Depois de muita fisioterapia, antes de ontem foi um um dia muito especial. O dia que dei meus primeiros passos depois do acidente. Tive algumas dificuldades e alguns tombos desde que comecei a tentar andar novamente, mas hoje consegui andar de uma ponta a outra da sala. Mamãe filmou tudo e depois todos que estavam na sala aplaudiram e eu fiquei muito emocionada.

– Como se sente Elisa? — A fisioterapeuta me perguntou.

– Ótima! Mãe arrume minhas coisas que sinto que posso ir embora agora e andando! — Respondi muito animada.

– Uau! Quanta animação! Mas hoje ainda não pode sair querida, ainda precisamos fazer alguns exames em você. Mas prometo que se continuar assim pode ir para casa muito em breve. — Rosana minha fisioterapeuta disse e eu dei um suspiro de desapontamento.

Apesar dela ter me dito isso eu ainda estava absurdamente feliz por ter andado novamente. Tudo estava dando certo, o movimento dos meus braços voltaram totalmente, minha fala estava um pouco comprometida mas em poucas vezes as pessoas não podiam me entender, a Sheila havia desaparecido e por fim eu voltei a andar, não era lá aquelas coisas mas para mim era uma vitória.

De repente minha médica entra no quarto. Ela estava com uma cara séria, não deu uma risada. Ela sentou e deu um suspiro. Eu fiquei um tanto confusa.

– O que aconteceu doutora? — Pergunto.

– Bem Elisa, preciso que você se prepare porque tenho uma notícia a te dar. — Ela diz ainda séria.

– Diga doutora. — Eu respondo esperando o pior.

Antes dela me responder, minha mãe entra no quarto, me cumprimenta e senta ao meu lado. Achei super estranho minha mãe estar no hospital á essa hora.

– Então Elisa, Foi um prazer ter você aqui conosco por todos esses meses. Nós ficamos amigas e eu quero ter notícias de você sempre. Você me ensinou uma lição muito valiosa: O amor pode sim vencer barreiras. Vou levar esse aprendizado por toda a vida. Mas, acho que está mais do que na hora de você ir para a casa e ter sua vida de volta. — Meus olhos se enchem de lágrimas e abro um sorriso de orelha a orelha.

– Oh meu deus... — Abraço minha mãe.

– Você vai voltar para sua casa querida! — Minha mãe diz.

– Você pode ir quando quiser, e parece que tem muita gente te esperando lá fora. — Minha médica fala sorrindo.

– O que? É sério? — Eu pergunto.

– Vamos querida! — Minha mãe começa a arrumar minha coisas para podermos ir embora.

A ficha ainda não tinha caído. Fiquei um tempo sentada na cama olhando para o nada e imaginando como seria dali para frente. Eu ia voltar para minha vida normal depois de ter passado por todo esse sofrimento. Fui então abraçar minha médica e agradecer por tudo.

– Só mais uma coisa Elisa. — Ela diz.

– Pode dizer. — Respondo.

– Ele me espera sair do hospital todos os dias para perguntar como você está. Não deixe seu amor verdadeiro ir embora. — Ela me abraça e nós nós despedimos e trocamos telefone.

Enquanto me vestia e me maquiava depois de muito tempo, fiquei pensando no que ela disse. Tuti não veio mais me ver, mas nunca disse que ele não podia procurar saber de mim.

As enfermeiras que cuidavam de mim vieram se despedir. Elas foram maravilhosas e eu devo muito a elas. Agradeci por tudo e disse que viria sempre ao hospital vê-las.

Eu ainda não conseguia andar muito bem então tive que sair de cadeira de rodas. Enquanto mamãe empurrava a cadeira para fora do quarto eu olhava para trás e uma emoção muito forte estava dentro de mim. Eu me via deitada ali quase a beira da morte e depois me recuperando. As portas então se fecham e eu estava livre.

Já no corredor que dava acesso ao hall de entrada do hospital, meu coração começa a disparar. Então as portas se abrem e...

– BEM VINDA ELISA! — Todos os meus amigos e familiares gritam juntos.

Havia cartazes escrito "Parabéns guerreira", "Nós te amamos", "Você venceu". Eu abracei a todos e disse que estava ótima, pronta para outra. Enquanto abraçava minha Tia Judite, perto do bebedouro, atrás do balcão das recepcionistas eu vejo Tuti. Ele estava parado olhando para mim. Então ele dá um sorriso e pisca um dos olhos como se estivesse querendo me dizer que estava tudo bem. Eu me viro para pedir para mamãe me levar até ele, mas quando olho de volta Tuti não estava mais lá. Toda minha alegria só ficou completa por ter visto ele ali, me esperando.

Consegui então dar atenção a todos que foram me ver e chegou então a hora de sair.

– Mãe espera! — Eu faço mamãe parar imediatamente a cadeira quando paramos em frente a porta da saída.

– O que foi querida? — Mamãe preocupada corre para minha frente.

– Quero sair sozinha. — Eu respondo.

– Tem certeza que consegue? — Ana pergunta.

– Absoluta. — Digo.

Então Hector e Ico me ajudam a fica de pé e eu começo a andar, passos lentos mas que me levavam de volta a minha vida. Lentamente eu passei pela porta automática e senti o calor do sol do meu rosto.

Éli estava de volta.