Lembranças de Elisa
18 Capítulo 18
– Do jeito que você deixou querida. — Mamãe não mudou nada no meu quarto, tudo estava do mesmo jeito e quando entrei nele me senti em casa.
– Obrigada por tudo Mãe. — Ela sai e me deixa um pouco sozinha.
– Oi Harrison! — Meu cão aparece para me dar as boas vindas e sobe no meu colo. — Que saudades!
Depois de um tempo aproveitando meu quarto, resolvo descer para jantar com minha família. Estavam todos lá, Mãe, Hector, Ana, Ico, Vovô, Vovó, Tamara que havia chegado naquela mesma hora, Tios e primos mais próximos. Eram todas as pessoas que mais amava, mas sabia que estava faltando uma. Enquanto comia e ria da mesma piada que o Tio Guga contava sempre que nos reuníamos, pensava em como seria minha conversa com Tuti.
A comida da mamãe era tão maravilhosa que não conseguia para de comer.
– Ico pode me levar até meu quarto por favor, estou um pouco cansada. — Me despedi de todos e fui me deitar um pouco.
No dia seguinte, antes que a mamãe viesse me levantar e me ajudar, peguei meu celular pela primeira vez e entrei no meu Facebook. Havia muitas mensagens, diziam aquelas mesmas coisas que ouvia no hospital e eu li cada uma delas. Ana então entra no quarto e fecha a porta.
– Me ajuda. — Ela se senta. — Quero contar para a mamãe sobre o bebê.
– Sério? É claro que eu te ajudo. Eu vou com você. — Ela me ajuda a levantar e a me vestir.
Chegamos na sala e minha mãe para o que estava fazendo.
– Que caras são essas? — Ela pergunta.
– Mãe se sente um pouco aqui. — Eu então começo a prepara-la para a grande notícia.
– Eu conheço vocês duas, o que está acontecendo? — Ela se senta e espera.
– Vamos Ana. — Eu falo.
– Mãe, você lembra quando eu a Elisa discutíamos querendo saber de que boneca você mais gostava? — Ana pergunta.
– Claro que sim, eu dizia que gostava das duas igual e que quando vocês tivessem um filho de verdade eu também ia amá-los igual. — Ela responde. — Mas porque está me dizendo isso querida?
– Sabe aquela boneca? Eu vou ter uma de verdade. — Ela abaixa a cabeça esperando que a mamãe lhe desse uma bronca daquelas.
Minha mãe se levanta e fica um tempo parada pensando naquilo que Ana tinha dito.
– Mãe, diz alguma coisa. — Eu digo.
Ela vai em direção da Ana, para na sua frente e levanta sua cabeça pelo queixo. Então se agacha e beija a barriga da minha irmã. Nós duas respiramos aliviadas e ela e mamãe se abraçam e depois abaixam para que eu também pudesse abraçá-las.
– Eu amo vocês. — Eu falo no meio daquele abraço.
Enquanto Ana conta tudo sobre a gravidez e de que não sabia quem era o pai e a mamãe a acalma dizendo que ajuda não faltaria para ela, alguém bate na porta.
– Eu atendo! — Ico corre para abrir a porta.
– Oi Henrrico, quero falar com ela. — Logo reconheço a voz dele.
– Éli. — Ico entra e vem me chamar sem que Tuti ouvisse.
– Já sei. — Ele me leva até a porta.
Tuti estava com um vaso de Orquídeas na mão e com uma camiseta dos Beatles que eu tinha dado para ele.
– Essa propaganda barata de menino perfeito não funciona mais comigo. — Eu digo ao vê-lo e dou de ombros.
– Então acha que estou perfeito? — Ele dá aquele sorriso.
– Entre. — Eu o convido.
– Não espera. Quero te levar em um lugar, quer dizer, em alguns lugares. — Olho para a mamãe que veio ver quem era e ela diz que sim com a cabeça.
– Só vai ter que empurrar essa cadeira. — Eu digo e olho para as rodas da minha cadeira de rodas.
– Será um prazer. — Ele então se posiciona atrás da cadeira, venda os meus olhos e começa a empurrá-la.
Fiquei curiosa para saber onde iria me levar mas ele não disse o caminho inteiro.
– Chegamos. — Eu tiro as vendas e nós estávamos no porão.
– Sei que não é nenhuma surpresa estarmos aqui, mas queria que fosse aqui que você conhecesse ela. — Tuti diz. — Maria! Venha aqui querida.
A pequena Maria então entra no porão. Eu fiquei paralisada olhando para ela.
– Quem é ela papai? — Ela pergunta para Tuti.
– Venha, sente-se aqui com o papai. — Os dois se sentam no sofá que a vovó deu. — Você lembra da Elisa que o papai te contou?
– É ela? — Tuti balança a cabeça olhando para mim.
Maria então se levanta e vem em minha direção. Ela pega na minha mão como se já me conhecesse e olha para a cadeira de rodas.
– Você está doente? — Ela me pergunta.
– Maria. — Tuti tenta fazer com que ela parasse.
– Deixa. — Eu sussurro para ele. — Eu estive muito doente, mas agora eu estou bem, só tenho que andar nela por um tempo.
– Quanto tempo? — Ela faz outra pergunta.
– Até eu melhorar. — Eu respondo.
– Papai dá pra ela aquele remédio docinho que você me dá quando eu estou com dor de barriga. — Ela diz e nós dois rimos.
– Eu vou dar sim meu amor. — Ele diz.
Ela era tão doce, e o que Tuti tinha dito na carta fazia todo sentido.
Fale com o autor