmente errado usar aquelas saídas falhas com Cedrico.
—Sim. –A resposta foi pouco mais de um suspiro. –Levo Cedrico muito a sério.
Marlon não a respondeu imediatamente. O sol batia nos cabelos dele por trás de onde ele estava e o fazia parecer uma estátua grega de um antigo deus esquecido. Por baixo da camisa, ela sabia, lembrando-se dele dormindo no sofá aos pés de sua cama, com a camisa de botões branca aberta, ele também parecia um deus.
—Ele parrece seu tipe. –Observou, afinal. –Bonite, com um rrosto interrressant’. O escolhido parra reprresentarr a escola.
—Parece que você está se elogiando. –Cordélia riu para ele. –Afinal, você também faz meu tipo.
—Eu non erra esperrto o suficient’ parra saberr a sorrte qu’ tinhe na époque. –Seu tom foi um tanto seco.
A sonserina nada disse, porque nada tinha a dizer. Não achava que era verdade tampouco. Eles eram pessoas diferentes, então. E, se Marlon achara que chegaria a Hogwarts para encontrar a garota de sempre, se decepcionara, mas se acostumaria. Marlon não pareceu incomodado com o seu silêncio e, quando sentiram fome e o sol baixou no horizonte, voltaram ao Salão Principal; ele a ajudou a descer as escadas como um cavalheiro; ela seguiu apontando todos os detalhes do castelo para ele no caminho, como amigos.
As semanas seguintes foram algumas das mais agitadas que tivera como monitora em Hogwarts. Ao contrário de unir a escola por um único campeão, o Torneio Tribruxo havia colocado a Grifinória contra todas as outras casas. Fred e George Weasley cometeram o erro de tentar azarar Cedrico com um feitiço de furúnculos quando Cordélia estava por perto, e ganharam uma detenção limpando frascos estragados de ingredientes de poções. Harry Potter vinha sendo tratado como uma pária na escola e Cordélia realmente não se importava com isso, mas o professor Snape a abordou para pedir que mantivesse um olho nele, em caso de outro aluno tentar ataca-lo com um feitiço mais sério. Em sua opinião, havia um ar vingado em Cedrico quando eles notavam como os alunos de Hogwarts agiam em torno dele.
Por fim, o surpreendentemente maior incômodo de sua nova rotina: um belo dia chegara no saguão da escola para encontrar um grupo de meninas que costumavam seguir Vítor Krum pedindo para que Cedrico assinasse suas mochilas, embora, em sua defesa, Cedrico parecesse profundamente encabulado, ansioso para ser deixado em paz e negasse gentilmente os pedidos. A aproximação de Cordélia o fez esse favor na ocasião, mas ela desconfiava de que estava sendo alvo de grande ódio por parte do corpo discente feminino da escola, que agia para cima do lufano em suas costas.
Ela estava num dia, após as aulas, sentada com Cedrico, Hugh e Edmundo na biblioteca quando Malfoy e seus colegas armários junto com uma garota sonserina chamada Pansy Parkinson entraram no ambiente, se escondendo atrás de algumas fileiras. Lana e Peter estavam mais uma vez sumidos para ficarem sozinhos e Cordélia estava irritada com Mary, que andava suspeitamente sumida naqueles dias –ela desconfiava que saindo com Ivan Ibramovitch às escondidas.
Ela e Edmund já estavam trabalhando na parte prática de seu feitiço, lendo livros sobre o que o movimento do pulso tinha a ver com o efeito do encantamento para encontrarem a combinação certa para fazer seu feitiço funcionar. Cedrico e Hugh trabalhavam na mesma tarefa. Embora ele houvesse sido dispensado dos exames da escola, ainda teriam os NIEM’s no fim do ano, que não podiam ser adiados.
Finalmente, a movimentação suspeita de Malfoy foi o suficiente para chamar sua atenção e, suspirando, ela se levantou para ver o que ele fazia. Edmundo, também monitor da Sonserina, e Cedrico, monitor da Lufa-Lufa, fizeram menção de seguirem-na, mas ela fez que não com um gesto da mão antes de sumir entre as prateleiras para localizar a cabeleira loura de Malfoy diante de uma caixa suspeitamente colorida.
Mas os meninos não esconderam a caixa com sua aproximação. Ao invés disso, Malfoy sorriu, deixando ver colado em seu uniforme um bottom, que alternava entre as frases “Apoie CEDRICO DIGGORY –o VERDADEIRO campeão de Hogwarts”, no amarelo da Lufa-Lufa e, num tom verde doentio, “POTTER FEDE”.
—Quer um, monitora Bloxam? –Malfoy perguntou quando ela se aproximou o suficiente para se apoiar na mesa. Cordélia considerou os bottoms por um segundo, pensando de poderia toma-los de forma justa.
Por um lado, as regras de Hogwarts certamente não proibiam que alunos expressassem suas posições e ideais. Por outro, pedia decoro e aquelas frases pareciam dificilmente amigáveis. Logo, a sonserina percebeu que não havia nada que pudesse fazer sobre o assunto. Então se lembrou de que ela namorava o “verdadeiro” campeão de Hogwarts.
Não que ela se importasse que Potter fosse a nova pária da escola, mas tinha a distinta sensação de que Cedrico não se sentia bem consigo mesmo apoiando o ato.
—Sim, obrigada. –Ela aceitou um dos bottoms do quartanista e saiu de volta para onde estava Cedrico, agora sozinho, porque Edmund e Hugh haviam limpado seus lados da mesa e desaparecido. Ele também não estava mais estudando para feitiços; lia um livro de maldições de defesa.
Cordélia pôs o bottom em cima da mesa com um estalo do metal contra a madeira, antes de se sentar ao lado do namorado. Ele olhou o objeto com curiosidade, então reconhecimento. Seu rosto não expressava surpresa, a sonserina percebeu resignada.
—Você sabia disso?
—Era de Malfoy? –Ele pegou o objeto nas mãos. –Gregor é bom em feitiços e fez alguns desses; parecem ter entrado na moda se até os Sonserinos estão usando. –Mas a diversão se apagou do rosto dele quando encarou a decepção de Cordélia e ele mudou de tom. –Eu pedi para eles não usarem.
Suspirando, a sonserina se aproximou mais dele, colocando sua própria mão fria por cima da do lufano e fazendo movimentos circulares na pele dele com o dedo.
—Bem, me diga: você deu uma risadinha e pediu para eles não usarem, ou –observou, astuta. E agora ela tocou em sua bochecha para fazer com que ele virasse o rosto e olhasse em seus olhos –você disse que Potter é tão campeão quanto você e que seus amigos deviam apoiar a ambos? –Cedrico hesitou, sem responder, mas seu rosto não era mais divertido e isso era resposta o suficiente, então Cordélia deu o golpe de misericórdia, antes de dar o assunto por encerrado. –Eu sei que você vai fazer a coisa certa.
Embora ela ainda visse os bottoms em grande uso em Hogwarts nas próximas semanas, na aula seguinte de herbologia, que eles tiveram juntos, nenhum dos setimanistas amigos de Cedrico usava um, embora Warrington e Peter houvessem se recusado a tirarem os seus. A aula foi subitamente interrompida quando um garoto do quarto ano da Lufa-Lufa os alcançou na beira do lado, de onde eles tentavam arrancar algumas raízes das Traiçoeiras como tarefa do dia.
—Sim, Sr. Finch-Fletchley? –Perguntou a professora Sprout, que havia colocado os próprios tornozelos na água para ajudar Susana e Mary, que estavam juntas tendo alguma dificuldade com as plantas, que cresciam e se enrolavam não mais apenas em seus tornozelos, mas alcançavam suas mãos.
—Com licença, professora, me pediram para levar Diggory lá para cima. O Sr. Bagman o está chamando para tirar algumas fotos.
A professora fez um gesto para Diggory, que acompanhava a discussão com interesse, deixando que Hugh, seu colega de trabalho, fosse imobilizado pela planta. “Ah, droga, me desculpe”, ele disse quando notou o que estava fazendo e liberou o colega antes de passar por Cordélia tocando sua mão, embora ela não pudesse se despedir bem lutando contra a planta, e seguir o colega lufano para dentro do castelo mais uma vez.
Pouco mais de uma semana antes da primeira tarefa, uma coruja das torres que geralmente a trazia o jornal, pousou à sua frente no café-da-manhã, perigosamente perto de suas panquecas encharcadas de mel e decorada com frutinhas, com uma edição que trazia uma foto grande de Potter na capa. A notícia, uma grande choradeira que tratava Harry Potter como o único campeão de Hogwarts e trazia os nomes de Vítor e Fleur escritos errado, fez com que Cordélia se arrependesse de pedir a Cedrico para sumir com os bottoms de apoio.
Pela primeira vez desde que Potter fora escolhido campeão, Cordélia viu Cedrico se incomodar com o assunto. Não que ele tenha ficado de cara fechada, mas, quando ela o alcançou depois do café para irem a Hogsmead juntos, ele lançou o jornal no lixo com alguma violência. Cordélia, aproveitando-se da deixa, começou a tecer um fio de reclamações dignas de Fleur Delacour sobre o assunto, o que pareceu, para sua surpresa, animar o humor de Cedrico, que estava muito mais feliz quando a ajudou a subir numa carruagem.
—Honestamente, ele não cansa de tentar chamar atenção? –Ela disse, por fim. Ao seu lado, ao invés de se incomodar com o monólogo, Cedrico sorria um sorriso muito relaxado.
O lufano a levou antes de tudo à Dedosdemel, onde comprou para ela doces o suficiente para que ela fizesse um estoque para o mês. Depois, a seguiu enquanto ela ia à papelaria comprar novas penas e tinteiros e à joalheria comprar presentes de natal para sua irmã e amigas. Por fim, ainda foram ao correio. Como não tinha uma coruja própria, frequentemente tinha que entregar cartas aos seus pais pelo correio-coruja de Hogsmead.
Cedrico a olhou com curiosidade enquanto ela colocava o nome do remetente e endereço, antes de se inclinar para frente com interesse.
—Nunca vi você escrevendo para sua mãe.
—Ela é mais próxima de Lucy. –Disse com falsa displicência, como se a distância de sua mãe não a machucasse nem um pouco.
Disse a si mesma, como fazia várias vezes, que seu pai era bom o suficiente para cinquenta pais; e que ainda tinha seu padrinho, que, por mais que se fizesse de frio e distante em sala de aula, estava sempre preocupado com ela e com o que ela vinha fazendo da vida. Então os dois saíram para a rua principal mais uma vez; Cedrico colocando um braço por cima de seus ombros.
—Quer ir ao Madame Puddifoot? –Ele perguntou, segurando na saia de seu vestido vinho com rosas de verdade coladas à saia, enfeitiçadas para nunca murcharem, como que para não a perder na multidão de alunos.
—Não prefere ir ao Três Vassouras? –Perguntou com curiosidade, pensando que a maioria dos garotos parecia preferir o bar à casa de chá.
—Vai estar lotado. –Cedrico explicou, colocando uma mão nas costas dela para que seguisse na direção do estabelecimento cor-de-rosa com doces e conjuntos de chá na vitrine. –Se perceberem que estou levando você num encontro, talvez ninguém me incomode.
—Você não pode ficar me usando como desculpa para evitar as pessoas. –Cordélia pontuou. –Semana passada um garoto tentou usar um diffindo para cortar meu cabelo! –E era verdade. Cordélia havia escapado apenas porque o professor Flitwick o pegou no ato; e a sonserina nem conhecia o menino mais novo da Corvinal.
Cedrico riu, fazendo com que Cordélia cruzasse os braços enquanto o sino da porta da casa de chá tocava com sua entrada. Ele a guiou pelo labirinto de mesas até uma mesinha redonda decorada por porcelana chinesa, coberta por um tecido rendado cheio de babados.
—Estou começando a ficar conhecia como a namorada ciumenta. –Continuou o assunto, olhando ao redor com curiosidade. Jamais havia sido levada à casa de chá por um garoto, embora, no quarto ano, ela, Lana e Mary, as três solteiras ainda na época, antes que fosse para a França fazer seu quinto ano, houvessem ido até lá. –Marietta Edgecombe me perguntou se é verdade que você tem uma tatuagem de mantícora no peito.
—O que você disse? –Ele perguntou entretido.
—Que era nas costas.
O lufano riu alto jogando a cabeça para trás quando a própria Madame Puddifoot apareceu para oferece-los cardápios. Cedrico não aceitou um, fazendo o pedido de um chá de maçã e um muffin de mirtilo com familiaridade. Cordélia olhou rápido seu cardápio para pedir chá de hibisco e rosas silvestres e torta de frutas vermelhas.
—Você já veio aqui? –Perguntou com curiosidade, numa voz que achava ser casual.
O sorriso de Cedrico permaneceu em seus lábios rosados.
—Uma vez, no ano passado. –Ele se inclinou por cima da mesa para observar a expressão dela melhor, mas Cordélia estava se esforçando para parecer tranquila. –Com Cho. No mesmo sábado que você saiu com Rogério Davies. –Cordélia não respondeu, embora estivesse corando. –Eu ia chamar você, sabe?
—Você demorou muito. –A voz de Cordélia era macia. –Eu teria aceitado. –Mas antes que pudessem continuar o assunto, duas figuras familiares passaram pela porta, tomando sua atenção.
Quando Mary viu a colega sonserina, hesitou, mas segurou a mão de Susana e as duas se aproximaram do outro casal.
—Ooolá. –Mary os cumprimentou quando chegou perto suficiente, no seu comum tom malicioso de voz. –Escondidos, eu vejo.
—Eu que quase não a vi fora das aulas nas últimas semanas. –Cordélia retrucou, dando uma olhada em Susana, percebendo que se enganara sobre Mary e Ivan Ibramovitch. –Agora vejo o porquê. Olá, Susana!
—Oi, vocês. –Ela sorriu bondosamente, colocando uma mão no ombro de Mary. –Viemos atrás de privacidade também, mas Mary é uma intrometida. –E mais baixo para a outra menina, sussurrou. –Deixe-os em paz.
As duas se afastaram e o casal que ficou discutiu por um segundo sobre quem sabia sobre elas antes de voltarem aos seus próprios assuntos. Cedrico estava contando que a professora Mcgonagall achava que ele poderia começar a preparação para virar animago com suas habilidades em Transfiguração e Cordélia estava excitada com a ideia.
—Você sabe fazer um patrono? –Perguntou com curiosidade ao namorado.
—Não, mas vou precisar aprender. Vai me ajudar?
—Claro.
Quando saíram da casa de chá, foram caminhando para o castelo ao invés de pegar as carruagens, aproveitando que a neve ainda não havia caído sobre o povoado, embora estivesse ventando muito. Cedrico a cedeu seu cachecol, porque Cordélia, mais vaidosa do que prática, havia colocado um lindo vestido cor de vinho de gola Peter Pan, mais adequado ao verão.
No domingo, Cedrico parecia ansioso e agitado por terem entrado na semana da primeira tarefa e eles moveram os estudos para o lado de fora, onde ainda estava fresco e agradável. Passaram a manhã na beira do lago, treinando feitiços defensivos em alvos conjurados por ambos, num ponto do lado onde nunca eram interrompidos. Cordélia se sentou numa pedra no lado oposto aos alvos, fora do alcance dos raios coloridos. Eles passaram horas, com ela pesquisando os feitiços e sugerindo em voz alta para que ele praticasse. Cedrico estava usando a camisa de quadribol, amarela com uma única listra negra no peito e calças pretas de exercício e Cordélia gostava do movimento de seus ombros quando ele se movia para atacar.
—Me sugira um feitiço que eu não conheço. –Ele pediu, deitado na grama, no intervalo que tiraram para descansar, após terem ido até a cozinhar para pegar alguns sanduíches para o almoço.
Estava confortável ali, com ela deitada meio por cima dele, ouvindo o ritmo já familiar das batidas de seu coração. A sonserina suspirou antes de considerar o assunto.
Cordélia pensou em alguns dos feitiços que aprendera na matéria de Magia Antiga em Beauxbatons. A maioria dos feitiços eram obscuros, embora não exatamente magia das trevas. Sectumsempra, orbis, phobos, arterium, suspensus, amputatur. Primeiro, pensou que Cedrico era bom demais para aqueles feitiços –infinitamente melhor do que ela, que os usaria se precisasse. A maioria de seus colegas em Hogwarts nem sabia que magia era capaz de fazer certas coisas. Mas então pensou que se fosse ser útil a ele...
—Tudo bem. –Ela saiu de cima dele para que o namorado pudesse se levantar e os dois se postaram diante dos alvos. –Há um feitiço chamado mortuis, que vai invocar um guerreiro esqueleto para proteger você. –Ele a olhou como se não acreditasse nisso. Cordélia apontou a varinha no ar para demonstrar e fez um gesto seguro:
—Mortuis!
Cedrico deu um passo para longe do chão que se abriu embaixo deles, trazendo Cordélia para trás consigo quando o esqueleto se arrastou para fora do buraco, parando muito quieto diante deles.
—Acabe com eles. –Cordélia ordenou, apontando para os alvos. Foi o que o guerreiro fez, destruindo-os com as mãos até que virassem pó, então virando pó ele mesmo. Cedrico parecia mais chocado do que Cordélia esperava, então a sonserina suspirou. –Eu sabia que não era para você.
—Não. –Ele se apressou em corrigi-la, embora quando a tenha tocado sua mão esta estivesse gelada. –Me ensine mais.
Ela ensinou. O sectumsempra era um feitiço de corte mais forte do que o diffindo, causava hemorragia e fora ensinado por seu padrinho. O orbis arrancava os olhos de seus alvos; o suspensus fazia com que a vítima fosse enforcada sem corda alguma. O amputatur arrancava membros e o arterium causava hemorragia interna. Cedrico, é claro, e ela gostou muito mais dele por causa disso, não quis testar os feitiços em animal algum, por isso ela o ensinou apenas a teoria e torceu para ser o suficiente.
Ele não comentou o quanto a maioria deles o deixou horrorizado e Cordélia não insistiu, embora pudesse ver em sua expressão. Ficou se perguntando se havia algo errado consigo, porque a ideia de executar os feitiços não gelava seu sangue de forma alguma, mas podia ter a ver com o fato de ter crescido com um sonserino e uma corvina; nenhum dos dois particularmente empáticos ou cheios de moral.
—Você gosta de Magia Negra? –O tom dele era só mais ou menos uma pergunta.
—Isso não é Magia Negra. –Ela se apressou a avisar. Não queria que ele pensasse que ela o envolveria com aquele tipo de coisa, especialmente se ele estava treinando para um torneio amigável entre escolas. –É Magia Antiga.
Ele espremeu os lábios como se não concordasse completamente.
—Certo. Porque não há dano à dignidade humana. –Ele levantou as mãos, em rendimento. –Então? É disso que você gosta.
Ela hesitou e começou a colocar os livros na bolsa para disfarçar, mas o tom dele era livre de julgamentos e os olhos interessados como foram em seu primeiro encontro, como se ela fosse alguém impressionante e nada que ela dissesse pudesse fazê-lo mudar de ideia sobre ela.
—Papai diz que eu tenho uma mão leve para essas coisas. –Admitiu. –Ele diz que é de família. A mãe dele, vovó Asterope, era uma Black. Eu me interesso pelo assunto, sim. –Ela riu, um pouco discreta. –Você tem que admitir que os dilemas morais são interessantes.
Ele sorriu com ela também e assentiu para si mesmo como se alguma peça houvesse se encaixado em sua cabeça.
—Venha. –Ele estendeu uma mão para ela com confiança. –Ou vamos perder o jantar.
Na segunda-feira, o professor Flitwick os esperava na sala quando o grupo de Sonserinos chegou lá. Como era dia de aula teórica, Edmundo e Cordélia se sentaram separados, enquanto ela guardou um lugar para Cedrico ao seu lado. O grupo de lufanos chegou sem ele, entretanto, mas garantiram que estava a caminho. Cordélia ficou feliz em ver Susana e Mary sentando-se juntas, com muita naturalidade.
Quando Cedrico entrou na sala, pedindo licença ao professor com uma voz estranha, carregava os livros sujos de tinta, os pergaminhos e as penas nos braços, e estava decididamente mais pálido do que o normal. Pareceu muito tenso quando se sentou ao lado de Cordélia na mesa, e Flitwick não reclamou com eles quando ela se inclinou para o namorado com preocupação, uma mão indo logo aos seus cabelos, e perguntou o que aconteceu.
Ele olhou ao redor atentamente antes de se virar para ela mais uma vez, sua voz abafada por, Cordélia notou com curiosidade, medo.
—Dragões. –A sua voa tremeu na palavra. –A primeira tarefa vão ser dragões.
Cordélia sentiu um pouco do pânico dele por um segundo, querendo dizer para ele não fazer isso. Então tomou uma respiração profunda, racionalizando. Afinal, seria ele quem teria que passar pelos dragões, independente do quanto ela preferisse que fosse qualquer outra pessoa.
—Você tem certeza? –Cedrico apenas fez um aceno de cabeça, os livros sujos de tinta esquecidos em cima da mesa. Ela observou o exemplar de Um Guia de Transfiguração Avançada que ele havia pego na biblioteca no dia anterior para começar a estudar para a transformação em animago. –Quem disse isso a você? Achei que não devesse saber.
—Potter. Ele descobriu de alguma forma. –A voz de Cedrico era um pouco estrangulada. Flitwick continuava ignorando a conversa deles, talvez notando o estado de nervos do lufano e dando um desconto por faltarem 24h para a primeira tarefa.
Claro que Potter descobriu, Cordélia pensou com amargura.
—Como? –Ela insistiu, mas Cedrico apenas balançou a cabeça. –Por Morgana, eu...
O professor Flitwick, em cima de uma pilha de livros para sentar-se à mesa do professor, finalmente decidiu interferir:
—Srta. Bloxam, Sr. Diggory, algum problema?
Toda a turma estava olhando para eles agora, o rosto de Cedrico continuava pálido e ele não deu sinais de que ia falar. Cordélia suspirou, puxando sua varinha das vestes.
—Não, senhor, apenas um acidente com livros e tinteiros. –Com um gesto seguro de sua varinha, ela fez com que sumissem as manchas dos livros, e mesmo Cedrico, pálido como estava, conseguiu sair de seu torpor para parecer admirado. -Tergeo.
—10 Pontos para a Sonserina pela execução do feitiço de limpa-tinta, que requer muita precisão. –O professor continuou a aula depois disso, sem dar mais atenção aos dois.
Eles não discutiram mais durante a aula, mas o assunto ficou na cabeça de Cordélia como ela sabia que estava na de Cedrico. Ela estava revisando tudo que sabia sobre dragões, o que não era muito. Largara Trato das Criaturas Mágicas depois do quinto ano e nunca olhara para trás e, mesmo em seu ano em Beauxbatons, ela jamais havia aprendido sobre como lidar com um animal mágico poderoso e perigoso como aquele era.
Como pocionista, conhecia os doze usos do sangue de dragão, mas para que isso servia, afinal?
Ao fim da aula, Cedrico, acenando vagamente para os colegas, segurou sua mão e foi com ela para a biblioteca com pressa. Cordélia o parou no meio do caminho, o perguntando se ele não pediria ajuda aos amigos, e ele disse que ninguém podia saber que ele sabia, para não deixar os professores e juízes desconfiados. Quando Cordélia apontou que ela sabia, Cedrico pareceu surpreso.
—Bem, é você, é diferente. –Ele disse como se ela estivesse sendo boba e eles seguiram para a biblioteca.
O tempo estava brincando com eles. Visitaram cada livro que podiam sobre o assunto, no tempo que tinham. O fato de Krum ter passado a tarde na mesma seção da biblioteca a fez pensar que ele também sabia e Cordélia se perguntou onde estaria Fleur e se estava nervosa. Quase não tivera tempo para falar com os amigos franceses nas últimas semanas, desde que vinha passando quase todo o seu tempo com Cedrico.
Na hora do jantar, Hugh, Mary e Susana apareceram trazendo bolinhos escondidos de madame Pince, que Cordélia e Cedrico comeram por debaixo da mesa, ainda virando os livros de Trato das Criaturas Mágicas. Finalmente, quando a biblioteca estava prestes a fechar, Cordélia achou algo útil.
Cedrico estava há algumas cadeiras de distância quando ela se inclinou sobre ele com animação.
—Os olhos, Ced! –Usou o apelido tranquilamente, sem perceber ser a primeira vez. –Os olhos do dragão são seu ponto fraco.
Ele apenas sorriu tristemente.
—Mas ficam muito mais agressivos e perigosos quando são atingidos nos olhos. –Argumentou, deixando a cabeça cair pesadamente em cima do livro empoeirado à sua frente. –Não sei o que fazer.
O desespero dele acordou algo dentro dela.
—Eu sei o que você vai fazer. –Disse com calma. –Vai usar sua inteligência e seus pontos fortes. Você é um bruxo brilhante e especialmente talentoso, Cedrico Diggory. Você pode desiludir a si mesmo –“o dragão me ouviria”, ele murmurou, mas estava a ouvindo com atenção –ou você vai distrair o bicho com outra coisa, de algum jeito. Mas você vai passar pelo dragão e voltar para mim, sim? Diga que vai.
Não era sua intenção fazer um discurso encorajador vazio, e não o fora; ela acreditava em cada palavra que o dissera. Cedrico parecia saber disso também, porque a palidez se esvaio de seu rosto e ele a segurou perto.
—Eu vou descer lá embaixo amanhã. –Ele disse, pontuando o fim da frase com um beijo em sua bochecha. –Vou usar meus supostos pontos fortes. –Ele deu um beijo em outra bochecha. –E vou voltar para você; inteiro de preferência. –Ele selou a última frase com um beijo nos lábios de Cordélia, então se levantou e começou a organizar os livros que haviam tirado para pesquisa de volta nas estantes. –Você me deu uma ideia.
Mas ele se recusou a dizer qual a ideia era. Cordélia cruzou os braços, chateada, mas ele disse que ainda estava trabalhando nos detalhes e que ela veria no dia seguinte de qualquer forma. Mais tarde, ele andou com ela até as masmorras antes de fazer o caminho de volta para a superfície. As suas colegas de quarto estavam deitadas, em sono profundo, mas Cordélia teve um sono leve e assustado, cheio de dragões falantes e feitiços que não funcionavam.
As aulas na manhã seguinte se passaram um pouco rápido demais e ela não dividia a aula de Transfiguração com Cedrico, então sentou-se com Mary e Edmundo, que andava um bocado mais amargo do que o normal, desde que Mary começara a namorar com Susana. Mesmo a professora Minerva parecia tensa, mas não menos rigorosa, embora tenha deixado passar o fato de que a barbatana de peixe de Cordélia parecia mais a barbatana de um golfinho.
No almoço, ela pôs o olhar na mesa da Lufa-Lufa exatamente quando a professora Sprout apareceu para levar Cedrico para o cercado que fora construído do lado de fora do castelo. Apenas depois do almoço, com as travessas vazias, eles foram permitidos a também seguir para fora, para o cercado que margeava a Floresta Proibida.
Cordélia, arrastando Mary, Edmundo e Lana, por consequência, Susana e Peter, com ela, achou um lugar junto de seus amigos de Beauxbatons. Marlon tinha o cenho franzido e a pequena Claire, as unhas roídas, mas os dois pareceram felizes em vê-la, trocando beijinhos. Outros alunos começaram a se acomodar ao seu redor; alguns haviam trazido guloseimas como se fossem assistir a um espetáculo.
A espera foi longa. Eles já podiam ver os dragões dali, de diferentes espécies. Cordélia não sabia como dividiriam quem ficava com qual, mas o primeiro a ser trazido para dentro da arena foi uma criatura cinza-azulado da mesma cor de seu gato, soltando labaredas azuis pelo nariz. Ao seu lado, Lana, a única entre os amigos sonserinos que ainda cursava Trato das Criaturas Mágicas, sussurrou pala ela:
—Essas labaredas transformam madeiras em cinzas em segundos.
Isso fez com que o esquadrão de bruxos pronto para entrar em caso algo desse errado parecesse menos eficiente. Quando finalmente a espera acabou, seu coração diminuiu até sumir no peito ao notar que o primeiro campeão a entrar na arena era Cedrico Diggory. Ao seu redor, toda Hogwarts começou a gritar e aplaudir, mas Cordélia pensou que ele estava distintamente verde.
Cedrico entrou na arena, usando um uniforme desconhecido, amarelo e preto, mas com a insígnia de Hogwarts. O dragão olhou para ele, mais desconfiado do que agressivo. Havia um ovo dourado junto à ninhada e Cedrico focou nele antes de começar a se mover.
Depois disso, tudo foi um borrão. Vezes demais, o dragão quase o acertou com suas labaredas altas de longo alcance. Tranquilo, a voz de Bagman narrava o que acontecia, como se a vida de um garoto não estivesse em jogo: “Aaa, por um triz, por muito pouco! ”
Marlon havia se aproximado dela e passado um braço por trás de suas costas tensas, como apoio. Cordélia apreciou o gesto; e apreciou ainda mais o fato de que não parecia haver nenhuma intenção por trás dele.
“Ele está se arriscando, o campeão! ”, narrou o juiz quando Cedrico transformou uma pedra em um labrador, uma transfiguração impressionante, desviando a atenção do dragão para o animal mais barulhento e começou a deslizar em direção aos ovos com alguma pressa. O dragão pareceu ir com a estratégia –até que não foi mais.
“Boa tentativa—pena que não deu resultado! ”, Bagman narrou mais uma vez quando o dragão foi para cima de Cedrico, percebendo o quão perto dos ovos ele estava. Cedrico não parou por causa disso: simplesmente correu, mesmo quando o dragão passou a lançar labaredas em sua direção. Cordélia teve de ficar de pé para assistir por cima da cabeça de seus colegas quando o namorado agarrou o ovo de ouro, uma labareda o atingido no ombro, mas essencialmente ileso.
Ela, assim como a multidão, demorou um segundo para perceber o que ocorrera. A multidão começou a vibrar quando o esquadrão de contenção entrou no cercado para lançar feitiços que colocassem o bicho para dormir, e então o arrastaram para fora do cercado com feitiços de levitação. Cordélia correu para a barraca por onde Cedrico tinha sumido, dando uma olhada nas notas jogadas ao ar. Foi impedida num instante, porém, pela professora Mcgonagall, que estava às portas da arquibancada.
—Srtª Bloxam, o que pensa que está fazendo? –Seus olhos eram tão severos quanto sua voz, tensos como um fio esticado. –Ainda não foi encerrada a primeira tarefa.
—Foi, sim, para mim professora. –Cordélia replicou. Então, com mais respeito, acrescentou, em voz baixa. –Por favor, deixe-me ver como ele está.
A professora Mcgonagall a olhou atentamente, com avaliação, antes de, com um torcer de lábios não inteiramente desagradado, abrir espaço para que Cordélia corresse até a tenda onde estava madame Pomfrey, fazendo curativos e reclamações. Cordélia não a deu atenção. Cedrico tinha uma área muito vermelha do ombro coberta com pasta amarela de ditamno, mas estava sentado e sorridente.
Aliviada, Cordélia sorriu de volta e ficou com ele mesmo quando ele perguntou se ela não gostaria de ver o desempenho dos outros. Madame Pomfrey, quando Fleur chegou, a capa desfeita em chamar e uma queimadura como a de Cedrico, passou para a próxima enfermaria, a deixando para aplicar mais ditamno no ombro de Cedrico, que colocara o ovo de ouro de lado para abraçar sua barriga. Ele também colocou em suas mãos uma miniatura do dragão que enfrentara, como presente. Cordélia levou a criatura à altura dos olhos, encantada com o quanto ele parecia inofensivo naquele tamanho.
—Obrigada. Qual a pista do ovo? –Ela perguntou a ele, checando se não era ouvida por mais ninguém.
Cedrico deu de ombros, como que despreocupado.
—Vamos descobrir?
Cordélia sorriu grandemente.
—Vamos descobrir.
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