Lembre: Nada É Verdade.
9 Remember, remember the 5 november. (Parte 2)
Notas iniciais
( Me avisem se as coisas estiverem acontecendo muito rápido, porque eu estou cheia de ideias e posso acabar me apressando).
Annie chega na sede e encontra Ezio e Connor na antessala, cada um de um lado da mesa jogando uma tampinha de refrigerante um para o outro completamente entediados. Assim que eles escutam o barulho da porta olham simultaneamente.
— Eu vou colocar uma roupa preta e gente já vai. — Diz Annie rindo da cara dos garotos. — As máscaras. — Ela solta a sacola em cima da mesa.
— Sempre quis ter uma dessas. — Fala Ezio animado pegando a máscara e analisando com um grande sorriso. — Annie. — Grita ele.
— Que?
— Precisa ir de preto?
Ela aparece colocando o moletom preto dos Assassinos.
— Não, mas eu vou pra dar uma moral para os BBs.
— Quem?
— Black Blocs. — Explica ela enquanto esvazia a mochila da escola.
— Então vou colocar o uniforme também. Vamos lá Conny.
— Eu juro que te mato se você me chamar assim de novo.
— Ai Conny, que violência. — Brinca Ezio, em seguida sai correndo antes que Connor resolvesse cumprir sua promessa.
Annie ri da encenação do italiano e começa a pegar antiácidos estocados ali desde junho, um frasco com bico pulverizador, sprays e primeiros socorros; algumas máscaras cirúrgicas para entregar às pessoas despreparadas.
— Para que a máscaras? — Pergunta Connor.
— Para as pessoas que acreditam que a violência começa do nosso lado. Sabe como é a polícia, eles se sentem ofendidos e vão pra cima, depois dizem que a gente começou tudo. — Annie responde enquanto prepara a mistura de antiácido e água no frasco.
Connor sorri de cabeça baixa lembrando de quando Bee falou que Annie não gostava de policiais, agora via que ela odiava policiais. Sempre que ia falar sobre a ação policial era com desprezo.
Assim que Annie fecha a mochila Ezio chega na antessala uniformizado.
— Vamos?
Os três pegam um ônibus e se dirigem para a prefeitura, muitas pessoas que estão no ônibus também estão vestidas de preto, ou carregam cartazes e todas elas estão com máscaras Guy Fawkes, todos sérios e compenetrados, como se aquilo fosse um compromisso inadiável para com o país, como se estivessem prestes a fazer a maior revolução do país. Podia não dar em nada, mas o importante era que as pessoas acreditassem que iam mudar o mundo com uma manifestação. Até mesmo Ezio parecia estar contagiado com aqueles ares de revolução, Annie nunca tinha visto ele tão concentrado.
Entraram algumas pessoas já vestidas, e correram para o fundo do ônibus para terminar alguns cartazes.
— Vou ajudar eles. — Anuncia Annie levantando e se dirigindo ao fundo do ônibus. — Oi.
— Oi. — Eles respondem em coro, são todos homens.
— Querem ajuda?
— Claro! Por favor. — Ele estende uma caneta para ela. — Você veio sozinha?
— Não. Por quê?
— Pra saber, senão você podia vir com a gente. É sempre bom ter um grupinho, por segurança mesmo.
— É eu sei. Hoje eu passei lá mais cedo para comprar umas máscaras e já tinha um PMerda implicando. Eu estava ajudando um cara a fazer um cartaz e o PM ficava jogando terra em cima.
— Sério? E o que você fez.
Annie riu sozinha ao lembrar da cara do policial e das ameaças.
— Nada, só retruquei uma coisa que ele disse. — Ela dá uma olhada pela janela do ônibus. — É aqui, vamos?
Ela vai até os garotos e faz um sinal com a cabeça para que eles a sigam. Ezio está determinado, mas agora já estava mais descontraído; Connor estava com a cara fechada, era fácil notar que aquela seriedade toda era pessimismo, e ele estava com deste jeito desde que saiu da sede. Já Annie estava totalmente despreocupada e ansiosa, apesar de um tanto desanimada com a quantidade de pessoas presentes, ela esperava muito mais.
— Onde está todo mundo? — Pergunta Ezio descendo do ônibus.
— É isso, ora. Hoje está assim, quinta-feira vai ter outra manifestação e vai vir muito mais gente. Por enquanto estamos recuperando as forças, mas logo as ruas vão estar como estiveram em junho. — Annie estava otimista a respeito das manifestações.
Connor começa a bufar e revirar os olhos ao ver a animação das garota, ele estava começando a ficar realmente irritado. Annie e Ezio estavam conversando animados, o italiano fazia perguntas sobre as manifestações e a garota respondia sempre com um sorriso no rosto, dando esperanças ao amigo.
— Você acha que vai mudar o mundo vindo em uma manifestação dessas? — Connor agarra Annie pelo braço com uma expressão de raiva, só faltava espumar. Ezio e a garota ficam surpresos com a fúria repentina do mohawk. — E ainda fica incentivando Ezio. Você só pode estar louca!
— Somente pessoas loucas o suficiente para acreditar que podem mudar o mundo são capazes de fazê-lo. — Annie abre um grande sorriso, Connor fica ainda mais irritado, mas solta o braço da garota. — Sorria, Connor, este é o Brasil!
Ela sorri e abre os braços indo para o meio da multidão.
— É, vamos lá Conny! Entra no espírito! — Ezio dá um tapinha nas costas do amigo e sai pulando animado atrás de Annie.
— Por que eu aceitei essa missão? — Connor fala sozinho e os segue esfregando a mão no rosto, em seguida baixa a máscara.
As horas passaram depressa para Annie e Ezio, completamente empolgados repetindo o grito com a massa: “Poder para o povo! E o poder do povo vai fazer um mundo novo!”. Connor estava quase dormindo de pé, exatamente quando ele ia cutucar Annie para irem embora o som de um rojão ecoou pelo lugar. Annie rapidamente pegou a mochila e entregou uma máscara cirúrgica para Ezio e Connor, bem quando a fumaça chegou a eles trazida pelo vento.
O italiano ficou irritado e quis mantes posição, mas um puxão de Connor o obrigou a correr junto com os outros. Os policiais dispersaram a multidão e agora estavam avançando, as pessoas corriam desorientadas para qualquer lugar. Annie empurrou Ezio e Connor para indicar o caminho e olhou para trás para ter confirmar se os policiais estavam avançando. Ela travou ao ver um manifestante caindo devido ao efeito gás e a PM avançando atrás, um dos policiais estava com o cassetete na mão correndo em direção a ele.
A garota parou subitamente e correu para ajudar o homem, Connor olhou para trás a tempo de vê-la começar a correr.
— Ah não. Não, não, não. Annie! — Ele tenta agarrá-la, mas uma pessoa passa correndo e esbarra nele fazendo-o recuar os centímetros que podiam parar a menina.
Annie estava a 30 metros do homem correndo com todas suas forças, o policial está mais perto (20 metros) fixado no manifestante que tenta desesperadamente se levantar para fugir. Outra bomba de gás é lançada, desta vez cai perto de Annie que a chuta de volta para os PMs, foi a vez deles se dispersarem. Sua pele e sua garganta começaram a queimar devido ao gás que ainda pairava no ar, mas ela só conseguia enxergar o manifestante que precisava de ajuda. Assim que a nuvem de gás se dispersou a Assassina viu que a Tropa de Choque estava no local.
Alguns manifestantes pararam de correr quando viram Annie indo em direção ao batalhão e começaram a se agrupar novamente para resistir no local. Connor corria atrás de Annie aos berros, mas era completamente ignorado.
— Sai daqui filho da puta! — Disse a garota colocando o braço que estava sempre equipado com a ‘armadura’ acima da cabeça para parar o cassete do policial, ao mesmo tempo em que acertava um chute no meio das pernas dele. O homem se curva de dor imediatamente e fica praguejando contra a menina.
Annie tenta tirar o homem dali, mas é pesado demais para ela. O policial se recupera do golpe e corre em direção a garota com o cassetete erguido para acertá-la. Annie solta o homem e dá dois passos para trás para pegar impulso para acertar o policial em cheio. Ela começa a correr e salta por cima do manifestante, se arremessando contra o policial com a fúria de um búfalo. O homem engasga e é mandado três metros para trás cambaleando, até finalmente cair de bunda no paralelepípedo. — Ei! — Annie sacode o manifestante, mas ele apenas balança completamente mole.
— O que você pensa que está fazendo? — Connor chega correndo em seguida, piscando os olhos vermelhos com força para fazer passar o efeito do gás.
— Me ajuda a tirar ele daqui!
— Não vai dar tempo! — Connor berra dando uma rápida analisada na distância entre eles e a Tropa de Choque, vendo que o policial que Annie havia acertado se levantou e foi se refugiar na Tropa.
— Pega ele que eu cuido desses merdas! — Annie deixou Connor sozinho com o homem desmaiado e correu em direção a Tropa de Choque.
O mohawk fez a única coisa que podia fazer como ser humano naquele momento: tirar o homem dali. Quando ele se abaixou para pegar o corpo inconsciente apareceram mais pessoas para ajuda-lo.
Os fotógrafos estavam todos concentrados em Annie, aquela garota minúscula parada em frente à Tropa de Choque para atrasá-los.
— Tropa de Choque qual é sua missão? Dar tiro no estudante e oprimir a população? — Gritava Annie no ritmo da música que havia escutado dias atrás.
Muitos manifestantes já estavam agrupados pegando tapumes de madeira que cercavam um pequeno canteiro de obras, usando-os como escudo. Outros pegavam o que encontravam no caminho para formar uma barricada contra a Tropa. Outros avançaram um pouco e cantavam o mesmo trecho da música que Annie estava repetindo, alguns desses mandavam ela sair dali.
— O que você tem na cabeça? — Connor pergunta abrindo espaço entre as pessoas que elogiavam o ato de Annie.
— Loucura. — Ela ri lembrando que Connor a chamara de louca horas atrás.
— Annie! — Ezio aparece empurrando duas pessoas como se estivesse abrindo uma cortina, ele trava o gesto quando abre os braços para aproveitar o embalo para abraçar a garota.
Todo aquele momento é interrompido pelo som de outro rojão.
— O que a gente faz? — Pergunta um garoto mascarado para Annie. Ela pula de alegria por dentro ao ver a confiança que as pessoas depositaram nela em um momento como aquele.
— Peguem isso. — Annie abre a mochila e distribui as máscaras cirúrgicas para todos a sua volta. — Vamos resistir.
Notas finais
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